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Brasil: A polêmica ferrovia que a China quer construir através da América do Sul

Posted by on 26/11/2015

dragao-chinaA polêmica ferrovia que a China quer construir que atravessará a América do Sul, desde o Atlântico até o Pacífico

Uma ferrovia que começa no Rio de Janeiro banhada pelo Oceano Atlântico, atravessa a Mata Atlântica, o Cerrado no Centro Oeste, a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes e termina na costa peruana em pleno Oceano Pacífico: este é o ambicioso plano que a China quer consolidar no Brasil e na América do Sul.

O projeto ganhou novo impulso com a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à região, que começou na noite da última segunda-feira no Brasil e ainda inclui escalas na Colômbia, no Peru e no Chile.

A polêmica ferrovia que a China quer construir na América do Sul

No encontro de Li Keqiang com a presidente Dilma Rousseff em Brasília, nessa ocasião, foram assinados 35 acordos de cooperação entre os dois países, englobando áreas como planejamento estratégico, transportes, infraestrutura, energia e agricultura.

Durante o encontro, a presidente Dilma declarou que Brasil, China e Peru iniciaram os estudos de viabilidade da conexão ferroviária entre o Atlântico e o Pacífico. “Trata-se da ferrovia transcontinental que vai cruzar o nosso país no sentido leste oeste cortando o continente sul-americano”, disse a presidente que, logo depois, em conversa com repórteres, classificou a ferrovia como “estratégica para o Brasil”.

De Brasília, Li Keqiang segue para o Rio de Janeiro, onde deve participar da inauguração de uma exposição de marcas chinesas e de um passeio de barco pela baía de Guanabara. A agenda do premiê chinês no Brasil termina na próxima quinta-feira.

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Ferrovia liga litoral do Rio de Janeiro ao do Peru

Ferrovia

Com o projeto da ferrovia, Pequim pretende aumentar sua presença econômica no continente e facilitar o acesso a matérias-primas, o que também gera interesse do Brasil e do Peru.

Em declaração no início da tarde desta terça-feira durante o encontro com Li Keqiang, a presidente Dilma Rousseff afirmou que, com a ferrovia, “um novo caminho para a Ásia se abrirá para o Brasil, reduzindo distâncias e custos”.

Especialistas acreditam que a construção da estrada de ferro marcaria uma nova fase na relação da China com a região. No entanto, para que o projeto saia do papel, será necessário superar grandes desafios de engenharia, ambientais e políticos, dizem analistas ouvidos pela BBC.

“Seria uma grande conquista e uma peça-chave da relação da China com a América do Sul, se esse projeto realmente sair do papel”, diz Kevin Gallagher, professor da Universidade de Boston e autor de estudos sobre a relação China-América Latina. “Todo o projeto é uma grande promessa, mas deve ser bem feito ou pode se tornar um pesadelo”, ressalva. 

Intercâmbio

Keqiang começa sua visita ao Brasil em meio a um momento de desaceleração da economia chinesa e das sul-americanas.

A região deve crescer menos de 1% neste ano, de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), em parte por causa de uma atividade econômica mais fraca no Brasil. E a falta de infraestrutura continua a ser um dos principais problemas do país.

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A presidente Dilma declarou que Brasil, China e Peru iniciaram os estudos de viabilidade da conexão ferroviária entre o Atlântico e o Pacífico.

A China, por sua vez, necessita de recursos naturais para sustentar sua expansão econômica e tem interesse primordial na construção de projetos ferroviários em outras regiões do globo..

Neste contexto, a Ferrovia Transoceânica, cujo custo é estimado em até US$ 10 bilhões (atualmente cerca de R$ 30 bilhões), poderia cobrir as necessidades dos vários países envolvidos.

“Próximo passo”

Com a popularidade em baixa e abalada por escândalos de corrupção, Dilma prepara um programa de concessões de infraestrutura previsto para ser lançado em junho.

Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, trechos da ferrovia até a fronteira com o Peru estariam contemplados na segunda etapa das licitações.

Estudos técnicos já foram iniciados em solo brasileiro para ligar o porto de Açu, no Rio de Janeiro, a Porto Velho, na bacia amazônica.

A ligação da capital de Rondônia ao Pacífico daria a produtores brasileiros uma alternativa sobre o Atlântico e o Canal do Panamá para enviar matérias-primas para a China.

“Há uma lógica econômica por trás do projeto”, disse João Augusto Castro Neves, analista para América Latina da consultoria Eurasia Group.

Nos últimos anos, a relação entre a China e o Brasil é muito focada no aspecto comercial, com o aumento das exportações de produtos como soja e ferro para o gigante asiático.

Mas, segundo Castro Neves, obras como a da Ferrovia Transoceânica poderiam agregar valor a esse vínculo. “É o próximo passo no relacionamento”, diz ele à BBC.

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Ferrovia Transoceânica deve ganhar novo impulso com visita de premiê chinês, Li Keqiang, à América do Sul

Protestos

O projeto exacerbou as já tensas relações entre o Peru e a Bolívia, cujo presidente, Evo Morales, protestou ao saber que a estrada de ferro passaria por fora do território boliviano. “Não sei se o Peru está jogando sujo”, disse Morales em outubro. Segundo ele, a ferrovia seria “mais curta, mais barata” se passasse pela Bolívia. 

