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Solidariedade: Comboio cruza fronteira para dar carona a refugiados imigrantes

Posted by on 06/09/2015

comboio-alemães-refugiados-europaComboio de alemães e austríacos cruza fronteira para dar carona a imigrantes 

Um comboio com dezenas de carros dirigidos por ativistas alemães e austríacos cruzou a fronteira da Hungria para dar carona a imigrantes buscando-os e para ajudá-los a chegar à Europa Ocidental (Alemanha). A iniciativa foi chamada de “comboio dos refugiados”. Até a tarde deste domingo 140 carros já haviam deixado Viena com o objetivo de buscar imigrantes na capital húngara, Budapeste.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Desde que a Hungria abriu as suas fronteiras, na sexta-feira, após dias de caos e confronto, milhares de refugiados – a maior parte deles vindos da Síria – decidiram deixar o país em direção a Áustria ou Alemanha, muitos fazendo o trajeto com cerca de 200 km a pé.

Fonte: http://www.bbc.com

Muitos, frustrados por terem sido impedidos de embarcar em trens em Budapeste, começaram a caminhar ao longo de uma estrada para a Áustria – daí a iniciativa do comboio. “Acho que esse é meu dever. Sou mãe e não posso mais fechar os olhos (para o que está acontecendo)”, disse à BBC a ativista austríaca Angelika Neuwirth. “Somos todos seres humanos. Ninguém é ilegal.”

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Alguns ônibus e trens também foram disponibilizados para levar os refugiados da fronteira da Hungria até Viena ou a Alemanha. Não está claro como a polícia húngara deve responder à iniciativa do comboio. Segundo sua porta-voz, Viktoria Csiszer-Kovacs, quem atravessar a fronteira levando imigrantes estará violando a lei.

Na semana passada, quatro ativistas austríacos que tentaram dar carona a refugiados foram detidos acusados de tráfico de pessoas, mas acabaram sendo liberados pouco depois. Nas últimas horas, alguns ativistas conseguiram transportar imigrantes sem serem parados pela polícia.

O Papa Francisco

Enquanto o comboio de alemães e austríacos se dirigia a Budapeste, no Vaticano, o Papa Francisco exortou os católicos de toda a Europa a ajudar a resolver a crise dos imigrantes. Segundo o pontífice “cada paróquia católica, cada comunidade religiosa, cada mosteiro e cada santuário na Europa” deveria hospedar uma família de imigrantes. “E isso deve começar por minha diocese em Roma”, disse.

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Papa exortou católicos a ajudarem as famílias de imigrantes que estão chegando na Europa

Autoridades alemãs dizem que 11 mil pessoas chegaram ao país para pedir asilo no sábado e mais 10 mil estavam sendo esperadas para este domingo. Segundo autoridades da Alemanha, Áustria e Hungria a decisão de permitir que os imigrantes atravessem suas fronteiras tem como objetivo evitar uma crise humanitária, mas não cria um precedente. 

Pelas regras da União Européia, os refugiados precisam pedir asilo ao primeiro país do bloco em que colocam os pés – embora haja quem defenda uma revisão desta norma. Em agosto, a Alemanha flexibilizou a regra ao permitir que os Sírios registrem seu pedido de asilo no país, independentemente de como tenham entrado na Europa.

Homenagem

Ainda neste domingo, uma cerimônia foi realizada em Vancouver, no Canadá para lembrar o menino sírio Aylan Kurdi, sua mãe e seu irmão, que morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo para fugir para a Europa. A foto do corpo de Alan numa praia da Turquia causou grande impacto e consternação ao redor do mundo.

O menino tinha uma tia no Canadá, Tima Kurdi, mas o país havia rejeitado um pedido de asilo para a família. Tima diz que agora está preocupada com o pai das crianças, Abdullah, que sobreviveu à tragédia e enterrou a família na Síria na sexta-feira. “Ele não quer deixar os túmulos. Está dormindo no chão, ao lado deles, há três dias”, diz Tima.

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A imagem do pequeno corpo do menino Aylan Kurdi, morto afogado, varreu o planeta e gerou um movimento de solidariedade em vários países europeus

‘O Triste espetáculo de cadáveres em praias europeias’ era previsto, diz brasileiro da ONU

Paulo Sérgio Pinheiro diz que o “espetáculo de cadávares nas praias da Europa” era um fenômeno previsível, devido à gravidade da crise humanitária na Síria.

O brasileiro lidera a comissão da Organização das Nações Unidas que investiga crimes de guerra na Síria. Segundo ele, a situação no país é “caótica e catastrófica” e que a diplomacia “fracassou” ao não conseguir negociar um fim à guerra civil, que já dura quatro anos.

