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Os Templários – História – (8)

Posted by on 07/08/2016

os-templarios-michel-lamyOS TEMPLÁRIOS, ESSES GRANDES GUERREIROS DE MANTOS BRANCOS COM CRUZES VERMELHAS

Os seus costumes, os seus ritos, os seus segredos:

Digam o que disserem determinados historiadores encastelados em sua erudição acadêmica, a criação da Ordem dos Cavaleiros Templários continua envolta em inúmeros mistérios; e o mesmo acontece com a realidade profunda da sua missão, não a que se tornou pública, mas a missão oculta. Inúmeros locais ocupados e ou de propriedade dos cavaleiros  Templários apresentam particularidades estranhas.

Atribuíram-se aos monges-soldados crenças heréticas, cultos curiosos e às suas construções, principalmente a Catedral de Chartres, significados e até poderes fantásticos. A seu respeito, fala-se de gigantescos tesouros escondidos (sendo o maior deles o CONHECIMENTO), de segredos ciosamente preservados e de muitas outras coisas.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

OS TEMPLÁRIOS, ESSES GRANDES SENHORES DE MANTOS BRANCOS – OS SEUS  COSTUMES, OS SEUS RITOS, OS SEUS SEGREDOS.

Mais informações sobre os Templários: http://thoth3126.com.br/category/templarios/

OS TEMPLÁRIOS, OS CÁTAROS, O GRAAL E OS SEGREDOS DE SÃO PEDRO

Templários e cátaros

Na Idade Média, os Cátaros foram, incontestavelmente, os principais representantes das doutrinas gnósticas no Ocidente. Ora, é notável que o desenvolvimento do catarismo na França tenha ocorrido essencialmente nos locais onde os Templários registraram, desde a criação da Ordem, o seu maior progresso. No Languedoque, é claro, mas também em Champagne, o que é menos conhecido e mais curioso. É no Mont-Aimé que teremos de procurar os cátaros de Champagne. No cume, erguia-se o castelo da rainha Branca que dominava a pequena aldeia de Bergère-les-Vertus.

Não é estranho que, após a derrota de Napoleão I, o czar Alexandre I tenha exigido, apesar de tudo o que lhe foi dito, que se realizasse uma gigantesca revista às tropas vitoriosas – ingleses, prussianos, austríacos e russos – no sopé do Mont-Aimé? Porquê esse lugar estranho? Por que razão essa revista militar foi acompanhada por uma cerimônia religiosa com a instalação de sete altares onde padres oficiaram simultaneamente? O abade Mathieu, que fez algumas investigações a este respeito, estava convencido de que Alexandre I se sentia herdeiro espiritual dos cátaros.

Mas, voltemos à Idade Média. Anteriormente, o Mont-Aimé chamava-se Montwimer. Um local curioso, sulcado de subterrâneos e que assistiu ao martírio de cento e oitenta e três cátaros queimados a 15 de Maio de 1239. O bispo maniqueu de Hipona, Fortunato, expulso de África por Santo Agostinho, refugiara-se aí no final do século IV. Um cronista do século XIII interessou-se especialmente por ele. Ninguém se espantará ao saber que esse cronista era um monge cisterciense. Chamava-se Alberic de Troisfontaines e o seu mosteiro era uma das primeiras fundações de São Bernardo, situado a cerca de vinte quilômetros de Saint-Dizier.

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Mont-Aimé, em gravura de 1422. No cume, erguia-se o castelo da rainha Branca que dominava a pequena aldeia de Bergère-les-Vertus.

A presença do bispo maniqueu criara sem dúvida, no local, uma primeira fonte de heresia que não teve a menor dificuldade em despertar quando os cátaros reacenderam o seu archote na região do Languedoque. Os primeiros «bons homens» que vieram a Mont-Aimé, talvez para uma espécie de peregrinação, encontraram um terreno favorável e já semeado. Criaram ali o primeiro bispado cátaro do Norte de França. Perseguidos, morreram na fogueira, sendo esse martírio obra de um deles, arrependido e reconvertido na caça aos seus antigos amigos: Robert le Bougre. Teria tanta necessidade de esquecer o seu passado que chegou a emparedar cátaros vivos?

