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A Caverna dos Antigos (9)

Posted by on 20/11/2016

caverna-dos-antigos-lobsang-rampaEste é um livro que trata do Oculto e dos Poderes do Homem. É livro simples, no sentido de que nele não há “palavras estrangeiras”, palavras em sânscrito, nem coisa alguma de línguas mortas. A pessoa média quer SABER as coisas, e não ficar a adivinhar palavras que o autor médio tampouco compreende!

Se um autor sabe trabalhar, pode escrever, sem ter de disfarçar sua falta de conhecimento com o emprego de uma língua estrangeira. Um número demasiado de pessoas deixa-se envolver pela confusão. As leis da Vida são realmente simples; não há necessidade alguma de revesti-las de cultos místicos ou pseudo-religiões. Tampouco existe qualquer necessidade de que alguém afirme ter tido “revelações divinas”. QUALQUER PESSOA pode obter as mesmas “revelações”, se se esforçar por alcança-las…

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

T. LOBSANG RAMPA, e o livro “A CAVERNA DOS ANTIGOS”

Nenhuma religião tem em si as Chaves do Céu, nem pessoa alguma será condenada para sempre, por ter entrado em uma igreja com o chapéu na cabeça, ao invés de tirar os sapatos. À entrada das lamaserias tibetanas, lê-se a inscrição: “Mil monges, mil religiões”.

lobsang_rampaQualquer que seja nossa crença, se ela englobar o “faze ao próximo o que queres que te seja feito”, teremos êxito, quando soar o Chamamento final. Alguns dizem que o Conhecimento Interior só pode ser obtido ingressando-se neste ou naquele culto, ao mesmo tempo em que se faça o pagamento de uma contribuição substancial.

As Leis da Vida dizem: “Procura e encontrarás”. Este livro é o fruto de toda uma vida, de ensinamentos obtidos nas grandes lamaserias do Tibete e de poderes conquistados por uma observância rigorosa das Leis. Trata-se de conhecimento transmitido pelos Antigos, e se acha inscrito nas Pirâmides do Egito, nos Altos Templos da Cordillheira dos Andes e no maior de todos os repositorios de conhecimentos ocultos do mundo, o Planalto do Tibete – T. LOBSANG RAMPA [Nasceu: Cyril Henry Hoskin-8 April 1910, em Plympton, Devon, United Kingdom – Morte: 25 January 1981 (aged 70) Calgary, Alberta, Canada]


Capítulo 9

O silencio era profundo, intenso o ar de concentração. Com intervalos longos, vinha um farfalhar quase inaudível, que logo desaparecia outra vez, refazendo-se a tranqüilidade tumular. Olhei ao redor, vendo as longas filas de figuras imóveis e em mantos, sentadas no chão e de costas aprumadas. Eram homens atentos, homens que se concentravam nos feitos do mundo exterior. Alguns, na verdade, estavam mais preocupados com os feitos do mundo fora deste! Meu olhar percorreu o lugar, parando primeiro em uma figura augusta, e depois em outra. Ali estava um grande abade, vindo de um distrito distante. Lá estava um lama, em roupa pobre e humilde, homem que descera das montanhas. Sem pensar, movi uma das mesas compridas e baixas, de modo a ter mais espaço.

O silêncio era opressivo, um silêncio vivo, silêncio que não podia haver, corn tantos homens ali presentes. Crash! O silêncio foi rude e ruidosamente estraçalhado. Eu dei um salto de um palmo acima do chão, em posição sentada, e de algum modo consegui voltar-me, ao mesmo tempo. Estendido por completo no chão, ainda aturdido, estava um mensageiro da Biblioteca, com livros de capa de madeira ainda fazendo ruído a, seu redor. Ao entrar, sobrecarregado, não vira a mesa que eu movera. Esta, tendo apenas uns vinte e cinco centímetros de altura acima do chão, servira para fazê-lo tropeçar. Agora, estava por cima dele. Mãos solícitas recolheram com gentileza os livros, tirando-lhes a poeira. Os livros são objetos reverenciados no Tibete. Eles contêm conhecimento, e jamais devem ser maltratados. Ora, a preocupação tinha por objeto os livros e não o homem. Eu recolhi a mesa, afastando-a do caminho.

Maravilha das maravilhas, ninguém achou que eu devia ser incriminado, de modo algum. O mensageiro, esfregando a cabeça, procurava compreender o que acontecera. Eu não estivera por perto; como era óbvio, não podia tê-ío feito tropeçar. Balançando a cabeça em espanto, ele se voltou e saiu. Logo a calma era restaurada, e os Lamas voltaram à sua leitura na Biblioteca. Tendo danificado minha parte superior e a inferior (falando-se literalmente!) enquanto trabalhava nas cozinhas, eu fora permanentemente banido de lá.

Agora, como trabalho “braçal” eu tinha de ir à grande Biblioteca e espanar os entalhes nas capas de livros e, de modo geral, manter limpo o lugar. Os livros tibetanos são grandes e pesados. As capas de madeira apresentam entalhes intrincados, com o título e muitas vezes também uma ilustração. Era um trabalho pesado, o de erguer os livros das prateleiras, levá-los em silêncio para minha mesa, espaná-los, e depois devolver cada qual a seu lugar. O Bibliotecário mostrava-se muito exigente, examinando cuidadosamente cada livro, para ver se realmente estava limpo. Havia capas de madeira que abrigavam revistas e jornais de países de fora de nossas fronteiras. Eu gostava, de modo particular, de examiná-los, embora não conseguisse ler uma só palavra. Muitos desses jornais estrangeiros, publicados meses antes, apresentavam figuras, e eu as examinava sempre quando possível.

