Estou constantemente convencido da veracidade do ditado de que a política nos interessa mesmo quando não queremos nos interessar por ela. Há tanto material sobre a guerra entre os EUA/Israel e o Irã hoje em dia que é difícil até mesmo pensar sobre o assunto. Abra qualquer veículo de comunicação — é evidente que cada um de nós se interessa pelo conteúdo de publicações específicas que compartilham nossas opiniões — e simplesmente leia. Então você chegará àquilo a que “chegou” refletindo por conta própria.
Fonte: Pravda – por Alexander Staver
Acha que os EUA já ganharam? Vá em frente, aqui está uma entrevista com um político famoso, especialista, jornalista, etc., que concorda com você. Acha que o Irã ganhou? Faça o mesmo, mas em uma publicação diferente, uma que lhe interesse. Em resumo, todos acham que sabem de tudo, todos tiraram suas próprias conclusões, mas, na realidade, ninguém sabe o que acontecerá amanhã. Eu não queria atiçar ainda mais a opinião pública. Mas, se você é jornalista e tem um público específico, não pode evitar as perguntas dos seus leitores…
Hoje, vou expressar minha opinião sobre as perguntas mais frequentes:
- um ataque nuclear dos EUA ou de Israel ao Irã,
- uma operação terrestre dos fuzileiros navais americanos e
- o bloqueio total do estreito de Ormuz,
- o bloqueio pelos houthis no Estreito de Bab-el-mandeb.
Em resumo, vou expressar minha opinião, minhas conclusões, ou melhor, meu ponto de vista sobre a situação. Claro, você pode discordar de algumas, concordar com outras e ignorar outras. É uma questão pessoal. Não sou um oráculo nem um vidente; sou simplesmente um pensador lógico e racional…

Quando terminará a guerra?
Agora está claro para todos que a guerra com o Irã não saiu como planejado, muitíssimo pelo contrário [o “tiro” saiu pela culatra]. A estratégia que sempre funcionou — intimidação e a promessa de punição em caso de desobediência — fracassou. A destruição da liderança não só não conseguiu desorganizar o país, como, pelo contrário, uniu até mesmo aqueles que recentemente se opunham ao governo vigente. Até mesmo o exército, todas as forças armadas, e assim por diante, cuja destruição completa o presidente Trump vem mencionando há várias semanas, não estão apenas respondendo a ataques, estão também atacando. E com bastante sucesso, causando enormes prejuízos aos EUA e a Israel.
Ontem, o presidente americano “venceu” mais uma vez. Mas agora, “vitória” tem um significado diferente. Descobriu-se que o objetivo principal não era mais a mudança de regime ou a destruição do exército iraniano, sua marinha, mas sim impedir o desenvolvimento de armas nucleares e minar a capacidade de combate do exército iraniano. Agora, o foco principal está nos mísseis iranianos, que os americanos/israelenses e os países do Golfo Pérsico estão gastando quase um bilhão de dólares por dia para destruir.
É evidente que mais de um mês de guerra deixou marcas nos Estados Unidos. Mesmo para aqueles que imprimem seu próprio dinheiro, dezenas de bilhões representam uma despesa significativa. Parlamentares exigem uma resposta do presidente, exigindo uma “estimativa de custos” da guerra. Este é um problema interno americano. Não o discutiremos aqui. E vamos “esquecer” as eleições de outono por enquanto. Mas lembraremos que Trump colocou seu cargo em risco, sua [in]capacidade de liderar, sua subserviência à Israel e não ser um presidente em fim de mandato.
Agora, sobre o cronograma para o fim da guerra. O presidente americano já falou sobre o fim da guerra diversas vezes, primeiro de forma vaga, seria uma “excursão”, depois quatro dias (ao longo de várias semanas) e agora de forma mais específica (em duas ou três semanas) e já passamos de um mês. Escrevi acima sobre como os objetivos de guerra previamente declarados “mudaram repentinamente” e como Israel “desapareceu silenciosamente” de cena, lembrando-se de repente dos militantes do Hezbollah no Líbano e concentrando-se principalmente neles.
Então, após um mês, mais duas ou três semanas… Esse prazo é realista? Duvido. Tudo depende da decisão de preservar a imagem dos EUA ou simplesmente fugir da região. Antes do Afeganistão, eu certamente teria preferido a primeira opção. Mas depois da fuga dos “melhores combatentes” do mundo no Afeganistão, depois de deixar bilhões em equipamentos militares e tecnologia de ponta nas mãos de verdadeiros bandidos, no Afeganistão, já não tenho tanta certeza da minha decisão. Mas acredito que o mandato de Trump seja apenas mais uma manobra do presidente americano…
Não é segredo que uma operação terrestre vem sendo discutida no Pentágono praticamente desde o início da guerra. Para alguém não familiarizado com assuntos militares, influenciado pelas pre$$tituta$ da mídia, controladas pelos sionistas, tal operação provavelmente parece a maneira mais rápida e eficaz de terminar a guerra. Os Estados Unidos, com seu enorme poderio militar, invadiriam o “pequeno” Irã e subjugariam os persas. Mas a “imensidão” não é o fator mais importante para a vitória hoje em dia.