De qualquer modo, os dois grandes lugares de expansão do Templo, na sua origem, foram também as terras privilegiadas do catarismo. Alguns não hesitaram em ver nisso um verdadeiro fenômeno de identidade. Para Jules Loiseleur: “O templarismo foi apenas um ramo dessa grande cepa cátara que produziu rebentos tão diferentes.” Aliás, os cátaros não pensavam que Cristo não era Deus, mas uma criatura inferior a Deus? Loiseleur acrescenta: “Toda a vida desse Cristo fantasma não foi mais do que uma aparência. Nem sequer está realmente presente na Ceia Sagrada: a sua cruz, as suas imagens não merecem qualquer veneração.” Assim se encontra explicada a negação de Cristo pelos Templários. Por outro lado, houve quem comparasse o cordão que os monges-soldados usavam ao fio de linho entregue aos cátaros por ocasião do consolamentum.

O catarismo e a gnose
É verdade que existem relações evidentes entre o catarismo e o gnosticismo. Isso já não tem de ser demonstrado. Se os Templários tiveram efetivamente contatos com alguns ramos gnósticos no Oriente, a convivência com os cátaros, no Ocidente, pode ter facilitado o contágio. Sabemos que o catarismo saiu do bogomilismo que, por sua vez, nascera nos mosteiros búlgaros como cristianismo primitivo (e próximo das doutrinas essênias) tornado dualista pelos mitos gnósticos veiculados por Orígenes (185-254). Por ocasião da segunda cruzada, em 1147, um determinado número de ocidentais teria tomado conhecimento, em Constantinopla, da doutrina dualista. Ter-lhes-ia sido transmitida por mercadores gregos que comerciavam regularmente com os búlgaros e que haviam acabado por se converter ao bogomilismo.

Os cruzados teriam trazido essas doutrinas nas suas bagagens. Christine Thouzellier, especialista em catarismo, vê aí uma das fontes da introdução do bogomilismo em França. De qualquer modo, esta doutrina espalhou-se muito rapidamente no Languedoque e, em 1167, assistiu-se a Nicetas, bispo herético de Constantinopla, propagar o dualismo absoluto no concílio de Saint-Félix-de-Caraman, no Lauragais. Para os cátaros, Deus não pode estar ligado à matéria. Situado num plano incomparavelmente mais elevado, não poderia de modo algum estar imiscuído na criação material e na encarnação das almas em corpos de carne. Mesmo assim, para que essas almas pudessem ser salvas, Deus teria criado uma emanação de si próprio para fazer uma ponte entre o céu e a terra: Cristo.

Através do consolamentum, os cátaros pensavam dar ao homem a sua alma divina. Maurice Magre, em La Clef des choses cachées, escrevia: “Há um segredo que foi transmitido desde o início do mundo… Esse segredo era a essência do ensinamento que Jesus transmitira. José de Arimateia levara-o consigo por esse mundo, até aos limites mais longínquos do Ocidente.” Ser «perfeito» não era mais do que um estado preparatório. Era pelo consolamentum que se recebia a salvação. A essência desse sacramento ficou escondida de nós. Apenas conhecemos as fórmulas do rito e sabemos que incluía uma reunião de homens purificados.

O contributo espiritual era transmitido por um perfeito que o recebera ele próprio de acordo com uma cadeia que se julgava ininterrupta. Transmitia essa vida superior de que era depositário. Um beijo era o símbolo da dádiva recebida e esse beijo circulava entre os crentes que estavam presentes, como o sinal visível da corrente de amor que passava de uns para os outros. Para Maurice Magre, o consolamentum era «o segredo de Jesus, o espírito do Graal». Na encarnação de Cristo, os cátaros apenas viam um valor simbólico. Apenas teria ocorrido em imagem, sem realidade carnal, dado que Deus não podia encarnar na matéria. Não fora mais do que o sinal aparente da verdadeira missão de Cristo, que seria efetuada num mundo superior. E isso também podia muito bem estar de acordo com a negação dos Templários. Mas, visto isso, poderemos considerar que o catarismo invadiu a Ordem do Templo?

Montsegur-Cathar-Castle

As ruínas do Castelo de Montségur, fortaleza dos Cátaros, localiza-se na comuna de Montségur, no Departamento do Ariège, na região de Midi-Pyrénées, sudoeste da França. Situa-se no topo da montanha, a 1207 metros de altitude, em posição dominante sobre a vila.

Os Templários foram cátaros?
Dom Gérard escreve: “A Ordem do Templo esteve na base do ensino (do catarismo) e da sua propagação, tanto entre o povo como entre os senhores da Occitânia. A sombra da Ordem cobre os perfeitos e os crentes. Bastaria enumerar as comendas da Ordem espalhadas nessa região, lembrar a sua ação no vasto movimento de organização e de conquista da Catalunha, de Aragão, das Espanhas e das ilhas Baleares (Mayorca e Minorca) para nos darmos conta da sua presença. Bastaria também lembrarmo-nos de quantos infelizes, perseguidos, encontraram refúgio nas casas do Templo; lembrarmo-nos de qual foi a sua atitude na batalha, mais que não fosse em Montségur com Bertrand de La Beccalaria, ou em Montrédon, em Carcassonne e em tantos outros locais.”