Quanto mais o Bibliotecário procurasse impedi-lo, tanto mais eu me afundava nos livros proibidos, sempre que sua atenção se desviava de mim. As ilustrações de veículos com rodas me fascinavam. Não havia, naturalmente, veículos de rodas em todo o Tibete, e nossas Profecias indicavam com a maior clareza que, com a chegada das rodas ao Tibete, haveria o “início do fim” (do país, com a invasão chinesa). O Tibete seria mais tarde invadido por uma força do mal, que se estendia pelo mundo como uma enorme chaga cancerosa. Esperávamos que, a despeito da Profecia, as nações maiores e mais poderosas não se interessariam por nosso pequeno país, que não tinha intenção guerreira , nenhum desígnio ou intenção quanto ao espaço de vida dos demais povos.

Eu examinava as ilustrações e fiquei fascinado em uma revista (naturalmente não sei qual o seu nome) na qual vi algumas fotos — toda uma série delas — mostrando como esta revista era impressa. Havia máquinas enormes, com grandes rolos e enormes rodas dentadas. Os homens, nas figuras, trabalhavam como maníacos, e eu achei que isso era muito diferente do que acontecia no Tibete. Ali, trabalhávamos com o orgulho do artesanato, com o orgulho de executar bem uma tarefa. Nenhuma ideia comercial entrava no espírito do artesão do Tibete. Voltei-me e examinei novamente aquelas páginas, e então pensei sobre como estávamos fazendo as coisas.

Lá na Aldeia de Shö os livros estavam sendo impressos. Monges-entalhadores habilidosos trabalhavam com boas madeiras, esculpindo caracteres tibetanos, esculpindo-os com a lentidão que garantia a precisão absoluta, a fidelidade absoluta aos menores detalhes. Após os entalhadores terminarem cada tábua de impressão, outros a levariam, dando-lhe polimento, de modo que nenhuma falha ou aspereza ficasse sobre a madeira, após o que a tábua seria levada para exame de outros, que lhe conferiam a precisão com relação ao texto, pois nenhum erro pôde jamais ocorrer em um livro tibetano. O tempo não importava, mas a precisão sim.

tibete-sacerdotes

Com as tábuas todas entalhadas, cuidadosamente polidas e inspecionadas à cata de erros ou falhas, elas passariam aos monges-impressores. Estes punham a tábua voltada para cima em uma bancada, e em seguida a tinta seria passada sobre as palavras em relevo, entalhadas. As palavras, naturalmente, eram todas entalhadas ao inverso, de modo que, quando impressas, apareciam do modo certo. Tendo a tábua tintada e cuidadosamente examinada mais uma vez, para ter a certeza de que nenhuma parte ficara sem tinta, uma folha de papel duro, semelhante ao papiro do Egito, seria rapidamente estendida sobre o tipo, com sua superfície com tinta. Uma pressão suave e em rolo seria aplicada à parte de trás da folha de papel, e a mesma tirada da superfície impressora, com movimento rápido.

Monges-inspetores imediatamente a tomavam, examinando-a com a maior cautela, à procura de qualquer defeito — qualquer falha — e se a houvesse, o papel não seria rasgado ou queimado, mas empilhado e amarrado. A palavra impressa, no Tibete, é tida como semisagrada, sendo considerado um insulto ao conhecimento a destruição ou mutilação de papel que tenha palavras de erudição ou religiosas. Assim é que, com o correr do tempo o Tibete acumulou pilha após pilha, fardo após fardo, de folhas ligeiramente imperfeitas. Se a folha de papel fosse considerada satisfatoriamente impressa, os impressores recebiam ordem para continuar, e produziam diversas folhas, cada uma das quais era tão cuidadosamente examinada à procura de falhas quanto a primeira.

Muitas vezes observei esses impressores a trabalhar, e no curso de meus estudos tive de empreender esse trabalho também. Eu esculpia as palavras impressas, invertidas, dava polimento aos entalhes e, sob supervisão meticulosa, passava a tinta e mais tarde imprimia livros. Os livros tibetanos não são encadernados como os ocidentais. Um livro tibetano é coisa comprida, ou talvez fosse melhor dizer que se trata de coisa larga e muito curta, porque uma linha tibetana se estende por diversos palmos, mas a página pode ter apenas um palmo de altura. Todas as foihas contendo o necessário seriam cuidadosamente estendidas, e no correr do tempo — não havia pressa — secariam. Quando já havia decorrido tempo mais do que suficiente para secar, os livros eram reunidos.

Em primeiro lugar viria uma tábua de base, à qual eram ligadas duas fitas, e depois, sobre essa tábua de base, seriam reunidas as páginas do livro em sua ordem correta, e quando cada livro assim estivesse montado, sobre a pilha de páginas impressas seria colocada outra tábua pesada que formava sua capa. Essa tábua pesada ostentaria entalhes intricados, mostrando talvez cenas do livro e, naturalmente, dando-lhe o título. As duas fitas vindas da tábua de baixo, a essa altura, eram trazidas e amarradas na de cima, e uma pressão considerável era feita, de modo que todas as folhas fossem comprimidas em uma massa compacta. Os livros de valor especial eram, em seguida, cuidadosamente envoltos em seda, e o envoltório selado, de modo que apenas aqueles com autoridade adequada pudessem abri-lo e perturbar a paz desse livro tão cuidadosamente impresso!

A mim parecia que muitas dessas ilustrações ocidentais representavam mulheres com notável falta de roupa; e tal constatação me levava a crer que tais países deviam ser muito quentes; pois, de outra forma, como poderiam as mulheres andar tão descompostas? Em algumas das ilustrações havia pessoas deitadas, obviamente mortas, e de pé sobre elas estaria, talvez, um homem de aspecto vilanaz, tendo um pedaço de cano de metal em uma das mãos, do qual saía fumaça. Jamais pude compreender o intuito daquilo, pois — a julgar por minhas próprias impressões — o povo no mundo ocidental tem seu maior passatempo em andar de um lado para outro, matando-se mutuamente, após o que homens grandes, com roupas estranhas, chegavam e punham coisas de metal nas mãos ou punhos da pessoa que estava com o cano fumegante.

