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Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, parte 13

Posted by on 22/02/2016

Livro Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, de Graham Phillips, Editora Madras. Capítulo XIII- O Encontro Extraordinário

Quando Graham e Jodi voltaram para os Estados Unidos, passei muito tempo examinando o Vitral da Epifania, tentando entender como ele poderia nos levar ao esconderijo do quarto e último artefato de Cove-Jones — a misteriosa “descoberta de imensa importância” que ele, supostamente, havia encontrado. 

Cove-Jones escondera três pedras, e cada um dos três reis magos do vitral traziam pistas para cada uma das pedras…

 “E a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva”Livro do Apocalipse 11:19


Edição e imagensThoth3126@protonmail.ch

Livro Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, de Graham Phillips, Editora Madras, capítulo XII – O Código da Epifania

Fontehttp://www.grahamphillips.net/

13. O Encontro Extraordinário 

…Tínhamos também as três passagens bíblicas que continham parte do código. Como parecia não existir uma passagem bíblica que pudesse nos ajudar a encontrar o quarto artefato, eu só podia deduzir que o próprio vitral continha todas as pistas necessárias. Na realidade, quanto mais pensava nisso, mais eu entendia que duas das pedras poderiam ter sido encontradas sem a ajuda das passagens bíblicas.

O moinho que ficava na Crowntree Lane (Estrada da Árvore da Coroa) podia ser encontrado a partir, unicamente, das imagens do vitral, assim como o aqueduto. Todas as letras esculpidas nos tijolos também apareciam nos desenhos do vitral. Não consegui entender bem como o vitral em si poderia nos levar até a igreja com os doze portões, mas havia uma série de imagens na janela que ainda não havíamos considerado. Era possível que tivéssemos ignorado outras pistas que nos levariam ao paradeiro das três pedras. Talvez Cove-Jones quisesse que o vitral tivesse todas as pistas e que, as passagens da Bíblia, servissem apenas como um forma de segunda opção. No entanto, se apenas a janela já era o suficiente para revelar o esconderijo do quarto artefato de Cove-Jones, eu precisava decidir que parte de suas imagens era importante. 

O vitral encomendado por Jacob Cove-Jones ilustrando a Epifania na visita à Cristo dos Três Reis Magos e que continha as pistas sobre a localização das pedras.

O quarto artefato — a “descoberta de imensa importância” — deveria ser o mais importante de todos os tesouros, e por isso, o código que nos levaria até ele deveria estar relacionado com o tema principal do próprio vitral. Por que Cove-Jones escolhera a cena da Natividade para o vitral? Havia três reis magos e três pedras, mas se o número três era importante, ele poderia ter escolhido uma porção de temas cristãos que envolviam esse número: a Santíssima Trindade ou Jesus e os dois ladrões na Crucificação, por exemplo. Não conseguia deixar de pensar que o tema dos três reis magos, seguindo a estrela indo ao encontro de Jesus, era de alguma forma significante. Nós já tínhamos seguido pela Star Lane (Estrada da Estrela) onde encontramos a Igreja de Claverdon, mas as mesmas imagens poderiam ter sido usadas duas vezes. Os reis magos haviam seguido a estrela para encontrar Jesus. Talvez, se seguisse uma estrela, poderia chegar até a quarta relíquia. No entanto, qual estrela eu teria de seguir?

Além do galo, havia uma outra imagem bem ao lado da estrela no vitral. Eu a havia notado antes, mas não tinha prestado muita atenção nela, porque o livro guia da igreja dizia que era um pelicano, um símbolo cristão da Virgem Maria. (Pelicanos alimentam seus filhotes com peixes inteiros que guardam em seus enormes bicos, e assim, o pássaro era usado para representar a Virgem Maria cuidando do Cristo bebê.) Como aquelas imagens estavam relacionadas com a cena da Natividade, não achávamos que deveríamos nos prender a ela. No entanto, Graham Russell havia me feito pensar nos pássaros depois que sugeriu que o destino podia ter nos ajudado a encontrar as pedras. Tinha de admitir que os incidentes com a pomba e o galo certamente pareciam estranhos, mas por fim, chegara à conclusão de que eram apenas coincidências. A idéia de que os antigos israelitas podem, de alguma forma, ter conseguido manipular o geoplasma já era estranho o suficiente, isso sem falar do significado do termo coincidência — ou sincronicidade, como o psicólogo suíço, Cari Jung, chamou-a na década de 1950.

