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A Caverna dos Antigos (5)

Posted by on 31/10/2016

caverna-dos-antigos-lobsang-rampaEste é um livro que trata do Oculto e dos Poderes do Homem. É livro simples, no sentido de que nele não há “palavras estrangeiras”, palavras em sânscrito, nem coisa alguma de línguas mortas. A pessoa média quer SABER as coisas, e não ficar a adivinhar palavras que o autor médio tampouco compreende!

Se um autor sabe trabalhar, pode escrever, sem ter de disfarçar sua falta de conhecimento com o emprego de uma língua estrangeira. Um número demasiado de pessoas deixa-se envolver pela confusão. As leis da Vida são realmente simples; não há necessidade alguma de revesti-las de cultos místicos ou pseudo-religiões. Tampouco existe qualquer necessidade de que alguém afirme ter tido “revelações divinas”. QUALQUER PESSOA pode obter as mesmas “revelações”, se se esforçar por alcança-las…

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

T. LOBSANG RAMPA, e o livro “A CAVERNA DOS ANTIGOS”

Nenhuma religião tem em si as Chaves do Céu, nem pessoa alguma será condenada para sempre, por ter entrado em uma igreja com o chapéu na cabeça, ao invés de tirar os sapatos. À entrada das lamaserias tibetanas, lê-se a inscrição: “Mil monges, mil religiões”.

lobsang_rampaQualquer que seja nossa crença, se ela englobar o “faze ao próximo o que queres que te seja feito”, teremos êxito, quando soar o Chamamento final. Alguns dizem que o Conhecimento Interior só pode ser obtido ingressando-se neste ou naquele culto, ao mesmo tempo em que se faça o pagamento de uma contribuição substancial.

As Leis da Vida dizem: “Procura e encontrarás”. Este livro é o fruto de toda uma vida, de ensinamentos obtidos nas grandes lamaserias do Tibete e de poderes conquistados por uma observância rigorosa das Leis. Trata-se de conhecimento transmitido pelos Antigos, e se acha inscrito nas Pirâmides do Egito, nos Altos Templos da Cordillheira dos Andes e no maior de todos os repositorios de conhecimentos ocultos do mundo, o Planalto do Tibete – T. LOBSANG RAMPA [Nasceu: Cyril Henry Hoskin-8 April 1910, em Plympton, Devon, United Kingdom – Morte: 25 January 1981 (aged 70) Calgary, Alberta, Canada]


Capítulo 5

Segui às pressas pelos corredores, fazendo as curvas correndo, para perigo daqueles que se achassem à minha frente. Um velho monge agarrou-me ao passar, sacudiu-me e disse:

—Não é correto andar com tanta pressa, menino! Não é assim que faz o verdadeiro budista! Depois, fitou minha face e reconheceu-me como pupilo do Lama Mingyar Dondup. Emitindo um som semi-engasgado, que se assemelhava a um “Ulp!”, deixou-me cair como se fosse uma batata quente e saiu correndo, a seu turno. Segui calmamente o meu próprio rumo. À entrada da sala de meu guia, detive-me com tal solavanco que quase caí. Com ele, encontravam-se dois Abades de alta graduação. Minha consciência doía de modo horrível. O que eu fizera, dessa vez? Pior ainda: qual de meus numerosos “pecados” fora descoberto? Os Abades mais graduados não esperavam pelos meninos, a menos que se tratasse de notícias muito más para os mesmos. As pernas se tornaram patente e incomodamente fracas, e vasculhei a memória para ver se fizera algo que pudesse causar minha expulsão de Chakpori. Um dos Abades olhou para mim, e sorriu com tanto calor quanto um velho iceberg. O outro me fitou com um semblante que parecia esculpido em alguma rocha dos Himalaias. Meu guia riu.

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—Você, por certo, tem uma consciência culpada, Lobsang. Ah! Estes Reverendos Irmãos Abades também são lamas telepáticos, — aduziu, com uma risadinha.

O mais patibular dos dois Abades fitou-me com dureza e, em voz que fazia lembrar rochas rolando pelas montanhas, disse:

—Terça-Feira Lobsang Rampa, O Mais Precioso determinou investigações pelos quais ficou decidido que você seja Reconhecido como a Encarnação atual de… Minha cabeça rodopiava, e eu mal conseguia acompanhar o que ele dizia, e quase não ouvi suas observações finais. — … e o estilo, patente e título de Senhor Abade lhe sejam conferidos, por esse motivo, em cerimônia cujo local e hora serão determinados posteriormente.

Os dois Abades fizeram mesuras solenes para o Lama Mingyar Dondup, e depois para mim, com o mesmo ar de solenidade. Apanhando um livro, saíram, e gradualmente o som de seus passos desapareceu. Permaneci ali, como aturdido, olhando o corredor por onde tinham ido. Uma gargalhada estrondosa e o aperto de uma mão em meu ombro trouxeram-me de volta à realidade.

—Agora, você sabe qual é o motivo de toda a correria. As provas serviram apenas para confirmar o que sabíamos por todo o tempo. É necessária uma comemoração especial entre você e eu, e depois tenho algumas notícias interessantes para lhe dar. Levou-me a outra sala, e ali havia uma verdadeira refeição indiana. É desnecessário dizer que não foi preciso encorajar-me a fazê-la. “Ataquei-a” logo em seguida! Mais tarde, quando já não mais podia comer coisa alguma, quando a simples visão da comida restante fazia com que eu passasse mal, meu guia ergueu-se e seguiu à frente para a outra sala.

—O Mais Precioso deu-me permissão para lhe falar sobre a Caverna dos Antigos — disse, aduzindo imediatamente: — Ou melhor, O Mais Precioso sugeriu que eu lhe fale sobre isso. Dedicou-me um olhar de esguelha e em seguida, quase em sussurro, observou: —Vamos mandar uma expedição lá, dentro de poucos dias. Senti a animação irromper em mim e tive a impressão impossível de que talvez estivesse indo “para casa”, para um lugar que conhecera antes. Meu guia me observava com muita atenção, muitíssima mesmo. Quando o fitei, sob a intensidade de seu olhar, ele assentiu.