As damas sub-trajadas não me perturbavam, de modo algum, e tampouco despertavam qualquer interesse particular em mim, pois os budistas e hindus e, na verdade, todos os povos do Oriente sabem muito bem que o sexo é necessário à vida humana. Sabia-se que a experiência sexual talvez fosse a mais elevada forma de êxtase que o ser humano podia experimentar, enquanto ainda dotado de carne. Por esse motivo, muitas de nossas pinturas religiosas mostravam um homem e uma mulher — geralmente referidos como Deus e Deusa — no mais apertado dos abraços apertados. Devido a que os fatos da vida e do nascimento fossem tão bem conhecidos, não havia qualquer necessidade especial de disfarçar o que eram fatos e, às vezes, um detalhe se mostrava quase fotográfico.

Para nós, isso não era pornográfico, de modo algum, não era indecente, em absoluto, sendo apenas o método mais conveniente de indicar que, com a união do macho e da fêmea, certas sensações específicas eram geradas, sendo explicado que, com a união (também) das almas, um prazer sexual muito maior poderia ser experimentado, mas que isso, naturalmente, não podia ser neste mundo. Nas conversas com os comerciantes, na cidade de LHASa, na Aldeia de Shö, e aqueles que descansavam ao lado da estrada no Portão Ocidental, recolhi a informação notável de que no mundo ocidental era considerado indecente expor o corpo ao olhar de outra pessoa. Eu não podia compreender o motivo para isso, pois o fato mais elementar da vida era que tinha de haver dois sexos.

Recordava-me de uma conversa com um velho comerciante, que freqüentava a estrada entre Kalimpong, na Índia, e LHASa. Por algum tempo, procurei encontrá-lo no Portão Ocidental, e saudá-lo a cada nova visita bem sucedida à nossa terra. Muitas vezes, ficávamos por ali, por bastante tempo. Eu lhe dava notícias a respeito de LHASa e ele me dava notícias a respeito do grande mundo lá fora. Muitas vezes, também, ele trazia livros e revistas para meu guia, o Lama Mingyar Dondup, e me cabia então a tarefa agradável de entregá-los. Aquele comerciante; certa feita, me disse:

— Eu lhe contei muita coisa a respeito da gente do Ocidente, mas ainda não a compreendo, e há uma das coisas que eles dizem, de modo particular, que não faz sentido algum para mim. É a seguinte: o Homem é feito à imagem de Deus. É o que dizem, mas ainda assim têm medo de mostrar o corpo, que afirmam ser feito à imagem de Deus. Quererá isso dizer, então, que eles sentem vergonha da forma de Deus? Fitava-me com ar indagador e eu, naturalmente, não sabia o que dizer, simplesmente não podia responder à pergunta. O Homem é feito à imagem de Deus. Portanto, se Deus é o supremo na perfeição — como devia acontecer — não devia haver vergonha na exposição de urna imagem de Deus.

masculino-feminino-fogo-sagrado-movimento

Nós, chamados pagãos, não sentíamos vergonha de nossos corpos. Sabíamos que sem o sexo não havia continuação da raça. Sabíamos que o sexo, em ocasiões apropriadas, e em ambientes apropriados, naturalmente, aumentava a espiritualidade de um homem e de uma mulher. Fiquei também atônito, quando soube que alguns homens e mulheres que haviam estado casados, talvez por bom número de anos, jamais tinham visto, sem roupas, o corpo um do outro. Quando fui informado de que eles “se amavam” apenas com as janelas fechadas e a luz apagada, lembro-me de que julguei ter achado que meu informante me tomava por um pateta do interior, realmente imbecil demais para saber o que se passava no mundo, e depois de uma sessão assim resolvi que na primeira oportunidade perguntaria a meu guia, o Lama Mingyar Dondup, a respeito do sexo no mundo ocidental.

Afastei-me do Portão Ocidental, e segui correndo pela estrada, indo ter à trilha estreita e perigosa que nós, os meninos de Chakpori, utilizávamos por gosto, ao invés de usarmos a trilha comum. Ela teria causado medo a um homem das montanhas; freqüentemente, assustava-nos também, mas era uma questão de honra não utilizar a outra trilha, a menos que estivéssemos em companhia dos que nos eram superiores e, presumivelmente, melhores do que nós. A maneira de subir acarretava a escalada, utilizando-se as mãos, em “dentes” escarpados de rocha, pendurados precariamente em certos pontos expostos e, por todo o tempo, fazendo aquelas coisas que nenhuma pessoa supostamente lúcida faria, ainda que para isso recebesse uma fortuna. Por fim, cheguei ao cimo e entrei no Chakpori, passando por um caminho que também era conhecido nosso e que teria feito os Inspetores terem ataques de raiva se soubessem que o utilizávamos.

Assim, finalmente, eu me encontrava dentro do Pátio Interno, muito mais esgotado do que se tivesse vindo pela trilha comum, mas, ao menos, a honra ficara satisfeita. Eu subira um pouco mais depressa do que alguns meninos conseguiam descer. Sacudi as pedrinhas e poeira do meu manto, esvaziei a tigela, onde juntara numerosas plantas pequenas, e achando que estava bastante apresentável, segui à procura de meu guia, o Lama Mingyar Dondup. Ao dar uma volta, vi que ele se afastava de mim, de modo que o chamei:

—Upa! Honrado Lama! Ele parou, voltou-se e caminhou para mim, coisa que possivelmente nenhum outro homem em Chakpori teria feito, pois ele tratava todos os homens e meninos como seus iguais, e costumava dizer que não é a forma externa, não é o corpo que se esteja usando no momento, mas o que há por dentro — o que (AQUILO que) controla o corpo — o que importa. O meu próprio guia era uma Grande Encarnação, que facilmente fora Reconhecida, quando regressara ao corpo. Eu recebia uma lição constante da humildade daquele grande homem, e sempre levava em consideração os sentimentos daqueles que não eram apenas “não tão grandes”, mas de alguns que eram — para dizer a coisa com clareza — dos mais baixos.

