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Ramakrishna (03): Visita à Vidyasagar

Posted by on 10/08/2015

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VISITA A VIDYASAGAR

Ramakrishna Paramahamsa (Bengali: রামকৃষ্ণ পরমহংস), seu nome de nascimento é Gadadhar Chattopadhyay (18 de Fevereiro, 1836 – 16 de Agosto, 1886), foi um dos mais importantes líderes religiosos Hindus da Índia, e foi profundamente reverenciado por milhões de Hindus e não-Hindus como um autêntico mensageiro de Deus.

Ramakrishna foi uma figura influente na Renascença Bengali do século XIX. Swami Vivekananda, um dos seus maiores discípulos descreveu Ramakrishna Paramahamsa como: “Ele que foi Rama, Ele que foi Krishna, agora é Ramakrishna neste corpo.”

Edição e imagens: Thoth3126@gmail.com

CAPÍTULO   III – VISITA   A   VIDYASAGAR – Dia 5 de agosto de 1882 

O Pundit Iswar Chandra Vidyasagar nasceu no vilarejo de Beersingh, não longe de Kamarpukur, cidade natal de Sri Ramakrishna. Era conhecido por ser um grande erudito, educador, escritor e filan­tropo. Um dos criadores do bengali moderno, era também, bem versado na gramática e poesia sâns­critas. Sua generosidade fez com que seu nome se tornasse familiar entre seus compatriotas, sendo a maior parte de sua renda distribuída entre viúvas, órfãos estudantes pobres e outras pessoas necessita­das.

Sua compaixão não se limitava apenas aos seres humanos: deixou de beber leite durante anos para que os bezerrinhos não ficassem sem ele e também não guiava carruagens com medo de machucar os cavalos. Era homem de espírito indomável, o que foi comprovado quando abandonou a posição lucra­tiva de reitor da Faculdade de Sânscrito de Calcutá, por causa de desavenças com as autoridades. Seu afeto pela mãe era especialmente profundo.

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Lakshmi

Um dia, na falta de barco, atravessou um rio impetuoso – com risco da própria vida, para atender ao desejo de sua mãe, dele estar presente no casamento do ir­mão. Toda sua vida foi de uma grande simplicidade. O título Vidyasagar, que significava “Oceano de Cultura” foi-lhe dado em reconhecimento à sua vasta erudição e sabedoria.

Sri Ramakrishna há muito tempo, desejava visitar Iswar Chandra Vidyasagar. Sabendo que M. era professor na escola de Vidyasagar, o Mestre perguntou-lhe, “Você pode levar-me até Vidyasagar? Gostaria muito de conhecê-lo.” M. falou com Ishar Chandra a respeito do desejo de Sri Ramakrishna e o pundit concordou que M. levasse o Mestre num sábado, às quatro horas da tarde. Apenas perguntou a M. que tipo de paramahamsa o Mestre era: “Ele usa roupa ocre?” M. responde: “Não, senhor. É uma pessoa fora do comum. Usa roupa com franja vermelha e chinelos polidos. Mora num quarto no tem­plo da Rani Rasmani. Em seu quarto há um divã com colchão e mosquiteiro. Não apresenta qualquer sinal exterior de santidade, mas a única coisa que conhece é Deus. Pensa n’Ele dia e noite.”

Na tarde de 5 de agosto, o Mestre deixou Dakshineswar numa carruagem de aluguel, acompa­nhado de Bhavanath, M. e Hazra. Vidyasagar vivia em Badurbagan, no centro de Calcutá, mais ou menos a seis kilômetros de Dakshineswar. Durante a viagem conversou com seus companheiros, mas quando a carruagem aproximou-se da casa de Vidyasagar, seu estado subitamente mudou e foi tomado pelo êxtase divino. Não tendo percebido isso, M. mostrou a chácara onde Raja Rammohan Roy vivera. O Mestre mostrou-se aborrecido e disse: “Não estou preocupado com essas coisas agora.” Estava en­trando em êxtase.

A carruagem parou defronte da casa de Vidyasagar. O Mestre desceu, sustentado por M. e en­traram. No pátio havia muitas plantas com flores. Ao entrar o Mestre disse a M., como uma criança, mostrando o botão da camisa: “Minha camisa está desabotoada. Será que isso vai ofender Vidyasa­gar?” “Ó não!” disse M. “Não se preocupe com isso. Nada que venha do senhor será ofensivo. O se­nhor não tem que abotoar a camisa”. Aceitou o que M. lhe disse, como se fosse uma criança.

Vidyasagar tinha mais ou menos sessenta e dois anos, dezesseis ou dezessete a mais do que o Mestre. Vivia numa casa de dois andares, em estilo inglês, com um lindo gramado e cercado de um muro alto. Depois de subir as escadas para o segundo andar, Sri Ramakrishna e os devotos entraram numa sala onde Vidyasagar estava sentado num canto ao fundo, em frente de uma mesa, olhando para eles. No lado direito da mesa havia um banco. Alguns amigos ocupavam cadeiras nos outros dois la­dos.