Contudo, não deixava de pensar nos pássaros, e por isso, quando vi a imagem do pelicano novamente, analisei-a com mais cuidado. Foi só quando fiz isso que percebi que o livro guia estava errado. Aquele não era um pelicano, e sim era uma FÊNIX. A fênix é um pássaro da mitologia grega. Segundo a lenda, todo ano essa exótica criatura fazia seu ninho de especiarias, e quando os raios do sol o atingiam, o pássaro era reduzido a cinzas. Alguns dias depois, no entanto, a fênix renascia, erguendo-se de forma majestosa de suas próprias cinzas. Não restava dúvidas de que o pássaro ao lado da estrela era uma fênix, visto que ele aparecia com sua cabeça para trás e suas asas estendidas, ardendo em chamas. Na verdade, seu bico atado tornava-o mais parecido com uma ave de rapina, que é exatamente como a fênix era retratada em seu antigo mito. Esses simbolismos pagãos obviamente não tinham lugar na cena da Natividade, e portanto, assim como as imagens sobre as caixas dos reis magos, aquela podia muito bem ser uma outra pista de Cove-Jones.

Sobre a fênix havia uma letra B maiúscula e abaixo dela uma letra M maiúscula, ambas com coroas acima delas. Já havíamos chegado à conclusão de que essas letras eram as iniciais dos nomes de dois dos reis magos. No entanto, por que elas tinham coroas sobre elas, e por que estavam uma de cada lado da imagem da fênix, eu não fazia a menor idéia. A fênix pode ter sido usada para representar alguma estrela em particular. Na verdade, existe uma constelação Fênix de onze estrelas, Porém, essas estrelas meridionais (visíveis apenas no hemisfério Sul) não são visíveis na Inglaterra, portanto, parecia pouco provável que qualquer uma delas fosse incluída nas pistas de Cove-Jones.

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Além disso, se Cove-Jones tinha usado uma estrela para indicar um esconderijo, eu não só iria ter de descobrir qual era essa estrela, como também precisaria saber onde e quando ela deveria ser observada. As posições das estrelas mudam o tempo todo, não somente em relação à rotação da Terra, mas também  durante o curso do ano enquanto a terra orbita ao redor do sol. Se Cove-Jones tinha escondido sua descoberta em algum lugar que estivesse, por exemplo, indicado por uma estrela erguendo-se sobre ele, eu precisaria saber o momento e o dia do ano exatos para procurá-la. Além disso, teria de saber de onde observar a estrela, porque ela poderia aparecer em diversos lugares, dependendo do local de minha observação. Pelo que podia perceber, Cove-Jones não deixara pistas no vitral que pudesse explicar nada disso.

Como não conseguia decifrar nada novo a partir do Vitral da Epifania, decidi me concentrar nos artefatos que já havíamos encontrado. Será que essas pedras preciosas eram, de fato, três das Pedras de Fogo? A primeira coisa que eu precisava fazer era enviar as pedras para que fossem examinadas por um geólogo. Embora o joalheiro nos tivesse assegurado de que as pedras eram lapidadas à mão, isso não provava quando haviam sido
preparadas e polidas. Um geólogo, porém, poderia ao menos me dizer de onde vinham as pedras. Como o Dr. Mellor havia me ajudado muito quando o questionei a respeito da criação artificial de geoplasma, decidi entrar novamente em contato com ele. Um geólogo envolvido ha muitos anos no campo da geofísica (um estudo científico das propriedades físicas da terra), ele era a pessoa ideal para examinar as pedras.

Ele sabia que eu estava investigando as luzes de Burton Dassett, mas não fazia idéia do que eu estava procurando, e eu não havia lhe contado nada a respeito de minhas descobertas. No entanto, eu lhe disse que podiam tratar-se de relíquias medievais e que precisava descobrir de que parte do mundo elas vinham. Isso acabou sendo fácil de ser determinado, visto que o Dr. Mellor tinha acesso a uma grande variedade de dados de pedras preciosas do mundo todo. Diferentes tipos de jóias são especiais em certas localizações geográficas, e a ligadura e a textura específicas de uma determinada pedra podem ser usadas para estipular o lugar de onde ela foi extraída. O Dr. Mellor não precisou de muito tempo para me dizer que nossa pedra de berilo vinha do Egito, a pedra de jaspe da Arábia, e a ônix da região ao redor do Mar Morto. Essas eram boas notícias para Jacob Cove-Jones.