É um fato que Templários e cátaros parecem, por vezes, espantosamente próximos. Quantos elementos de crenças os ligam? É o caso dessa concepção segundo a qual existe um deus mau que, sozinho, criou os seres animados de uma existência material, que preside à sua conservação, que pode favorecer e enriquecer os seus fiéis e que deu à terra a virtude de fazer germinar e florir as árvores e as plantas, expressão que encontramos tanto na investigação referente aos Templários como na realizada por causa dos cátaros. Todavia, se os Templários tinham sido, em termos rigorosos, convertidos ao catarismo, se a sua fé era tão forte como a dos perfeitos da Occitânia, na hora da morte, não teriam sido vistos a reivindicar as suas crenças? Por certo não teriam, depois de colocados sobre a fogueira, reafirmado a ortodoxia e a sua fé numa religião que teriam amaldiçoado, caso fossem cátaros.

De qualquer modo, nesse momento, não tinham nada a perder. É sobretudo isto que nos impede de acreditar numa Ordem dos Cavaleiros Templários inteiramente herética e consciente dessa heresia. Se é inegável que existiu na Ordem um ritual de negação de Cristo, os testemunhos mostram-nos que, pelo menos nos últimos anos, aqueles que o praticavam não sabiam verdadeiramente o que faziam. Podemos pensar numa simpatia dos Templários pelos cátaros. Podemos pensar numa doutrina própria de um círculo interior suficientemente próximo de determinadas crenças cátaras para que tenha havido trocas, discussões. Podemos pensar em fazer da Ordem do Templo uma espécie de quinta coluna do catarismo na Igreja. É claro que há uma grande distância entre a atitude dos Templários e a de São Bernardo em relação aos cátaros, dado que ele não conseguira convencer as populações da Occitânia e já só pensava numa resolução militar do problema.

Os Templários tiveram muito mais simpatia pelos cátaros e não há dúvida de que sofreram algum contágio. Com efeito, Louis Charbonneau-Lassay faz notar que, nas inscrições murais deixadas pelos dignitários templários em Chinon, podemos reconhecer os instrumentos da paixão de Cristo. Ora, só há três cravos e esta inovação (antes, eram sempre representados quatro) teria sido, segundo ele, introduzida pelos cátaros. Este elemento não tem uma grande importância quanto ao fundo, mas mostra, no entanto, que entre os Templários e os cátaros existiram contatos suficientes para transparecer alguma coisa.

Cátaros no Templo
Até 1136, era proibido receber na Ordem do Templo cavaleiros excomungados. No entanto, a partir dessa data, a regra foi modificada. Daí em diante, a Ordem foi autorizada a receber no seu seio os excomungados pela igreja romana bem como todos quantos tivessem cometido pecados graves, com a única reserva de que tivessem manifestado o arrependimento. O novo texto era muito claro. Alguns viram na modificação da regra um erro de copista mas isso está excluído, dado que, aliás, foram acrescentados outros elementos que iam no mesmo sentido, como a adição da absolvição prévia. Aliás, logo em 1143, os Templários ingleses inumaram em terra cristã o corpo de Geoffroy de Mandeville, conde de Essex, morto excomungado.

carcassonne

Vista aérea de Carcassone. 

Isto permitiu, pois, aos Templários receberem cátaros no seu seio e tanto mais facilmente quanto não haviam mostrado muita pressa em ajudar os barões do norte da França na sua cruzada contra os gnósticos Albigenses. Assim, Pierre de Fenouillet, que foi despojado dos seus bens por ser herético, retirou-se para junto dos templários do Mas-Deu, no Roussillon. Foi aí enterrado por volta de 1242. Isso não impediu, aliás, os inquisidores de o mandarem exumar, julgar de novo e condenar uma vez mais, postumamente, em 1262. Também Pons III de Vemet, cátaro, se retirou para o Mas-Deu e também ele não teve direito ao descanso que os mortos podem esperar. Os sinistros inquisidores dominicanos mandaram exumar e queimar os seus restos. Referiremos também a família de Aniort.