—Como você, Lobsang, eu recebi preparo especial, oportunidades especiais. O meu Mestre foi um homem que há muito passou desta vida, e cujo Invólucro vazio se acha, neste momento, no Salão de Imagens Douradas. Com ele, viajei muito por todo o mundo. Você, Lobsang, terá de viajar sozinho. Agora, fique quieto e sentado, pois vou falar sobre a descoberta da Caverna dos Antigos. Umedeci os lábios, pois era aquilo o que eu desejava ouvir, havia já algum tempo. Na Lamaseria, como em qualquer comunidade, espalhavam-se com freqüência boatos, em recantos discretos. Alguns eram boatos mesmo, logo à primeira vista, e nada mais do que isso. Aquilo, entretanto, era diferente, e de algum modo eu acreditava no que ouvira.

— Eu era um lama muito jovem, Lobsang — principiou meu guia. — Com o meu Mestre e três lamas jovens, estávamos explorando algumas das cordilheiras mais distantes. Semanas antes, tinha ocorrido um estrondo extraordinariamente alto, acompanhado por grande queda de rochas. Partimos para investigar o que ocorrera. Durante dias, rondamos ao redor da base de enorme pináculo de rocha. Ao amanhecer do quinto dia, meu Mestre acordou, mas não estava desperto; parecia encontrar-se aturdido. Falamos com ele, sem obtermos resposta. Fiquei preocupadíssimo, julgando que ele adoecera, e imaginando como o levaríamos por aquele caminho extensíssimo até um lugar seguro. Entorpecido, como se tomado por algum poder estranho, ele se pôs em pé, caiu e finalmente ficou em pé, ereto. Cambaleando, sacudindo-se e movendo-se como um homem em transe, seguiu à frente. Nós o acompanhamos, cheios de medo e tremores. Subimos a superfície íngreme da rocha, com chuveiros de pedras pequenas a tombarem sobre nós.

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— Finalmente, chegamos à beira aguçada do cimo da cordilheira, e ali ficamos a olhar. Tive uma sensação de desapontamento profundo. Diante de nós estava um pequeno vale, a essa altura quase cheio de pedras enormes. Ali, evidentemente, tivera origem a queda de rochas. Algum defeito na rocha se apresentara, ou ocorrera algum tremor da terra, deslocando parte da encosta da montanha. Grandes falhas de rocha recém-exposta nos fitavam, à luz brilhante do sol. O musgo e o líquen pendiam, desconsolados, privados agora de qualquer apoio. Voltei-me para o outro lado, cheio de desgosto. Nada havia ali para atrair-me a atenção, nada, senão um grande desabamento de rochas. Voltei-me, para começar a descer, mas fui imediatamente detido por um “Mingyar!” murmurado. Um de meus companheiros estava apontando. Meu Mestre, tomado ainda por alguma estranha compulsão, descia pela encosta da montanha. Eu permanecia sentado e fascinado, meu guia parou de falar por momentos, tomou um gole de água, após o que prosseguiu:

—Nós o observávamos, com algum desespero. Devagar, ele desceu pelo lado da rocha, dirigindo-se ao chão coberto de outras, no pequeno vale. Acompanhamo-lo com relutância, contando que a qualquer momento íamos escorregar naquele lugar perigoso. Chegado ao fundo, meu Mestre não hesitou, e tomou cuidadosamente por um caminho em meio às pedras imensas, até chegar ao outro lado do vale. Para nosso horror, começou a subir com as mãos e pés, que nos eram invisíveis, embora estivéssemos poucos metros atrás. Nós o acompanhamos, relutando ainda. Não podíamos tomar outro rumo, não podíamos regressar e dizer que nosso superior se afastara de nós, subindo, e que havíamos tido medo de acompanhá-lo… por mais perigosa que fosse a escalada. Subi primeiro, escolhendo o caminho com muito cuidado. Era rocha dura, o ar era rarefeito. Logo a respiração arquejava-me na garganta e meus pulmões estavam tomados por uma dor seca e aguda. Em um beiral estreito, a uns cento e cinqüenta metros do vale, fiquei estendido, resfolegando. Ao olhar para cima, antes de retomar a escalada, vi o manto amarelo de meu Mestre desaparecer sobre o outro beiral, lá em cima. Com decisão implacável, prendi-me à face da montanha, arrastando-me sempre para cima. Meus companheiros, tão relutantes quanto eu, vinham atrás. A essa altura, estávamos fora do abrigo proporcionado pelo pequeno vale e o vento forte fazia nossos mantos esvoaçarem. Pequenas pedras choviam, lá de cima, e a escalada era bem difícil. Meu guia fez uma pausa momentânea, para tomar outro gole de água e verificar se eu estava ouvindo. Estava, naturalmente!

—Afinal — prosseguiu ele — encontrei um beiral em nível com os dedos. Firmando-me bem, e dizendo aos outros que tínhamos chegado a um lugar onde se podia descansar, eu me alcei para lá. Havia um socalco, em declive suave para a parte ide trás, de modo que era inteiramente invisível do outro lado da cordilheira. De início, aquele ressalto parecia ter uns três metros de largura. Não parei para ver mais, mas me ajoelhei, de modo à poder ajudar os outros a subir, um por um. Logo estávamos juntos, tremendo no vento, após todo aquele esforço. Era patente que o desabamento de rochas descobrira aquele ressalto e… quando olhei melhor, havia uma fenda estreita na muralha da montanha. Havia, mesmo? De onde nos encontrávamos, podia ser uma sombra ou a mancha de líquens escuros. Tomados pelo mesmo impulso, seguimos à frente. Era realmente uma fenda, com pouco mais de dois palmos de largura e uns cinco de altura. Não havia qualquer sinal de meu Mestre. Eu conseguia visualizar bem a cena, mas aquele não era o momento adequado para introspecção. Não queria perder uma só palavra!