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Vidyasagar levantou-se para receber o Mestre. Sri Ramakrishna ficou em pé diante do banco, com uma das mãos na mesa. Fitava Vidyasagar como se já se conhecessem anteriormente e sorria em estado extático. Assim permaneceu de pé por alguns minutos. De vez em quando, a fim de trazer a mente ao estado de consciência normal, dizia: “Vou beber um pouco de água.”

Nesse meio tempo, os jovens da família e alguns amigos e parentes de Vidyasagar haviam se reunido em volta deles. Sri Ramakrishna, ainda em êxtase, sentou-se no banco. Um jovem de dezes­sete ou dezoito anos, que tinha ido pedir a Vidyasagar ajuda financeira para sua educação, estava sen­tado alí. O Mestre sentou-se à pouca distância do rapaz, dizendo em estado abstrato: “Mãe, esse jovem está muito apegado ao mundo. Pertence ao Teu campo de ignorância.”

Vidyasagar pediu a alguém para trazer água e perguntou a M. se o Mestre também não desejava comer alguns doces. Uma vez que M. não havia se oposto, o próprio Vidyasagar foi para o interior da casa e trouxe os doces, que foram colocados em frente do Mestre. Bhavanath e Hazra também se ser­viram. Quando foram oferecidos a M., Vidyasagar disse: “Ó! Ele é como um membro da família. Não temos que nos preocupar com ele.” Com referência a um jovem devoto, o Mestre disse a Vidyasagar: “É um jovem muito bom e muito firme internamente. É como o rio Phalgu. A superfície está coberta de areia, mas se cavar, encontrará água embaixo.”

Depois de comer alguns doces, o Mestre com um sorriso, começou a conversar com Vidyasagar. Nesse ínterim, o aposento ficou cheio de gente, alguns de pé, outros sentados.

Mestre: “Ah! Hoje, afinal, vim ao oceano. Até agora havia visto canais, pântanos ou no má­ximo, um rio. Mas hoje, estou face a face com o sagar, o oceano.” (Todos riem).

Vidyasagar: (sorrindo): “Então leve um pouco de água salgada.” (Risada).

Mestre: “Ó não! Por que água salgada? O senhor não é um oceano de ignorância, mas vidya, conhecimento. O senhor é um oceano de leite condensado.”(Todos riem).

Vidyasagar: “Bem, o senhor pode colocar isso dessa maneira.”

O pundit ficou em silêncio. Sri Ramakrishna disse: “Suas ações são inspiradas por sattva. Em­bora rajásicas, sofrem influência de sattva. A compaixão nasce de sattva. Apesar do trabalho para o bem dos outros pertença a rajas, contudo, tal rajas tem como base sattva e não é prejudicial. Shuka e outros sábios cultivaram a compaixão a fim de dar instrução religiosa às pessoas e ensiná-las a respeito de Deus. O senhor distribui comida e conhecimento. Isto é muito bom. Se tais atividades são feitas desinteressadamente, levam a Deus, mas a maior parte dos homens trabalham por prestígio ou mérito. Suas atividades são egoístas. Além disso, o senhor já é um siddha.”[1]

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Vidyasagar: “Como é isso, senhor?”

Mestre (rindo): “Quando as batatas e outros vegetais estão bem cozidos, ficam mais macios e tenros. O senhor tem uma natureza tão tenra! É tão misericordioso!” (Risada).

Vidyasagar (rindo): “Mas quando a pasta de sementes de kala ferve torna-se bem dura.”

Mestre: “Mas o senhor não pertence a essa classe. Meros pundits são como uma fruta doente que se torna dura e não amadurece. Tal fruta não possui o frescor de uma verde, nem o sabor de uma madura. Os urubus voam muito alto no céu, mas os olhos estão na carniça aqui embaixo. Os intelec­tuais são considerados sábios, mas encontram-se apegados a ‘mulher e ouro’. Como os urubus, estão à procura de carniça. São apegados ao mundo da ignorância. Compaixão, amor a Deus e renúncia são as glórias do verdadeiro conhecimento.”

Vidyasagar ouviu essas palavras em silêncio. Os outros também olhavam para o Mestre, atentos a cada palavra que ele pronunciava.

Vidyasagar era muito reticente em dar instrução religiosa aos outros. Havia estudado filosofia hindu. Certa vez quando M. lhe perguntou sua opinião a respeito, disse: “Creio que os filósofos esque­ceram-se de explicar o que ia em suas mentes.” Mas no seu quotidiano fazia todos os rituais da reli­gião hindu e usava o sagrado cordão de brahmin. Sobre Deus uma vez declarou: “É realmente impos­sível conhecê-Lo. Qual deve ser então, o nosso dever? Parece-me que devemos viver de tal maneira que, se os outros seguirem o nosso exemplo, essa terra seria um paraíso. Todo o mundo deveria esfor­çar-se para fazer bem ao mundo.”