Se ele tivesse escolhido quaisquer jóias antigas de jaspe, ônix e berilo em uma joalheria, as chances seriam que elas teriam vindo das muitas minas onde essas pedras podiam ser obtidas durante o século XIX, que ficavam nas Américas e no Extremo Oriente – duas partes do mundo de onde os antigos israelitas ou os Templários de Herdewyke não poderiam ter tirado suas pedras. Embora a conclusão do dr. Mellor parecesse sustentar as afirmações de Jacob Cove-Jones, ela não provava que eram relíquias genuínas do Antigo Testamento. Os Templários de Herdewyke poderiam tê-las conseguido em qualquer lugar do Oriente Médio, visto que aquelas eram pedras relativamente comuns entre a população árabe medieval.

Minha próxima pergunta ao Dr. Mellor foi se ele poderia testar cientificamente as pedras para determinar se possuíam propriedades peculiares. Se essas eram três das Pedras de Fogo, elas, supostamente, deveriam ter sido capazes de controlar o poder da Arca — ou, ao menos, de manipular o geoplasma de alguma forma, se minhas especulações tivessem algum fundamento. Esses testes tiveram de ser pagos, mas achei que seria um gasto válido. Nas semanas seguintes, as pedras foram submetidas a diversos testes que vão muito além dos meus conhecimentos, como por exemplo, leituras de medição de magnetos e de espectros, e foram examinadas sob luz ultravioleta. Parecia não haver nada de raro nelas.

Entretanto, alguns dias depois de as pedras serem devolvidas, o Dr. Mellor, bastante confuso, telefonou-me para dizer que havia descoberto algo de estranho. Enquanto estavam no laboratório, a pedra de ônix foi deixada por algum tempo em cima de um envelope que continha filmes fotográficos. Quando o filme foi posteriormente revelado, havia uma imagem cinza oval e obscura, que não tinha como ser explicada, da pedra em cada uma das fotos. O Dr. Mellor estava assombrado. Somente a radioatividade deveria ser capaz de produzir um efeito desses, ele me disse, e apesar de tudo, testes com um medidor Geiger nas pedras haviam produzido resultados negativos; que elas não eram radioativas. O misterioso incidente me fez ter esperanças de que estávamos no caminho certo, mas quando o Dr. Mellor pediu novamente as pedras para tentar reproduzir o efeito, nada aconteceu.

Uma ilustração artística do peitoral sacerdotal dos sacerdotes hebreus tirado das descrições bíblicas e as três pedras encontradas por Graham e Russell.

Eu tentei a mesma coisa em casa, deixando as três pedras em cima de um envelope com filmes fotográficos por vários dias, sem obter nenhum resultado. Quando contei a Graham e Jodi a respeito da imagem obscura, Graham sugeriu que, se as pedras de fato possuíam propriedades estranhas, então, assim como o geoplasma produzido pelas rochas, elas poderiam ser ativadas somente sob certas condições. Era possível, mas não havia como comprovar isso. O que me restava era apenas mais um mistério torturante. Foi assim que as coisas permaneceram por alguns meses até que vi uma notícia na televisão inglesa a respeito de uma estranha luz que fora vista durante uma noite nas Colinas de Burton Dassett. Embora a reportagem se referisse a ela como um OVNI, era na realidade, uma grande bola de Iuz vermelha que havia sido relatada por uma dezena de testemunhas do vilarejo vizinho de Fenny Compton.

Na verdade, quando acompanhei a história, descobri que houvera uma serie de outros relatos que mencionavam uma esfera de luz vermelha semelhante, em várias localizações nas colinas de Burton Dassett durante um período de algumas semanas. Não fiquei surpreso ao descobrir que, por algum tempo antes de as luzes começarem a aparecer, tiveram registros de chuvas torrenciais na região. Parecia que, pela primeira vez em anos, as luzes de Burton Dassett estavam de volta. Quando Graham e Jodi ficaram sabendo do caso, pegaram o avião seguinte para a Inglaterra na esperança de ver o fenômeno com seus próprios olhos. No entanto, embora tenhamos passado várias noites na área das Colinas de Burton Dassett, não conseguimos ver nada. Então, em uma noite quando estávamos sentados em um bar local discutindo o assunto, Jodi sugeriu que usássemos as pedras.