—Voltei atrás, para ver se meu Mestre subira mais alto — prosseguiu meu guia —, mas não havia qualquer sinal dele. Temeroso, espiei a fenda. Era tão escura quanto um túmulo. Centímetro por centímetro, encurvado de modo doloroso, eu entrei. A uns quinze palmos além, fiz uma volta bastante aguda, outra, e depois outra. Se não estivesse paralisado de medo, teria gritado de surpresa; ali havia luz, uma luz prateada e macia, mais brilhante do que o luar que mais brilhasse. Luz que eu nunca vira antes. A caverna em que me encontrava era espaçosa, o teto invisível na escuridão lá em cima. Um dos companheiros me empurrou, fazendo-me sair da frente, e foi por sua vez empurrado por outro. E logo nós quatro estávamos silenciosos e assustados, tendo diante de nós aquela visão fantástica. Uma visão que teria feito qualquer um de nós pensar que enlouquecera. A caverna era como uma sala imensa, estendendo-se a distância, como se a própria montanha fosse oca. A luz se achava por toda a parte, iluminando-nos de um número de globos que pareciam suspensos na escuridão do teto. Máquinas estranhas estavam ali, em profusão, máquinas como jamais poderíamos ter imaginado; Até mesmo do teto alto pendiam aparelhos e mecanismos. Alguns, notei com grande espanto, estavam cobertos com o que parecia ser o mais puro vidro. Meus olhos deviam estar arregalados, pois o lama sorriu para mim, antes de retomar a narrativa.

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—A essa altura, tínhamos esquecido inteiramente o meu Mestre, quando ele apareceu de repente, e nós demos um salto, de susto! Ele riu de nossos olhares e semblantes assustados. Agora, como víamos, não mais estava tomado por aquela compulsão estranha e irresistível. Juntos, andamos por ali, examinando aquelas máquinas estranhas. Para nós, não tinham qualquer significado, eram apenas conjuntos de metal e estruturas de forma estranha e exótica. Meu Mestre seguiu à frente, para um painel negro bastante grande, aparentemente escavado em uma das paredes da caverna. Quando estava a ponto de apalpar-lhe a superfície, o mesmo se abriu. Já estávamos quase no ponto de acreditar que todo o lugar era enfeitiçado, ou que tínhamos caído sob o poder de alguma força alucinatória. Meu Mestre deu um salto para trás, com algum alarme. O painel negro se fechou. Com grande audácia, um de meus companheiros estendeu a mão e o painel se abriu de novo. Uma força à qual não podíamos resistir impelia-nos à frente. Lutando em vão contra cada passo que dávamos, éramos… de algum modo… obrigados a entrar pela porta do painel. Lá dentro estava escuro, tanto quanto uma cela de eremita.

Ainda movidos pela mesma compulsão irresistível, seguimos por boa distância e nos sentamos no chão. Minutos inteiros ficamos ali sentados, tremendo de medo. Como nada acontecesse, recuperamos certa calma, e ouvimos então uma série de estalidos, como se houvesse metal batendo e arranhando metal. Involuntariamente, estremeci. Achava que eu, em lugar deles, teria morrido de medo! Meu guia prosseguiu:

—Devagar, de modo quase imperceptível, uma incandescência embaciada se formou na escuridão à frente. De início, era apenas uma leve indicação de luz azul-roxa, quase como se um fantasma se estivesse materializando diante de nossos olhos. A luz embaciada se estendeu, fazendo-se mais brilhante, de modo que podíamos ver os esboços de máquinas inacreditáveis que enchiam aquele salão grande, a não ser o centro onde nos encontrávamos sentados. A luz parecia fortalecer a si própria, girando, esmaecendo, tornando-se mais brilhante, e depois adotou uma forma esférica, que reteve. Tive a impressão estranha e inexplicável de maquinaria antiquíssima, que começava devagar a ranger, entrando em movimento e operação, após milhões de anos. Nós cinco estávamos juntos, no chão, literalmente fascinados. E logo veio uma sondagem, dentro de meu cérebro, como se Lamas telepáticos dementes estivessem brincando, mas essa impressão se tornou tão clara quanto a fala. Meu guia pigarreou e estendeu novamente a mão para beber água, fazendo-a pairar em meio do caminho.

—Vamos tomar chá, Lobsang, — disse, e tocou a sineta de prata. O monge-ajudante sabia, obviamente, o que queríamos, pois entrou trazendo chá — e bolinhos!

— Dentro da esfera de luz víamos imagens, — disse o Lama Mingyar Dondup.

— Nebulosas de início, mas logo se clareavam e deixavam de ser imagens. Ao invés disso, estávamos realmente vendo os acontecimentos. Eu já não me podia conter mais:

—Mas, Honrado Lama, o que viram? — perguntei, em impaciência febril. O lama estendeu o braço e serviu-se de mais chá. Ocorreu-me, então, que jamais o vira comendo aqueles bolinhos da Índia. O chá, sim, ele tomava muito chá, mas jamais o vi comer alguma coisa senão o alimento mais parcimonioso e simples. Os gongos soaram para o serviço do templo, mas o lama não se moveu. Quando o último dos monges já passara por ali, apressadamente, ele suspirou fundo, e disse:

—Agora, prosseguirei. —Foi isto o que vimos e ouvimos, e que você verá e ouvirá, no futuro não muito distante. Muitos milhares de anos antes, houve uma grande (e ANTIGA) civilização neste mundo (ATLÂNTIDA). Os homens podiam voar no ar, com máquinas que desafiavam a gravidade (chamdas de Vailx). Conseguiram fazer máquinas que imprimiam pensamentos no espírito de outros… pensamentos que se apresentariam como imagens… Dispunham da fissão nuclear, e finalmente detonaram uma bomba que só faltou arruinar o mundo, fazendo com que continentes mergulhassem nos oceanos e outros surgissem à tona. O mundo foi dizimado e assim, por meio das religiões desta terra, temos a história do Dilúvio (em 10.986 a.C.). Essa última parte não me impressionou.

—Senhor! — exclamei. — Podemos ver imagens assim, no Registro Akáshico. Para que escalar montanhas perigosas, só para ver o que podemos examinar com mais facilidade aqui?

—Lobsang — disse meu guia, com ar grave-— podemos ver tudo no astral e no Registro Akáshico, pois este último contém o registro de tudo quanto aconteceu. Podemos ver, mas não podemos tocar. Na viagem astral, podemos ir a lugares diversos e regressar, mas não podemos tocar em coisa alguma do mundo. Não podemos — disse ele, com um largo sorriso — levar sequer um manto de reserva, nem trazer de lá uma flor. O mesmo acontece com o Registro Akáshico. Podemos ver tudo, mas não examinar pormenorizadamente aquelas máquinas estranhas, guardadas nos salões das montanhas. Vamos às montanhas, e vamos examinar as máquinas.