—Pois, então, Lobsang! — disse meu guia. — Vi você subindo por aquela trilha proibida e, se eu fosse um Inspetor, você estaria ardendo num bom número de lugares do corpo, neste momento; ficaria muito satisfeito em não ter de sentar-se, por muitas horas. Dito isso, riu e prosseguiu:

—No entanto, eu mesmo costumava fazer coisa bem parecida e ainda sinto o que possivelmente é uma emoção proibida, ao ver outros fazendo o que não posso mais fazer eu próprio. Bem, para que essa pressa, finalmente? Eu o fitei, dizendo:

—Honrado Lama, eu soube de coisas horríveis a respeito da gente do mundo ocidental, e minha mente está em agitação constante, porque; não consigo saber se estão zombando de mim… se estão fazendo com que me torne um imbecil ainda maior do que já sou… ou se as maravilhas que me foram descritas são realmente um fato.

—Venha comigo, Lobsang — disse meu guia. — Eu vou para meu quarto, ia meditar, mas vamos falar sobre essas coisas. A meditação pode esperar. Voltamo-nos, e seguimos lado a lado para o quarto do Lama Mingyar Dondup — aquele que tinha visão por cima do Parque das Jóias. Entrei ali em suas pegadas e, ao invés de sentar-se imediatamente, ele tocou a sineta para que o criado trouxesse chá. Depois, tendo-me a seu lado, foi até a janela, espiando para aquela faixa encantadora de terra. Terra que era um dos mais belos lugares de todo o mundo, talvez.

Lá embaixo, ligeiramente à esquerda, encontrava-se o jardim fértil e arbóreo, conhecido como Norbu Linga, o Parque das Jóias. A bela água clara cintilava entre as árvores, e o pequeno Templo de O Mais Precioso ali se achava em uma ilha, refulgindo à luz do sol. Alguém seguia pelo caminho de pedras — uma trilha na superfície da água, formada de pedras lisas, com espaços vazios entre si, de modo que a água pudesse passar livremente e os peixes não encontrassem obstáculos. Olhei cuidadosamente e julguei poder distinguir um dos altos membros do Governo.

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—Sim, Lobsang, ele vai ver O Mais Precioso — disse o meu guia, em resposta ao pensamento que eu não enunciara em palavras. Juntos, observamos por algum tempo, pois era agradável estar ali, vendo aquele parque com o Rio Feliz cintilando mais além, e dançando, como se tomado pela alegria de um belo dia. Também podíamos ver a Barca — um de meus pontos favoritos, fonte interminável de prazer e espanto, ao ver o barqueiro levar a embarcação feita de peles infladas, atravessando alegremente para a outra margem. Abaixo de nós, entre nó e o Norbu Linga, peregrinos caminhavam devagar pela estrada Lingkor.

Prosseguiam, quase sem olharem para nossa própria Chakpori, mas em vigilância constante, para ver se conseguiam observar alguma coisa de interesse no Parque das Jóias, pois devia ser conhecimento comum entre os peregrinos sempre alertas que O Mais Precioso estaria no Norbu Linga. Eu também via o Kashya Linga, um parque pequeno, com bom número de árvores, que ficava ao lado da Estrada da Barca. Havia uma pequena estrada que dava da Estrada de Lingkor para o Kyi Chu, sendo usada principalmente por viajantes que quisessem usar a Barca. Alguns, entretanto, a utilizavam para chegar ao Jardim dos Lamas, no outro lado da Estrada da Barca. O criado trouxe chá, bem como uma comida saborosa. Meu guia, o Lama Mirigyar Dondup, disse:

—Venha, Lobsang, vamos quebrar nosso jejum, pois homens que vão conversar não devem estar vazios por dentro, a não ser que a cabeça também o esteja! Sentou-se sobre uma das almofadas duras que nós, no Tibete, utilizamos ao invés de cadeiras, pois sentamos no chão com as pernas cruzadas. Assim, fez-me um gesto para que seguisse seu exemplo, e eu obedeci com alegria, porque a visão de comida sempre servia para me apressar. Comemos em silencio relativo. No Tibete, especialmente entre os monges, não era considerado decente falar ou fazer ruído enquanto a comida estivesse à frente. Os monges sozinhos comiam em silêncio, mas se estivessem em uma congregação de número maior, um Leitor faria a leitura, em voz alta, dos Livros Sagrados.

Esse Leitor situar-se-ia num lugar alto, onde, além de ver o livro, pudesse ver a reunião de monges, e ver imediatamente aqueles que se achavam tão dedicados à comida que não tinham tempo para ouvir-lhe as palavras. Quando se formava uma congregação de monges, nesse caso também os Inspetores estariam presentes para impedir que houvesse qualquer fala, a não ser a do Monge Leitor. Nós, entretanto, estávamos sós; e trocamos alguns comentários sem importância, sabendo que muitos dos antigos costumes, tais como permanecer em silêncio às refeições, eram bons para a disciplina para quem estivesse no meio de uma aglomeração de pessoas, mas não eram necessários para dois homens como nós. Assim, em minha presunção, eu me classificava como associado de um dos homens realmente grandes de meu país.

—Bem, Lobsang, — disse meu guia, quando havíamos terminado. — Fale-me do que tanto o incomoda.

—Honrado Lama! — disse eu, com alguma agitação. — Um comerciante que passou por aqui, e com quem andei falando sobre questões de alguma importância, no Portão Ocidental, deu-me algumas informações notáveis acerca das pessoas do Ocidente. Disse que elas consideram nossas pinturas religiosas como coisas obscenas. Contoume algumas coisas inacreditáveis a respeito dos hábitos sexuais delas, e eu ainda creio “que ele estivesse a me fazer de tolo. Meu guia fitou-me, pensou por momento, e depois disse:

—Entrar nessa questão, Lobsang, tomaria mais de uma sessão. Temos de ir a nosso Culto, e o tempo se avizinha para isso. Vamos debater apenas um dos aspectos disso, está bem? Eu aceitei, ansioso, porque estava realmente intrigadíssimo quanto a todo o assunto. Meu guia disse, então:

—Tudo isso provém da religião. A (manipulada) religião do Ocidente é diferente da religião do Oriente. Deveríamos examinar esse aspecto e ver que relação ele tem com o assunto. Endireitou o manto ao redor do corpo, pondo-se mais a cômodo, e tocou a sineta para que o criado levasse as coisas da mesa. Quando isso foi feito, voltou-se para mim e deu início a uma palestra que achei de enorme interesse.

