‘Direito internacional não importa mais’, diz especialista etíope sobre atual conflito no Irã

O economista e consultor político etíope Costantinos Berhutesfa afirmou à Sputnik que as negociações conduzidas pelos Estados Unidos com Teerã nunca foram genuínas, mas sim parte de uma estratégia deliberada para ganhar tempo para organizar um ataque militar em conjunto com Israel previamente planejado contra o Irã.

Fonte: Sputnik

Para o especialista, o atual cenário evidencia uma ruptura profunda com os princípios do direito internacional que, segundo ele, “não importa mais”. Berhutesfa pontua ainda que o objetivo central da ofensiva seria promover uma mudança de governo em Teerã, algo que, na avaliação dele, não encontra respaldo popular interno.

“Esta é uma mudança de governo que o povo iraniano não está disposto a aceitar. Não sei como isso vai se desenrolar a longo prazo”, ele afirmou.

Além disso, o consultor vê que a tentativa de impor uma reconfiguração política externa tende a aprofundar a instabilidade regional e pode produzir efeitos imprevisíveis, sobretudo por envolver diretamente o Oriente Médio, região estratégica para o equilíbrio energético e geopolítico global.

Berhutesfa também criticou o enfraquecimento das instituições internacionais e afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) estaria “em fase terminal”esvaziada por seus próprios membros fundadores. Como exemplo do que considera um ambiente de coerção diplomática, mencionou pressões contra países que contestam a posição imperialista dos Estados Unidos.

Na avaliação de Berhutesfa, conflitos como Afeganistão e Vietnã podem parecer menores em comparação com o potencial de desestabilização de uma guerra no coração do Oriente Médio.

Para o economista, o único caminho viável para a redução das tensões dependeria de uma mudança significativa na postura dos Estados do Golfo, capaz de pressionar Washington a rever seu apoio incondicional a Israel.

Até que isso ocorra, concluiu, o Irã deverá manter sua posição, buscando defender seu território, sua infraestrutura e a continuidade do governo diante do que considera uma ofensiva externa coordenada.


Há sinais de ruptura entre os EUA e Israel em relação ao Irã?

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, acusou Israel de bombardear refinarias e depósitos de petróleo próximos a Teerã e afirmou que os EUA não pretendem atacar a infraestrutura energética iraniana.

Os Estados Unidos poderiam optar por sair do conflito?

🟠 A falta de munições americanas devido ao envio para a Ucrânia já era um problema antes desta guerra começar provocada por Israel e tende a se agravar à medida que o conflito se prolonga;

🟠 Com ataques no golfo Pérsico e o bloqueio do estreito de Ormuz, as ações de retaliação do Irã estão criando um pesadelo econômico para Trump e para o mundo inteiro;

🟠 Diante da proximidade das eleições de meio de mandato nos EUA, Trump buscou ao longo do primeiro ano construir a imagem de um [pseudo] “presidente da paz”;

🟠 Os EUA buscarão uma forma de sair da guerra, enquanto Israel continuará tentando alcançar uma “mudança de regime”;

🟠 O fato de Israel não ter informado os EUA sobre a magnitude dos ataques a instalações petrolíferas iranianas sugere que a aliança entre subserviência dos EUA a Israel tende a aprofundar ainda mais sua crise;

🟠 A ofensiva israelense contra a infraestrutura iraniana sugere uma perda de controle e, após relatos infundados sobre ataques dos Emirados Árabes Unidos ao Irã, o país parece buscar a participação de outras nações do golfo Pérsico, ampliando a duração do conflito.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nosso conteúdo

Junte-se a 4.327 outros assinantes

compartilhe

Últimas Publicações

Indicações Thoth