Os militares entendem perfeitamente que as coisas não são tão simples. Os persas estavam preparados. Eles têm um exército bem treinado, preparado para operar em condições iranianas. Além disso, suas fortificações são projetadas para infligir o máximo de danos aos atacantes. Acho que os americanos se lembram de como isso funcionou no Vietnã. Foi lá que eles entenderam pela primeira vez o significado de “condições locais” e “guerra assimétrica”. O Irã também se distingue por essas mesmas “condições”, “assimétricas” nas quais os persas se sentem como peixes na água.
Hoje, todos falam de uma força americana de 50 mil homens, supostamente se preparando para um ataque aerotransportado. Mas vamos considerar se essas forças são suficientes para capturar cidades e instalações importantes num país com quase o tamanho da Europa ocidental com 55% do território montanhoso. Já escrevi diversas vezes que o comando do Exército dos EUA não se preocupa particularmente em inventar algo novo ou incomum. Se existe uma opção já em uso em outro lugar e que tenha apresentado resultados positivos, eles a desenvolvem, modernizando-a para um teatro de operações específico.
Se você olhar a história nos conflitos militares envolvendo americanos, um certo padrão emerge. No início das operações, paraquedistas e fuzileiros navais são mobilizados ativamente. Eles garantem a captura de objetivos. Em seguida, o exército entra em ação e defende o território. O território restante é então tomado por aliados ou por moradores locais subornados. Dessa forma, os americanos garantem a imagem de vitória com relativamente poucas baixas. E então… a dança da vitória de Trump.
O que temos hoje? Os EUA têm aliados dispostos a limpar a área? Aliados dispostos a sacrificar seus soldados por uma vitória americana? Não! E Israel? A julgar pelo desenrolar dos acontecimentos, Israel está seguindo sua própria agenda, com o rabo no meio das pernas. Poderíamos dizer que Israel não é um aliado dos EUA, mas sim que os Estados Unidos são vassalos de Israel e Trump o seu marionete e bobo da corte do rei BIBI. A Europa? Na “Gaiola das Loucas” eles estão dizendo abertamente que têm medo de lutar contra os persas. Colaboradores locais? Acho que o Irã abordou a questão desses traidores imediatamente após os primeiros ataques às suas escolas.

Então, por que Trump está reunindo soldados? Por que precisam de fuzileiros navais e paraquedistas? Só podem existir duas respostas. A primeira é óbvia. De acordo com a velha tradição americana, [é um blefe] para intimidar o inimigo. É assim que avançaremos contra vocês, é assim que demonstraremos toda a nossa força …Mas isso não se aplica ao Irã. Os persas não se importam com as ameaças. No entanto, há outra questão difícil para os EUA.
Você já se perguntou por que autoridades iranianas continuam morrendo? Por que elas não estão escondidas nos subterrâneos onde os mísseis estão posicionados? Por que são mortas em ataques aéreos ou participando de comícios e manifestações? Muitos analistas apresentaram diversas teorias sobre esses eventos. A explicação, acredito, é muito mais simples do que parece. Mas para entendê-la, é preciso compreender o Oriente, a cultura persa e a mentalidade de seu povo.
Os persas possuem a memória genética dos vencedores. Como os russos. Podem perder uma batalha, mas ganhar uma guerra. Ou morrer. Isso é o primeiro ponto. Mas há também algo mais. Religião! Islã! Um guerreiro que morre por sua fé vai imediatamente para o paraíso! Todos os seus pecados terrenos são automaticamente anulados. Concordarás que, numa república onde o Islã não é apenas uma religião, mas uma força ideológica e política vital, é um fator crucial para manter o moral das forças armadas.
Agora, sobre a segunda opção para o uso do grupo de invasão. Tal grupo não seria capaz de operar em todo o Irã isso é mais do que óbvio. Mas talvez capturar algumas ilhas, desembarcar na costa e destruir baterias costeiras ali é perfeitamente possível. Aliás, nossos “colegas estrangeiros” estão discutindo bastante isso em comunidades de “especialistas” online. No entanto, o prazo estimado por eles é maior do que o do presidente Trump: de um mês e meio a dois meses.