—Que estranho — observei — que essas máquinas viessem a existir apenas em nosso país, havendo tantos outros lugares no mundo!

— Oh! Mas você está errado! — explicou meu guia. — Há uma câmara semelhante em certo lugar do Egito. Existe outra câmara, com máquinas idênticas, num lugar chamado América do Sul. Eu as vi, sei onde estão. Essas câmaras secretas foram ocultas pelos povos antigos, de modo que seus artefatos fossem encontrados por uma geração posterior, quando chegasse o momento propicio. Esse desabamento repentino de rochas barrou, por acidente, a entrada da câmara no Tibete e, uma vez lá dentro, tomamos conhecimento das demais câmaras. Mas o dia já vai longe. Logo, sete de nós… e isso inclui você… partiremos em jornada mais uma vez para a Caverna dos Antigos.

Pedestrians and vehicles make their way past the Potala Palace early on a rainy morning in Lhasa, capital of the Tibet Autonomous Region in China, Saturday, Sept. 19, 2015. Chinese officials have taken foreign journalists on a visit to the region, normally off-limits to them, weeks after Communist Party officials commemorated the 50th anniversary of the establishment of the Tibet Autonomous Region. (AP Photo/Aritz Parra)

Durante dias seguidos, minha animação e excitação deixou-me febril. Tinha de guardar tal conhecimento sem o transmitir aos demais. Os outros saberiam que íamos partir para as montanhas, em expedição destinada a colher ervas. Até mesmo num lugar tão isolado quanto LHASa havia quem se mantivesse em vigia constante, procurando o ganho financeiro. Os representantes de outros países, tais como a China, a Rússia e a Inglaterra, alguns missionários, e os comerciantes que vinham da Índia, todos estavam prontos a ouvir novidades sobre onde guardávamos nosso ouro e jóias, sempre prontos a explorar qualquer coisa que lhes prometesse lucro. Assim, mantivemos em grande segredo a verdadeira natureza de nossa expedição. Mais ou menos duas semanas depois dessa conversa com o Lama Mingyar Dondup, estávamos prontos para partir, prontos para a escalada prolongada, muito prolongada das montanhas, passando por ravinas pouco conhecidas e trilhas escarpadas.

Os comunistas estão hoje no Tibete, de modo que a localização da Caverna dos Antigos é deliberadamente oculta, pois se trata de um lugar verdadeiro, sem a menor dúvida, e a posse dos artefatos ali existentes facultaria aos comunistas a conquista do mundo inteiro. Tudo isto, tudo isto que escrevo, é verdade, a não ser o modo exato de chegar àquela Caverna. Em um lugar secreto, o ponto preciso, completo com referências e desenhos, foi anotado em papel, de modo que quando chegar o momento as forças da liberdade possam encontrá-lo. Devagar, escalamos a trilha da Lamaseria de Chakpori, seguindo para o Kashya Linga, passando por aquele Parque enquanto tomávamos a estrada que leva à barca, onde o barqueiro se achava à nossa espera, com sua embarcação de couro de iaque cheio de ar, à margem da corrente. Éramos sete, eu incluído, e a travessia do rio, o Kyi Chu, levou algum tempo.

Finalmente, reunimo-nos outra vez na outra margem. Pondo aos ombros nossas cargas, comida, cordas, um manto de reserva para cada um e algumas ferramentas de metal, partimos em direção ao sudoeste. Caminhamos até que o sol poente e as sombras cada vez mais compridas tornassem difícil para nós ver o caminho, em meio à trilha pedregosa. Depois, na escuridão que se formava, fizemos uma refeição modesta com tsampa, antes de nos deitarmos para dormir, no lado abrigado do vento, em meio a grandes pedras. Adormeci quase no mesmo instante em que apoiei a cabeça no manto de reserva. Muitos monges tibetanos, com o grau de lama, dormem sentados, como determinam os regulamentos. Eu, como muitos outros mais, dormia deitado, mas tinha de seguir a regra de que só poderíamos dormir deitados sobre o lado direito. Minha última visão, antes de adormecer, foi a do Lama Mingyar Dondup, sentado como uma estátua esculpida, em silhueta contra o céu escuro da noite.

À primeira luz do amanhecer, despertamos e fizemos uma refeição muito frugal. Em seguida, retomando as cargas, prosseguimos a marcha. Andamos por todo aquele dia, e mais o seguinte. Passamos pelos contrafortes e chegamos às cordilheiras realmente montanhosas. Logo éramos reduzidos à necessidade de nos amarrarmos por cordas e mandar o homem mais leve — era eu! — atravessar fendas perigosas em primeiro lugar, para que as cordas pudessem ser amarradas em pináculos de rocha e, assim, permitir passagem segura aos mais pesados. Assim é que prosseguimos, escalando as montanhas. Finalmente, quando estávamos ao pé de uma enorme fachada rochosa, quase destituída de lugares onde apoiar mãos e pés, meu guia, o Lama Mingyar Dondup, disse:

— Passaremos por esta laje, desceremos pelo outro lado, e depois de atravessarmos o vale pequenino que vamos encontrar, estaremos ao pé da Cavirna. Sondamos ao redor da base da laje, procurando onde segurar com as mãos. Aparentemente, outros desabamentos rochosos, ao correr dos anos, haviam obliterado as pequenas reentrâncias e rachaduras. Depois de perdermos quase todo um dia encontramos uma “chaminé” de rocha, pela qual subimos, utilizando as mãos e pés, e apoiados com as costas no outro lado da “chaminé”. Ofegantes, resfolegando naquele ar rarefeito, subimos ao alto, e dali espiamos. Estava à nossa frente o vale, finalmente.

