O (segundo Trump “derrotado”) Irã intensificou seus ataques contra Israel, lançando mísseis em direção a Tel Aviv e ao Aeroporto Ben Gurion. Os ataques são uma resposta ao assassinato do ministro da Inteligência iraniano, Esmail Khatib, do alto funcionário de segurança Ali Larijani e do brigadeiro-general Gholamreza Soleimani, comandante da força paramilitar Basij e é uma retaliação ao ataque de Israel a infraestrutura energética do Golfo sofrido no campo de gás South Pars, parte da maior reserva de gás do mundo e cerne do sistema de energia doméstica da República Islâmica.
Fontes: Rússia Today – Globo
Irã retalia o Golfo após ataque a campo de gás compartilhado com o Catar que é central para seu sistema de energia doméstica. Teerã inflige ‘danos extensos’ à Cidade Industrial de Ras Laffan, a maior instalação mundial de gás liquefeito do mundo, localizada no Catar
O Irã infligiu “danos extensos” à Cidade Industrial de Ras Laffan, a maior instalação mundial de gás liquefeito do mundo, localizada no Catar, após ter prometido retaliar contra a infraestrutura energética do Golfo pelo ataque sofrido no campo de gás South Pars, parte da maior reserva de gás do mundo e cerne do sistema de energia doméstica da República Islâmica.
O bombardeio por Israel, feito com consentimento ou coordenação dos EUA, foi a primeira investida contra a infraestrutura de produção de combustível fóssil iraniana desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. O Irã acusa as monarquias árabes do Golfo de permitir que as forças americanas usem seu território e/ou espaço aéreo para lançar ataques contra território iraniano.
“Equipes de emergência foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios resultantes [em Ras Laffan], visto que os danos foram extensos”, afirmou a estatal QatarEnergy em uma publicação no X nesta quarta-feira. Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores catari afirmou que o “lado iraniano mantém suas políticas de escalada que empurram a região para o abismo”.
Posteriormente, a Chancelaria ordenou que os adidos militares e de segurança do Irã deixem o país, em uma escalada diplomática que simboliza a perda de confiança entre dois países que compartilham a operação do campo de gás de South Pars-North Dome.
BREAKING: Um incêndio deflagrou na refinaria de Ras Laffan, no Qatar, na sequência de um ataque iraniano. O complexo de Ras Laffan alberga a maior instalação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
BREAKING: A fire has broken out at Qatar’s Ras Laffan refinery following an Iranian attack. The Ras Laffan complex is home to the world’s largest liquefied natural gas (LNG) facility. pic.twitter.com/4XfO4vA9gA
— World Source News (@Worldsource24) March 18, 2026
O ataque contra o coração da infraestrutura de gás do Irã representa uma escalada importante nas operações militares dos EUA e de Israel. Até então, os dois países haviam poupado em grande parte o setor de petróleo e gás iraniano, ajudando a conter a alta global do preço do petróleo.
Na tarde desta quarta-feira, o preço subiu para perto de US$ 110 o barril, à medida que a crescente ameaça à infraestrutura de petróleo e gás do Golfo alimentava preocupações com mais interrupções no fornecimento global, em meio ao bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz, onde os EUA usaram bombas de penetração profunda de 2,5 toneladas para atacar estruturas com mísseis iranianos.
Consumo doméstico
A maior parte da energia que o Irã obtém do campo de South Pars é usada internamente, portanto, qualquer interrupção significativa intensificaria a pressão que a campanha de bombardeio dos EUA e de Israel exerce sobre a economia iraniana e a vida cotidiana no país. Como a instalação é compartilhada com o Catar, Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catari, reagiu à operação descrevendo-a como “uma medida perigosa e irresponsável”.
Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do EAU também condenou o bombardeio a South Pars, afirmando que “atacar infraestruturas energéticas representa uma ameaça direta à segurança energética global… Também acarreta sérias repercussões ambientais e expõe civis, a segurança marítima e instalações civis e industriais vitais a riscos diretos”.
O ataque israelense a instalações ligadas ao campo de South Pars, no Irã, uma extensão do campo de North Pars, no Catar, é uma medida perigosa e irresponsável em meio à atual escalada militar na região. Atacar infraestruturas energéticas constitui uma ameaça à segurança energética global, bem como aos povos da região e ao seu meio ambiente. Reiteramos, como já enfatizamos diversas vezes, a necessidade de evitar ataques contra instalações vitais. Apelamos a todas as partes para que exerçam contenção, respeitem o direito internacional e trabalhem em prol da desescalada de forma a preservar a segurança e a estabilidade da região.
The Israeli targeting of facilities linked to Iran’s South Pars field, an extension of Qatar’s North Field, is a dangerous & irresponsible step amid the current military escalation in the region.
— د. ماجد محمد الأنصاري Dr. Majed Al Ansari (@majedalansari) March 18, 2026
Targeting energy infrastructure constitutes a threat to global energy security, as…
A Arábia Saudita também relatou ataques com drones, visando uma instalação de gás.
Imagens de vídeo parecem mostrar uma grande explosão causada pelo impacto de um míssil balístico iraniano e vários incêndios queimando esta noite na capital saudita, Riad, provavelmente parte da retaliação do Irã pelos ataques de quarta-feira à infraestrutura de gás por parte de Israel.
