browser icon
Você está usando uma versão insegura do seu navegador web. Por favor atualize seu navegado!
Usando um navegador desatualizado torna seu computador inseguro. Para mais segurança, velocidade, uma experiência mais agradável, atualize o seu navegador hoje ou tente um novo navegador.

Brasil, o povo brasileiro não esta mais se omitindo.

Posted by on 26/06/2013

O Brasil está dizendo BEM ALTO o que nós ingleses, nos omitimos de falar: Que nós não queremos e não precisamos destas extravagâncias caras, dos grandes e caros eventos.

Desde a Copa do Mundo, às Olimpíadas, até às reuniões do chamado grupo do G8, muitos países estão pagando um preço exorbitante para hospedar estas exposições caras e inúteis. 

Tradução, edição e imagensThoth3126@gmail.com

http://www.guardian.co.uk

Simon Jenkins, The Guardian , Quinta-feira 20 de junho de 2013 19,40 BST.

Na terça-feira (18/06) à noite uma ruidosa manifestação engoliu o Parliament Square de Londres: era uma demonstração de brasileiros agitando bandeiras. Perguntei a um deles sobre o que ele estava protestando. Era, segundo ele, pelo desperdício de dinheiro com os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. Eu disse que ele estava na cidade certa, mas no ano errado.

Aqui vamos nós outra vez. O Brasil tem sido enganado e esta torrando US$ 13 bilhões na Copa do Mundo de futebol do próximo ano, e, em seguida, mais gastos em uma soma similar será mais tarde extorquido pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. A Presidente de esquerda do Brasil, Dilma Rousseff, herdou os jogos do seu predecessor populista, Lula da Silva. Ela tentou desesperadamente ficar de fora dos protestos dos manifestantes, mas ela está presa pelos oligarcas da Fifa e do COI.

Os cidadãos brasileiros estão sendo atingidos com maiores tarifas de ônibus e reclamações maciças sobre os orçamentos do governo gastos em saúde e bem-estar social. Até meio milhão de pessoas (n.t. no mesmo dia da publicação desta matéria, dia 20, o público presente nas manifestações alcançou cerca de 1,3 milhões de pessoas segundo os orgãos de segurança pública) podem tomar as ruas neste fim de semana para reclamar dos ” estádios de primeiro mundo, escolas e saúde do terceiro mundo “. O que é impressionante sobre os manifestantes é que eles não parecem ser contra o esporte como tal, mas sim contra a extravagância dos gastos em sua encenação. Eles estão falando a linguagem sobre prioridades.

A Copa do Mundo é um escândalo em curso dirigido pelo patrão todo poderoso da Fifa, Sepp Blatter, embutidos na venda de ingressos e direitos de televisão que dão altos lucros com a histeria do futebol. Depois de sangrar o erário brasileiro em bilhões de dólares na construção de (DOZE) novos estádios, ele tem o descaramento de pleitear com os manifestantes de que “eles não deveriam usar o futebol para fazer que as suas reivindicações sejam ouvidas e atendidas”. Por que não? Blatter usa o futebol para fazer suas reivindicações ouvidas (n.t. ganhar muito dinheiro sem INVESTIR NADA).

As Olimpíadas também são vendidas pelo C.O.I. para líderes nacionais de países como oferecendo glória para seu ganho político. Estádios para essa finalidade são construídos, instalações luxuosas, aparatos de segurança com custos lunáticos e hospitalidade pródiga são sem sentido, mas são apoiados por lobbies da indústria da construção civil e de segurança e um coro de relações públicas chauvinistas. Se o custo é a falência, como em Montreal e Atenas, é muito ruim. A caravana de ouro pode passar para prender uma nova vítima.

A Copa do Mundo e as Olimpíadas são eventos de televisão que podiam ser realizadas com menos despesa e sensacionalismo e em um só lugar. Do modo como é feito, as nações anfitriãs são inundadas com promessas de “retorno” que toda a gente sabe que são mero lixo. Os altos custos aumentam de forma que põe a maioria dos administradores algemados, mas os bônus são distribuídos junto com shows de cavalaria para os organizadores dos jogos olímpicos.

O esporte não é o único víciado a esses jogos de interesse e corrupção. Os Jogos Olímpicos de Londres no ano passado se transformou em política, assim como a diplomacia, a cultura e o comércio foram confundidos em uma efusão de retórica sem sentido sobre £$ 13 bilhões gastos em contratos. A cúpula do Grupo dos países do G-8 costumava ser uma reunião ad hoc para resolver as crises nos assuntos mundiais. É agora feita regularmente em campos feitos com tecido de ouro, uma rodada contínua de hospitalidade, descanso, frivolidades e recuperação, lisonjeando a vaidade de alguns “líderes” mundiais.