As suas ligações com o catarismo e a resistência dos seus membros contra os barões do norte valeram-lhe muitos dissabores, mas, ao mesmo tempo, contou com muitos dos seus na Ordem do Templo. Muitos outros cátaros ou simpatizantes foram também Templários. Seria difícil acreditar que isso não possa ter tido qualquer influência na Ordem. Mas há tantas formas de deixar uma marca sem que, desse modo, se converta toda essa instituição a uma heresia. E, lembremos uma vez mais, se os cátaros souberam amiúde dirigir-se para a fogueira cantando e proclamando a sua fé, não vimos nenhum Templário morrer afirmando a sua crença noutra doutrina que não fosse a da Igreja católica.

Não podemos, pois, argumentar uma Ordem do Templo maciçamente convertida à fé cátara, mas antes uma simpatia pelos cavaleiros do Languedoque, que contaram inúmeros parentes e amigos seus na Ordem. Todavia, para além disso, podemos sem dúvida imaginar contatos mais secretos entre o círculo interior do Templo e os cátaros da Occitânia, e isto no quadro daquilo a que convencionou chamar-se a demanda do Graal.

Os Templários e a demanda do GRAAL 
O Graal é, incontestavelmente, um dos elementos que aproximam os cátaros dos Templários. Alguns mitos afirmam que a taça do Graal esteve, pelo menos durante algum tempo, sob a guarda de puros cátaros. Aliás, vemo-la representada no brasão do Sabarthez. Teria inclusive estado guardada em Montségur e, em seguida, «salva» pouco antes da rendição da fortaleza solar. Os desenhos encontrados numa gruta de Montreal de Sos, no Ariège, seriam um testemunho da sua passagem. Ora, essa gruta fica perto de uma casa templária, situada em Capoulet-Junac. Nessa caverna de saída dupla, o Graal aparece acompanhado pela lança, o cepo, uma espada quebrada, cruzes vermelhas e cinco gotas de sangue.

No seu Parsifal, cerca de 1200, o trovador Wolfram von Eschenbach fez dos Templários os guardiões do Graal. Dizia estar de posse de toda a história de «Kyot der Provinzal» que teria descoberto em Toledo (Espanha), num manuscrito. Referia também um pagão chamado Flégétanis que era célebre pelo seu saber. Era da linhagem de Salomão e teria sido ele a redigir toda a história da demanda do Graal. Vira, nas constelações celestes, mistérios perante cujo pensamento tremia porque neles estava o segredo do Graal que uma hoste de anjos viera depositar na terra. Ora, o nome de Flégétanis deriva de Falak-Thani, designação árabe do segundo céu colocado sob a invocação de Aissa, isto é, de Jesus.

Na obra de Wolfram, que teria sido um templário suábio, o eremita Trevizent diz a Parsifal: “Valentes cavaleiros têm a sua morada no castelo de Montsalvage, onde se guarda o Graal. São templários que vão muitas vezes cavalgar para longe, em busca de aventuras.” Ainda por cima, situa o castelo do Graal perto da fronteira espanhola. No seu Titurel, Wolfram von Eschenbach escreve: “Entre os cavaleiros do Templo, podemos ver mais de um coração desolado, eles a quem Titurel livrara mais de uma vez de rudes provas quando o seu braço defendia cavaleirescamente o Graal com a ajuda deles.” Wolfram não é o único a imiscuir os Templários nesta demanda, quer seja de forma direta, quer indireta. Robert de Boron, na Estoire du Graal, atribui a construção do Templo do Graal a Titurel. Este obtém a ajuda de Merlin, a quem José de Arimateia explicou as plantas do Templo de Salomão.

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Noutra aventura ligada a este ciclo, o Perlesvax ou Perlevaux, os guardiões do Graal que protegem o seu precioso bem numa ilha, são guerreiros com vida monástica, vestidos com um hábito branco com uma cruz vermelha, tal como os Templários. Igualmente, em Perceval le Gallois, José de Arimateia ofereceu a Evelach, o antepassado de Galahad, um escudo branco ornado com uma cruz vermelha. É ainda a cruz vermelha do Templo que figura na vela branca da nave que conduz Parsifal a uma região desconhecida, no romance de Wolfram. Notemos também que, para além de Wolfram, o autor essencial dos romances ligados ao ciclo da Távola Redonda foi Chrétien de Troyes e que a região francesa de Champagne foi, sem dúvida, o principal local de difusão da literatura do Graal. Daí a vermos uma vez mais a influência templária vai um pequeno passo que devemos poder dar. Aliás, isso casa perfeitamente com os Templários, porque, manifestamente, o mistério do Graal baseia-se na transmissão de uma iniciação tanto guerreira como espiritual e sacerdotal.