Video footage appears to show a large explosion from an Iranian ballistic missile impact and several fires burning tonight across the Saudi capital of Riyadh, likely part of Iran’s retaliation for Wednesday’s strikes on gas infrastructure by Israel. pic.twitter.com/2dIXUQglfZ
— OSINTdefender (@sentdefender) March 18, 2026
O alerta do Irã aos países do Golfo ocorreu dois dias depois de o país ter incendiado um enorme campo de gás natural nos EAU, intensificando os ataques a importantes instalações de energia. Anwar Gargash, um dos principais assessores do presidente emiradense, xeque Mohamed bin Zayed, afirmou que o Irã calculou mal ao atacar países árabes. Os ataques os aproximarão ainda mais de Israel e dos Estados Unidos, demonstrando, ao mesmo tempo, por que a região não pode aceitar os programas nucleares e de mísseis iranianos, disse ele.
O Irã realizou seu primeiro ataque confirmado a instalações de petróleo e gás ao atingir o campo de Shah, em Abu Dhabi, na segunda-feira, sinalizando capacidade de prolongar a instabilidade nos mercados globais e manter o petróleo acima de US$ 100 (R$ 520) o barril. O país também também atacou os campos de Shaybah e Berri, na Arábia Saudita, nos últimos dias.
Desde o início da guerra, segundo o jornal americano Financial Times, o país atingiu ao menos 20 embarcações no Golfo e conseguiu dificultar a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota-chave para exportações de energia. Rob West, da consultoria Thunder Said Energy, afirmou ao jornal britânico que, sem uma maneira de interceptar com sucesso todos os drones do Irã, o país poderia usá-los para “interromper gravemente a infraestrutura e o transporte marítimo internacionais por meses ou anos”.
Saul Kavonic, analista da MST Financial, afirmou ao FT que o Irã também pode ampliar os danos ao setor energético ao atingir grandes campos ou instalações de gás natural liquefeito, como ocorreu nesta quarta no Catar. Segundo Kavonic, “retirar milhões de barris da produção teria impacto mais duradouro”, pois impediria a recomposição de estoques mesmo após a guerra. O pior cenário, destacou, seria um ataque a uma planta de gás natural, já que a reposição de equipamentos poderia levar anos.
— Os iranianos estão agora atingindo uma lista crescente de alvos nos estados do Golfo, e essa estratégia pode ter novos desdobramentos. O planejamento, os cenários e os preparativos tendem a se concentrar nos primeiros dias e semanas. À medida que avançamos para além desse período, pode ficar cada vez mais difícil prever como será o comportamento do Irã — disse Richard Bronze, chefe de geopolítica da consultoria Energy Aspects, ao FT.

Alta nos preços do petróleo e gás
Os preços do petróleo subiram cerca de 50% desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro, provocando uma resposta iraniana com o lançamento de mísseis e drones contra países do Oriente Médio. As gigantescas empresas de energia da região foram forçadas a reduzir a produção em resposta, principalmente devido ao fechamento efetivo do crucial Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump — que tem reclamado repetidamente da falta de interesse de aliados em se juntarem à guerra ou em ajudarem a garantir a segurança de Ormuz — disse nas redes sociais nesta quarta-feira que outros países, além dos EUA, deveriam assumir a responsabilidade pela hidrovia. “Os aliados dos EUA precisam tomar as rédeas da situação, intensificar os esforços e ajudar a abrir o Estreito de Ormuz”, escreveu ele.
Trump suspendeu temporariamente uma lei de transporte marítimo centenária para reduzir o custo do transporte de petróleo, gás e outras commodities nos EUA, em sua mais recente tentativa de combater o aumento dos preços da energia.
Enquanto isso, o Irã tem transportado seu próprio petróleo pelo estreito em níveis próximos aos anteriores à guerra. O carregamento de petróleo bruto na Ilha de Kharg também parece continuar sem interrupções, apesar dos ataques dos EUA ao centro de exportação.
— Precisamos elaborar novas regras para o Estreito de Ormuz e para a forma como os navios o atravessarão no futuro — disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, à rede catari al-Jazeera. — [As regras devem] garantir que a passagem segura pelo estreito ocorra sob condições específicas.
A guerra se expande para ataques israelenses no Mar Cáspio.
A guerra expandiu-se geograficamente mais uma vez, com relatos da mídia israelense sobre combates no Mar Cáspio que banha o norte do Irã e o sul da Rússia.
ÚLTIMA HORA | Segundo relatos, o alvo do ataque realizado há meia hora por caças da Força Aérea Israelense era uma instalação no centro do Irã, na região do Mar Cáspio, que a Rússia e o Irã utilizam para transporte marítimo e fornecimento de armas. Desde o início da guerra na Ucrânia, este porto tem sido usado para operações logísticas – Teerã enviou drones Shahed e seus componentes para o Kremlin por navios de transporte. Veja as últimas atualizações conosco: @visionergeo
🇮🇱🇮🇷🇷🇺BREAKING | According to reports, the target of the strike carried out half an hour ago by Israeli Air Force fighter jets was an object in central Iran, in the Caspian Sea area, which Russia and Iran use for maritime transportation and arms supply.
— Visioner (@visionergeo) March 18, 2026
🇺🇦 Since the start of the… pic.twitter.com/CqMwDDgI1j
O Jerusalem Post informa que, pela primeira vez, a Força Aérea Israelense está atacando a Marinha iraniana no Mar Cáspio . O Axios também está noticiando a ação no Cáspio.