Fitando com atenção a muralha ao longe, não podíamos perceber caverna alguma, nem qualquer rachadura na superfície lisa da rocha. O vale, lá embaixo, estava coberto de grandes pedras e — o que era pior — havia um córrego volumoso, um desses cursos de água de montanha, passando pelo centro. Com cautela, descemos para o vale e seguimos até a margem daquele riacho rápido, chegando a um ponto onde pedras grandes propocionavam uma paisagem difícil àqueles que tinham habilidade para saltar de uma pedra para outra.

Eu, que era o menor de todos, não tinha pernas suficientemente compridas para os saltos, de modo que fui ignominiosamente puxado em meio à corrente de água gelada, atado a uma extremidade de corda. Outro infeliz, lama pequeno e um tanto rotundo, errou um salto — e também foi puxado na ponta de uma corda. Na margem oposta, torcemos os mantos encharcados e voltamos a vesti-los. A água em borrifo nos molhou até a pele. Seguindo cautelosamente sobre as pedras, atravessamos o vale e nos aproximamos da barreira final, a laje de rocha. Meu guia, o Lama Mingyar Dondup, apontou para uma cicatriz nova na superfície da mesma. — Olhei — disse.

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Monte Everest

— Um outro desabamento de rochas acabou com o primeiro degrau pelo qual nós subimos. Recuamos bastante, procurando ter a visão completa da ascensão a empreender. O primeiro degrau estava a uns doze palmos acima do chão, e não havia outro caminho. O lama mais alto e rijo ficou com os braços estendidos, comprimindo-se à face da rocha, e depois o mais leve dos lamas subiu em seus ombros e se colocou igualmente. Finalmente, fui erguido, de modo a poder subir aos ombros do homem de cima. Tendo uma corda atada à cintura, cheguei ao degrau. Lá embaixo, os monges davam ordens enquanto, devagar, quase morrendo de medo, eu subia mais, até poder atar a extremidade da corda a um pináculo da pedra. Acocorei-me ao lado da laje enquanto, um após outro, os seis lamas subiram pela corda passada por mim e continuaram em sua ascensão. O último desatou a corda, atou-a ao redor da cintura e acompanhou os demais.

Logo a extremidade pendia diante de mim e um grito me dizia que fizesse um laço ao redor de mim mesmo, para que eu pudesse ser suspenso. Minha altura não bastava para alcançar todos os degraus sem auxílio. Descansei de novo, em etapa bem mais elevada, e a corda foi levada para cima. Finalmente, vi-me puxado até o degrau mais alto de todos, onde os demais componentes da expedição me esperavam. Sendo homens bondosos e dotados de consideração, haviam aguardado por mim, de modo que pudéssemos entrar todos, juntos, na Caverna, e confesso que meu coração se aqueceu, diante dessa atitude.

—Agora, que já suspendemos o Mascote, podemos continuar, — resmungou um deles.

—Sim — repliquei —, mas o menor de todos teve de subir primeiro, do contrário vocês não estariam aqui! Eles riram e se voltaram para uma fenda bem oculta na rocha. Eu olhava, imensamente espantado. De início, não conseguia ver a entrada. Tudo que divisava era uma sombra escura, que se assemelhava ao curso seco de um rio, à mancha de líquens diminutos. E então, ao atravessarmos o ressalto, vi que realmente havia uma fenda na superfície da rocha. Um lama enorme agarrou-me pelos ombros e me empurrou para a entrada, dizendo em tom bonachão:

—Você, entre primeiro para espantar todos os demônios da rocha, protegendo-nos.

Assim é que eu, o menor e menos importante da comitiva, fui o primeiro a entrar na Caverna dos Antigos. Arrastei-me para fazê-lo, esfregando-me nos cantos de pedra. Atrás de mim, ouvia o arrastar de pés, enquanto os homens mais corpulentos apalpavam o caminho. De repente, a luz explodiu sobre mim, e por alguns momentos quase me paralisou de pavor. Permaneci imóvel, agarrado à muralha de rocha, fitando a cena fantástica no interior. A Caverna parecia mais ou menos duas vezes o interior da Grande Catedral de LHASa. Diversamente daquela Catedral, sempre envolta no crepúsculo que as lâmpadas de manteiga tentavam dissipar sem o conseguir, ali havia claridade, muito mais intensa do que a lua cheia em noite sem nuvens Não, era muito mais brilhante do que isso; a qualidade da luz deve ter me dado a impressão de luar. Olhei para cima. para os globos dos quais vinha a iluminação. Os lamas reuniam-se a meu lado e, como eu, fitavam primeiramente a fonte de luz. Meu guia disse:

—Os registros antigos indicam que a iluminação aqui já foi muito mais brilhante, que estas lâmpadas estão-se gastando, com a passagem de centenas de séculos.

Por um espaço de tempo prolongado, permanecemos imóveis, silenciosos, como receando despertar aqueles que dormiam há tantos e tantos anos. E então, movidos por impulso comum, caminhamos pelo chão sólido de pedra até a primeira máquina que se apresentava adormecida à nossa frente. Rodeamo-la, temendo tocá-la, mas muito curiosos quanto ao que podia ser. Estava embotada pela idade, mas ainda assim parecia pronta para uso instantâneo — se alguém soubesse o que era, e como pô-la em funcionamento. Outros dispositivos também atraíram nossa atenção, sem resultado. Aquelas máquinas eram demasiadamente avançadas para nós. Segui até onde uma pequena plataforma quadrada, com uns três palmos de largura e corrimões ao redor, se achava no chão.

O que parecia ser um tubo metálico dobrado e comprido estendia-se de uma máquina próxima, e a plataforma estava ligada à outra extremidade do tubo. Ociosamente, pisei no quadrado de corrimões, imaginando o que podia ser. No momento seguinte, quase morri de choque. A plataforma teve um pequeno estremecimento e começou a erguer-se no ar. Fiquei tão desesperado, que me agarrei aos corrimões. Lá embaixo, os seis lamas me olhavam, consternados. O tubo se desdobrara, e fazia a plataforma oscilar, levando-a a uma das esferas de luz. Em desespero, olhei para os lados. Já estava a uns dez metros no ar, e continuava subindo. Meu receio era que a fonte de luz me queimasse inteiramente, como uma mariposa à chama de uma lâmpada de manteiga. Houve um estalido e a plataforma se deteve.