Julius Evola escreve: Está fora de dúvida que, entre as diferentes ordens de cavalaria, a Ordem dos Cavaleiros Templários, mais do que qualquer outra, ultrapassou a dupla limitação representada, por um lado, pelo simples ideal guerreiro da cavalaria laica e, por outro, pelo ideal puramente ascético do cristianismo e das suas ordens monásticas, aproximando-se sensivelmente, assim, do tipo da «cavalaria espiritual do Graal». Ademais, a sua doutrina interior tinha um caráter iniciático. Foi por isso que a Ordem dos Cavaleiros Templários foi especialmente visada e exterminada e, para dizer a verdade, precisamente pela coligação dos representantes dos dois princípios que ultrapassava idealmente: o papa, aliado a um soberano de tipo laico, secularizado e despótico, inimigo da aristocracia – Filipe, o Belo.

O que é certo é que, em 1247, três anos depois da queda de Montségur, Guillaume de Sonac, Grão-Mestre da Ordem do Templo, fez chegar uma encomenda misteriosa a Henrique III, rei de Inglaterra. Tratava-se de um vaso sobre o qual nada mais sabemos. Será preciso especular que tivesse uma relação com o Graal? De qualquer forma, era suficientemente precioso para ser acompanhado por uma escolta de Templários muito importante.

Os Templários e Cristo
Como explicar, neste quadro, o fato preciso da negação de Cristo pelos Templários? Vimos que, falando com propriedade, eles não haviam abraçado outra fé. Logo, há que considerar que essa negação não deverá, necessariamente, ser tomada ao pé da letra. É difícil acreditar que esse rito tenha existido durante muito tempo no quadro da recepção dos irmãos no Templo. Como seria possível não ter havido neófitos suficientemente horrorizados por um tal ato para o irem denunciar no exterior, levados pelo medo de um castigo eterno? Uma prática maciça desse ato não tem consistência, tanto mais que os postulantes tinham a liberdade de renunciar até ao último momento. Ainda por cima, se o caso tivesse sido esse, perguntamo-nos por que razão oitenta Templários, prisioneiros do Sudão, teriam preferido morrer a abjurar a sua fé? Muitos irmãos declararam ter negado «com a boca, mas não com o coração» e alguns dizem tê-lo confessado.

Parece evidente que isso foi apresentado aos postulantes como uma prova pela qual era preciso passar sem lhe atribuir muita importância, e não como uma negação real. Aliás, foi o que declararam alguns deles. Ademais, tudo isto só é possível se este rito fosse muito tardio, pelo menos no que se refere aos novos recrutas. Em contrapartida, podemos, sem a menor dúvida, integrá-lo no processo de uma iniciação que seria dada mais tarde e apenas aos irmãos considerados capazes de a receber. Se admitirmos a existência de um círculo interno na Ordem, que perseguia um objetivo mais secreto do que o das cruzadas, e se considerarmos que esse círculo tenha podido abandonar a Ordem oficial, a um determinado momento, poderíamos compreender muito bem que alguns ritos possam ter deixado, com o tempo, de ser compreendidos e aplicados ao nível onde deveriam tê-lo sido.

Quanto a determinados autores, pensaram que os Templários faziam uma distinção entre dois Jesus: o «filho de Deus»(Cristo) e aquele que morre na cruz (o homem Jesus), que não teriam sido uma mesma e única pessoa. Louis Charpentier escreve: “A cruz é um suplício que, na Palestina, é exclusivamente romano. Sabe-se que os judeus lapidavam – se tivessem decidido a condenação à morte de Jesus, têlo-iam lapidado, como foi o caso de Estêvão.” E acrescenta: “Nunca um procurador romano teria condenado um homem por uma razão religiosa, se este não tivesse originado tumultos contra Roma.” Aliás, a inscrição que figurava na cruz com as razões da execução não referia que Cristo se dizia filho de Deus, mas Rei dos judeus. O homem crucificado teria, pois, sido martirizado por ter querido proclamar-se rei, escarnecendo assim da autoridade romana na Palestina.

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A existência de duas personagens diferentes, depois amalgamadas nos textos sagrados, explicaria aliás muitos enigmas. Sem dúvida que isso permitiria compreender por que razão o Cristo que prega que deve estender-se a outra face quando nos batem, que declara que aquele que puxa da espada morrerá pela espada, pode, ao mesmo tempo, desculpar numa parábola (Lucas XIX, 27) um rei que diz: “Tragam-me aqui os meus inimigos que não quiseram ter-me como rei e os degolemos na minha presença.” É também Cristo que afirma: “Não penseis que vim trazer a paz à Terra, vim trazer não a paz mas a espada.” Como conciliar: «Honra teu pai e tua mãe e que aquele que amaldiçoar o seu pai seja punido com a morte» e «Vim pôr a divisão entre o filho e o pai».