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A conversa de Sri Ramakrishna versou sobre o Conhecimento de Brahman.

Mestre: “Brahman está além de vidya e avidya, conhecimento e ignorância. Está além de maya, a ilusão da dualidade (o mundo material).

“O mundo consiste da dualidade de conhecimento e ignorância. Contém conhecimento e devo­ção, mas também, apego a ‘prazeres e ouro’; honradez e iniqüidade; bem e mal, porém, Brahman não está apegado a nada. O bem e o mal afetam somente o Jiva, a alma individual, assim como ocorre com a retidão e a iniqüidade, mas Brahman não é afetado por elas.

“Um homem pode ler o Bhagavata Purana à luz de um lampião e outro pode cometer uma falsifica­ção sob essa mesma luz, mas o lampião não é afetado. O sol derrama sua luz para os bons e para os maus.

“Vocês podem perguntar, ‘Como então, se explica a miséria, o pecado e a infelicidade?’ A res­posta é que esses aplicam-se apenas ao Jiva (alma). Brahman mantém-se intocado por eles. Há veneno na cobra; emboras as pessoas possam morrer ao serem mordidas por ela, ela mesma não é afetada pelo veneno.

“O que Brahman é, não pode ser descrito. Todas as coisas do mundo – os Vedas, os Puranas, os Tantras, os seis sistemas filosóficos – foram todos maculados, como a comida que foi tocada pela lín­gua, porque foram lidos e pronunciados pela língua. Somente uma coisa não foi maculada dessa ma­neira e esta é Brahman. Nunca ninguém foi capaz de dizer o que Brahman é.”

Vidyasagar (aos amigos): “Ó! Trata-se de uma afirmação importante. Hoje aprendi algo novo.”

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Krishna

Mestre: “Um homem tinha dois filhos. O pai mandou-os para um preceptor a fim de aprenderem o Conhecimento de Brahman. Depois de alguns anos voltaram da casa do preceptor e curvaram-se ante o pai. Querendo medir a profundidade do conhecimento deles a respeito de Brahman, perguntou em primeiro lugar, ao mais velho, ‘Meu filho’, disse, ‘Você estudou todas as escrituras. Diga-me agora, qual é a natureza de Brahman?” O rapaz começou a explicar Brahman, recitando diversos versos dos Vedas. O pai não disse nada. Então fez ao menor, a mesma pergunta, mas o rapaz ficou em silêncio e manteve os olhos baixos. Nenhuma palavra saiu de seus lábios. O pai ficou satisfeito e disse-lhe: “Meu filho, você entendeu um pouco de Brahman. O que Ele é não pode ser expresso por palavras.

“Os homens freqüentemente pensam que entenderam Brahman em toda a plenitude. Uma vez, uma formiga foi até um monte de açúcar. Um grão foi o suficiente para encher seu estômago. Pegando mais um grão com a boca, foi para casa. A caminho pensou: ‘Na próxima vez trarei o monte todo.’ É desse modo que as mentes pouco profundas pensam. Desconhecem que Brahman está além das pala­vras e pensamentos. Por maior que um homem seja, quanto poderá conhecer de Brahman? Shukadeva e outros sábios como ele, podem ter sido grandes formigas, mas mesmo eles não poderiam ter carre­gado mais do que oito ou dez grãos de açúcar!

“Pelo que foi dito nos Vedas e Puranas, sabe como isso é? Suponhamos que um homem tenha visto o oceano e alguém lhe pergunte: ‘Bem, como é o oceano?’ O primeiro homem abre a boca o mais que pode e responde: ‘Que vista! Que tremendas ondas e barulho!’ A descrição de Brahman nos livros sagrados é assim. Está descrito nos Vedas que Brahman é da natureza de Bem-aventurança – Ele é Satchidananda.

“Shuka e outros sábios chegaram até a praia do Oceano de Brahman, viram e tocaram a água. Mas segundo uma escola de pensamento, jamais mergulharam. Aqueles que o fazem não retornam ao mundo.

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“Em samadhi uma pessoa atinge o Conhecimento de Brahman – realiza-O. Nesse estado o racio­cínio pára completamente e a pessoa torna-se muda. Não tem o poder de descrever a natureza de Brahman.

“Uma vez uma boneca de sal quis conhecer a profundidade do oceano. (Todos riem). Queria contar para os outros quão profunda era a água, mas tal jamais pôde ser feito pois, assim que entrou n’água, derreteu-se. Agora, quem estava lá para dizer qual a profundidade do oceano?”

Um devoto: “Suponhamos que uma pessoa alcance o Conhecimento de Brahman em samadhi. Ele não vai falar mais?”