—Lobsang, — disse ele —, devemos traçar um paralelo entre uma das religiões do Ocidente e a nossa própria religião budista. Você perceberá, de suas lições, que os Ensinamentos de nosso Senhor (Siddhartha) Gautama (Buddha) foram um tanto alterados, com o correr do tempo. No decurso dos anos e séculos que se sucederam desde a passagem, nesta terra, de O Gautama e Sua elevação à Budância, Os Ensinamentos que Ele pessoalmente transmitiu sofreram alteração. Alguns de nós acham que eles mudaram para pior. Outros acham que os Ensinamentos foram postos de acordo com o pensamento moderno. Olhou para mim, para ver se eu o acompanhava com atenção suficiente, e se eu compreendia o que ele falava. Eu compreendia, sim, e o acompanhava com perfeição. Ele assentiu para mim, de modo breve, e prosseguiu:

Budhaemmovimento

—Nós tivemos o nosso Grande Ser, a quem chamamos Gautama, a quem outros chamam o Buddha (O “ILUMINADO”). Os católicos também têm o seu Grande Ser. O Grande Ser deles divulgava certos Ensinamentos. A lenda e, na verdade, os registros verdadeiros dão testemunho do fato de que o Grande Ser deles, de acordo com suas próprias Escrituras, andou pelos desertos, na verdade — Significa a etapa atingida por quem se torna um Buddha — . ELE (JESUS) visitou a Índia e o Tibete, à procura de informação, à procura de conhecimento, buscando uma religião que fosse adequada à mentalidade e espiritualidade dos ocidentais. Esse Grande Ser veio a LHASa, e realmente visitou nossa Catedral, o Jo Kang. O Grande Ser, em seguida, regressou ao Ocidente, formulando uma mensagem que era de todos os modos admirável e adequada ao povo ocidental. Com o Passamento desse Grande Ser desta terra… como nosso próprio Gautama passou… certas dissensões surgiram na Igreja Cristã. Uns sessenta anos após esse Passamento, uma Convenção ou Reunião foi efetuada num lugar chamado Constantinopla. Certas alterações foram introduzidas nos dogmas cristãos… certas alterações foram feitas na crença cristã. Provavelmente alguns dos sacerdotes da época achavam que tinham de aduzir alguns tormentos, a fim de manter em ordem alguns dos elementos mais refratários de sua congregação. Fitou-me novamente para ver se eu o acompanhava, e mais uma vez indiquei que não apenas o fazia, mas que me achava imensamente interessado.

—Os homens que compareceram àquela Convenção em Constantinopla, no ano 60, eram criaturas destituídas de simpatia para com as mulheres, exatamente como alguns de nossos monges sentem vertigem apenas por pensarem em uma delas. A maioria dos mesmos encarava o sexo como algo sujo, algo a que só se devia recorrer no caso de necessidade absoluta, a fim de aumentar a população. Eram homens que não tinham grande impulso sexual em si, e certamente se viam dotados de outros impulsos, talvez alguns dos mesmos fossem espirituais… eu não sei… sei apenas que no ano 60 resolveram que o sexo era sujo, que o sexo era obra do demônio. Decidiram que as crianças eram trazidas ao mundo impuras e não mereciam uma recompensa, enquanto, de algum modo, não houvessem sido purificadas. Fez uma pausa momentânea, e sorriu, ao prosseguir:

—Eu não sei o que julgavam que devia ter acontecido com todos os milhões de crianças nascidas antes desse encontro em Constantinopla! “Você compreenderá, Lobsang, que eu estou dando informações a respeito da Cristandade, como eu a compreendo. Talvez, quando você for viver entre essa gente, tenha algumas impressões diferentes, ou informações diferentes, que possam de algum modo modificar minhas próprias opiniões e ensinamentos.”

Cristoeascrianças

Ao encerrar essa afirmação, as conchas soaram e ouviu-se o clangor das trombetas do Templo. Ao redor de nós, surgiu a movimentação ordenada de homens disciplinados que se preparavam para o Culto. Nós também nos pusemos em pé, endireitando os mantos, antes de seguirmos para o Templo, onde seria realizado o Culto. Antes de deixar-me à entrada, meu Guia disse:

—Venha a meu quarto depois, Lobsang, e prosseguiremos com nossa conversa.

Assim é que entrei no Templo, tomando lugar entre meus companheiros, fiz minhas orações e agradeci a meu próprio Deus particular por ser eu tibetano tanto quanto meu guia, o Lama Mingyar Dondup. O velho Templo era belo, com seu ar de adoração e as nuvens de incenso em movimento lento que nos punham em contato com as pessoas em outros planos de existência. O incenso não é apenas um cheiro agradável, algo que “desinfeta” um Templo — é uma força viva, uma força disposta de tal modo que, escolhendo-se o tipo determinado de incenso, podemos realmente controlar a cadência de vibrações.

Aquela noite, no Templo, o incenso flutuava e conferia uma atmosfera suave e de mundo antigo ao lugar. De meu lugar, em meio aos meninos de meu grupo, olhei para os recantos difusos do edifício do Templo. Havia o canto profundo dos velhos lamas acompanhado às vezes pelas sinetas de prata. Aquela noite, tínhamos conosco um monge japonês. Ele viera, percorrendo todo o caminho até nossa terra e depois de se deter na Índia por algum tempo. Era um grande homem em seu próprio país, e trouxera consigo seus tambores de madeira, tambores que desempenham parte tão importante na religião dos monges japoneses. Eu me maravilhava diante da versatilidade dele, diante da música notável que produzia nos tambores.