A poucos centímetros de meu rosto, a luz brilhava. Timidamente, estendi a mão — e toda a esfera, ao que notei, era fria como gelo. A essa altura, já recuperara um pouco da compostura, e olhei ao redor. Nisso, um pensamento assustador me ocorreu: como ia descer dali? Saltei de um lado para outro, procurando o modo de escapar, mas não parecia haver. Tentei alcançar o tubo comprido, contando escorregar por ele, mas estava longe demais. Exatamente quando começava a desesperar, houve outro estremecimento e a plataforma começou a descer. Quase sem esperar que ela tocasse o chão, eu saltei! Não ia arriscar-me a subir novamente naquela coisa. Encostada a uma parede distante, achava-se uma grande estátua, cuja visão me causou um calafrio. Era a de um gato com cabeça e ombros de mulher. Os olhos pareciam estar vivos; o rosto exibia uma expressão entre zombeteira e intrigada, que me assustou bastante. Um dos lamas estava de joelhos no chão, fitando com atenção certas marcas estranhas.

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— Olhem! — exclamou. — Esta escrita por imagens mostra homens e gatos conversando, mostra o que é obviamente a alma deixando o corpo e vagando pelos mundos inferiores. Ele estava absorvido pelo zelo científico, examinando as imagens no chão. “Hieróglifos”, foi como os chamou, e contava que todos os demais ficassem igualmente entusiasmados. Aquele lama era um homem de alto preparo, que aprendera as línguas antigas sem qualquer dificuldade. Os demais examinavam as máquinas estranhas, procurando descobrir para que serviam. Um grito repentino fez-nos voltar, com algum alarma. O lama alto e magro estava na parede distante, e parecia ter o rosto enfiado em uma caixa metálica sem brilho. Ali estava ele, a cabeça inclinada, e todo o semblante oculto. Dois homens foram ao seu encontro e o arrastaram do perigo. Ele emitiu um rugido de ira e recuou com pressa!

“É estranho!” eu estava pensando. “Até mesmo os lamas calmos e sábios estão ficando loucos, neste lugar!” Em seguida, o lama alto e magro se afastou para o lado, e outro tomou seu lugar. Até onde eu podia perceber, estavam vendo máquinas em movimento naquela caixa. Finalmente, meu guia, o Lama Mingyar Dondup, apiedou-se de mim e me suspendeu até o que, aparentemente, eram “oculares”. Quando fui suspenso, e pus as mãos em uma empunhadura, como ele mandava, espiei dentro da caixa e vi homens e as máquinas que se achavam naquele salão. Os homens faziam as máquinas funcionar. Vi que a plataforma sobre a qual eu subira até a esfera de luz podia ser controlada, e era um tipo de “escada” móvel, ou melhor, um dispositivo que dispensava as escadas.

A maioria das máquinas ali, ao que observei, eram modelos reais que funcionavam, tais como as que, em anos posteriores, eu veria nos Museus Científicos do mundo. Passamos ao painel na parede sobre o qual o Lama Mingyar Dondup me falara anteriormente, e à nossa aproximação ele se abriu com rangido, tão alto no silêncio do lugar que creio termos todos dado um salto de susto. Lá dentro havia a escuridão, profunda, quase como se tivéssemos nuvens de negrume rodopiando em volta. Nossos pés eram guiados por sulcos rasos no chão. Seguimos por ali, e quando os sulcos terminaram, sentamo-nos. Ao fazê-lo, houve uma série de estalidos, como o de metal raspando em metal, e de modo quase imperceptível a luz surgia na escuridão, afastando-a.

Olhamos ao redor, e vimos mais máquinas, máquinas essas estranhas. Ali havia estátuas e quadros esculpidos em metal. Mal tínhamos tido tempo de relancear os olhos, e a luz pareceu aumentar, formando um globo incandescente no centro do salão. As cores tremulavam, e faixas de luz, sem significado aparente, giravam ao redor do globo. Formaram-se quadros, de início difusos e indistintos, depois tornando-se vívidos e verdadeiros, com efeito tridimensional (hologramas). Observamos, com grande atenção… Aquele era o mundo de Época (ATLÂNTIDA) Muito Remota. Quando o mundo era muito novo. As montanhas se apresentavam onde, agora, havia mares, e agradáveis balneários à beira-mar são, hoje, cumes de montanhas. O clima era mais quente, e criaturas estranhas corriam pelo chão. Tratava-se de um mundo de progresso cientifico.

Máquinas estranhas passavam por ali, voando a alguma distância da superfície da terra, ou a quilômetros de altura; grandes Templos erguiam os pináculos para o céu, como em desafio às nuvens; os animais e o Homem conversavam telepáticamente entre si. Mas nem tudo era ventura. Políticos lutavam contra políticos, e o mundo se tornou um campo dividido, no qual cada lado cobiçava a terra do outro. A desconfiança e o medo eram as nuvens sob as quais viviam os homens comuns. Os sacerdotes da ambos os lados proclamavam que somente eles eram os favoritos dos deuses. Nas imagens que tínhamos à frente, víamos sacerdotes em arenga, — como hoje — apresentando seu próprio caminho de salvação. Com um preço, porém! Os sacerdotes de cada seita ensinavam que era “dever sagrado” matar o inimigo. Quase ao mesmo tempo, diziam que a Humanidade, em todo o mundo, era composta de irmãos.

O caráter ilógico do fratricídio não lhes passava pela mente. Vimos grandes guerras sendo travadas, com a maioria das baixas entre os civis. As forças armadas, protegidas por sua blindagem, desfrutavam segurança, em sua maior parte. Os idosos, as mulheres e crianças, aqueles que não lutavam, eram os que mais sofriam. Vimos, em relance, cientistas trabalhando em laboratórios, trabalhando para produzirem armas ainda mais mortíferas, trabalhando para produzirem insetos nocivos, maiores e melhores, para jogarem sobre o inimigo. Uma seqüência de quadros revelava um grupo de homens meditativos, planejando o que chamavam uma “Cápsula do Tempo” (o que nós chamávamos a Caverna dos Antigos), onde pudessem preservar para as gerações posteriores os modelos de suas máquinas e um registro pictorial completo de sua cultura e falta de cultura.