Mestre: “Shankaracharya[2] reteve o ‘ego do conhecimento’ para ensinar os outros. Depois da vi­são de Brahman, a pessoa torna-se silenciosa. Raciocina sobre Ele, somente enquanto não O realiza. Se você aquecer manteiga na frigideira no fogão, ela faz um chiado enquanto a água que contém não se evaporar. Quando não houver mais qualquer água a manteiga clarificada pára de chiar. Se puser esta mesma manteiga num bolo cru, chiará novamente, mas assim que o bolo ficar cozido, todos os sons desaparecem. Assim também, um homem estabelecido em samadhi desce ao plano relativo de cons­ciência a fim de ensinar e então, fala de Deus.

“Uma abelha zumbe enquanto não estiver pousada numa flor. Torna-se silenciosa no momento que começa a sugar o mel, mas, às vezes, intoxicada pelo mel, zumbe de novo.

“Um jarro vazio faz um barulho borbulhante quando é mergulhado na água. Ao se encher torna-se silencioso. (Todos riem), mas se a água for despejada num outro jarro, pode-se ouvir o barulho de novo. (Risada).

Os rishis da antigüidade atingiram o Conhecimento de Brahman. Ninguém pode alcançar esse estado enquanto houver o menor traço de mundanismo. Como os rishis trabalharam duro! Bem cedo saíam e passavam o dia inteiro sozinhos, meditando em Brahman. À noite voltavam e alimentavam-se de um pouco de frutas e raízes. Mantinham as mentes longe dos objetos da vista, audição e tato e das outras coisas do mundo material. Assim conseguiram realizar Brahman como sua própria consciência interna.

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“Mas no atual Kaliyuga, o homem sendo totalmente dependente do alimento para viver, não pode afastar totalmente a ideia de que é corpo. Nesse estado mental, não é próprio que diga ‘Eu sou Ele’. Quando uma pessoa faz todo o tipo de trabalho mundano, não deve dizer ‘Eu sou Brahman’. Os que não podem desapegar-se das coisas do mundo, que não podem tirar a ideia do ‘eu’, deveriam dizer: “Sou o servo de Deus; sou Seu devoto’. Pode-se, também, realizar Deus pelo caminho da devo­ção (Bhakti Yoga).

“O jnani abandona a identificação com as coisas do mundo, discriminando ‘Isto não, isto não’. Só então, pode realizar Brahman. É como subir até o terraço de uma casa, deixando atrás de si os de­graus, um após o outro, mas o vijnani, que está mais próximo de Brahman, realiza algo mais. Realiza que os degraus são do mesmo material que o terraço: tijolos, cal, pó de tijolo. Que o que é realizado intuitivamente como Brahman, pelo processo de eliminação “Isto não, isto não”, parece, ter-se tornado o universo com todos os seres vivos. O vijnani vê que a Realidade que é nirguna, sem atributos, é tam­bém, saguna com atributos.

“Um homem não pode viver muito tempo no terraço. Desce de novo. Aqueles que realizam Brahman em samadhi também descem e percebem que é Brahman que havia se tornado o universo e os seres vivos. Na escala musical há as notas as, re, ga, ma, pa, dha e ni , mas ninguém pode manter a voz no ni por muito tempo. O ego não desaparece completamente. O homem descendo do samadhi percebe que é Brahman que Se tornou o ego, o universo e todos os seres vivos. Isto é vijnana.

“O caminho do Conhecimento conduz à Verdade, como o caminho que combina conhecimento e amor. O caminho do amor também conduz a essa meta. O caminho do amor é tão verdadeiro quanto o do conhecimento. Todos os caminhos no final, conduzem à mesma Verdade, mas enquanto Deus mantiver o sentimento de ego em nós, é mais fácil seguir o caminho do amor.

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“O vijnani vê que Brahman é imutável e sem ação, como o Monte Sumeru. Esse universo é formado dos três gunas – sattva, rajas e tamas. Estão em Brahman, mas Brahman é desapegado.

“O vijnani posteriormente vê que o que é Brahman é o Bhagavan, o Deus Pessoal. Quem está além dos três gunas é o Bhagavan, com Seus seis poderes sobrenaturais. Os seres vivos, o universo, a mente, inteligência, amor, renúncia, conhecimento – todos são manifestações do Seu poder. (Com uma risada). Se um aristocrata não tem casa nem propriedade, ou se for forçado a vendê-las, as pessoas não o chamam mais de aristocrata. (Todos riem). Deus possui os seis poderes sobrenaturais. Se Ele não fosse, quem Lhe obedeceria? (Todos riem).

“Veja como é pitoresco esse mundo! Quantas coisas há! O sol, a lua e as estrelas, e que varie­dade de seres vivos! – grandes e pequenos, bons e maus, fortes e fracos – alguns dotados de muito poder, outros de menos.”

Vidyasagar: “Ele dotou uns de mais poder do que outros?”