“Como assim?” Eu perguntei. “Se as pedras são, de fato, as Pedras de Fogo, e se a Bíblia estiver certa, elas são capazes de controlar o poder da Arca”, ela disse. “Se esse poder é a mesma energia que faz as estranhas luzes aparecerem, você não acha que as pedras seriam capazes de influenciá-las? Capazes de fazer com que as luzes aparecessem?” “Suposições demais”, eu disse com um sorriso. “Vale a pena tentar”, disse Graham. “Por que não levamos as pedras para um lugar onde as luzes já foram vistas?” “Sim”, disse Jodi. “Pode ser o geoplasma, ou seja lá qual for o nome disso, que tenha ativado a pedra de ônix no laboratório fazendo com que o filme ficasse obscurecido.” Eu não havia pensado naquilo antes, mas Jodi podia estar certa. O laboratório realizava testes com o geoplasma em suas máquinas de compressão de rochas. Talvez a proximidade da pedra com aqueles testes a teriam influenciado de alguma maneira.

Embora aquilo não fosse muito científico, concordei que poderíamos tentar. O que tínhamos a perder? Pelo que eu sabia havia aproximadamente uma dezena de relatos individuais das estranhas luzes naqueles dias, e três delas tinham acontecido no lago próximo ao vilarejo de Farnborough, onde Gary Selby e seus amigos tinham visto a coluna de névoa em 1999, e outros haviam relatado ter visto um pilar de fogo. Uma das recentes testemunhas chegara, inclusive, a reproduzir o que dizia ser uma fotografia do fenômeno. De acordo com Carol Lane, uma aluna da Universidade de Warwick, ela estava fotografando reflexos do pôr-do-sol sobre as águas quando, de repente, viu uma esfera de luz vermelha do outro lado da margem. Ela ficou ali por apenas alguns segundos, e antes que tivesse tempo de fotografá-la, a esfera desapareceu. Quando suas fotos foram reveladas, porém, ela ficou chocada ao ver que a luz aparecia em uma de suas fotos. 

Bem na margem da foto, uma bola de luz vermelha podia ser vista com clareza pairando sobre a água. Carol disse que não sabia como aquilo tinha acontecido, porque tinha certeza de que a esfera não estava visível enquanto batia suas fotos. Graham, Jodi e eu já tínhamos ido duas vezes a Farnborough – em uma ocasião ficamos lá a noite toda — mas não chegamos a ver nada. No entanto, aquele era um lugar isolado e parecia ser a melhor localização para experimentarmos a idéia de Jodi. Nem por um só momento achei que algo pudesse acontecer. Chegamos no lago isolado logo após o anoitecer, e usando lanternas, seguimos a trilha que nos levava até a margem da água. Uma névoa baixa envolvia a superfície daquele lago estreito e longo enquanto caminhávamos por sua orla até chegarmos à floresta densa que cercava uma de suas extremidades. Não havia casas ou estradas principais em nenhum lugar próximo dali, e o único som que podíamos ouvir era o ocasional chiado de um pássaro noturno vindo de alguma das árvores do local.

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Eu esperava passar a noite toda sentado às margens naquela escuridão, com um tédio enorme. Mas, de repente, Graham, que estava à nossa frente, parou e desligou sua lanterna. “O que foi?” eu perguntei, alcançando-o. “Desligue sua lanterna; tem alguma coisa ali”, ele disse, apontando para a margem do lago, a cerca de vinte metros dali. Meus olhos demoraram algum tempo para se ajustar na escuridão, mas depois de alguns instantes, pude ver claramente um ponto de luz vermelha, que parecia estar pairando no ar bem acima da margem do lago. “Olá!” Eu gritei. Ninguém respondeu. Na verdade, o lago estava envolto por um silêncio estranho. Por um minuto e pouco, ficamos ali parados, olhando fixamente para o ponto de luz que continuava totalmente sem se mexer. De repente, ele desapareceu. “Não acho que aquilo era um cigarro”, eu sussurrei.