Esta semana, o G8 fez a sua festa na Irlanda do Norte, que foi inútil – uma noite e dois dias reunidos em um lago irlandês desolado, a um custo de £$ 60 milhões para os contribuinte e uma força policial de 1.000 policiais por delegado. Foi realizada em Fermanagh, afastada tanto quanto possível de manifestantes e “de pessoas reais”. O único resultado foi progressos modestos em evasão fiscal, mas que não precisava ser realizada em dois dias em Fermanagh com enorme aparato de segurança. Não poderia  ter usado o Skype?

A sobrevivência do G8 é extraordinária, com base na pretensão de que os protagonistas da segunda guerra mundial ainda são grandes potências mundiais. Quando Vladimir Putin se recusou a participar da cúpula de 2012, em Washington, havia esperança de que esse tipo de “evento” enfim pudesse desaparecer. Putin estava de volta esta semana, embora o seu rosto sugerisse que ele se arrependeu.

Em seu estudo iconoclasta de reuniões de cúpula do pós-guerra, David Reynolds observou que elas são baseadas em esperança sobre a experiência. Mas ou são inúteis ou são desastrosas (as vezes ambos). Reynolds comparou a reunião no Iraque entre Tony Blair com George Bush em janeiro de 2003 com a reunião de Chamberlain com os nazistas em Munique (1939). Seu ponto alto foi durante a guerra fria, mas é só a partir de então que as cúpulas tornaram-se fixas no ano político.

O diário de David Cameron está repleto de reuniões do tipo G-8, G-20, conclaves da ONU, da U.E. e da Commonwealth. O espetáculo da cúpula dos países do G-20 tornou-se um carnaval de segurança obsessiva. O encontro de 2012, em Toronto foi interessante apenas para um projeto de policiamento com custo perto de US $ 1 bilhão por dois dias. Ela não fez nada para os pobres, mas devastou a economia local por um ano.

Poder anseia autenticidade. No caminho de volta a partir do G-8 para a América, o presidente Obama estava em Berlim, (ou quase) no Portão de Brandenburgo, onde Kennedy fez seu discurso sobre liberdade há 50 anos atrás. Um estádio especial teve que ser construída para ele, e uma parede de vidro à prova de bala. Ele deu um discurso para um público escolhido a dedo em uma confusão de banalidades e foi para casa.

A tecnologia mudou desde 1963. Obama poderia ter copiado Kennedy no Facebook. No entanto, ele tinha que estar em Berlim, em pessoa, assim como ele estava no Ulster em pessoa. A coisa toda poderia ter sido encenada para a televisão, mas a televisão precisa de algum tipo de contato com a realidade. A tecnologia eletrônica pode criar esses eventos e divulgá-los. Mas nada pode substituir a química da presença ao vivo e a cores.

Os futurólogos da internet reivindicaram que a eletrônica tornaria obsoletos tais eventos desportivos, políticos, até mesmo musicais. Avatares humanos cruzariam o ciberespaço e se envolveriam com as suas audiências com o toque de um botão. Os “Líderes” se comunicariam uns com os outros a partir de suas mesas em tempo real em telões. Os contatos seriam digitalizados. Poderíamos experimentar a presença um do outro, sem a necessidade de interação de corpo presente. Haveria grande economia em passagens de avião.

Isto ignoraria o desejo de todas as pessoas envolvidas, dos líderes e liderados, dos ricos e pobres, que se sintam envolvidos, para participar em algum grau, da experiência ao vivo. As nações  seus povos querem ser visitadas por celebridades políticas, desportivas ou artísticas. Eles querem heróis do futebol, carros de corrida e três tenores em seu solo. Seus Líderes almejam o desejo de “hospedarem” outros líderes, de estarem lado a lado com o poder. Não aconteceria o mesmo somente na web.

Para essa busca por autenticidade os manifestantes do Brasil oferecem um corretivo. Eles apontam para o seu alto custo (n.t. o pão e o circo, assim como sustentar os “palhaços”, custa cada vez mais caro). O vício do “eventismo” pode ser tão potente, tão exigente de segurança e tão caro quanto desafiador da moderação. Os £$ 9 bilhões de “extravaganza” de Londres não eram necessários para sediar um show de atletismo internacional. Deve ter sido a última tal exibição de consumo conspícuo dos ricos em face dos pobres. No entanto, o Rio de Janeiro está agora a braços com não um, mas com dois eventos com extravagância.

Então, parabéns aos brasileiros por dizer o que a Grã-Bretanha pelos britânicos  no ano passado não teve a coragem de dizer: que já é o bastante. Se eu fosse Joseph Blatter e seus capangas, gostaria de sair do Brasil rápido.

Permitida a reprodução desde que mantida a formatação original e mencione as fontes.

One Response to Brasil, o povo brasileiro não esta mais se omitindo.

  1. paula oliveira figueiredo

    Parabens pelo artigo, que o universo conspire cada vez mais a mente dos brasileiros por uma luta de dignidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *