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Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, parte 14, final

Posted by on 26/02/2016

templários-cavaleiro

Livro Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, de Graham Phillips, Editora Madras. Capítulo XIV – Escrito na Pedra

Era muito estranho, mas estávamos no fim do mês de dezembro quando, finalmente, consegui desvendar o código — somente a alguns dias da Epifania. Graham e Jodi já tinham planos para vir à Inglaterra passar o Ano Novo, e assim, quando chegaram, ouviram fascinados todas as minhas teorias.

Não precisávamos, na realidade, esperar até o dia 6 de janeiro (dia de Reis no Brasil) para descobrir onde as duas estrelas estariam à meia-noite naquele dia. 

 “E a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva”.  Livro do Apocalipse 11:19


Edição e imagens: Thoth3126@protonmail.ch

Livro Os Cavaleiros Templários e a Arca da Aliança, de Graham Phillips, Editora Madras – Capítulo XII – O Código da Epifania

Fontehttp://www.grahamphillips.net/

Conseguimos fazer o download de alguns programas de computador que determinavam as posições dos corpos celestes em qualquer segundo, de qualquer dia, da forma como eram vistos em qualquer parte do mundo. Isso nos deu uma idéia geral de onde as estrelas estavam com relação ao ponto mais alto nas Colinas de Burton Dassett, mas decidimos esperar até o dia certo para verificarmos os fatos com nossos próprios olhos. Graham e Jodi tinham um compromisso em Londres, mas também chovia torrencialmente — sem parar há dias — e o céu estava completamente nublado.

Na verdade, somente na noite do Dia da Epifania o tempo decidiu, finalmente, melhorar. Durante a tarde do dia 6 de janeiro, subimos até o ponto mais alto nas Colinas de Burton Dassett sob uma chuva fria e forte. O vendo soprava tão forte sobre o topo gélido do monte que era difícil suportá-lo. Embora a planície fértil de Warwickshire se estendesse abaixo de nós em todas as direções, a maior parte do horizonte estava coberto por nuvens de névoa. No entanto, quando chegamos ao local, uma hora antes da meia-noite, a chuva havia parado e as nuvens, desaparecido. O formato da paisagem podia, inclusive, ser reafirmado pelo brilho da luz da lua, e conseguíamos enxergar distante muitas milhas em todas as direções.

arcasagrada

As luzes das cidades podiam ser vistas nos horizontes distantes: ao norte, a cidade de Warwick onde havíamos realizado a maior parte de nossa pesquisa; a oeste, Stratford-upon-Avon próxima à Igreja de Langley; e ao sul, a universidade de Oxford onde as pedras foram analisadas. Ao leste, porém, havia escuridão, exceto pelas luzes de alguns pequenos vilarejos e fazendas. Era ali, no céu adiante, que a constelação da  Ursa Maior ficava naquela escuridão do espaço infinito. Conforme os minutos passavam, a constelação se movia lentamente enquanto a Terra continuava a girar. Finalmente, o momento da meia-noite chegou.

As duas estrelas com cauda da constelação da Ursa Maior estavam quase que exatamente uma de cada lado de uma colina que se destacava à luz do luar como uma silhueta completa no horizonte distante. Com a ajuda de nossas lanternas, conseguimos uma localização no mapa e descobrimos o nome do lugar — Montanha Napton. A Montanha Napton ficava a quase vinte quilômetros dali, e enquanto dirigíamos pela noite ao longo das estradas curvas de terra em sua direção pensávamos no que iríamos encontrar lá. “A montanha é muito grande”, observou Jodi, enquanto olhava no mapa no banco traseiro do carro. “Há um vilarejo inteiro chamado Napton-on-the-Hill sobre ela.

O que você acha que devemos estar procurando?” “Deve ter algo a ver com os arcanjos. Miguel e Gabriel”, disse Graham. Jodi e eu concordamos que aquela era uma possibilidade. Acreditava-se que as estrelas representavam esses dois anjos e os murais da Igreja de Burton Dassett trazia-os desenhados de ambos os lados do vitral. As duas estrelas ladeavam a Montanha Napton da mesma forma. “Eles não eram os dois anjos desenhados na Arca?” perguntou Jodi. “Sim, eram efígies de ouro puro, uma de cada lado do propiciatório”, eu disse.

“Eu acho que, como esses dois anjos eram a pista final que nos traria aqui, a última relíquia deve ser a Arca”, observou Graham. Uma estrada íngreme que nos levava para o alto da planície de Warwickshire finalmente chegou ao vilarejo de Napton-on-the-Hill e à igreja que existia no ponto mais alto. Eu esperava que a igreja fosse dedicada aos dois arcanjos, visto que isso poderia confirmar que era a que devíamos procurar. No entanto, uma placa dizia que aquela era a Igreja de São Lourenço. Como São Lourenço era um monge espanhol do século III famoso por sua ajuda aos doentes, eu não podia entender como ele poderia estar relacionado à nossa busca. A igreja estava fechada e por algum tempo caminhamos ao redor do cemitério, lendo as lápides na esperança de encontrarmos algo familiar. Entretanto, depois de quase dez minutos, Jodi achou que deveríamos ir embora.

“Olhem!” ela disse, apontando para a escuridão ao pé da montanha. “Um carro de polícia!” Havia uma luz azul piscando, que parecia estar vindo lentamente em nossa direção. Graham e eu concordamos que não seria uma boa idéia estar bisbilhotando uma igreja no meio da noite. A polícia, obviamente, fazia sua patrulha, e teríamos de dar algumas explicações se fôssemos pegos no cemitério. Decidimos ir embora e voltar quando estivesse claro. No dia seguinte, voltamos à igreja e a encontramos aberta. Dentro dela havia um livro guia que nos fez duvidar ainda mais se estávamos no lugar certo. Construída com pedras matizadas de coloração ocre, a igreja era antiga, mas não foi erguida até o fim de 1300.

Se eu estava certo a respeito de Jacob Cove-Jones ter deixado sua “descoberta de imensa importância” onde ela foi encontrada, o que quer que estivéssemos procurando deve ter estado ali quando os murais na Igreja de Burton Dassett foram pintados — cerca de cinqüenta anos antes de a Igreja de São Lourenço ser construída. No entanto, o livro guia nos dizia que a construção de uma igreja ainda mais antiga fora iniciada ao pé da montanha, nos arredores do vilarejo em um área que ainda era chamada de Church Green. Curiosamente, havia uma lenda de que a igreja havia sido transferida para o topo da montanha porque “espíritos” não paravam de interferir no trabalho de construção da igreja original.

Napton-on-the-Hill-Igreja

St Lawrence’s Church – Napton on the Hill, Warwickshire, England

“Você acha que esses espíritos poderiam ter sido o geoplasma?” sugeriu  Graham. “É pouco provável”, eu disse. “O único lugar em todo o condado que tem o tipo certo de rocha para produzir o geoplasma são as Colinas de Burton Dassett, a quase vinte e cinco quilômetros daqui.” “Sim, mas se você estiver certo, a Arca pode produzir o geoplasma por conta própria”, disse Graham. Ele tinha razão. Se ela, de fato, era capaz de produzir o geoplasma de alguma maneira, o fenômeno poderia acontecer em qualquer lugar, da mesma forma que ela pode ter feito depois que os israelitas deixaram a Montanha de Deus. Se fosse verdade, isso significava que o próprio geoplasma poderia nos levar até a Arca.

“Se é a Arca que estamos procurando e ela está enterrada em algum lugar desta área, eu suponho que seja provável que luzes estranhas sejam vistas no lugar onde ela está escondida”, eu disse. “E se os ‘espíritos’ que interferiam na construção da igreja original era o geoplasma, a igreja podia estar sendo erguida sobre o local onde a Arca estava”, disse Graham. “Talvez a construção, de alguma forma, tenha ativado seu poder.” “E bastante possível que estivessem construindo a igreja em um lugar considerado anteriormente sagrado. Muitas antigas igrejas eram construídas ao redor ou próximas de poços sagrados, como a Igreja de Burton Dassett”, eu disse.

“Se o local já era considerado sagrado, os Templários acreditavam que aquele era um lugar ideal para guardar suas relíquias.”  “Talvez seja por isso que existam espirais nos murais”, sugeriu Jodi. “Se eles, de fato, representavam as luzes, então, a pista final seria encontrarmos o lugar onde essas luzes eram vistas na Montanha Napton.” Deixamos a igreja e dirigimos pelo vilarejo até chegarmos em Church Green. Era uma estrada de terra, salpicada por algumas casas de fazendas e alguns prédios mais modernos. Infelizmente, o livro guia não dizia, com detalhes, a localização exata da igreja original. Após passarmos pela estrada uma dúzia de vezes, decidimos perguntar a um fazendeiro que cuidava de dois cavalos em um campo.

Ele sabia a respeito da igreja original, mas nos disse que sua localização exata havia sido esquecida há muito tempo. Fomos diretos e perguntamos se ele sabia de alguém que tivesse visto luzes estranhas na região. Ele pareceu um tanto confuso com nossa pergunta, mas nos garantiu que nunca tinha ouvido nada a esse respeito. Agradecemos e estávamos caminhando de volta para o carro, quando tive uma idéia: “Você sabe se existe um poço antigo nessa área?” Eu perguntei. Se a igreja original tivesse sido construída ao redor ou próxima de um poço sagrado, como era o caso de muitas igrejas, ele poderia ainda estar ali em algum lugar.

“Um poço, não”, ele disse. “Mas tem a antiga fonte de água.” “A antiga fonte de água?” Eu perguntei. “Sim, ao lado daquela estrada ali.” Ele apontou para uma travessa, na direção do vilarejo. Explicou que a fonte havia sido um santuário católico romano antes da Reforma, quando a Igreja Protestante tomou conta da Inglaterra. Naqueles dias, havia uma antiga construção erguida sobre uma fonte natural, que acreditavam possuir propriedades de cura. Essa estrutura havia desmoronado com o tempo até que foi substituída por uma fonte de água por volta de cem anos atrás. Ela ainda estava ali, mas não funcionava há anos. Alguns minutos depois, encontramos a simples estrutura de tijolos vermelhos que estava coberta até a metade pelo capim ao lado da beira da estrada.

Era uma estrutura retangular com cerca de um metro de altura, um metro e meio de largura e uns trinta centímetros de espessura, com um vão arcado no qual havia uma torneira por onde a água saía da fonte. “Se este era um santuário de um poço católico, pode ter sido aqui, ou perto daqui, que tentaram construir a primeira igreja”, eu disse.  “Sabem de uma coisa, esse lugar fica diretamente entre a posição das duas estrelas”, disse Jodi, olhando no mapa. Naquela manhã, nós tínhamos desenhado duas linhas retas sobre o mapa, unindo o cume das Colinas de Burton Dassett com os pontos no horizonte sobre os quais as duas estrelas passavam. Sem saber onde procurar, também havíamos desenhado uma terceira linha diretamente entre as duas. Jodi estava certa, a linha central passava exatamente no meio de onde estávamos.

Farol-Burton Dassett Hills

Farol sobre Colinas de Burton Dassett

Olhei na direção da Montanha Napton, ao nosso nordeste, e me virei para olhar na direção das Colinas de Burton Dassett no horizonte distante do lado oposto. Se a “descoberta de imensa importância” de Cove-Jones estava em algum lugar, essa fonte de água era uma boa aposta. Ficava ao pé da Montanha Napton, ao longo de uma posição central direta obtida das duas estrelas. O problema era o que deveríamos fazer a seguir. Se havia alguma coisa enterrada ali, não podíamos simplesmente começar a cavar pela área. Nos dias de Jacob Cove-Jones, a região podia ser inabitada, mas hoje havia casas modernas por todos os lados. O terreno, obviamente, pertencia às autoridades do condado local, mas eu duvidava que nos dariam permissão para escavar o local, visto que para esse trabalho provavelmente teríamos de escavar metade da estrada.

Além do que, que motivo iríamos lhes dar? Que achávamos que a Arca da Aliança estava enterrada ali? Eles nos mandariam para um manicômio. Entretanto, decidimos que faríamos uma visita aos oficiais do conselho do condado (o equivalente aos representantes da prefeitura) para descobrir o verdadeiro dono do campo do outro lado da cerca, atrás do santuário. Assim como em Burton Dassett, a igreja original podia ter sido construída ao lado do poço, e não ao redor dele, e valia a pena investigar a terra daquele lugar se pudéssemos. No entanto, quando examinamos os documentos e as escrituras do distrito, sentimo-nos bastante desapontados. Descobrimos que na década de 1950, toda a área ao redor do santuário havia sido escavada, não apenas para aumentar a estrada para dar passagem a veículos mais modernos, mas para passar com condutos de água, gás e eletricidade para as novas casas que estavam sendo construídas.

Na verdade, havia uma menção específica da fonte de água sendo desligada, retirada e posteriormente recolocada. Se houvesse alguma coisa enterrada em algum lugar ao seu redor, as chances eram de que os trabalhadores, naquela época, já a teriam encontrado. “Certamente se tivessem achado uma enorme caixa dourada do tamanho da Arca, todos teriam ficado sabendo”, disse Jodi, fazendo com que Graham e eu ficássemos ainda mais desanimados. “Não se os trabalhadores tivessem decidido ficar com ela”, eu disse. “Só o ouro valeria uma fortuna. Poderiam tê-la derretido e vendido seus pedaços sem que ninguém soubesse de nada.” “Talvez não seja a Arca que estamos procurando”, disse Graham. “Pode ser qualquer outra coisa.”

Decidimos voltar e perguntar a alguns moradores locais se tinham ouvido falar de qualquer coisa interessante que tivesse sido encontrada durante a escavação do local. Naquela noite visitamos o pub da cidade, chamado Crown (Coroa), que ficava a cerca de oitocentos metros na estrada da fonte de água. Ali conversamos com um morador do vilarejo que conhecia toda a história do lugar, mas que não pôde nos ajudar muito. Ele tinha conhecimento de diversos artefatos históricos que haviam sido encontrados no vilarejo, mas nenhum deles parecia ter nenhuma ligação com aquilo que estávamos procurando.

No entanto, quando lhe perguntamos a respeito da empreitada da década de 1950 da construção da Igreja de Church Green, ele nos falou a respeito de um senhor idoso que havia morado em uma das poucas cabanas que existiam por ali na época. Seu nome era Alfred Cárter e ele tinha agora seus oitenta anos de idade. Visitamos o Sr. Cárter em sua casa no dia seguinte, mas ele se mostrou incompreensivelmente relutante em nos deixar entrar em sua casa. Na soleira da porta, porém, ele nos contou algo que era muito interessante. Perguntei se ele sabia se os trabalhadores que fizeram a escavação da área de Church Green na década de 1950 tinham encontrado qualquer artefato histórico. O Sr. Carter disse que nunca tinha ouvido nada sobre aquilo.

No entanto, ele nos disse que se tivessem achado alguma coisa, ela, provavelmente, estaria no meio dos pedregulhos das escavações que foram usados para construir a barragem de um riacho em um campo das redondezas. Infelizmente, ele não se lembrava que campo era aquele. Será que a “descoberta de imensa importância” de Cove-Jones estaria  entulhada no meio de uma pilha de pedras em algum lugar na região da Montanha Napton? No almoço daquele dia, mais uma vez nos sentamos no pub Crown, agora estudando um mapa de grande escala da área, marcando os riachos no distrito. O Sr. Carter havia se lembrado que as pedras tinham sido usadas para a construção da represa de uma correnteza, mas havia dezenas delas na região.

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“Vamos levar uma vida para visitarmos todas as correntezas e encontrarmos uma barragem”, disse Graham. “Podemos perguntar aos fazendeiros locais se eles têm represas em suas terras”, eu disse. Por acaso, havia um fazendeiro no bar, e perguntei se ele tinha algo assim na sua fazenda. Ele respondeu que sim, mas quando fiz outras perguntas, ele me disse algo que fez tudo parecer perdido. Pequenas represas em fazendas, ele me disse, eram geralmente estruturas temporárias, construídas durante períodos de alagamentos. Elas eram erguidas e derrubadas o tempo todo.

Entendi, naquele momento, que os pedregulhos da década de 1950 poderiam estar em qualquer parte dos milhares de acres das fazendas ao redor da Montanha Napton. As pedras podiam ter sido usadas para o conserto de um buraco, como parte de uma outra represa, ou até mesmo, como fundações de um novo celeiro. Mesmo que os pedregulhos não tivessem sido usados para alguma coisa, a represa já teria sido derrubada há muito tempo e as pedras estariam agora jogadas às margens do riacho, cobertas por vegetações de mais de cinqüenta anos. Decidi que era hora de desistirmos. “Mesmo que os trabalhadores da década de 1950 não tenham encontrado o que estamos procurando, essa coisa pode estar em qualquer lugar”, eu disse a Graham e Jodi sem ânimo.

“E se perguntássemos aos moradores locais para descobrirmos se alguém viu qualquer luz estranha?” sugeriu Graham. “Eu sei que o fazendeiro não sabia de nada assim ao redor de Church Green, mas agora sabemos que o artefato dos artefatos pode estar em qualquer lugar, e luzes estranhas podem ter sido vistas em outros locais.” Eu duvidava que isso pudesse nos ajudar. A possibilidade do geoplasma nos guiar até a descoberta de Cove-Jones dependia do detalhe de que o artefato teria que ser a Arca. E isso só seria possível, se a Arca, de Fato, pudesse produzir o geoplasma e se ela ainda funcionasse. “Se a Arca era a ‘descoberta de imensa importância’ de Cove-Jones, ela, certamente, não vai estar em uma pilha de pedras”, eu disse. “Ela tinha mais de um metro de comprimento, setenta centímetros de altura e setenta centímetros de largura. Os trabalhadores teriam reparado em algo grande assim.”

“E se eles tivessem encontrado apenas uma parte da Arca?” disse Jodi. “Talvez aquilo que chamavam de propiciatório. Se a Arca era um aparelho geoplasmático, o propiciatório era o que fazia a Arca funcionar.” Após conversarmos um pouco mais, concordei que seria válido perguntarmos a algumas pessoas para descobrirmos se alguém tinha ouvido falar de quaisquer luzes estranhas na região. Assim, vinte e quatro horas depois, estávamos de volta, sentados no mesmo bar. Havíamos questionado dezenas de pessoas sem que um só relato fosse ouvido de uma estranha luz flutuante vista na região da Montanha Napton. Havia uma porção de histórias interessantes de fantasmas, como por exemplo a da “senhora azul” que diziam assombrar uma floresta local, e até mesmo algumas visões de OVNIs, mas nada que fizesse lembrar o geoplasma.

Enquanto Graham e eu estávamos em pé no balcão do bar, tentando pensar no que fazer a seguir, Jodi examinava o mapa que ela havia espalhado sobre a mesa. “Esperem! Isso não pode estar certo”, ela disse, de repente. Fomos até a mesa para ver o que ela tinha descoberto. “Vocês se lembram quando visitamos a Igreja de São Lourenço naquela noite e vimos o carro da polícia ao pé da montanha? Bem, não há nenhuma estrada naquela área.” Olhei para o mapa. Jodi estava certa. A área onde tínhamos visto a luz azul piscando era de campos abertos entremeados por algumas pequenas florestas. “Talvez a polícia estivesse dirigindo pelo meio dos campos para investigar algum roubo de gado ou algo assim”, eu sugeri.

“Talvez não fosse a polícia”, disse Jodi. Ela, de repente teve uma idéia. “Onde vocês imaginam que a luz estava?” ela disse, apontando para o mapa. “Por aqui, eu acho”, eu disse, indicando uma área florestal ao sudoeste da Montanha Napton. “É exatamente aqui que dizem que a senhora azul aparece“, ela disse. Jodi explicou que o que achávamos que era a luz de um carro de polícia poderia, na realidade, ter sido o geoplasma. Testemunhas das luzes nas Colinas de Burton Dassett viam-nas como anjos, santos e até mesmo fantasmas. “A senhora azul! Esse é, sem dúvida, um nome esquisito para um fantasma”, disse Graham. “Vocês não acham estranho que tenhamos visto uma luz azul piscando na área da mesma floresta?” disse Jodi.

“Mas, ainda assim, é mais provável que fosse um carro de polícia procurando por caçadores ou ladrões”, eu disse. “Com sua luz do carro acesa?” disse Jodi, Tive de que admitir que ela estava certa. Além do mais — agora que ela tinha mencionado — eu não me lembrava da luz estar acompanhada por luzes de faróis de um carro. Se um veículo policial estivesse com suas luzes de aviso acesas, ele também não estaria com seus faróis ligados? “Seria uma coincidência, no entanto, nós chegarmos ali pela primeira vez quando um fenômeno geoplasmático fosse acontecer”, eu disse. “Assim como a pomba e o galo, que nos ajudaram a encontrar as pedras”, disse Jodi. Será que aquela floresta era o lugar onde os pedregulhos tinham ido parar?

Saímos do bar e passamos o resto da tarde procurando pela floresta. Um pequeno riacho passava bem ao meio dela, e procuramos evidências de uma barragem que pudesse ter, algum dia, existido por ali. O problema era que toda a floresta estava com o mato tão alto que ficava impossível dizer o que havia debaixo dele. Dias de chuvas torrenciais também haviam transformado a área em um pântano, tornando muitas partes do lugar totalmente inacessíveis. Estávamos cobertos, da cabeça aos pés de lama, quando a escuridão começou a cair. “Temos de parar por hoje”, eu disse, exausto. “Está ficando escuro demais para que possamos enxergar alguma coisa.” “Talvez a escuridão seja exatamente o que precisamos”, disse Jodi.

“Como assim?” Eu disse, não entendendo o que ela tinha em mente. “Podemos usar as pedras.” Jodi sugeriu que, se as pedras foram as responsáveis por fazer com que a luz aparecesse sobre o lago, elas seriam também capazes de fazer com que a luz aparecesse ali. E se, de alguma forma, a luz tivesse alguma ligação com o que estávamos procurando, então, onde quer que ela aparecesse, seria o local onde o artefato estava enterrado. Valia a pena tentar. Eu não acreditava que aquilo fosse dar certo. Na verdade, eu duvidava que a senhora azul, ou a luz azul que tínhamos visto, tivesse qualquer ligação com o geoplasma. Embora algumas testemunhas tivessem descrito os fenômenos geoplasmáticos como tendo coloração azulada, a maioria delas relataram as luzes da terra como de cor vermelho fogo.

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Depois de pegarmos as pedras no carro, cada um de nós segurou a que havia encontrado e voltamos para a floresta. Enquanto caminhávamos pela trilha enlameada em suas margens, o único som naquela noite calma de inverno era o ruído do pequeno riacho balbuciando na escuridão por entre as árvores. Estávamos ali por apenas alguns minutos quando tudo começou. Em algum lugar no coração do bosque havia uma chama de luz azul, como se alguém tivesse acendido o clarão de uma lâmpada. Alguns segundos depois, ela voltou, mas dessa vez — como eu olhava diretamente para ela — pude ver que parecia ser uma fonte de luz circular, visível por apenas um segundo. Era difícil determinar o tamanho dela, porque não tínhamos como dizer a que distância ela estava.

“Venham”, gritou Jodi, enquanto pulava uma cerca e começava a abrir caminho pela mata no meio das árvores, Graham foi atrás dela, mas eu hesitei. Não podia deixar de pensar no versículo do livro dos Números: “E o fogo do Senhor queimou no meio deles, e os consumiu.” Mesmo assim, pulei a cerca e os segui. Em algum lugar à nossa frente no meio das árvores, a luz agora piscava de forma regular, ficando cada vez mais rápida, até que se transformou em uma esfera cintilante. Nós, porém, caminhávamos cada vez mais lentamente, por diversas vezes caindo na lama e nos atrapalhando entre arbusto e espinhos. De alguma forma, conseguimos, finalmente, chegar em um pequeno pedaço de terra lisa e ter um visão melhor da luz.

A esfera azul brilhante, que tinha o tamanho aproximado de uma bola de tênis, parecia estar pendurada como uma grotesca decoração natalina nos arbustos que se erguiam ao longo da margem do riacho. Jodi parou, de repente, e Graham e eu quase trombamos com ela. Quando ia perguntar aos outros o que deveríamos fazer a seguir, a esfera inflamou-se assumindo uma cor branca brilhante e saiu em disparada pelo ar em movimentos espirais antes de desaparecer na escuridão. Aquela luz surpreendente me deixou mais espantado do que aquela que tínhamos visto no lago. Eu achava que a aparição da primeira não passava de uma coincidência, mas uma segunda luz — aquilo tinha de significar algo mais.

Voltei minha lanterna para a palma da mão e olhei para a pedra de ônix. Eu queria dizer alguma coisa mas não conseguia pensar em que palavras usar. Jodi, porém, gritava para que a seguíssemos para onde a luz tinha ido. Graham e eu começamos a passar por cima dos pequenos arbustos enquanto Jodi pulou para a lateral do riacho e começou a balançar sua lanterna para cima e para baixo em direção às margens. Ela estava ali há apenas alguns segundos quando disse, “Achei alguma coisa!” Descemos até ela e a vimos puxando algo que saía da beira do rio. Após algumas investidas, a coisa saiu da terra dura. Parecia ser uma placa lisa de pedra com cerca de dois centímetros e meio de espessura, quarenta e cinco centímetros de comprimento e trinta centímetros de largura.

“Tem alguns símbolos ou alguma outra coisa esculpida nela”, disse Jodi, erguendo a pedra. Com a luz da lanterna, vi que uma das extremidades parecia estar quebrada, enquanto a outra era arredondada nos cantos. A maior parte dela estava coberta de lodo, mas na parte de cima havia símbolos gravados que estavam cheios de terra. Depois de lavarmos a placa no riacho, parte do sedimento saiu, e pudemos, claramente, ver que a parte inteira de uma lateral havia sido esculpida, de forma deliberada, com o que poderia ser letras de um alfabeto estrangeiro. “Parte dela estava saindo pela lateral da margem”, disse Jodi. “Pude ver que havia algo esculpido nela.”

Por algum tempo, Jodi e eu vasculhamos a área adjacente para vermos se encontraríamos qualquer outra coisa, enquanto Graham usava um galho para cavar ao redor do buraco onde a placa estava, para ver se conseguia encontrar mais partes dela. Por fim, quando vimos que não acharíamos mais nada, decidimos voltar quando estivesse dia e examinar a área por completo. Quando voltamos para o quarto do hotel de Graham e Jodi mais tarde naquela noite, conseguimos limpar de forma adequada o que havíamos encontrado. Pudemos ver então que a placa continha o que parecia ser treze símbolos independentes sobre ela, gravados na pedra a uma profundidade de cerca de meio centímetro.

A placa havia sido, obviamente, quebrada de um pedaço ainda maior, visto que uma das extremidades era irregular e estava partida. A outra ponta, porém, era mais lisa e havia sido, propositadamente, arredondada nos cantos. Mesmo sem sabermos ao certo qual era o lado que deveria ficar voltado para cima, os sinais pareciam estar dispostos em três linhas horizontais separadas. A linha de baixo — quando a placa era vista com o canto arredondado para cima — incluía uma cruz, algo que lembrava a letra grega pi, uma letra maiúscula no formato de um Y, algo parecido com uma letra i minúscula e uma letra t minúscula inclinada para a esquerda. A linha do meio trazia um marca na forma de um sinal de ‘conferido’ (a); um rabisco inclinado para a esquerda com um traço em cima; algo que parecia com uma pena erguida; uma figura irregular inclinada para a esquerda; e um ponto.

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A placa de pedra entalhada com inúmeros sinais, indecifráveis, encontrada perto da Chapel Green

E a linha de cima era composta de uma letra t minúscula invertida, de trás para a frente e inclinada para a esquerda; uma figura de uma letra Y de ponta cabeça; e um sinal de ‘conferido’ de trás para a frente com um ponto e uma linha ao lado dela. Nenhum de nós reconheceu os símbolos como tendo nenhuma forma de letras de alfabetos que conhecíamos. Estava familiarizado com uma série de antigos alfabetos, mas esses sinais não pareciam pertencer a nenhum deles. Tudo o que podíamos dizer era que a placa parecia ter sido esculpida há muito tempo. Algas verdes e brancas  de algum tipo haviam crescido em cima dela, e os símbolos estavam apagados.

Sabíamos que teríamos de mandar a placa para ser examinada por especialistas, mas antes precisávamos descobrir se havia algo mais enterrado no bosque. No dia seguinte descobrimos quem era o proprietário da terra e pedimos a ele se podíamos entrar na mata para procurar uma antiga pilha de entulhos que havia sido jogada lá por volta de 1950. Dissemos ao homem que as pedras tinham vindo de Church Green e podiam conter artefatos relacionados com o santuário católico que, no passado, ficava onde a fonte de água estava. Ele não fez nenhuma objeção. Na verdade, como a terra era muito pantanosa para ser usada para qualquer coisa, ele nem se importaria se decidíssemos cavar alguns buracos.

Apesar de tudo, um dia inteiro vasculhando a área onde havíamos encontrado a placa não nos levou a lugar algum. No fim do dia, decidi mostrar ao proprietário da terra o que havíamos encontrado na noite anterior e perguntar a ele se era capaz de identificá-la, mas como aquilo não era de seu interesse, e parecia não ter valor algum, ele disse que podíamos ficar com ela. Se Jodi estivesse certa, a estranha luz nos tinha levado ao encontro dessa placa. Eu estava tão desnorteado que não fazia idéia se ela estava certa ou errada. Precisávamos descobrir o que era aquele artefato! Graham e Jodi decidiram prolongar sua estadia e juntos levamos a placa até o Museu Britânico em Londres, que se vangloria por possuir as melhores dependências da Inglaterra para a identificação de artefatos antigos. No entanto, o exame não foi conclusivo.

Há, basicamente, dois métodos científicos para calcular as datas de descobertas arqueológicas. Primeiro, há os testes de radiocarbono. Materiais orgânicos, animal ou vegetal, contêm um componente levemente radioativo (inofensivo) chamado carbono 14. Assim que o organismo vivo morre, a radioatividade aos poucos desaparece até que depois de cerca de 60 mil anos não pode mais ser detectada por meio de técnicas normais. Ao realizar uma análise química da quantidade de carbono 14 em materiais orgânicos — como ossos, marfim ou madeira — descobertas podem ser datadas. No entanto, a placa não era orgânica, e por isso o teste de radiocarbono não era uma opção válida. Infelizmente, o segundo método era também inadequado. A termoluminescência é o processo no qual um mineral emite luz enquanto é aquecido.

Argila e cerâmica podem ser datadas dessa forma porque a luz emitida desses objetos mudam com o passar do tempo. No entanto, como o processo pode somente determinar há quanto tempo um artefato foi queimado — em outras palavras, assados em uma fornalha — ele não nos era de grande valia. Nossa placa não passava de uma rocha cortada e lapidada. Esperávamos que alguém no museu pudesse identificar os símbolos. Entretanto, eles não puderam ser comparados com nenhum alfabeto ou sistema de sinais conhecidos em seu banco de dados tão consistente.

Se Jodi estava certa, e o geoplasma, ou o que quer que tenhamos visto, fora criado por aquilo que estávamos procurando, eu não conseguia entender como essa placa podia ser essa descoberta — pelo menos não ela sozinha. Tínhamos de descobrir se havia algo mais enterrado onde havíamos encontrado a placa, e a única maneira de fazermos isso era por meio de uma busca arqueológica completa. Embora isso fosse caro, decidimos que precisava ser feito, e contratamos uma equipe de geofísicos de Londres. O grupo tinha um equipamento sofisticado capaz de detectar quase qualquer coisa que estivesse enterrado no solo. Os aparelhos eram geralmente utilizados pela indústria petroquímica em busca de sinais de rochas que continham petróleo, mas eram também usados por arqueólogos. 

Durante três dias a equipe vasculhou uma grande área ao redor de onde tínhamos encontrado a placa. Primeiro, eles usaram um medidor de magneto de prótons, que media quaisquer anomalias magnéticas abaixo da superfície que seriam capazes de detectar artefatos de metal. Mas, além de localizar antigos pedaços enferrujados de equipamentos de agricultura, nada foi encontrado. Em segundo lugar, usaram um medidor de resistividade, um mecanismo de forcado duplo que envia uma corrente através do solo e mede qualquer alteração na resistência elétrica. Ele pode detectar diferentes tipos de materiais abaixo da superfície, como rochas, pedras ou qualquer cascalho subterrâneo. Isso produziu alguns resultados interessantes quando encontraram uma porção de tijolos irregulares ao redor do local onde a placa estava.

Eles foram mais tarde identificados como paralelepípedos de uma antiga estrada, o que indicava que podiam fazer parte da pilha de pedregulhos que o Sr. Cárter havia mencionado. (Quando a antiga estrada em Church Green foi pavimentada novamente, a superfície da estrada anterior deveria ter ficado no meio do entulho eliminado.) No terceiro dia, a equipe usou o mais avançado de todos os equipamentos: um radar de rastreamento do solo capaz de produzir uma imagem tridimensional do que existe bem abaixo da superfície. No entanto, com exceção de mais alguns paralelepípedos, outros pedaços de equipamentos de agricultura e blocos de rochas, nada havia naquela área.

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Pintura de Gustave Doré de Moisés com as tábuas (de pedra) contendo os dez mandamentos

Se houvesse qualquer outro artefato naquele lugar, havia, então, apenas mais uma possibilidade: os objetos estariam nos campos adjacentes. Teria custado caro demais contratarmos a equipe de geofísicos para vasculhar toda a região — teria levado semanas. Entretanto, conseguimos convencer um clube que fazia detecção de metais a fazer uma varredura pela mata e na área ao seu redor. Isso pelo menos iria determinar se havia artefatos de ouro ou de prata por ali. Infelizmente, apesar de dezenas de detectores de metais vasculharem cada centímetro a uma boa distância de onde havíamos encontrado a placa, nada interessante surgiu. Parecia que o único artefato feito pelo homem que podia ter alguma ligação com nossa busca era a enigmática placa de pedra. No entanto, ela não tinha como ser datada e seus símbolos não puderam ser identificados. O que seria aquilo?

Havíamos testemunhado o que certamente devia ser geoplasma. Contudo, a área não tinha nenhuma rocha que pudesse estar relacionada ao fenômeno. A placa parecia ser de arenito, mas mesmo que isso fosse verdade — uma das rochas que acredita-se ser capaz de produzir o geoplasma — não podia imaginar como uma quantidade tão pequena poderia criar o que tínhamos visto. Em um laboratório, submetida a uma pressão consistente em uma câmara de pressão, talvez! Mas mesmo assim, o fenômeno aconteceria em uma escala muito pequena. “Você disse que achava que os antigos israelitas eram capazes de produzir o geoplasma, de alguma forma, sem a ajuda de um compressor de rochas. E em grande escala”, disse Jodi, depois que a equipe com os detectores de metal não havia encontrado mais nada. 

“A ‘glória do Senhor’ descrita na Bíblia se parece muito com o geoplasma”, eu disse. “E o mesmo fenômeno era criado pela Arca?” “Sim, parece que sim.” “O que ficava guardado dentro da Arca?” Ela perguntou. “Algumas relíquias durante algum tempo, mas principalmente as tábuas de pedra esculpidas com os Dez Mandamentos.” Eu percebi aonde Jodi estava querendo chegar, mas não podia me convencer de que nossa placa de pedra era, na realidade, uma daquelas tábuas. “Mesmo que isso fosse verdade, uma quantidade tão pequena da rocha não seria capaz de produzir o geoplasma”, eu disse. 

“Mas você acredita que a Arca pode ter sido algum tipo de mecanismo geoplasmático?” “Sim, mas sabemos, com certeza, que a Arca não estava em lugar algum daquela área senão os detectores de metal a teriam encontrado.” “E se as próprias tábuas de pedra eram as responsáveis pela criação da ‘glória do Senhor’?” Ela disse. “Como?” “Não faço a menor idéia, mas alguma coisa fez aquela luz aparecer”, disse Jodi. Eu tinha de admitir que, mesmo que minha teoria estivesse certa a respeito dos antigos israelitas terem criado o geoplasma, nem eu, ou qualquer cientista com quem tenha conversado, saberia explicar como eles conseguiam controlá-lo.

“Eu imagino que pudesse existir algo de especial nessa rocha”, eu disse. Já havíamos enviado um fragmento da placa para o Dr. Mellor para que ele pudesse identificar que tipo de rocha era aquela e de onde ela vinha. No entanto, ele estava de férias por algumas semanas e ainda não havia nos mandado os resultados. Quando ele o fez, a princípio, pareceram ser frustrantes. Infelizmente, diferente dos testes com as pedras preciosas, tinha sido impossível dizer com certeza de que parte do mundo vinha a pedra. Ela era, no entanto, feita de arenito — o tipo de pedra associada ao geoplasma. Apesar de tudo, não havia nada de especial na rocha. Ela havia sido submetida aos mesmos testes que as três pedras, mas sem nenhum resultado positivo. Era apenas um simples pedaço de pedra de arenito.

Entretanto, o fato de ela ser feita de arenito podia ser importante. O cume de Jebel Madhbah é composto de arenito. Esse fato não pode provar que a placa, de fato, veio de lá, visto que há muitos outros lugares no mundo onde a rocha é encontrada. Contudo, ele mostra que a placa podia ter sido uma das tábuas que traziam os Dez Mandamentos, já que foi no topo da Montanha de Deus que dizem que Moisés as fez de acordo com as instruções de Deus. Quando Graham e Jodi finalmente voltaram para os Estados Unidos, sentei-me e tentei repassar todos os fatos na minha cabeça.

Se tínhamos decifrado as pistas do Vitral da Epifania de maneira correia, e se eu estivesse certo a respeito dos murais da Igreja de Burton Dassett, parecia, então, que a fonte de água ao pé  da Montanha Napton era onde estava a “descoberta de imensa importância” de Jacob Cove-Jones. Nós tínhamos pedido que a equipe de geofísicos e os detectores de metal também examinassem aquela área, mas nada fora encontrado. Não tínhamos provas de que a placa esculpida estava no meio da pilha de pedras retirada da área da fonte, embora os paralelepípedos encontrados no bosque indicassem que sim. Contudo, havíamos sido levados a encontrar a placa por meio de um fenômeno verdadeiramente assustador. Graham acreditava que o destino havia ajudado em nossa busca, e Jodi tinha certeza de que as três pedras haviam criado os fenômenos que tínhamos presenciado.

Eu, porém, não fazia idéia do que pensar. Muitas vezes, depois que as pedras e a placa foram descobertas, tentamos fazer o geoplasma — ou o que quer que aquilo fosse — reaparecer. Mas, apesar de as termos levado a lugares onde as estranhas luzes foram relatadas, apesar de levarmos a placa de volta ao lugar onde fora encontrada, o fenômeno nunca mais aconteceu. Mesmo assim, minha busca na tentativa de solucionar os segredos da Arca perdida conduziram-me por uma aventura totalmente inesperada. Posso não ter descoberto a Arca da Aliança, mas tinha a certeza de ter resolvido uma série de mistérios cruciais que a envolviam. Tinha certeza de que descobrira onde ela estava escondida depois que deixou o Templo de Jerusalém, e de que encontrara a já esquecida localização da Montanha de Deus. É também possível que Graham, Jodi e eu tenhamos encontrado três das Pedras de Fogo. Ainda mais relevante, eu estava certo de que o fenômeno que o Antigo Testamento afirma que a Arca da Aliança era capaz de manifestar era, na verdade, o geoplasma.

Não pude provar que os Templários de Herdewyke, de fato, encontraram a Arca da Aliança ou que ela fora escondida no centro da Inglaterra. No entanto, a ordem possuía relíquias que afirmavam datar de tempo do Antigo Testamento, e a placa esculpida pode ter sido uma delas. Se ela foi encontrada na caverna ao pé de Jebel Madhbah, poderia ser, então, uma das tábuas que continham os Dez Mandamentos. A placa parece ter sido quebrada ao meio, portanto, pode haver uma outra parte ainda a ser encontrada. Infelizmente, ninguém foi capaz de identificar seus símbolos. O alfabeto hebraico, da forma que o conhecemos hoje, não foi desenvolvido até cerca de 1000 a.C. Nesse período os israelitas começaram a intensificar seu comércio e, com isso, passaram a trocar idéias culturais com seus vizinhos, os fenícios, o lugar hoje conhecido como Líbano, e foi a partir do alfabeto fenício que o alfabeto hebraico se desenvolveu.

No entanto, os sinais na placa de pedra não pertencem a nenhum dos dois. Poderiam ser uma forma de escrita mais antiga dos israelitas, porque a história dos Dez Mandamentos aconteceu por volta de 1360 a.C, cerca de três séculos e meio antes do desenvolvimento do alfabeto hebraico. Como não temos pistas que nos levem para qualquer direção, a placa que achamos está agora guardada em uma caixa-forte de banco próximo à casa de Graham e Jodi, nos listados Unidos. Acredito que por enquanto fico por aqui, assim como no caso da Arca no filme de Spielberg, até que possa ter uma compreensão melhor.

Se isso é o que Jacob Cove-Jones chamou de uma “descoberta de imensa importância,” ela terá de ser decifrada antes que possamos descobrir o tamanho dessa imensidão. Por enquanto, temos planos de enviar a placa de pedra para que seja cientificamente examinada na Universidade Brigham Young em Utah, enquanto David Deissmann está providenciando que diversos lingüistas examinem as inscrições na Universidade Hebraica em Israel. Quais serão os resultados, ainda teremos que esperar para saber. O que quer que sejam os artefatos que encontramos, tive de admitir que toda a investigação em busca da Arca da Aliança fora verdadeiramente incrível. E ainda houve mais um estranho incidente ocorrido. Graham Russell dissera várias vezes que o destino havia intervindo em nossos trabalhos.

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Graham e Jodi analisam fotos e desenhos do vitral da janela da Epifania

Eu já havia descartado a possibilidade aceitando-a como mais uma coincidência. Mas algo aconteceu algumas semanas após termos descoberto a tábua de pedra, que me fez parar para pensar. Voltei à Igreja de Burton Dassett na esperança de encontrar o guarda mais uma vez para agradecê-lo por sua ajuda. No entanto, ele não pôde ser encontrado em lugar algum, e quando perguntei por ele no local, ninguém parecia saber quem ele era. Na verdade, o vigário me disse que ninguém com aquela descrição era um guarda ou superintendente na Igreja de Todos os Santos.

Para ser honesto, o velho homem jamais me dissera quem era. Eu simplesmente havia deduzido que ele era um guarda ou zelador porque o vi acendendo velas e cuidando das flores. Procurei-o por toda parte, mas nunca mais vi o homem e jamais descobri sua identidade. Quem quer que fosse, ele obviamente não visitava a igreja com freqüência e, contudo, nas duas vezes em que estive lá, ele estava no local para me ajudar. Na verdade, sem ele, minhas pesquisas talvez jamais teriam tido os resultados que consegui, e duvido que teríamos encontrado a enigmática placa de pedra — o que quer que ela seja. Graham podia estar certo ou não quanto ao fato de o destino nos ter ajudado. Se isso, de fato, aconteceu, não tenho como explicar como ou por que. O que posso dizer é que houve algo de estranho a respeito do homem que eu achava ser um guarda da igreja.

Na primeira vez em que o encontrei, ele, de alguma forma, entrou na igreja e chegou por trás de mim sem que eu ouvisse qualquer ruído. Não apenas o som de passos no chão de pedra do prédio ecoam estrondosamente, mas também a porta da igreja rangia fazendo um barulho infernal. De volta à igreja, e mais uma vez diante dos enigmáticos murais nas duas laterais da janela, tive esperança de que o homem voltaria para me ajudar novamente. Não pude deixar de pensar que talvez a Arca da Aliança ainda estivesse escondida em algum lugar ao redor das Colinas de Burton Dassett.  FIM

Capítulos anteriores em:

  1. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-1/
  2. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-2/
  3. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-3/
  4. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-4/
  5. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-5/
  6. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-6/
  7. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-7/
  8. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-8/
  9. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-9/
  10. http://thoth3126.com.br/os-cavaleiros-templarios-e-a-arca-da-alianca-parte-10/

Mais informações sobre a Ordem dos Cavaleiros Templários

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