Parecia realmente espantoso, a mim, que ao bater em um tipo de caixa de madeira se obtivesse um som tão musical; ele estava com o tambor de madeira e tinha uma espécie de castanholas, cada qual com sinetas. Também os nossos lamas o acompanhavam com outras sinetas, enquanto a grande concha do Templo se fazia ouvir, nos momentos apropriados. Pareceu-me que todo o Templo vibrava, as próprias paredes pareciam dançar e estremecer, e a bruma na distância dos recantos mais afastados se transformava em semblantes, os semblantes de lamas há muito mortos. Daquela vez, entretanto, o Culto terminou com rapidez demasiada, para mim, e me apressei a ir ter com meu guia, o Lama Mingyar Dondup.

—Você não perdeu muito tempo, Lobsang! — disse meu guia, em tom alegre. — Pensei que talvez parasse no caminho para fazer uma de suas inúmeras refeições leves!

—Não, Honrado Lama, — respondi. — Estou aflito por obter algum esclarecimento, pois confesso que a questão do sexo no mundo ocidental me causou bastante espanto, depois de ouvir tanta coisa dos comerciantes e outras pessoas. Ele riu de mim, e disse:

—O sexo desperta muito interesse em toda parte! É o sexo, afinal de contas, que mantém as pessoas (vivas) nesta terra. Nós o examinaremos conforme sua necessidade.

—Honrado Lama, — disse eu —, o senhor disse anteriormente que o sexo era a segunda força maior do mundo. O que queria dizer com isso? Se o sexo é tão necessário para manter o mundo povoado, por que não é a força mais importante de todas ?

—A maior força do mundo, Lobsang, não é o sexo, a maior força que existe é a imaginação (pensamento), pois sem a imaginação não haveria o impulso sexual. Se um macho não tivesse imaginação, não se interessaria pela fêmea. Sem imaginação, não haveria escritores, artistas, não haveria coisa alguma construtiva ou boa!

—Mas, Honrado Lama — repliquei —, o senhor está dizendo que a imaginação é necessária ao sexo? E se é assim, como a imaginação se aplica aos animais?

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— Os animais possuem imaginação, Lobsang, do mesmo modo como os seres humanos. Muitas pessoas julgam que os animais são criaturas sem mente, sem qualquer forma de inteligência, sem qualquer forma de razão. Eu, que vivi um número surpreendentemente prolongado de anos, afirmo o contrário. Meu guia olhou para mim, e depois, sacudindo um dedo em minha direção, afirmou:

—Você afirma gostar dos gatos do Templo, e vai dizer que eles não têm imaginação? Você sempre fala com os gatos do Templo e se detém para acariciá-los. Depois de você ter sido afetuoso com eles a primeira vez, eles o esperarão a segunda, a terceira, e assim por diante. Se fossem apenas reações insensíveis, se fossem apenas padrões cerebrais, então os gatos não esperariam por você na segunda e na terceira ocasião, mas aguardariam até que o hábito se formasse. Não, Lobsang, qualquer animal tem imaginação. Um animal imagina os prazeres de estar com sua companheira, e ocorre então o inevitável!

Quando me pus a pensar no assunto, e pensar longamente, tornou-se perfeitamente claro que meu guia estava certo. Eu vira pequenos pássaros — pequenas fêmeas — batendo as asas, de modo bem parecido com aquele pelo qual as mulheres jovens batem as pestanas! Eu observara pássaros pequenos, e vira uma aflição muito verdadeira, enquanto esperavam que seus companheiros regressassem da busca incessante de comida. Observara a alegria com que um pássaro amoroso saudara o companheiro, ao regresso do mesmo. Era óbvio, agora que pensava no assunto, que os animais realmente dispunham de imaginação e assim pude perceber o teor das observações de meu guia, no sentido de que a imaginação era a maior força sobre a terra.

—Um dos comerciantes me contou que, quanto mais uma pessoa se entregue ao ocultismo, tanto mais se opõe ao sexo, Honrado Lama, — disse eu. — Isso é verdade, ou estão brincando comigo? Já ouvi contar tantas coisas muito estranhas, que francamente não sei em que acreditar. O Lama Mingyar Dondup assentiu, com tristeza, enquanto respondia:

—É inteiramente correto, Lobsang, que muitas pessoas intensamente interessadas nas questões ocultas se mostram intensamente antipáticas ao sexo, e isso por um motivo especial: você já ficou sabendo, anteriormente, que os maiores ocultistas não são normais, isto é, eles têm alguma coisa fisicamente errada em si. Uma pessoa pode sofrer uma doença grave, como a tuberculose ou o câncer, ou qualquer coisa assim. Uma pessoa pode apresentar algum mal dos nervos… seja lá como for, trata-se de uma doença, e essa doença aumenta a percepção metafísica. Ele franziu levemente o cenho, ao prosseguir:

—Muitos verificam que o impulso sexual é bem forte. Alguns, por este ou aquele motivo, utilizam métodos de sublimação desse impulso sexual, e podem voltar-se para as coisas espirituais. Uma vez que um homem ou uma mulher se tenha afastado de algo, deixa-se tomar de repulsa mortal por essa coisa. Não há reformador maior… nenhum propagandista maior… contra os males da bebida do que o beberrão reformado! Do mesmo modo, um homem ou mulher que tenha renunciado ao sexo (possivelmente porque não podia satisfazer, ou receber satisfação) se dedicará às questões ocultas, e todo o impulso que anteriormente ia (com êxito ou sem ele) para as aventuras sexuais dedica-se, então, a aventuras no plano oculto. Infelizmente, porém, essa gente muitas vezes se inclina a não manter equilíbrio nisso; tendem a lamuriar, dizendo que apenas quem renuncia ao sexo é capaz de progredir. Nada poderia ser mais fantástico, nem poderia haver maior deformação. Algumas das pessoas de mais vulto conseguem levar uma vida normal, e também progredir, de modo vasto, na metafísica. Exatamente nesse instante, o Grande Lama Médico Chinrobnobo entrou. Nós o saudamos, e ele veio sentar-se conosco.

—Estou contando a Lobsang algumas coisas sobre o sexo e o ocultismo, — disse o meu guia.