O conflito já deixou 240 mil mortos, 7,4 milhões de deslocados internos e cerca de 4 milhões de refugiados – a maioria abrigada nos vizinhos Líbano, Turquia e Jordânia. Cerca de 250 mil pediram refúgio a países europeus.

A questão voltou à tona nesta semana, com milhares de refugiados e imigrantes buscando asilo na Europa. A imagem do menino sírio Aylan Kurdi, de três anos, morto numa praia na Turquia após o barco em que estava com a família ter naufragado ao tentar chegar à Grécia, chocou o mundo.

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Conflito na Síria produziu milhões de refugiados; acima sírios chegando de bote à ilha grega de Lesbos, nesta sexta-feira

“Não existe novidade de refugiados”, disse ele, em entrevista à BBC Brasil, no dia seguinte à apresentação de relatório da comissão sobre a situação na Síria, em que disse ser “imperativo” uma ação da comunidade internacional.

Segundo ele, 2 mil sírios morreram afogados no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa. Ele alertou, ainda, para o crescimento de “grupos mafiosos” que traficam pessoas. Veja abaixo os principais trechos da entrevista, concedida por telefone, desde Genebra:

BBC Brasil – O que explica essa nova onda de refugiados que tentam chegar à Europa?

Paulo Sérgio Pinheiro – Primeiro, é o agravamento da situação nos países que generosamente acolheram os refugiados sírios. Basicamente, a Turquia, o Líbano e a Jordânia. Você tem 1,2 milhão de refugiados sírios no Líbano, um país que tem 4 milhões de habitantes. Hoje tem mais crianças sírias na escola primária do que crianças libanesas.

Então, é evidente que a capacidade de esses países acolherem os refugiados sírios está chegando ao limite.

E, evidentemente, diante desse limite, diante do agravamento (da situação na Síria), os sírios tomaram essa decisão angustiante, desesperada, de (solicitar) ajuda de grupos de traficantes mafiosos para chegarem à Europa.

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Os jornais alemães estão chamando de a “longa caminhada”, numa alusão à “longa marcha” de chineses nos anos 30 sob Mao Tsé-Tung. Milhares de refugiados e imigrantes abandonaram a Hungria e começaram a caminhar à pé em direção à Áustria e Alemanha.

BBC Brasil – Essa não é uma crise nova, mas foi preciso haver imagens fortes, como a do menino sírio morto na praia, para que se discutisse alguma ação.

Pinheiro – Esse é o problema da Europa, porque na verdade essas cenas brutais dos refugiados tentando escapar da guerra já ocorrem desde 2012. O problema é que os países vizinhos receberam imensamente mais refugiados do que países europeus até hoje se dispuseram a aceitar.

 Não existe novidade de refugiados. A crise está aberta desde que a guerra começou. O único aspecto novo da crise é que os refugiados sírios resolveram, por causa de seu desespero, assumir essa empreitada de enfrentar o mar e ir para a Europa.

BBC Brasil – O senhor disse ser ‘imperativo’ o mundo ajudar a receber refugiados. Como poderia ser essa ajuda?

Pinheiro – A Europa sabe certamente o que tem que fazer. O secretário-geral (da ONU, Ban Ki-moon) já indicou várias possibilidades: a recolocação em outros países, admissão humanitária, políticas de visto flexíveis, reunificação de famílias.

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Pinheiro chefia comissão da ONU que investiga crimes de guerra na Síria

O caso desse menininho (Aylan Kurdi) que morreu está ligado a um caso de reunificação familiar no Canadá que foi negado (na última quinta-feira, o governo canadense havia negado ter recebido um pedido de asilo por parte do pai de Aylan). E também esquemas especiais de proteção.

Isso já foi feito com os refugiados na Guerra do Vietnã nos anos 1970 e 1980. É só um exercício de memória para saber o que deve ser feito.

Agora, evidentemente, os números ridículos (de recebimento refugiados) que estavam sendo oferecidos não poderiam concretizar o que o secretário-geral da ONU tem apelado às nações europeias.

BBC Brasil – A estimativa da Alemanha é de receber 800 mil refugiados e imigrantes só neste ano. O que fazer com eles?

Pinheiro – Isso é problema dos países europeus. Eu não comento políticas de Estados específicos. (Mas) as democracias sabem muito bem o que têm que fazer. Agora, evidentemente que, por serem democracias, não podem usar critérios do tipo ‘nós não queremos árabes, nós não queremos muçulmanos’. Isso é uma coisa absolutamente escandalosa no século 21.Isso é um problema que as democracias e sociedades vão ter que resolver. 

BBC Brasil – E o Brasil?

Pinheiro – O Brasil, já faz algum tempo, abriu para os sírios o visto humanitário, que foi uma coisa positiva. Essa é uma decisão importante.