Mestre: “Como Espírito que Tudo penetra, Ele existe em todos os seres, mesmo numa formiga, mas as manifestações de Seu Poder são diferentes em diferentes seres, do contrário, como poderia uma só pessoa pôr para correr dez, enquanto que uma outra não pode enfrentar nem mesmo uma? Por que todas as pessoas respeitam o senhor? Por acaso o senhor desenvolveu um par de chifres? (Risada). O senhor tem mais compaixão e cultura. Por conseguinte, as pessoas vêm lhe prestar respeito e honra. Não concorda comigo?”

 Vidyasagar sorriu.

O Mestre continuou: “Não há nada na mera erudição. O objetivo do estudo é encontrar meios de conhecer Deus e realizá-Lo. Um santo possuía um livro. Ao  lhe perguntarem o que continha, abriu-o e mostrou que em todas as páginas estavam escritas somente as palavras ‘Om Rama’ e nada mais.

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Rama e Sita

“Qual o significado do Gita? É o que você encontra repetindo a palavra dez vezes. Torna-se ‘tagi,’ o que significa uma pessoa que renunciou tudo por Deus. E a lição que o Gita nos dá é a se­guinte: ‘Ó homem, renuncie a tudo e procure somente Deus.’ Quer uma pessoa seja um monge ou um chefe de família, deve tirar todo apego de sua mente.

“Chaitanyadeva foi em peregrinação pelo sul da Índia. Um dia viu um homem lendo o Gita. Um outro sentado, a pouca distância, ouvia e chorava. Os olhos estavam cheios d’água. Chaitanyadeva perguntou-lhe: ‘Você compreende tudo isso?’ O homem disse: ‘Não, santo homem. Não compreendo uma só palavra do texto.’ ‘Então, por que está chorando?’ perguntou-lhe Chaitanya. O devoto disse: ‘Vejo o carro de Arjuna diante de mim. Vejo Krishna e Arjuna sentados diante dele, conversando. Vejo e choro!’

“Por que um vijnani tem atitude de amor em relação a Deus? A resposta é que a ‘consciência do eu’ permanece. Desaparece sem dúvida, em estado de samadhi, mas volta. No caso de pessoas co­muns, o ‘eu’ jamais desaparece. Pode-se cortar a árvore ‘aswattha’, mas no dia seguinte, ela brota novamente. (Todos riem).

“Mesmo depois de se ter atingido o Conhecimento, essa ‘consciência do eu’ volta, não se sabe de onde. Você sonha com um tigre. Então, acorda, mas o coração continua palpitando forte! Todo sofrimento é devido ao ‘eu’. A vaca grita ‘Hamba!’ que significa ‘eu’. É por isso que ela sofre tanto. Está presa ao arado e é obrigada a trabalhar sob sol e chuva. Então pode ser morta pelo açougueiro. Do couro são feitos sapatos e também, tambores, que são batidos sem piedade. (Risada). Mesmo assim continua não escapando do sofrimento. Finalmente são feitas cordas de suas vísceras para os arcos usados na cardagem do algodão. Já não mais diz ‘Hamba! Hamba!’, ‘eu! eu!’ mas ‘Tuhu! Tuhu!’ ‘Tu! Tu’. Então os sofrimentos terminam. ‘Senhor, sou Teu servo. Tu és o Amo; sou o filho. Tu és a Mãe’.

“Certa vez Rama perguntou a Hanuman: ‘Como é que você me vê?’ Hanuman responde: ‘Rama, enquanto tenho o sentimento de “eu”, vejo que Tu és o todo e eu, a parte; Tu és o Amo e eu, o servo, mas quando, Ó Rama, tenho o conhecimento da Verdade, realizo que Tu és eu e eu, sou Tu’.

“O relacionamento entre amo e servo é o correto. Já que esse ‘eu’ deve permanecer, deixe que o patife seja o servo do Senhor.

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“ ‘Eu’ e ‘meu’- esses constituem ignorância. ‘Minha casa’, ‘minha riqueza’, ‘minha cultura’, ‘minhas posses’- a atitude que faz uma pessoa dizer tais coisas vem da ignorância. Ao contrário, a atitude que nasce do Conhecimento é: ‘Ó Deus, Tu és o Amo e todas essas coisas Te pertencem: casa, família, filhos, empregados, amigos, são Teus.’

“Deve-se constantemente lembrar-se da morte. Nada sobreviverá à morte. Nascemos para cum­prir certas obrigações, como as pessoas que vêm a Calcutá a negócios. Se um visitante vai ao jardim de um homem rico, o administrador diz-lhe, ‘Esse é o nosso jardim. Esse é o nosso lago etc.’ Se o mesmo, porém, for demitido por alguma falta, não leva consigo nem um cesto feito de madeira de mangueira. Ele o apanha secretamente com o porteiro. (Risada).