Portanto, agora podemos resumir e responder à pergunta feita no título desta seção. Os americanos não estão apenas espalhando desinformação sobre as negociações com o Irã. É um convite ao diálogo. Uma tentativa de sair da guerra sem perder as aparências. Eles entenderam que tudo está dando errado, que as suas perdas são gigantescas. Eles também entendem que o mundo está entrando em colapso por consequência do conflito. E não sob o controle deles, mas de forma caótica, imprevisível e muito perigosa para os próprios Estados Unidos.
Se o Irã se recusar a dialogar, se recusar a aceitar sequer um ponto do ultimato americano, os EUA terá que continuar lutando. Terá que sacrificar soldados, tentar tomar ilhas e o litoral [sem levar uma surra]. Enquanto isso, o Pentágono sabe muito bem que não há mais tempo, cada dia que passa é mais um bilhão de gastos. Aquelas notórias seis semanas a dois meses. E então, em todo caso, a evacuação e o fim da guerra. Mas com desgraça, como no Vietnã ou no Afeganistão… Mas com a queda do marionete presidente Trump e do Partido Republicano no controle do congresso em novembro …
Portanto, só há uma conclusão a tirar de tudo isso: durará no máximo dois meses. Dada a postura intransigente do Irã, não há razão para esperar um fim pacífico e diplomático para a guerra. Que verão nos aguarda! Tal caleidoscópio de eventos deixará não apenas os políticos, mas também as pessoas comuns atordoadas.
É provável que sejam usadas armas nucleares.
Agora, minha última pergunta de hoje: sobre a possibilidade do uso de armas nucleares. Esta não é uma pergunta trivial. Ela diz respeito a todos. Informações vazadas em fontes abertas indicam que essa questão já foi levantada repetidamente por diversos países que possuem tais armas. Dos três estados envolvidos nesta guerra, dois definitivamente [os EUA e Israel] possuem armas nucleares. Isso significa que eles têm o potencial para usá-las.
Vou dar minha opinião sobre os Estados Unidos logo de cara. Washington não vai iniciar uma guerra nuclear. Os americanos têm muito a perder. Eles entendem perfeitamente que o uso dessas armas automaticamente libera as mãos de outros países. E não é só a Rússia que está em guerra há quatro anos. Vários outros países com armas nucleares estão envolvidos em guerras “menores”. E se as armas nucleares se tornarem comuns, uma grande guerra nuclear estará a um passo de acontecer.

Mas com Israel, a questão é mais complexa. Os judeus já provaram há muito tempo que não se importam com a opinião da “comunidade internacional”, de quaisquer organizações internacionais ou de qualquer lei e/ou opinião de outras pessoas, afinal eles são o “povo eleito”. Eles estão seguindo sua própria agenda, inclusive na guerra ao Irã. Tel Aviv também está bem ciente da situação. Eles entendem que os EUA já estão tentando “escapar” do Irã. Enquanto isso, da perspectiva de Israel, os objetivos da guerra não foram alcançados. E o minúsculo estado pária de Israel sozinho não pode fazer nada contra os persas.
E aqui reside o perigo. À medida que os americanos “encerram a sua participação na guerra [de Israel]”, o perigo para os judeus khazares aumentará. E aqui estão os possíveis cenários. Acredito que o uso de armas nucleares táticas durante esse período é totalmente possível, como forma de intimidação. Isso não mudará a situação na frente de batalha em nada, mas… Portanto, na minha opinião, a probabilidade do uso de armas nucleares táticas é muito alta! E o perpetrador dessa ação não serão os EUA, mas Israel. Um cenário de “rato encurralado”.
Em geral, tenho a sensação de que já em 2026-27 poderemos descobrir “inesperadamente” que o clube de países nucleares se expandirá significativamente. Não é de admirar que os europeus estejam falando sobre a necessidade de implantar tais armas em seus países. Não é de admirar que alguns países asiáticos estejam considerando ter armas nucleares. Mas essas são apenas premonições, nada mais. Ainda não há fatos…
E, por fim, algo aparentemente sem relação com armas nucleares. Consideremos os turcos. Não havia simpatia aparente entre o Irã e a Turquia. No entanto, recentemente, autoridades turcas têm se manifestado cada vez mais abertamente em apoio ao Irã. Afinal, a Turquia é membro da OTAN e possui o maior exército e dos mais poderosos do bloco, logo depois dos EUA. Por quê? Será que isso está relacionado justamente à possibilidade de Israel usar armas nucleares táticas? Erdogan não gostaria de ficar em segundo plano. Mas essas são apenas reflexões, embora com algumas declarações e ações…