Parece-nos que é este segundo aspecto de Jesus que pode parecer coerente com o que o Sinédrio diz a Pilatos: “Eis aquele que encontramos a agitar o nosso povo, a proibir que se pagasse o tributo a César e dizendo-se Cristo, o Rei.” Não iremos emitir qualquer opinião sobre este tema aventureiro mas, de qualquer modo, temos de o analisar, na medida em que um dos segredos dos Templários teria sido, para alguns, a descoberta de documentos que revelavam esta dualidade da personagem de Jesus. Alguns, entre os quais Robert Ambelain, não hesitam em ver nesta dualidade o sinal de que Cristo tinha um gêmeo. Dois homens: o santo e o rei guerreiro. Entraríamos então no simbolismo da Ordem do Templo, o do monge e do guerreiro, o dos dois homens em cima do mesmo cavalo como mostra o seu selo mais célebre.

Esses dois seres que, tal como os gêmeos Castor e Pólux, podem participar alternadamente no mundo celeste e no da matéria, circulando sobre esse eixo do mundo que a sua lança representa e montados num cavalo, animal psicopompo, enquanto o seu escudo ostenta o raio do carbúnculo, uma das formas do jogo que liga o Céu e a Terra. Se os Templários se inseriam efetivamente nesta lógica, seria compreensível que tenham visto no dualismo dos gnósticos uma abordagem interessante da divindade, mas também que tenham conservado o seu segredo para um círculo interior. É exato que observamos, nos Evangelhos, a existência de um gêmeo: Tomé, a quem São João chama Dídimo. Ora, em grego, dídimo significa gêmeo. O mais curioso é que Tomé também tem o sentido de gêmeo, que vem do hebreu taoma. Tomé não seria um apelido ou um nome, mas sim uma designação.

Acrescentemos que algumas passagens do Evangelho de São João podem fazer pensar que Jesus tinha irmãos. Uma vez mais, o que nos interessa aqui não é a validade destas teses. Bastaria que tivessem sido compartilhadas, pouco ou muito, pelos Templários para se tornarem explicativas de um determinado número de mistérios. Mas digamos também que nada, absolutamente nada, permite afirmar que essas crenças tenham existido mesmo na Ordem do Templo; simplesmente, isso simplificaria a compreensão do enigma templário. A existência de uma dupla pessoa explicaria também a ambiguidade das relações que alguns julgaram poder discernir entre Jesus e Maria Madalena.

Se Cristo é duplo e tem um irmão, se um é santo e o outro não o é… Observemos, de passagem, que os Templários dedicaram inúmeras casas e capelas a Maria Madalena, como, por exemplo, em Provins. Não ficaremos surpreendidos ao saber que Maria Madalena desempenha um papel importante nos escritos gnósticos fundamentais: a Pistis Sophia, os Livros do Salvador, o Evangelho de Maria, a Sophia de Jesus, o Evangelho de Filipe, o Evangelho de Pedro e o Evangelho de Tomé. No Evangelho de Filipe, lê-se: “Cristo amava Madalena mais do que a todos os discípulos. Eles disseram-lhe: «Por que a amas mais do que a nós?» e Jesus respondeu: «Por que não vos amo como a ela?»” Neste evangelho, Filipe precisa mesmo que Jesus beijava muitas vezes Maria Madalena na boca. Teriam os Templários conhecimento destes textos gnósticos? No caso afirmativo, que efeito teve isso sobre eles? É impossível dizê-lo. Talvez, um dia, a descoberta de um manuscrito esquecido numa cripta templária… Quem sabe?

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São Pedro e as chaves do Templo
De fato, quem detém as chaves do Templo é, sem dúvida, São Pedro. Alguns irmãos da Ordem afirmaram-no, aliás, asseverando que a negação de Cristo era feita para lembrar que também Pedro negara Jesus. Acompanhemos São Lucas, ao descrever a prisão de Cristo: Prenderam-no e levaram-no, introduzindo-o na casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. Tendo eles acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se ao redor, e Pedro sentou-se no meio deles. Ora, uma criada viu-o sentado perto do fogo e, encarando-o, disse: «Este também estava em companhia dele!» Ele, porém, negou: «Mulher, eu não o conheço.» Pouco depois, um outro, tendo-o visto, afirmou: «Tu também és um deles!» Mas Pedro declarou: «Homem, não sou.» Decorrida mais ou menos uma hora, outro insistia: «Certamente, este também estava com ele, pois é galileu!» Pedro disse: «Homem, não sei o que dizes!»

Imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou, e o Senhor, voltando-se, fixou o olhar em Pedro. Pedro então lembrou-se da palavra que o Senhor lhe dissera: «Antes que o galo cante hoje, tu me terás negado três vezes.» E saindo, chorou amargamente. Ora, inúmeros Templários afirmaram que lhes era pedido que negassem Cristo três vezes, como São Pedro. Mas, quem era Pedro? Na verdade, chamava-se Simão, filho de Jonas. «Pedro» era apenas um apodo. Nota: Foi nas «grutas de Jortas» que alguns templários se refugiaram, quando da queda da Ordem, para fugirem à detenção. Seria interessante saber se foram eles que deram esse nome às grutas. Alain Marcillac lembra-nos que Petros, em hebreu, significa «aquele que abre», o que explica que detenha as chaves como atributos.

Cristo disse-lhe: “Tu és Pedro e sobre essa Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” Existe um evangelho de Pedro particularmente querido da seita gnóstica dos Docetas. É interessante levantarmos a questão de saber qual era a idéia que se fazia de São Pedro na época dos Templários. Para tal, o melhor é socorrermo-nos de Jacques de Voragine, que escreveu a sua Lenda Dourada em meados do século XIII. Pedro «recebeu do Senhor as chaves do Reino dos Céus», é, portanto, o intermediário sonhado para aceder à iniciação.

Segundo São Clemente, São Pedro tinha o hábito de se levantar, todas as manhãs, «ao cantar do galo» para fazer o exame de consciência e chorar abundantemente. O galo, presente no abraxas, acompanha, aliás, muitas vezes São Pedro, na iconografia. A propósito de Simão o mágico, Pedro teria dito a Nero: “Tal como em Jesus Cristo há duas substâncias, a saber, a de Deus e a do homem, também neste mágico se encontram duas substâncias, a do homem e a do diabo.” Acrescentemos que São Pedro esteve envolvido numa cena durante a qual Simão, o mágico, fez mexer a cabeça de um morto. Essa cabeça teria as características de um «baphomet»? Pedro tem a sua festa a 29 de Junho, no signo de Câncer, o signo oposto ao do nascimento de Jesus.

Ele fica nesta terra para cumprir a sua missão depois do desaparecimento de Cristo. Na ótica dos Gêmeos, Castor e Pólux, um está no Céu quando o outro está na Terra. Assim, em relação a Cristo, Pedro faz parte do mundo inverso. Aliás, não foi ele crucificado de cabeça para baixo? Na data de 29 de Junho, segundo Maurice Guingand, a constelação de Ophiucos forma, com a cabeça e a cauda da serpente, aquele conjunto de estrelas a que os antigos chamavam serpentário. Este, que parece brandir duas serpentes, foi assimilado a São Pedro segurando as chaves do Paraíso. Mas, então, como não pensar no abraxas com cabeça de galo que figura no selo secreto da Ordem do Templo e que, ele próprio, segura na mão duas serpentes?

E, depois, Pedro tem um ponto em comum com Maria Madalena. Segundo os textos (incluindo os heterodoxos), são, quer ela, quer ele, as primeiras pessoas com quem Cristo se encontra, depois da sua morte. A cena do encontro é relatada, nomeadamente, no Apocalipse de Pedro, um texto descoberto em Nag-Hammadi. É, sem dúvida, o único ponto comum, na medida em que Pedro não gosta nada de Maria Madalena e até «detesta a raça das mulheres». Daí que alguns ritos que instituem relações ambíguas entre homens estejam ligados a esta fama de Pedro detestar as mulheres? De qualquer modo, ele figura de chaves na mão, à direita de Cristo, no portal de Vézelay, tendo a seu lado Maria Madalena.

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Estou consciente de que, para muitos leitores que se interessam pela Ordem do Templo, ouvir falar de São Pedro como uma das chaves essenciais do seu conteúdo iniciático, constitui um espanto. Com efeito, para aqueles que se interessam pelo esoterismo, Pedro não apresenta, de um modo geral, qualquer interesse, ao contrário de João. Disse-se tanto que os Templários eram «Joanistas» que nos tornamos míopes, se não mesmo cegos, na análise dos seus mistérios. Em sentido estrito, nada confirma a idéia de que os Templários teriam podido privilegiar apenas o ensinamento de São João. Dedicaram-lhe um determinado número de capelas, mas muito menos do que se afirmou. Teremos ocasião de voltar a esse ponto. Ademais, o acesso à palavra de São João pode exigir fases preliminares.