Máquinas imensas escavaram a rocha viva no interior das montanhas. Hordas de homens instalaram os modelos e as máquinas. Vimos as esferas de luz fria sendo postas no lugar, substâncias radioativas inertes emitindo luz por milhões de anos. Inertes, por não poderem prejudicar os seres humanos, ativas no sentido de que a luz continuaria, quase até o fim do próprio Tempo. Verificamos que podíamos compreender a língua, e depois foi dada a explicação de que estávamos obtendo telepaticamente a “preleção”. Câmaras como aquela, ou “Cápsulas de Tempo”, achavamse ocultas sob as areias do Egito, sob uma pirâmide na América do Sul, e em certo lugar da Sibéria, na Rússia.

Cada lugar era marcado pelo símbolo da época: a Esfinge. Vimos as grandes estátuas da Esfinge, que não se originaram no Egito, e recebemos a explicação de sua forma. O Homem e os animais conversavam e trabalhavam juntos, naqueles dias distantes. O gato era o animal mais perfeito, no que tangia a poder e inteligência. O próprio Homem é um animal, de modo que os Antigos haviam feito uma figura de um grande gato, para indicar o poder e a resistência, e sobre esse corpo tinham posto os seios e cabeça de uma mulher. A cabeça servia para indicar a inteligência humana, enquanto os seios indicavam que o Homem e o animal poderiam extrair alimento espiritual e mental um do outro. Esse símbolo fora tão comum, na época, quanto as Estátuas de Buda, ou a Estrela de Davi, ou o Crucifixo de nossos dias. Vimos oceanos com grandes cidades flutuantes, que se moviam de uma terra a outra. No céu, pairavam aeronaves igualmente grandes, que se moviam sem fazer ruído. Elas podiam pairar, e quase no mesmo instante adquirir velocidade estupenda.

Sobre a superfície da terra, veículos se moviam a alguns centímetros acima do chão, apoiados no ar por algum método que não podíamos precisar. Pontes se estendiam sobre as cidades, transportando em cabos finos o que pareciam ser estradas. Enquanto observávamos, vimos um clarão vívido no céu, e uma das maiores pontes caiu, em emaranhado de cabos e vigas. Outro clarão, e a maior parte da cidade desapareceu, transformada em gás incandescente. Por cima das ruínas, pairava uma nuvem vermelha, de aspecto estranho e mau, com a forma aproximada de um gigantesco cogumelo com quilômetros de altura.

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Os quadros se desfizeram, e voltamos a ver o grupo de homens que havia planejado as “Cápsulas”. Haviam decidido ter chegado o momento de fechá-las. Findas as cerimônias, vimos que as “recordações armazenadas” estavam sendo postas na máquina. Ouvimos o discurso de despedida, que nos dizia: “Ao Povo do Futuro, se houver algum!” — dizendo também que a humanidade estava a ponto de se destruir, ou isso parecia provável, “e dentro desses cofres estão guardados os registros de nossas realizações e loucuras, para servirem de benefício àqueles de uma raça futura, que tenham a inteligência de descobri-los e, tendo-os descoberto, consigam compreendê-los”. A voz telepática terminou, a tela de imagens enegreceu-se. Ficamos sentados, em silêncio, estupefatos pelo que havíamos visto. Mais tarde, enquanto permanecíamos sentados, a luz voltou e vimos que, na verdade, vinha das paredes daquele aposento.

Erguemo-nos e olhamos ao redor. Aquele Salão também estava cheio de máquinas, havendo muitos modelos de cidades e pontes, todos formados de algum tipo de pedra, ou algum tipo de metal, cuja natureza não conseguimos determinar. Alguns dos objetos expostos estavam protegidos por certo material inteiramente transparente, que nos causava perplexidade. Não era vidro; simplesmente não sabíamos o que era, percebendo apenas que o mesmo nos impedia, de modo eficaz, de tocar alguns dos modelos. De repente, todos nós demos um salto; um olho vermelho e maléfico nos observava, piscando para nós. Eu estava a ponto de sair correndo dali, quando meu guia, o Lama Mingyar Dondup, encaminhou-se para a máquina que ostentava aquele olho vermelho. Fitou-o, tocando os punhos que ali havia. O olho vermelho desapareceu e, ao invés dele, sobre tela pequena, vimos uma imagem de outra sala, mais além do Salão Principal. Em nossos cérebros, chegou uma mensagem: “Ao saírem, vão à sala (???) onde encontrarão os materiais com que fechar qualquer abertura pela qual tenham entrado. Se não atingiram a etapa de evolução em que saibam operar nossas máquinas, fechem este lugar e deixem-no intacto para aqueles que vierem mais tarde”.

Em silêncio, passamos para o terceiro aposento, cuja porta se abriu à nossa aproximação. Continha muitos vasilhames, cuidadosamente fechados, e uma máquina de “pensamento por imagem”, que descreveu para nós como podíamos abrir os vasilhames e fechar a entrada da caverna. Sentamo-nos no chão, falando sobre o que tínhamos visto e assistido.

—Maravilhoso! Maravilhoso! — disse um lama.

—Não vejo coisa alguma maravilhosa nisso, — disse eu, atrevidamente. — Todos nós podíamos ter visto tudo isto, examinando o Registro Akáshico. Por que não examinamos aqueles quadros da corrente do tempo, para ver o que aconteceu, depois de este lugar ser fechado? Os demais se voltaram, com ar indagador, para o componente mais graduado da expedição, o Lama Mingyar Dondup… e assentiu de leve e observou:

— Às vezes, o nosso Lobsang dá sinais de inteligência! Vamos compor-nos e ver o que aconteceu, pois estou tão curioso quanto vocês. Sentamo-nos em posição aproximada à de um círculo, todos de frente para o seu interior, tendo os dedos entrelaçados na forma correta. Meu guia deu início ao ritmo respiratório necessário, e todos acompanhamos sua direção. Devagar, perdemos nossas identidades terrenas, tornando-nos um só, a flutuar no Mar do Tempo. Tudo quanto já aconteceu (esta acontecendo e acontecerá) pode ser visto por quem tenha a capacidade de entrar conscientemente no plano astral, e regressar — consciente — com o conhecimento assim obtido. Qualquer cena da história, por mais tempo que tenha passado, pode ser vista como se a pessoa realmente estivesse presente.