“Deus ri em duas ocasiões. Primeiro quando um médico diz à mãe de um paciente, ‘Não fique preocupada, mãe: certamente vou curar seu filho.’ Deus ri, dizendo para Si mesmo, ‘Vou tirar-lhe a vida e este homem diz que o salvará!’ O médico pensa que é o mestre, esquecendo-se que Deus é o Mestre. Deus ri de novo, quando dois irmãos dividem a propriedade com uma corda, um dizendo para o outro, ‘Esse lado é meu e aquele é seu.’ Ri e diz para Si mesmo: “O universo todo me pertence, mas eles dizem que o possuem este ou aquele pedaço.’

“Pode alguém conhecer Deus pelo raciocínio? Seja Seu servo, entregue-se a Ele e ore.”

(A Vidyasagar com um sorriso): “Bem, qual é a sua atitude?”

Vidyasagar (sorrindo): “Algum dia lhe confidenciarei”. (Todos riem).

Mestre (rindo): “Deus não pode ser realizado pelo mero raciocínio intelectual.”

Intoxicado pelo amor divino, o Mestre cantou:

  • Quem existe que pode entender o que seja a Mãe Kali?
  • Até mesmo os seis darsanas são incapazes de revelá-La.
  • É Ela, dizem as escrituras, que é o Ser Interno
  • Do Yogin, que descobre no Ser toda sua alegria;
  • Ela que, por Sua própria doce vontade, habita em cada ser vivo. 
  • O macrocosmo e o microcosmo descansam no ventre da Mãe;
  • Agora vocês vêem quão vasto tudo isso é? No Muladhara
  • O yogin medita n’Ela e no Sahasrara;
  • Quem a não ser Shiva mostra como Ela é realmente?
  • No agreste do lótus Ela, brinca com Seu Par, o Cisne.[3] 
  • Quando alguém aspira entendê-La, Ramprasad deve sorrir:
  • Pretender conhecê-La, diz ele, é bem risível.
  • Como imaginar que alguém possa atravessar a nado o oceano infinito.
  • Enquanto minha mente compreendia, Ó, meu coração não:
  • Embora sendo um anão, ela todavia, esforça-se para se tornar um cativo da lua.

Continuando o Mestre disse: “Vocês repararam?”

  • O macrocosmo e o microcosmo descansam no ventre da Mãe:
  • Agora vocês vêem quão vasto tudo isso é?

De novo o poeta diz:

  • Até mesmo os seis darsanas são incapazes de revelá-Las. 
  • Ela não pode ser realizada pela simples erudição.
Lakshmi

Lakshmi, a deusa da abundância

“Deve-se ter fé e amor. Deixe-me dizer como a fé é poderosa. Um homem ia atravessar o mar do Ceilão à Índia. Bibhishana disse-lhe: ‘Pregue isso na dobra da roupa e atravessará o mar com segu­rança. Você será capaz de andar sobre as águas, mas não o examine, senão afundará.’ O homem estava andando facilmente sobre a água – tal a força de sua fé – quando, no meio do caminho, pensou: ‘Que coisa maravilhosa foi essa que Bibhishana me deu, que posso andar mesmo sobre as águas?’ Desamar­rou o embrulho e viu somente, uma folha de papel com o nome de Rama escrito. ‘Ó! Apenas isso!’ pensou e imediatamente afundou.

“Uma lenda diz que Hanuman atravessou o mar num pulo, pela força de sua fé no nome de Rama, mas o Próprio Rama teve que construir uma ponte. “Se um homem tem fé em Deus, não precisa ter medo, mesmo que tenha cometido pecado – sim, o mais hediondo pecado.” Então Sri Ramakrishna cantou, glorificando o poder da fé:

  • Se eu apenas pudesse morrer repetindo o nome de Durga
  • Como podes Tu, Ó Abençoado,
  • Impedir minha Liberação
  • Por mais pecador que eu tenha sido? 

O Mestre continuou: “Com Fé e devoção (Bhakti). Pode-se realizar Deus com facilidade, através da devoção. Ele é realizado através do êxtase do amor.” Com essas palavras, o Mestre cantou de novo:

  • Como está você tentando, Ó mente minha, conhecer a natureza de Deus?
  • Você está tateando como um louco, preso num quarto escuro.
  • Ele é realizado através do amor extasiante, como pode você pensar n’Ele sem isso?
  • Somente pela afirmação, jamais pela negação, você pode conhecê-Lo.
  • Nem através dos Vedas, nem dos Tantras, nem dos seis darsanas. 
  • É somente no elixir do amor que Ele Se delicia, Ó mente!:
  • Mora nas profundezas do corpo, na Alegria Duradoura.
  • E, para alcançar esse amor, os poderosos yogis praticam yoga através dos tempos;
  • Quando o amor acorda, o Senhor, como um ímã, atrai a alma para Si. 
  • É d’Ele, diz Ramprasad, que me aproximo como Mãe:
  • Mas devo revelar o segredo, aqui no mercado?
  • Do que eu disse, Ó mente, advinha o que é esse Ser!. 