Finalmente, fazemos mal em desprezar São Pedro que, ao fim e ao cabo, é o detentor das chaves. Correndo o risco de espantar algumas pessoas, é preciso dizer que os Templários dedicaram inúmeras igrejas e capelas a São Pedro. Ora, na maior parte das vezes, não se trata de lugares como outros quaisquer. É frequente encontrarmo-las a alguns quilômetros de comendas a que estavam ligadas por subterrâneos. Assim, no Lubéron, a quinta de São Pedro, situada perto da aldeola de Puyvert, era uma casa templária. Foram encontradas lá saídas subterrâneas. Na capela, quando das escavações, foram encontrados esqueletos de homens que mediam nitidamente mais de dois metros.

Citemos também, apenas como exemplo, a velha igreja de São Pedro, em Saint-Raphael, com a sua torre dos Templários. Em Saint-Émilion, existe uma igreja monólito muito enigmática quanto à sua decoração de inspiração alquímica. Esse edifício, com as suas galerias subterrâneas, ostenta a cruz da Ordem do Templo. A igreja data da época em que Bertrand de Blanchefort era Grão-Mestre (foi o sexto Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários de 1156 até sua morte em 1169. Ele é conhecido como o grande reformador da ordem) e o seu castelo ficava a menos de quarenta quilômetros de lá.

Será por acaso que uma tradição afirma que a capela de São Pedro de Rians possui um esconderijo que abriga arquivos templários de primordial importância? Em Saint-Merri, em Paris, mostra-se muitas vezes um «baphomet» templário que ornamenta o portal. Na verdade, essa estátua é recente, mas isso pouca importância tem porque reina sobre Saint-Merri uma «tradição templária» cuja origem não conhecemos. De qualquer modo, essa igreja chamava-se primitivamente Saint-Pierre-des-Bois, como a comenda templária situada a norte de Sélestat, na Alsácia, e cujas ruínas podemos ver na aldeia de Herrenhofstadt.

Não serviria de nada multiplicar estes exemplos que apenas têm como objetivo mostrar que os Templários nunca desprezaram São Pedro, muito pelo contrário. Mas também é interessante olharmos mais de perto alguns dos locais mais vulgarmente ligados aos «mistérios» da Ordem do Templo. Assim, que deveremos pensar da capela de Saint-Pierre-aux-Boeufs, perto de Gisors? E que pensar da capela de São Pedro, perto do castelo de Arginy? E da capela da quinta de São Pedro, perto da comenda de Sainte-Eulalie-de-Cemon, no Larzac? E da abadia de Saint-Pierre-de-Bhagari que é um dos pontos-chave do dispositivo templário do Verdon? Voltaremos mais pormenorizadamente a alguns dos locais importantes nos últimos capítulos deste livro, que serão dedicados à análise de lugares especiais.

Por agora, o que convém reter é que, perto das comendas dos Templários, nomeadamente das mais importantes e das mais carregadas de mistérios, existem quintas e capelas dedicadas a São Pedro, que estavam ligadas a essas comendas por subterrâneos cujos vestígios ainda podemos encontrar com bastante frequência. Voltemos, por uns instantes, às cerimônias evocadas anteriormente. Não se explicariam melhor se pensássemos que o neófito podia ser conduzido, em primeiro lugar, a uma capela de São Pedro e, depois, levado pelos seus mentores à sala da recepção, passando por um subterrâneo? Lembremo-nos: a cerimônia realizava-se de noite. Antes do canto do galo, tal como São Pedro, o novo cavaleiro do Templo teria negado Cristo três vezes.

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Então, e só então, ser-lhe-iam dadas as chaves do conhecimento e, tal como São Pedro, deveria preparar o reino de Deus neste mundo. Se os testemunhos dos irmãos, quando do processo, não foram mais precisos, foi apenas porque, como já dissemos, os ritos já não eram compreendidos. Isto implica que o círculo pensante e iniciático que animava o Templo o abandonara. Perto do seu final, a Ordem dos Cavaleiros Templários não era mais do que uma casca sem alma, que só funcionava em virtude da inércia. Foi sem dúvida por essa razão que não opôs grande resistência à operação de polícia desencadeada contra ela pelo rei Philipe IV, O Belo, da França e a igreja de Roma.

Mais informações sobre os Templários:

  1. http://thoth3126.com.br/category/templarios/

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