Segundo a Bloomberg, os investidores estão apostando alto na queda contínua do dólar americano em meio à incerteza sobre as políticas econômicas e as políticas de Washington. O dólar sofreu sua pior queda em um único dia em quase um ano nessa terça-feira, despencando para seu nível mais baixo desde fevereiro de 2022.
Fonte: Rússia Today
A queda acentuada e contínua do dólar foi atribuída à turbulência do mercado criada pelas políticas do presidente dos EUA, Donald Trump.
A queda fez parte de uma tendência de baixa mais ampla que começou depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou tarifas globais abrangentes no início do ano passado. Os atritos comerciais resultantes, bem como as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e o aumento dos déficits e da dívida, têm minado a confiança na moeda.
“A volatilidade da política externa dos EUA está agora desvalorizando o dólar”, disse Luis Costa, chefe de estratégia de mercados emergentes do Citigroup. “Isso… está provocando uma reestruturação do mercado com posições vendidas em dólar.”
A Bloomberg afirmou que as opções que lucram com a queda do dólar estão agora no nível mais alto desde 2011, já que os investidores as utilizam como proteção contra uma desvalorização do dólar. Os mercados também estão mais pessimistas em relação às perspectivas de longo prazo do dólar do que em qualquer outro momento desde maio de 2025, observou a publicação.

A crescente ansiedade dos investidores está elevando os custos de hedge, com a volatilidade do dólar no curto prazo em seu nível mais alto desde setembro e a demanda por proteção contra grandes oscilações aumentando, sinalizando que os investidores esperam novas perdas.
A desvalorização do dólar nesta semana ocorre logo após Trump ter minimizado as preocupações com a fraqueza da moeda, insistindo que ela está “indo muito bem”.
Embora um dólar mais fraco possa ajudar as multinacionais a converter lucros estrangeiros e impulsionar a competitividade dos exportadores americanos, os críticos alertam que ele também corre o risco de funcionar como um imposto oculto para os consumidores americanos, aumentando os custos de importação, alimentando a inflação, prejudicando fornecedores estrangeiros e minando mais ainda a posição global do dólar como moeda de reserva internacional.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, argumentou na quarta-feira que, “com o tempo“, as políticas econômicas de Trump atrairão investimentos e ajudarão a fortalecer o dólar.
“Os preços na tela podem flutuar ao longo de seis meses, um ano”, afirmou ele. “Se tivermos políticas sólidas, o dinheiro entrará, e estamos reduzindo nossos déficits comerciais, então, automaticamente, isso deverá levar a um maior fortalecimento do dólar ao longo do tempo.”
Dólar no BRASIL fecha em queda, a R$ 5,19, mesmo com bolsas em baixa
O dólar à vista voltou a se desvalorizar frente ao real nesta quinta-feira, 29, em uma sessão marcada por forte volatilidade e por um ambiente global de aversão ao risco. A moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,22%, cotada a R$ 5,194.
Nas primeiras horas de negociação, o dólar chegou a tocar a mínima de R$ 5,16, mas durante a tarde avançou para a máxima de R$ 5,24, acompanhando a piora do humor global.
Operadores relataram que o movimento foi impulsionado pela contaminação dos mercados pelo mau humor dos investidores com os números divulgados pela Microsoft, que pressionaram os ativos de risco ao redor do mundo. Ainda assim, o avanço não se sustentou, e o dólar voltou a recuar no fim do dia.

Segundo a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a queda da moeda americana ocorreu apesar do ambiente de maior cautela nos mercados e pode ser explicada por uma combinação de fatores técnicos e expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos. “Há um ajuste técnico em curso. O dólar vem recuando no mercado global há alguns dias, e isso acaba se refletindo também sobre o comportamento do real”, afirma
Busca pelo ouro
O enfraquecimento recente da moeda americana também se reflete no desempenho do índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas e vem registrando recuos relevantes. Esse movimento tem impulsionado a busca por ativos de proteção, como o ouro.
Hoje, por exemplo, o metal amarelo cravou novas marcas históricas de fechamento e máxima intradia, diante dos temores de um novo ataque dos EUA ao Irã. O contrato do ouro para fevereiro fechou em leve alta de 0,28% na Comex, cotado a US$ 5.318,40 por onça-troy. No pico do dia, bateu US$ 5.586,20, com mínima em US$ 5.097,50.
“Quando o dólar perde força, o ouro tende a se valorizar, tanto por ficar mais barato em outras moedas quanto por ser visto como um ativo defensivo”, diz Quartaroli. Apesar disso, a economista pondera que o movimento não configura uma tendência irreversível. “O dólar ainda pode reagir a dados econômicos mais fortes ou a decisões futuras do Fed. O que vemos agora é um enfraquecimento recente, mas que não é linear nem garantido”, afirma.



