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Giordano Bruno, queimado pela igreja há 415 anos

Posted by on 19/02/2015

Giordano_Bruno

Posso ter sido qualquer coisa, menos um blasfemador

Esta frase teria sido dita por Giordano Bruno no dia de sua execução. Em 17 de fevereiro de 1600, ele foi queimado vivo no Campo dei Fiori, em Roma, onde é relembrado desde 1899 com um monumento.

Ao contrário de Galileo Galilei (1564–1642), Bruno negou-se a refutar a teoria do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol. …

Edição e imagens:  Thoth3126@gmail.com

Giordano Bruno, em 17/02/1600, há exatos 415 anos foi queimado pela igreja de Roma.

Fontehttp://dw.de/p/1Fl1

© 2015 Deutsche Welle – Autoria Norbert Ahrens (gh)

… Além disso, por ser padre e teólogo, suas heresias e dúvidas, em relação à Santíssima Trindade, por exemplo, partiam de dentro da Igreja e foram interpretadas como um ato de insubordinação ao papa.

Nascido numa família da nobreza de Nola (próximo ao Vesúvio) em 1548, inicialmente chamava-se Fellipo Bruno. Aos 13 anos, começou a estudar Humanidades, Lógica e Dialética em Nápoles, no mesmo convento em que São Tomás de Aquino vivera e ensinara.

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Em 1565, aos 17 anos, recebeu o hábito de dominicano, ocasião em que mudou o nome para Giordano. Ordenado sacerdote em 1572, continuou seus estudos de Teologia no convento, concluindo-os em 1575.

Fuga das autoridades eclesiásticas

Sua vida acadêmica foi marcada pela fuga constante das autoridades eclesiásticas. Lecionou em Nápoles, Roma, Gênova, Turim, Veneza, Pádua e Londres, antes de se mudar para Paris em 1584. Passou o período de 1586 a 1591 em Praga e nas cidades alemãs de Marburg, Wittenberg, Frankfurt e Helmstedt, onde escreveu a que é considerada sua principal obra: “Sobre a associação de imagens, os signos e as ideias”.

Apesar das advertências de amigos, voltou para a Itália em 1591, convicto de que na liberal Veneza não cairia nas garras da Inquisição. Mas logo foi preso e levado para Roma, onde passou seu últimos anos na prisão.

Giordano Bruno teria caído numa armadilha ao retornar à Itália. Na Feira do Livro de Frankfurt de 1590, uma dupla de livreiros a serviço do nobre veneziano Giovanni Mocenigo o teria convidado a ir a Veneza ensinar Mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, na qual era um perito. Pouco depois de sua volta, desentendeu-se com Mocenigo, que o trancou num quarto e chamou os agentes da Inquisição.

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Encarcerado na prisão de San Castello no dia 26 de maio de 1592, seu julgamento começou em Veneza, foi transferido para Roma em 1593 e chegou à fase final na primavera europeia de 1599. Durante os sete anos do processo romano, Bruno negou qualquer interesse particular em questões teológicas e reafirmou o caráter filosófico de suas especulações.

Essa defesa não satisfez os inquisidores, que pediram uma retratação incondicional de suas teorias. Como se mantivesse irredutível, foi condenado devido à sua doutrina teológica de que Jesus Cristo era apenas um mágico de habilidade incomum, que o Espírito Santo era a alma do mundo e que o demônio seria salvo um dia.

Ao ouvir sua sentença, a 8 de fevereiro de 1600, teria dito aos juízes: “Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la”.

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A inquisição da igreja de Roma queimou milhares de pessoas, a grande maioria injustamente. O dia do acerto de contas desta “santa instituição” esta muito PRÓXIMO…

Contribuição intelectual decisiva

A Congregação do Santo Ofício, presidida pelo papa Clemente VIII (1592–1605), ainda concedeu ao herege impertinente e pertinaz oito dias de clemência para um eventual arrependimento.

A capitulação de Bruno teria um forte efeito propagandístico num ano da “graça” como o de 1600. Mas ele preferiu enfrentar a pena de morte a renegar suas idéias. Seus trabalhos foram proibidos e publicados no Índex da igreja de Roma em agosto de 1603 e só foram liberados pela censura do Vaticano em 1948.

Segundo os historiadores, Giordano Bruno prestou uma contribuição intelectual decisiva para acabar de vez com a Idade Média. Morto aos 52 anos, tornou-se um mártir do livre pensamento. Ele foi vítima da intolerância religiosa típica da chamada Contrarreforma, a batalha travada pela Igreja Católica contra a Igreja Reformada.

O martírio de Giordano Bruno em 1600, seguido do julgamento de Galileo Galilei em 1616, abriu um fosso de desconfiança entre a ciência e a igreja de Roma.

Publicado originalmente em fevereiro de 2014

Permitida a reprodução, desde que mantido no formato original e mencione as fontes.

thoth-escribawww.thoth3126.com.br

6 Responses to Giordano Bruno, queimado pela igreja há 415 anos

  1. Fernando Taveira

    Muito boa esta matéria, com certeza Giordano Bruno já era uma alma de conhecimento elevado nesta encarnação. E se não fosse a inquisição católica, pela qual eu próprio comecei a ingressar o ocultismo, mensagens e pensamentos como este não seriam tão absurdos hoje em dia. Seriam até mais aceitos.

    Luz e Paz.

  2. Eduard

    Gostei bastante dessa postagem. O pensamento de Giordano era exatamente o que vejo como realidade, especialmente sobre a santíssima trindade, a qual foi formulada num dos concílios do vaticano nos inícios da igreja católica, não existindo essa afirmação anterior a esses concílios que os imperadores e papas incluiram por vontade própria na cabeça de todos. A quem estuda ocultismo, bem entende isso. E por isso mesmo, o catolicismo (e hoje o protestantismo) agiu contra os ocultistas e magos com a inquisição, para que ninguém conhecesse a verdade. Quem sabe agora com o papa Francisco, algo venha à tona sobre a verdade?

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    Giordano Bruno era sem duvida uma pessoa acima da media nos tempos dele. Talvez por pessoas assim foi que me interessei pelo ocultismo.

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