Enquanto cantava, o Mestre entrou em samadhi. Estava sentado no banco, olhando para o oeste, as palmas das mãos juntas, o corpo ereto e imóvel. Todos olhavam para ele com muita expectativa. Vidyasagar, também, estava sem fala e não podia tirar os olhos do Mestre.

Depois de transcorrido algum tempo, Sri Ramakrishna começou a mostrar sinais de retornar ao seu estado normal. Respirou profundamente e disse com um sorriso: “Os meios de realizar Deus são o êxtase do amor e da devoção – quer dizer, devemos amar Deus, Aquele que é Brahman é, também, a MÃE.

  • É d’Ele, diz Ramprasad, que me aproximo como Mãe:
  • Mas devo revelar o segredo aqui, no mercado?
  • Do que eu disse, Ó mente, advinhe o que é esse Ser!

Trimurti-3

“Ramprasad pede à mente somente que descubra qual a natureza de Deus. Deseja que seja en­tendido que é o que é chamado Brahman nos Vedas, é chamado por ele, Mãe. Aquele que não tem atributos, também os tem Aquele Brahman que é também, Shakti. Quando é considerado Inativo Ele é chamado Brahman e quando é considerado como Criador, Preservador e Destruidor, Ele é chamado de Energia Primordial ou Kali.

“Brahman e Shakti são idênticos como o fogo e seu poder de queimar. Quando falamos de fogo, automaticamente significamos também, o seu poder de queimar e por sua vez, o poder do fogo de quei­mar implica no próprio fogo. Se aceitamos um, temos que aceitar o outro.

“Somente Brahman é chamado Mãe. Isto porque a mãe é objeto de grande amor. Uma pessoa pode realizar Deus, apenas pelo amor. O êxtase de sentimento, a devoção, o amor e fé – são os meios. Ouçam essa canção:

  • Como é a meditação de um homem, assim é seu sentimento de amor;
  • Como é o sentimento de amor, assim é o que ele ganha
  • Se no Lago de Néctar dos pés da Mãe Kali
  • Minha mente fica imersa.
  • De pouca valia são o culto, as oblações ou o sacrifício.

“O que é necessário é a absorção em Deus – amando-O intensamente. O ‘Lago de Néctar’ é o Lago da Imortalidade. Um homem submergindo nele, não morre mas torna-se imortal. Algumas pessoas acham que se alguém pensar muito em Deus, a mente se desequilibra, mas isso não é verdade. Deus é o Lago de Néctar, o Oceano da Imortalidade. É chamado de ‘Imortal’ nos Vedas. Mergulhando n’Ele, uma pessoa não morre, mas na verdade, transcende a morte.  De pouca valia são o culto, as oblações ou o sacrifício. 

“Se uma pessoa chega a amar a Deus, não tem que se preocupar muito com essas coisas. Neces­sita-se de um leque apenas enquanto não houver brisa. Esse leque pode ser deixado de lado, assim que a brisa do sul soprar. Portanto, qual a necessidade de um leque?

(A Vidyasagar): “As atividades em que o senhor está empenhado são muito boas. É muito bom que o senhor possa fazê-las de forma desinteressada, renunciando ao egoísmo, deixando de lado a ideia de que é aquele que faz. Através dessa ação, uma pessoa desenvolve amor e devoção a Deus e por fim, O realiza.

“Quanto mais você amar a Deus, menos estará inclinado à ação. Quando a nora está esperando um bebê, sua sogra lhe dá menos trabalho. À medida que o tempo passa, ela lhe dá cada vez menos trabalho. Quando está próxima a época do parto, não lhe é permitido fazer nada, porque tal coisa pode­ria causar algum mal à criança ou dificuldades na hora do nascimento.

Vishnu

Anúncio do nascimento de Krishna

“Através dessas atividades filantrópicas o senhor, na realidade, está fazendo bem a si próprio. Se puder fazer de forma desinteressada, sua mente se tornará pura e desenvolverá amor por Deus. Assim que tiver esse amor, O realizará.

“O homem na verdade não pode ajudar o mundo. Só Deus pode fazê-lo – Aquele que criou o sol e a lua, que pôs amor no coração de seus pais, dotou as almas nobres de compaixão e os santos e de­votos com amor divino. O homem que fizer algum trabalho para os outros sem interesse pessoal, es­tará realmente fazendo bem a si mesmo.

“Há ouro enterrado em seu coração, mas o senhor não está consciente desse fato. Está coberto por uma fina camada de argila. Assim que estiver consciente desse fato, todas as outras atividades diminuirão. Depois do nascimento da criança, a nora só se ocupa dela. Tudo o que ela faz, é apenas para a criança. Sua sogra não lhe deixa fazer qualquer serviço doméstico.