—Ah, sim! — disse o Lama Chinrobnobo. — Está na hora de ele receber algumas informações sobre isso; pensei no assunto por muito tempo. Meu guia prosseguiu:

—Está claro que quem usa o sexo normalmente… como deve ser usado… aumenta sua própria força espiritual. O sexo não é coisa para ser abusada, mas por outro lado também não deve ser repudiado. Levando-se vibrações a uma pessoa, essa pessoa pode aumentar, espiritualmente a sua condição. Quero fazê-lo ver, entretanto — disse, fitando-me com severidade —, que o ato sexual só deve ser executado por aqueles que se amem, aqueles que estejam ligados por afinidade espiritual. Aquilo que é ilícito, ilegal, não passa de uma simples prostituição do corpo, e pode prejudicar a pessoa tanto quanto a outra pode ajudá-la. Do mesmo modo, um homem ou uma mulher deve ter apenas um companheiro, evitando todas as tentações que o afastariam da trilha da verdade e da correção. O Lama Chinrobnobo disse:

masculino-feminino-criador

—Mas existe outra questão sobre a qual deve falar com mais extensão, Respeitável Colega, a referente ao controle da natalidade. Eu o deixarei para tratar do caso. Pôs-se em pé, fez uma mesura séria, e saiu da sala. Meu guia esperou por momentos, e depois disse:

—Você já se cansou disto, Lobsang?

—Não, Senhor! — respondi. — Estou ansioso por aprender o que puder, pois tudo isso é novo para mim.

—Nesse caso, deve saber que nos primeiros dias da vida sobre a terra, os povos se dividiam em famílias. Nas regiões do mundo havia pequenas famílias que, com a passagem do tempo, se tornaram grandes. Como parece ser inevitável entre os seres humanos, ocorrerem brigas e dissensões. Uma família lutou contra outra. Os vencedores mataram os homens derrotados, levando as mulheres dos mesmos para sua própria família. Logo se tornou claro que, quanto maior fosse a família, que agora era designada como tribo, tanto mais poderosa e segura se achava com relação aos atos agressivos das outras. Olhou para mim com algum pesar, e prosseguiu:

—As tribos aumentavam em número, com o decorrer dos anos, e séculos se passaram. Alguns homens se estabeleceram como sacerdotes, mas sacerdotes com um pouco de poder político, de olho no futuro! Eles decidiram que necessitavam de um edito sagrado… aquilo a que chamariam uma ordem de Deus… e que auxiliaria a tribo na coesão em seu conjunto. Ensinaram que era preciso ser fértil e multiplicar-se. Naqueles dias tratava-se de uma necessidade muito real, porque se as pessoas não “se multiplicassem” sua tribo se enfraqueceria e seria, talvez, completamente exterminada. Assim… os sacerdotes que ordenaram ao povo “crescei e multiplicai-vos” estavam até mesmo salvaguardando o futuro de sua própria tribo. Com o transcurso de séculos e mais séculos, dos milênios, entretanto, torna-se bem claro que o índice de aumento da população do mundo é de tal ordem que este se torna super povoado, existindo mais gente do que é permitido pelas disponibilidades de alimentos. Algo terá de ser feito a esse respeito. Eu conseguia compreender tudo aquilo, e fiquei satisfeito ao ver que meus amigos do Pargo Kaling — os comerciantes que haviam viajado por tanta distância e tempo — me haviam dito a verdade. Meu guia prosseguiu:

—Algumas religiões ainda hoje acham ser realmente errado colocar alguma limitação no número de crianças que nascem, mas se encararmos a história do mundo, vemos que a maioria das guerras foi causada por falta de espaço, por parte do agressor. O país que tenha uma população em expansão rápida sabe que, se continuar a expandir-se nesse ritmo, não haverá comida ou oportunidades suficientes para seus próprios habitantes. Assim é que empreendem a guerra dizendo que precisam ter espaço para viver!

—Nesse caso, Honrado Lama, que solução daria ao problema?

—Lobsang! A questão é fácil, se os homens e mulheres de boa vontade se reunirem para debater o assunto. As formas antigas de religiões… os velhos ensinamentos religiosos, eram inteiramente adequados, quando o mundo era jovem, as pessoas pouco numerosas, mas agora é inevitável… e será, com o tempo! … que novas atitudes sejam adotadas. Você pergunta o que eu faria? Bem, eu faria o seguinte: tornaria legal o controle de nascimentos. Ensinaria a todos os povos o controle da natalidade, como pode ser conseguido, o que é, e tudo o que se pudesse descobrir a respeito. Que as pessoas desejosas de filhos tivessem talvez um ou dois, enquanto que as que não o desejassem soubessem como evitá-los. De acordo com nossa religião, Lobsang, não haveria transgressão alguma em fazer isso. Eu estudei os livros antigos, de muitos anos passados, de antes que a vida surgisse nas partes ocidentais deste planeta, pois, como você sabe, a vida (o ciclo atual) surgiu primeiramente na China e nas regiões ao redor do Tibete, espalhando-se para a Índia, antes de prosseguir para o Ocidente. Entretanto, não estamos examinando isso. Naquele instante, decidi que assim que pudesse pediria a meu guia que falasse mais sobre a origem da vida neste planeta, mas relembrei que estava estudando tudo quanto podia sobre o sexo. Meu guia me observava e, ao ver que eu voltara a prestar atenção, prosseguiu:

—Como eu dizia, a maioria das guerras é causada pela superpopulação. É um fato que haverá guerras… sempre haverá guerras… enquanto houver populações vastas e em crescimento descontrolado. E é necessário que haja guerras, pois de outra forma o mundo seria inteiramente tomado por gente, do mesmo modo como um rato morto é inteiramente comido por enxames de formigas. Quando você se afastar do Tibete, onde temos uma população muito pequena, e for a algumas das grandes cidades do mundo, ficará espantado e apavorado com os grandes números e multidões de gente. Verá que minhas palavras estão certas; as guerras são inteiramente necessárias, para reduzirem a população. As pessoas vieram à terra a fim de aprenderem coisas, e se não houvesse guerra e doenças, não haveria modo algum de manter a população sob controle e alimentada. Eles seriam como uma nuvem de gafanhotos, comendo tudo o que encontrassem, contaminando tudo, e depois dariam fim completo, a si mesmos.