Se era isso, a pessoa que o estava segurando havia ficado ali completamente imóvel. Depois de alguns instantes esperando no silêncio daquela escuridão, miramos os fachos de luz de nossas lanternas para o lado oposto da margem onde a luz havia aparecido, mas, além dos galhos pendurados de algumas árvores velhas, não pudemos ver mais nada. No entanto, quando mais uma vez desligamos nossas lanternas, a luz reapareceu. “Eu não estou ouvindo ninguém. Talvez eles…” a voz de Jodi parou no meio da frase enquanto a luz piscou e tornou a aparecer instantaneamente em um lugar diferente, a cerca de trinta metros de sua localização anterior. Alguns segundos depois, ela se mexeu novamente, subindo quase cem metros no ar.

Ela piscou várias vezes, a todo instante mudando de posição, antes de desaparecer novamente. Por alguns minutos nada aconteceu, e quando, mais uma vez, lançamos os fachos de luz de nossas lanternas na direção da margem oposta, vimos que não havia sinal de ninguém. “Deve ser alguém querendo brincar”, eu disse. “Como?” disse Graham. “A luz não parava de pular.” “Vaga-lumes?” sugeriu Jodi. “Não na Inglaterra”, eu disse. De repente, ouvimos um som alto de algo estalando vindo da floresta na margem oposta. Era como se alguém tivesse quebrado um galho, e eu ia dizer isso quando aconteceu mais uma vez. Alguns segundos depois o barulho voltou a acontecer, seguido, imediatamente, por um outro estalo, e mais um, até que o som parecia como se alguém estivesse batendo uma pedra contra outra. Enquanto tentava direcionar minha lanterna para além das árvores a fim de ver o que estava causando o ruído, percebi, de repente, que o raio de luz ficava cada vez mais turvo.

Bati a lanterna na palma de minha mão, mas ela continuou a apagar-se. Quando olhei para Graham e Jodi, vi que seus fachos de luz também estavam enfraquecendo-se. Alguns segundos depois, fomos tomados pela total escuridão. Naquele instante os sons dos estalos começaram a se espalhar com tanta rapidez, que tínhamos a impressão de que uma metralhadora estava sendo disparada. Estava prestes a sugerir que déssemos o fora dali quando a luz vermelha reapareceu. Dessa vez, porém, ela tinha o tamanho de uma bola de futebol. Eu ouvira vários relatos de testemunhas oculares das estranhas luzes, mas jamais imaginara como ela seria de verdade. Não conseguia acreditar no que via. A esfera de luz vermelha brilhante estava ali parada no ar, cerca de cem metros acima do chão do lado oposto da margem.

O estranho brilho carmesim que ela exalava, iluminava por completo as árvores adjacentes e lançava uma imagem fantasmagórica sobre a superfície do lago. Enquanto nós três olhávamos estupefatos, aquele som esquisito parou de repente e foi substituído por um ruído berrante que parecia um gemido, fazendo-me lembrar de um choro de criança, porém mais alto. A princípio, tive a impressão de que a luz estava aumentando, até que percebi que, na verdade, ela estava vindo em nossa direção. Ficamos todos imóveis no lugar enquanto ela flutuava na água e parou cerca de cem metros à nossa frente. Aquela esfera bizarra estava tão próxima que poderíamos alcançá-la, e havia aquela estranha sensação de formigamento pelos nossos corpos, como se estivéssemos tomados por um enorme campo de eletricidade estática. Ao me lembrar, de forma vívida, do que tinha acontecido com o poste do portão do vigário, estava prestes a sugerir que corrêssemos, mas naquele exato momento, a luz começou a se mexer novamente, cruzando mais uma vez o lago, encolhendo-se do tamanho de uma bola de tênis.

De repente, ouvimos um som agudo de assobio e ela disparou pelo ar em movimentos espirais na escuridão, até que desapareceu no meio das árvores do outro lado do lago. Por um tempo, que pareceu uma eternidade, ficamos ali sem dizer uma palavra, com a imagem posterior da luz vermelha ainda em nossos olhos. Todas juntas, nossas lanternas voltaram a piscar, fazendo-nos ter mais uma surpresa. Jodi queria fica lá, na esperança de que a luz voltasse, mas não me envergonho de dizer que eu estava muito nervoso. Eu esperava, a qualquer segundo, ser atingido por um raio de plasma. Não podia deixar de lembrar que um fenômeno daqueles havia destruído um moinho inteiro. Graham parecia fisicamente abalado também, e por isso, saímos de lá o mais rápido que pudemos. Estávamos todos chocados com aquele encontro inesperado. Embora tivesse ouvido vários relatos das tais luzes, eu estava totalmente despreparado para o que vimos.