BBC Brasil – A ONU vai tentar fazer que mais países recebam refugiados?

Pinheiro – O nosso discurso está diretamente imbricado nos últimos apelos que o secretário-geral e o alto-comissário para refugiados (António) Guterres vêm fazendo há muito tempo. Muito antes de começar a haver esse espetáculo de cadáveres chegando às praias europeias. O alto-comissário já tinha alertado, acho que já há mais de um ano, para esse problema que ia estourar na Europa.

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Milhares de refugiados atravessam o Mediterrâneo para chegar à Europa; 2 mil sírios morreram ao tentar fazer o percurso, disse Pínheiro

BBC Brasil – Como o senhor classifica a situação dentro da Síria?

Pinheiro – A situação, na perspectiva das vítimas, é absolutamente caótica e catastrófica. Não existe mais nenhum lugar na Síria onde a população civil está protegida.

Nem o governo nem os grupos rebeldes têm nenhum respeito ao princípio de distinção, que é uma coisa básica da lei da guerra, que os combatentes não podem ficar se misturando à população civil, e é exatamente isso que está acontecendo.

Une-se o bombardeio indiscriminado, tanto por parte do governo, que tem aviação aérea, como por parte também dos grupos rebeldes, com a utilização de espaços da população civil como base militar. Sem falar do bombardeio sistemático por parte do governo em escolas e hospitais.

BBC Brasil – O senhor vê alguma possibilidade para o fim da guerra próximo?

Pinheiro – Nós estamos condenados a uma solução diplomática. Não existe solução militar. O problema é que os Estados-membros precisam superar a sua ambiguidade. Não dá, ao mesmo tempo, para você dizer que você é a favor de uma solução diplomática, negociada, e por outro lado você continua apoiando os dois lados, enviando armas, recursos financeiros. É muito difícil terminar uma guerra dessa maneira. A guerra só termina com negociação.

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Pinheiro disse que onda de refugiados deve-se à piora da situação na Síria e em países na região

BBC Brasil – E como é a vida de sírios que vivem em áreas controladas pelo ‘Estado Islâmico’?

Pinheiro – Primeiro, a vida para as minorias cristãs dos yazidi é um desastre total. Eles são considerados infiéis, as mulheres estão sendo traficadas, submetidas a violações e abusos sexuais. E alguns cristãos pagam (ao EI) ou então se convertem ou saem. A situação é terrível. Na população que tem que se submeter, que não é nem cristã nem de nenhuma minoria, as mulheres perderam totalmente o espaço na vida pública. 

São totalmente submetidas aos maridos e aos homens. As crianças são totalmente doutrinadas, inclusive utilizadas em funções da luta armada. Mesmo os serviços que em certo momento estavam sendo assegurados em algumas cidades encontram alguma crise. É devastador em termos das condições de sobrevivência das populações.

BBC Brasil – Esse refugiados que agora saem da Síria são de áreas controladas pelo ‘Estado Islâmico’?

Pinheiro – Não necessariamente. Nos anos anteriores era mais fácil saber de onde os refugiados estavam vindo. E é uma coisa bastante difícil (sair destas áreas).

BBC Brasil – O mundo fracassou na Síria?

Pinheiro – O mundo não, mas a diplomacia mundial fracassou. Até hoje se perderam muitas oportunidades e o problema pior é que, inicialmente, era um combate entre oposição e governo, depois se ampliou para o envolvimento de potências regionais. E hoje, é uma guerra civil… profundamente internacionalizada.

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Cerca de 4 milhões de refugiados estão em países vizinhos à Síria; 250 mil pediram asilo na Europa

BBC Brasil – O que se fazer para aliviar o problema de refugiados?

Pinheiro – Primeiro, o que precisa se fazer é terminar a guerra. Não há nenhuma solução mágica para acabar com esse problema dos refugiados, que querem escapar. O que a Europa pode fazer é reprimir os circuitos mafiosos de traficantes que estão pintando e bordando, aproveitando o desespero de sírios e nacionais de outros Estados para chegar à Europa.

Saiba mais em:

  1. http://thoth3126.com.br/o-que-existe-por-tras-da-crise-de-imigrantes-na-europa/
  2. http://thoth3126.com.br/uma-imagem-que-chocou-o-mundo/
  3. http://thoth3126.com.br/tragedia-do-menino-sirio-morto-afogado-gera-onda-de-solidariedade-na-europa/

Permitida a reprodução desde que mantido o formato original e a menção às fontes.

Thoth-flordavidahttp://thoth3126.com.br/

One Response to Solidariedade: Comboio cruza fronteira para dar carona a refugiados imigrantes

  1. joaquim

    Em vez de o governo sair, quem acaba saindo é o povo

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