“Vá em frente. Um lenhador entrou numa floresta para cortar lenha. Um brahmachari disse-lhe: ‘Vá em frente’. Obedeceu à prescrição e descobriu algumas árvores de sândalo. Depois de alguns dias refletiu: ‘O santo mandou-me ir em frente. Não me disse para parar aqui.’ Então continuou seu cami­nho e descobriu uma mina de prata, mais longe ainda e descobriu uma mina de ouro e em seguida, minas de diamantes e de pedras preciosas. Com isso tornou-se um homem imensamente rico

“Pelo serviço desinteressado o amor de Deus cresce no coração. Então por Sua graça, uma pessoa realiza-O ao longo do tempo. Deus pode ser visto. Podemos conversar com Ele da mesma ma­neira que estou conversando com vocês.”

Numa admiração silenciosa todos ouviam as palavras do Mestre. Parecia-lhes que a Própria Deusa da Sabedoria, sentada na língua de Sri Ramakrishna, pronunciava essas palavras não somente para Vidyasagar, mas para toda a humanidade, para seu próprio bem.

Eram nove horas da noite. O Mestre estava de saída.

Mestre (a Vidyasagar com um sorriso): “As palavras que disse são realmente supérfluas. O se­nhor sabe de tudo isso, simplesmente não está consciente. Há inúmeras pedras preciosas no cofre de Varuna, mas ele mesmo não está consciente disso.”

Vidyasagar (com um sorriso): “O senhor pode dizer o que quiser.”

Mestre (sorrindo): “Ó sim. Há muitas pessoas ricas que não conhecem o nome de todos os seus servos, nem conhecem todas as coisas preciosas que estão em suas próprias casas.”(Todos riem).

Todos estavam maravilhados com a conversa do Mestre. De novo dirigindo-se a Vidyasa­gar, disse sorrindo: “Por favor vá ao templo – quero dizer, ao jardim da Rasmani. É um lugar encanta­dor.”

Vidyasagar: “Ó sim, certamente que irei. O senhor foi tão gentil em vir me visitar, por que não retribuirei essa visita?”

Mestre: “Visitar-me? Jamais pense em tal coisa!”

Vidyasagar: “Por que, senhor? Por que diz isso? Posso pedir-lhe que me explique?”

Mestre (sorrindo): “O senhor vê, somos como pequenos barcos de pesca. (Todos sorriram). Po­demos navegar em pequenos canais e águas rasas e também, em grandes rios, mas o senhor é um na­vio. Poderá encalhar no caminho!”(Todos riem).

Vidyasagar ficou em silêncio. Sri Ramakrishna disse com uma risada: “Mas mesmo um navio pode ir lá nesta estação.”

Vidyasagar (sorrindo): “Sim, é a estação das monções.” (Todos riem).

M. disse para si mesmo: “É realmente a estação das monções do despertar do amor. Em tais ocasiões não se liga para prestígio e formalidades.”

Sri Ramakrishna despediu-se de Vidyasagar que, juntamente com seus amigos, acompanharam-no até o portão principal, iluminando o caminho com uma vela acesa na mão. Antes de sair do apo­sento, o Mestre orou pelo bem-estar da família, entrando em êxtase à medida que orava.

Trimurti-3

Assim o Mestre e seus devotos chegaram ao portão e viram algo inesperado que os deixou imó­veis. Um senhor barbudo de pele clara, aparentando mais ou menos trinta e seis anos, estava defronte deles. Usava roupas à moda bengali, mas tinha um turbante branco dos Sikhs. Logo que viu o Mestre, prosternou-se a seus pés com turbante e tudo.

Quando se levantou, o Mestre disse: “Quem é? Balaram? Por que chegou tão tarde?”

Balaram: “Estou esperando aqui há muito tempo, senhor.”

Mestre: “Por que o senhor não entrou?”

Balaram: “Todos estavam atentos. Não quis perturbar.”

O Mestre entrou na carruagem com seus companheiros.

Vidyasagar (a M. baixinho): “Devo pagar a carruagem?”

M.: “Ó não, não se preocupe. Já está tudo pago.”

Vidyasagar e seus amigos curvaram-se ante Sri Ramakrishna e a carruagem partiu para Dakshi­neswar, mas o pequeno grupo com o venerável Vidyasagar à frente, segurando a vela, permaneceu no portão, olhando para o Mestre até que a carruagem perdeu-se de vista.

[1] Literalmente, “perfeito” ou “fervido”; a palavra é aplicada tanto para a alma perfeita como para coisas fervidas.
[2] Um dos maiores filósofos da Índia.
[3] Shiva, o Absoluto.

Capítulos anteriores em:

  1. http://thoth3126.com.br/mestre-e-discipulo-ramakrishna/
  2. http://thoth3126.com.br/ramakrishna-02-na-companhia-dos-devotos/

“O néscio pode associar-se a um sábio toda a sua vida, mas percebe tão pouco da verdade como a colher do gosto da sopa. O homem inteligente pode associar-se a um sábio por um minuto, e perceber tanto da verdade quanto o paladar sabe do sabor da sopa”.   –  Textos Budistas


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