Eu esperava que o fenômeno aparecesse como uma bola insubstancial e livre da ação da gravidade formada de névoa transparente e brilhante. Ao invés disso, ela aparecera na forma de um globo de cristal sólido, iluminado com grande intensidade por um núcleo de fogo. Parecia incrível que a esfera era capaz de desafiar a gravidade e ficar parada no ar, além de poder se mover no local. Se esse era o mesmo fenômeno que os israelitas chamaram de a glória do Senhor, eu podia entender completamente por que eles o tinham considerado algo divino. A Incrível esfera de luminescência ardente parecia quase inteligente. A forma como ela se aproximou e pairou no ar, bem diante de nossos olhos, fez com que desse a impressão de estar nos sondando.

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Teríamos testemunhado aquele fenômeno por mero acaso ou será que ele tinha alguma ligação com as pedras, como Jodi acreditava? A luz, ou um fenômeno semelhante, havia acontecido no lago no mínimo três vezes pelo que ficara sabendo nas últimas semanas, e aquela era nossa terceira vigília naquele local, e portanto, as chances de vermos algo estava a nosso favor. Por outro lado, tínhamos o comportamento da luz em si — ela viera direta-mente à nossa frente ficando a poucos metros de distância, como se atraída por alguma coisa. O que me fez finalmente decidir que nosso encontro pode muito bem ter tido alguma ligação com as pedras, foi o que aconteceu conosco no dia seguinte. Quando a luz apareceu, cada um de nós estava com uma das pedras em nossas mãos. Na verdade, eram as pedras que cada um de nós havia encontrado. Eu segurava a pedra de ônix, Graham a pedra de jaspe e Jodi o berilo.

Na manhã seguinte, nós três estávamos com uma brotoeja avermelhada e pontiaguda nas palmas das mãos nas quais havíamos segurado as pedras. Pode ter sido pelo fato de estarmos segurando com força as pedras quando a luz apareceu. No entanto, eu não podia entender como aquilo teria produzido uma erupção uniforme sobre nossas palmas. Eu queria que um médico nos examinasse, mas tinha de esperar um dia para conseguirmos uma consulta. Depois de vinte e quatro horas a brotoeja havia desaparecido — da mesma forma que acontecera com Graham e Jodi. Se a luz havia, de fato, aparecido porque tínhamos as pedras, ou se havia sido, de alguma forma, atraída em nossa direção por causa delas, não tínhamos como saber.

Visitamos o lago por várias noites consecutivas, mas nada aconteceu, como também nada ocorreu quando fomos aos outros locais onde as estranhas luzes haviam sido relatadas. Sendo assim, isso não provava nada de forma alguma. Pelo que pude descobrir, ninguém mais disse ter visto as luzes novamente por vários meses. O extraordinário encontro fizera-me, porém, raciocinar por outros ângulos. Quando vi a bola de luz saindo em disparada em movimentos espirais pelo ar quando ela desapareceu, lembrei-me daquilo que o guarda responsável pela Igreja de Burton Dassett tinha dito a respeito dos murais. Ele disse que achava que os estranhos desenhos espirais ao redor das duas figuras mostradas nos quadros representavam aquelas luzes esquisitas.

Pelo fato de ter ficado totalmente envolvido com a busca dos artefatos que Jacob Cove-Jones escondera, eu esquecera completamente daquele detalhe. Se esses espirais, de fato, representavam as luzes, talvez eles fossem as pistas que Cove-Jones havia decifrado. Se Cove-Jones era digno de credibilidade — e eu certamente não duvidava mais de sua palavra — ele,
então, havia encontrado apenas três pedras preciosas. Eu suspeitava que, se essas eram três das Pedras de Fogo bíblicas, poderiam existir outras nove, ainda no local onde foram escondidas pelos Templários. Eu tinha de dar mais uma olhada nos murais. Graham e Jodi haviam voltado para os Estados Unidos, por isso retornei a Burton Dassett sozinho. Quando entrei na igreja, fiquei feliz ao ver que o guarda estava novamente lá, cuidando das flores em volta do altar.