—Honrado Lama! — disse eu. — Alguns dos comerciantes com quem eu falei sobre essa coisa de controle da natalidade dizem que muitas pessoas a julgam má. Ora, por que elas pensam assim? Meu guia meditou por momentos, provavelmente calculando o quanto deveria contar-me, pois eu ainda era jovem, e depois disse:

—A alguns, o controle de natalidade parece ser o assassinato de uma pessoa que não nasceu, mas segundo nossa Fé, Lobsang, o espírito não entrou na criança por nascer. Em nossa Fé, não pode ter ocorrido o assassinato e, de qualquer modo, é claramente absurdo dizer que tenha havido algum assassinato, ao se adotarem precauções para impedir a concepção. Seria o mesmo se disséssemos que assassinamos uma grande quantidade de plantas se impedirmos que as sementes das mesmas germinem! Também os seres humanos imaginam-se, com freqüência, como sendo a coisa mais maravilhosa que já aconteceu neste grande Universo. Na verdade, como é claro, os seres humanos são apenas (mais) uma forma de vida, e nem por isso a mais elevada, mas não há tempo para entrarmos na questão, neste momento. Pensei em outro ser do qual ouvira falar, e que me parecera coisa tão chocante — coisa tão terrível — que mal conseguia ter a coragem de mencioná-lo. Ainda assim, consegui!

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—Honrado Lama! Ouvi falar que alguns animais, as vacas, por exemplo, são enxertadas por meios não-naturais. Isso é verdade ? Meu guia pareceu bastante chocado, por momentos, e depois disse:

—Sim, Lobsang, isso é inteiramente correto. Existem certos povos, no mundo ocidental, que procuram criar gado pelo que chamam de inseminação artificial, isto é, as vacas são inseminadas por um homem com uma seringa grande, ao invés de porem um touro para fazê-lo. Essas pessoas parecem não compreender que fazer uma cria, quer seja um bebê humano ou bebê urso, ou bebê vaca, é muito mais do que apenas uma união mecânica. Se alguém quer ter bom gado, nesse caso deve haver amor, ou uma forma de afeição, no processo de cruza. Se os seres humanos fossem artificialmente inseminados, poderia acontecer que.. . nascendo sem amor… eles seriam subumanos! Vou repetir, Lobsang, dizendo que para o tipo melhor de ser humano ou animal, é necessário que os pais gostem e AMEM um ao outro, que ambos se elevem em vibração espiritual, bem como física. A inseminação artificial, efetuada em condições frias e sem amor, resulta em crias muito más, na verdade. Creio que a inseminação artificial seja um dos maiores crimes perpetrados nesta Terra.

Eu ali estava sentado, com as sombras do anoitecer invadindo o quarto, banhando o Lama Mingyar Dondup no crepúsculo, e enquanto aumentavam, vi que sua aura refulgia com o dourado da espiritualidade. Para mim, de modo clarividente, a luz era realmente brilhante e interpenetrava o próprio crepúsculo. Minhas percepções clarividentes diziam — como se eu não soubesse antes — que me encontrava na presença de um dos maiores homens do Tibete. Senti-me reconfortado, por dentro, senti que todo o meu ser pulsava de amor por ele, meu guia e perceptor . Lá embaixo, as conchas do Templo soaram novamente, mas desta feita não nos estavam chamando, chamavam outros. Juntos, fomos à janela espiar. Meu guia pos a mão em meu ombro, enquanto olhávamos para o vale lá embaixo — o vale já parcialmente envolvido na escuridão purpúrea.

Deixe a sua PRÓPRIA consciência ser o seu guia, Lobsang — disse meu guia. — Você sempre saberá se uma coisa está certa, ou se uma coisa está errada. Você irá longe… mais longe do que consegue imaginar… e terá muitas tentações postas à sua frente. Deixe que sua consciência o guie. Nós, no Tibete somos povo pacífico, somos gente de uma população pequena, somos criaturas que vivem em paz, que acreditam na santidade, que acreditam na santidade do Espírito. Onde estiver, seja lá o que suportar, SEMPRE deixe que sua consciência seja o seu guia. Estamos tentando ajudá-lo com sua consciência. Estamos tentando conferir-lhe um poder telepático e clarividência máximos, de modo que sempre, no futuro, enquanto viver, poderá estar em contato telepáticamente com grandes lamas, aqui nos altos Himalaias, grandes lamas que, mais tarde, dedicarão todo o seu tempo à espera de suas mensagens.

À espera de minhas mensagens? Receio que tenha ficado boquiaberto de espanto; minhas mensagens? O que havia de tão especial em mim? Por que motivo grandes lamas estariam esperando minhas mensagens todo o tempo? Meu guia riu, dando-me um tapa no ombro.

— A razão para sua existência, Lobsang, é que você tem uma tarefa muitíssimo especial a executar. A despeito de todas as vicissitudes, a despeito de todos os sofrimentos, você obterá êxito em sua tarefa. Mas é claramente injusto que você seja deixado por conta própria, em um mundo estranho, mundo que zombará de você e o chamará de mentiroso, impostor e mistificador. Nunca desespere, nunca desista, pois o direito (A LEI, o DHARMA) prevalecerá. Você… prevalecerá!

As sombras do anoitecer transformavam-se na escuridão da noite, e lá embaixo as luzes da Cidade cintilavam. Acima de nós uma lua nova nos fitava, sobre a orla das montanhas. Os planetas, inúmeros milhões deles, cintilavam nos céus purpúreos. Olhei para cima, pensei em todas as previsões a meu respeito — todas as profecias que haviam feito sobre minha vida — e pensei também na confiança e fé demonstradas por meu amigo, meu guia, o Lama Mingyar Dondup. E fiquei contente.

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