No entanto, o presidente peruano Ollanta Humala descartou essa possibilidade em novembro, comentando sobre um acordo com a China para iniciar os estudos do projeto. O trem vai passar “pelo norte do Peru, por razões de interesse nacional”, disse Humala. 

Juan Carlos Zevallos, economista que presidiu a agência reguladora de transportes peruana OSITRAN argumenta que a região apresenta “desenvolvimento consolidado” de infraestrutura para explorar a estrada de ferro, incluindo o porto de Paita, ponto de chegada da ferrovia.

Na opinião de Zevallos, o projeto facilitaria a entrada de produtos peruanos no Brasil, o maior mercado regional. “Esse é o interesse”, disse ele à BBC. Especialistas antecipam possíveis problemas com grupos indígenas e defensores do meio ambiente, dada a possibilidade de que o trem passe por áreas consideradas sensíveis.

“Uma estrada no meio da Amazônia para atender ao mercado chinês (…) seria uma ilusão acreditar que não vai haver impacto”, critica Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace.

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Construção de ferrovia pode gerar problemas com grupos indígenas, apontam especialistas

Adario observou, contudo, que “a ferrovia tem menor impacto do que a rodovia para o escoamento da produção” e defendeu que sejam feitos estudos para medir o impacto socioambiental da obra. Também há desafios de engenharia e custos para a construção de um trem que cruze a Cordilheira dos Andes e desemboque no Pacífico. 

Castro Neves alertou que, se não houver planejamento adequado, o projeto pode terminar paralisado, como outras grandes promessas de investimentos na infraestrutura da região. “A questão não é apenas injetar dinheiro”, diz ele. Gallagher disse que o projeto vai representar “um verdadeiro teste para a relação” entre Pequim e da região. 

“Se conseguir construir um trem de alta velocidade que funcione e facilite o comércio com a América Latina, de modo inclusivo e sem prejudicar o meio ambiente, a China tem tudo para se tornar a nova ‘queridinha’ da América Latina”, conclui.

6 Responses to Brasil: A polêmica ferrovia que a China quer construir através da América do Sul

  1. Silvio José Benevides e Maia

    China E A Ferrovia

    “A” ferrovia sim, porque verdadeira Route 66 de ferro.

    Nas ações políticas também temos a mesclagem de coisas luminais e escuras, de bons e maus propósitos, na lógica de nada ser completamente bom nem ruim.

    Excelente obra da inteligência, mesmo que em princípio a executar em meio às intenções de roubar -prestes a irem aprender a viver na boa debaixo de muita, mas muita, na escola Nibiru.

    Como sempre dividem-se as opiniões em contra e a favor.

    À parte o final cíclico e a lavagem oceânica além das outras convulsões brabas, já próximas, no prisma de não focar final parece-nos uma senhora iniciativa progressista.

    Como se sabe, por mais prático as pessoas costumam instalar suas vidas nos lados e arredores das vias de deslocamento, sendo por isso mesmo importantíssimo o custo desse deslocamento -bem mais barato nos trilhos, quanto possível contida ou arrancada a roubalheira.

    E bem pode ser que, em justa homenagem da administração sideral, essas obras sejam poupadas na transição.

    Até porque ao solo brasileiro reserva-se boa importância no start da regeneração.

    Louve-se a inteligência avançada chinesa, que até, não duvidamos nada, possa contar com o fator transição também.

  2. roger

    apenas uma artimanha para levarem as riquezas daqui…impossível deter o avanço econômico, porém, os chineses, que não são os mocinhos, entrarão arrebentando…a única esperança é que eles tenham um pouco de respeito pela natureza e a não agridam tanto, coisa que brasileiro desconhece, …vide a nossa gloriosa samarco…

  3. PATRICIA

    ESTAREMOS MUITO BEM MESMO, TENDO AQUI O POVO MAIS DEVORADOR DO PLANETA. JÁ SÃO MAJORITÁRIOS NAS LANCHONETES DO RIO, RARAS SÃO AS QUE NÃO TEM UM CHINA ATRÁS DO BALCÃO.
    DEPENDENDO DELES, IRÃO DEVORAR AMAZÔNIA, SERRADO E MATA ATLÂNTICA POR INTEIRO. NÃO FALTA ANIMAIS DIFERENTES QUE ELES DEVEM ESTAR BABANDO PARA PROVAR O SABOR.
    NÃO HÁ MAIS DÚVIDAS DE QUE A CHINA É O DRAGÃO VERMELHO DESCRITO NO APOCALÍPSE, MAIS ÓBVIO É IMPOSSÍVEL. E A VIRGEM VESTIDA DE SOL COM A LUA AOS PÉS É UM POSIÇÃO ASTROLÓGICA.
    E NÃO ESPEREM RESPEITO POR PARTE DOS CHINESES, QUE JÁ PROVARAM E AINDA PROVAM QUE NÃO TEM QUALQUER RESPEITO PELA VIDA. DURANTE A REVOLUÇÃO DE MAO TSE TUNG, 70 MILHÕES DE CHINESES FORAM MORTOS, E ESSE CARA AINDA ESTAVA DISPOSTO A SACRIFICAR METADE DA SUA POPULAÇÃO EM UMA GUERRA, CONSIDERANDO TODOS APENAS RÉS DE ABATE. A MENTALIDADE CONTINUA A MESMA.
    DESCULPE PELAS LETRAS MAIÚSCULAS. O TECLADO AQUI ESTÁ COM PROBLEMA NO CAPS LOCK.

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