“Mais uma vez aqui”, ele disse com um sorriso. Fiquei surpreso por ele se lembrar de mim. “Sim, que bom que está aqui”, eu disse. “Eu queria lhe fazer umas perguntas a respeito dos murais.” Ele parou o que estava fazendo e caminhou comigo até o lugar onde os quadros estavam. “Como posso lhe ajudar?” ele perguntou. “Você disse que achava que os espirais representavam as aparições no poço”, eu disse. “Você sabe se há casos de coisas semelhantes que foram vistas das montanhas?” “Estranhas, não são?” ele disse. “Você faz idéia do motivo que levou as pessoas que fizeram os murais a desenharem essas luzes?” Eu perguntei. “Antigamente, as luzes eram consideradas anjos e santos”, ele disse. “Foi por isso que colocaram os murais ao redor dessa janela. Olhe!”

Ele apontou na direção das montanhas do lado de fora da janela para as montanhas verdes e lisas que se erguiam além da igreja. “Há casos de muitas
aparições vistas por lá. Talvez eles as pudessem ver daqui da igreja, de onde estamos nesse instante. Eu acho que é por isso que a janela era considerada particularmente sagrada.” “É por esse motivo que a igreja se chama Igreja de Todos os Santos. Por que achavam que viam santos?” Eu perguntei. “Acredito que sim”, ele disse. “Mas as aparições já existiam muito tempo antes do Cristianismo chegar no país. Aquela região das Colinas de Burton Dassett hoje se chama Montanhas do Farol, e a maioria das pessoas acredita que ela ganhou esse nome por causa do farol — uma enorme fogueira — que era acesa lá para a celebração da décima segunda noite após o Natal, o Ano Novo medieval.

No entanto, a montanha já estava associada ao fogo muito antes disso, e nada tinha a ver com as fogueiras. Antigos mapas se referem à área como as Montanhas Fênix, que é como os romanos a chamavam. A fênix era um pássaro de fogo — que nome seria melhor, então, para se referir às aparições?” Mais uma vez, o guarda da igreja conseguira me surpreender mais do que podia imaginar. Será que as Montanhas Fênix eram o que a fênix no Vitral da Epifania indicava? Quando o guarda voltou a cuidar de suas flores, fui até o carro para pegar uma foto que tinha levado comigo do vitral da Igreja de Langley. Eu queria que ele desse uma olhada nela; talvez ele fosse capaz de reconhecer alguns dos símbolos. Entretanto, quando voltei, ele já não estava mais lá. Ele parecia ter o costume de ficar desaparecendo. Na esperança de vê-lo novamente, fiquei ali por algum tempo, tentando imaginar qual seria a possível ligação entre a fênix e as montanhas.

Farol-Burton Dassett Hills

A região das Colinas de Burton Dassett hoje se chama Montanhas do Farol, e a maioria das pessoas acredita que ela ganhou esse nome por causa do farol — uma enorme fogueira — que era acesa lá para a celebração da décima segunda noite após o Natal. Antigos mapas se referem à área como as Montanhas Fênix

Se eu estivesse certo a respeito de Cove-Jones ter usado uma estrela para indicar onde seu quarto artefato estava escondido, o ponto mais alto nas Montanhas Fênix seria o local de onde a estrela podia ser vista. Olhei para a foto na minha mão e examinei a imagem da fênix ao lado da estrela, na esperança de ter alguma inspiração a respeito de qual estrela ela podia ser e em que período do ano ela deveria ser observada. O guarda havia mencionado uma fogueira que era, tradicionalmente, acesa no topo das montanhas na décima segunda noite após o Natal — talvez isso fosse importante. De repente, tudo pareceu ficar claro. Não pude acreditar que não havia pensado naquilo antes. A resposta era o próprio vitral. Era o Vitral da Epifania, e a Epifania era o décimo segundo dia após o Natal, no dia 6 de janeiro. Jacob Cove-Jones pode ter deixado uma pista que mencionava exatamente um dia do ano.

Ao olhar novamente para a foto, percebi que ele parecia também estar indicando um momento específico no dia 6 de janeiro — à meia-noite. Bem ao lado da estrela estava a outra imagem principal no topo do desenho — o galo. Era o galo que diziam ter cacarejado à meia-noite, para revelar aos reis magos onde o menino Jesus estava. Com essa precisa interpretação, o vitral proporcionava o momento exato do ano quando Cove-Jones poderia sempre esperar que uma estrela estivesse em um localização determinada. Assim como a estrela que brilhou sobre Belém para guiar os reis magos até Jesus, talvez Cove-Jones tivesse escolhido uma certa estrela que brilhasse sobre sua “descoberta de grande importância” à meia noite em todos os dias 6 de janeiro. Só me faltava descobrir que estrela era essa.