Lembro-me da primeira vez que experimentei o “Registro Akáshico”. Meu guia estivera falando comigo sobre essas coisas, e eu respondera: “Sim, mas o que é ele? Como funciona? Como se pode entrar em contato com coisas que já passaram, que acabaram?” “Lobsang!” ele respondera, “você concordará em que tem uma memória. Consegue lembrar-se do que aconteceu ontem, e no dia anterior, e no anterior àquele. Com algum preparo, poderá lembrar-se de tudo que aconteceu em sua vida. Pode lembrar, com preparo, até mesmo do processo de nascer. Pode ter o que chamamos “recordação total” e isso levará sua memória mais além, a um período anterior ao de seu nascimento. O Registro Akáshico é apenas a “memória” do mundo inteiro. Tudo quanto já aconteceu nesta terra pode ser “rememorado” do mesmo modo como você pode lembrar-se dos acontecimentos passados de sua vida.

Não há mágica nenhuma nisso, mas vamos examinar esse assunto, e o hipnotismo… matéria muito relacionada a ele… em data posterior”. Com nosso preparo, foi realmente fácil localizar o ponto em que a Máquina deixou de apresentar imagens. Vimos a procissão de homens e mulheres, notabilidades da época, sem a menor dúvida, saírem em fila da Caverna. Máquinas com braços enormes fizeram deslizar o que parecia ser metade da montanha, cobrindo a entrada. As rachaduras e fendas onde as superfícies se encontravam foram cuidadosamente fechadas, e o grupo de pessoas e os trabalhadores se retiraram.

As máquinas rolaram para a distância e, por algum tempo, alguns meses, o cenário foi tranqüilo. Depois, vimos um sumo sacerdote de pé nos degraus de uma Pirâmide imensa, exortando seus ouvintes à guerra. As imagens impressas sobre os Pergaminhos do Tempo prosseguiam, mudavam, e vimos o campo oposto. Ali, os dirigentes faziam arengas, incitavam o povo. O tempo avançava. Vimos faixas de vapor branco no azul do céu, e logo elas se transformavam em vermelho. Todo o mundo estremecia e se sacudia. Observávamos, sentindo vertigem. A escuridão da noite tombou sobre o mundo. Nuvens negras, permeadas de chamas vívidas, circulavam ao redor de todo o globo. As cidades queimavam por instantes e desapareciam. Pela terra encapelavam-se os mares em fúria.

Varrendo tudo à frente, uma onda gigantesca, maior do que o mais alto edifício que existira, estrugiu sobre a terra, sua crista carregando os detritos e ruínas de uma civilização que morria. A Terra sacudiu-se e trovejou em agonia, grandes abismos surgiram e voltaram a fechar-se, como a goela enorme de um gigante. As montanhas oscilavam, como os ramos de salgueiro numa tempestade, e submergiam nas águas. Massas de terra se erguiam das águas, tornando-se montanhas. Toda a superfície do mundo se achava em estado de transformação, de movimento contínuo. Alguns sobreviventes dispersos, em meio a milhões, fugiam gritando para as montanhas que se haviam erguido. Outros, navegando em navios que de algum modo tinham conseguido sobreviver à convulsão, chegavam a terras altas e iam para qualquer abrigo que pudessem encontrar. A própria Terra parou, deteve sua direção de rotação, e em seguida passou a girar na oposta.

Florestas ardiam, transformando-se em cinzas no piscar de um olho. A superfície da Terra estava desolada, arruinada, queimada, inteiramente. Bem no fundo de buracos, ou nos túneis de lava de vulcões extintos, um punhado disperso da população humana, enlouquecido pela catástrofe, acocorava-se e manifestava numa algaravia o seu terror. Dos céus negros caía uma substância esbranquiçada, de gosto doce, e que sustinha a vida. No decurso de séculos, a Terra voltou a modificarse. Os mares agora eram terras e as terras que tinham existido eram agora mares. Uma planície baixa tivera suas paredes rochosas rachadas e afundara, e as águas a haviam invadido, para formar o mar hoje conhecido por Mediterrâneo. Outro mar próximo afundou, por uma brecha no seu leito, e quando as águas saíram e o deixaram seco, formou-se o Deserto de Saara.

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Sobre a superfície da Terra, andavam tribos selvagens que, à luz das fogueiras de seus acampamentos, contavam as lendas antigas, falavam do Dilúvio da Lemúria, e da Atlântida. Falavam, também, do dia em que o Sol Ficara Parado. A Caverna dos Antigos jazia sepulta, em meio aos detritos de um mundo semi-afogado. A salvo de intrusos, repousava muito abaixo da superfície da terra. Com o correr do tempo, correntes rápidas removeram os detritos, a terra de aluvião, permitindo que mais uma vez as rochas se apresentassem à luz do sol. Finalmente, aquecida pelo sol e resfriada por uma chuva repentina e gelada, a face da rocha se partiu, com ruído estrondoso, e nós conseguimos entrar.

Sacudimo-nos, estendendo os membros entorpecidos, e nos pusemos em pé, cansados. Havíamos passado por algo que muito nos abalara. Agora, tínhamos de comer, dormir e na manhã seguinte olharíamos outra vez por ali,, para talvez aprendermos alguma coisa. E, então, nossa missão cumprida, fecharíamos a entrada, como fora indicado. A Caverna voltaria a dormir em paz, até que os homens de boa vontade e alta inteligência regressassem. Segui para a boca da Caverna e fitei a desolação, as rochas, e imaginei o que um homem dos Velhos Tempos pensaria, se pudesse erguer-se da sepultura e se pusesse a meu lado, naquele lugar. Quando voltava para o interior, maravilhei-me com o contraste; um lama acendia fogueira, com isca e madeira seca, queimando excremento seco de iaque, que havíamos trazido para esse fim. Ao redor, estavam os artefatos e máquinas de uma era extinta. Nós, homens modernos, aquecíamos água sobre um fogo de estrume, cercados por máquinas tão maravilhosas que se achavam além de nossa compreensão. Suspirei e dirigi meus pensamentos à tarefa de misturar o chá com tsampa.

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