Depois de algumas semanas, tudo parecia fazer sentido. Eu estava digitando as entrevistas que tinha gravado durante minha viagem a Israel e estava no meio da parte em que o Dr. Griver havia me contado enquanto dirigíamos pelo Deserto da Judéia. Suas palavras no gravador, de repente, fizeram-me parar. Tive de voltar a fita. “De acordo com os livros Apócrifos, quando Lúcifer foi expulso do paraíso, ele foi substituído por dois anjos chefes, Miguel e Gabriel, que ficaram conhecidos como os “reis do paraíso”… Miguel e Gabriel também eram representados no céu por duas luzes permanentes: as duas estrelas com cauda da constelação da Ursa Maior — a Grande Ursa — as estrelas que hoje chamamos de Benetnasch e Mizar. Os antigos nomes hebraicos dessas estrelas era Reysh, que quer dizer cabeça, visto que Miguel era o líder, ou o supremo dentre todos os anjos, e a outra era chamada de Kos, que quer dizer a taça, porque diziam que Gabriel segurava a taça da salvação do homem.”

O Dr. Griver não apenas estava falando de duas estrelas sagradas, que ele disse que achavam representavam Miguel e Gabriel — uma associada a uma cabeça, a outra a uma taça. Miguel e Gabriel! Essas tinham de ser as duas pessoas nos murais da Igreja de Burton Dassett — um deles segurando uma cabeça e a outra um cálice. Eles podem não ter sido desenhados com asas, mas, certamente, aqueles eram os dois arcanjos. O guarda da igreja tinha inclusive dito que as pessoas acreditavam que as estranhas luzes eram anjos. Além disso, o Dr. Griver estava dizendo que esses dois anjos eram chamados de “os reis do paraíso”, e nos murais, os dois estavam desenhados com coroas.

Corri até meu guarda-roupa para pegar uma caixa de fotos e olhei todas elas, até que encontrei a ampliação da fênix do Vitral da Epifania. Nos murais da Igreja de Burton Dassett, as figuras estavam em ambos os lados da janela que olhavam na direção das Montanhas Fênix. Se aqueles eram Miguel e Gabriel, eles então representavam as duas estrelas de cauda da Ursa Maior. Dos dois lados da fênix no Vitral da Epifania estavam as letras B e M! Elas podiam ser as iniciais de dois dos reis magos, mas eu agora tinha certeza de que Jacob Cove-Jones as tinha usado ali para representar algo totalmente diferente. B e MBenetnasch e Mizar — os nomes das duas mesmas estrelas. As letras até tinham coroas sobre elas, e Miguel e Gabriel eram chamados de os reis do paraíso. Era coincidência demais.

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Devia ter sido assim que Cove-Jones descobrira suas relíquias. Ele deve ter conseguido ver nos murais que os Templários haviam escondido seus tesouros em um lugar que, de alguma maneira, era indicado por essas estrelas à meia-noite no dia 6 de janeiro — o Ano Novo medieval, quando o farol era aceso no topo da montanha. Ele parecia estar usando as mesmas pistas no Vitral da Epifania, que tinha de significar que, qualquer que fosse a quarta relíquia, ela ainda estava no mesmo lugar onde os Templários a haviam deixado. Cove-Jones poderia tê-la devolvido no lugar onde a encontrou, ou então, ele nem a tinha tirado de lá. Tinha certeza que agora eu sabia exatamente o que precisava fazer. Não era uma, mas duas estrelas que, de alguma forma, indicariam o caminho. Eu sabia onde tinha de ir — no topo das Montanhas Fênix.

Eu sabia quando tinha de ir — à meia-noite no dia 6 de Janeiro. E sabia o que devia procurar — Benetnasch e Mizar, as estrelas de cauda da Ursa Maior. Certamente, elas teriam de me mostrar onde a “descoberta de imensa importância” de Cove-Jones estava esperando para ser encontrada.

Capítulos anteriores em:

  1. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-1/
  2. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-2/
  3. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-3/
  4. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-4/
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  10. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-10/

Mais informações sobre a Ordem dos Cavaleiros Templários

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