A incrível tecnologia dos Antigos (2b)

O Enigma da Tecnologia Antiga : A todos os cientistas-filósofos, de mente aberta, espalhados pelo mundo e que continuam a estudar, a aprender e a crescer. Possam eles nos levar até o infinito, e além. “E aqui, meu caro Watson, chegamos a um desses mundos da conjectura no qual as mentes mais lógicas podem falhar; cada um pode formular sua própria hipótese com base na evidência presente e, provavelmente, a sua será tão acertada quanto a minha”. Sherlock Holmes, a aventura da casa vazia.

O Enigma da Tecnologia Antiga (livro): Tecnologia dos Antigos” de David Hatcher Childress)

Capítulo 2: OS MESTRES CONSTRUTORES DOS MEGÁLITOS


“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Aldous Huxley

“A verdade é uma só, mas o erro se prolifera. O homem o localiza e o retalha em pedacinhos, esperando transformá-los em grãos de verdade.” –  René Dauman, The Way of the Truth

Em cada máxima ou míni­ma, haveria observadores em todos os lugares possíveis, tentando ver a Lua levantar-se ou se pôr por trás de elevadas varas de aferição. À noite, essas varas teriam recebido tochas na ponta, pois quaisquer outros sinais não seriam visíveis enquanto não formassem silhueta contra o disco lunar. En­quanto isso, deve ter sido usado um observatório já existente na região, para que os astrônomos pudessem ser informados do tipo de máxima que estava sendo observado; eles precisariam conhecer o estado da perturbação. Depois, seguir-se-iam nove anos de espera, até o próximo momento estacio­nário, quando os outros quatro locais de observação seriam procurados.

A magnitude da tarefa seria aumentada pela decisão de usar a mesma visada lunar para ambos os tipos de parada. Podemos compreender porque isso era considerado necessário, se nos lembrarmos das décadas de trabalho en­volvidas no corte, na modelagem, no transporte e no içamento de uma visa­da lunar adequada. Fica evidente que, enquanto alguns locais, como o Quiberon, usavam o alto da visada de Er Grah, outros, como Kerran, usava a parte inferior. Provavelmente, isso depunha contra o uso de um monte com um menir menor no alto. Muito já foi escrito, e bem, sobre o trabalho despendido para se colocar Er Grah no lugar, mas uma avaliação completa da dificuldade para se encontrar o lugar certo mostra que essa tarefa foi tão árdua quanto a primeira.

Agora sabemos que uma pedra com 18 metros de altura permite uma vi­são perfeita. Não sabemos se todas as visadas inversas foram concluídas. Mas o fato de ainda não termos descoberto qualquer vestígio de um setor a leste não prova que os locais a leste não foram usados, pois as pedras podem ter sido removidas. Talvez a extrapolação tenha sido feita por um método mais simples, como a triangulação, ou em um local central, como Petit Menec.

Francis Hitching, em Earth magic, também concorda que esse era um ponto megalítico central para a observação do nascer e do ocaso da Lua. É provável que a maior parte desse gigantesco observatório astronô­mico hoje esteja sob a água. Muitos dos megálitos ao longo da costa da Bretanha parecem estar submersos. Muitos locais famosos conduzem, de fato, à água, e é possível ver alguns megálitos um pouco acima da superfície quan­do a maré está baixa.

Boa parte dos longos alinhamentos de pedras verticais de Carnac e ao redor do golfo de Morbihan parece ter sido construída quando a geografia da Bretanha era bem diferente. Perto da cidade de Carnac há o famoso alinhamento com centenas de pedras verticais. Aparentemente, ele também faz parte de algum imenso observatório astronômico. Em outro artigo dos Thom para o Journal for the History of Astronomy (no 3, p. 11-26,1972), intitulado “Os alinhamen­tos de Carnac”, eles concluem que Carnac também é um observatório lunar de grandes proporções. A respeito dos alinhamentos de Menec, em Carnac, os Thom afirmam que:

“Uma característica notável é a grande precisão das medidas com que as fi­leiras foram dispostas. Não podemos enfatizar em demasia que a precisão era bem maior do que a que teriam obtido caso tivessem usado cordas. A única alternativa disponível para os construtores seria usarem duas varas de medição (de carvalho ou de osso de baleia). Estas deveriam ter cerca de 2.0732496 metros de comprimento, com ajustes nas extremidades para re­duzir o erro gerado por alinhamento. Cada vara teria um apoio rígido, mas mal podemos imaginar como os engenheiros lidavam com os inevitáveis “degraus” quando o solo não estava nivelado”.

Os menires alinhados em Carnac, na França.

Pode-se observar que o valor da jarda megalítica encontrada na Bretanha vale 0,829056 metros, mais ou menos 0,9 milímetro, e aquela encontrada acima vale 0,8293608 metro, mais ou menos 0,3 milímetro. Essa precisão só pode ser atingida hoje em dia por agrimensores experientes, usando bons equipamentos modernos. Então, como o homem megalítico não apenas ob­teve essa precisão em um local, mas levou a unidade de medida para outros locais, separados por grandes distâncias? Como essa unidade foi levada, por exemplo, para o norte, até as ilhas Orkney? Com certeza, não foi fazendo cópias de cópias de cópias. Deve ter existido algum aparelho para padroni­zar as varas, que, com quase toda certeza, foram preparadas em um centro de controle, ou pelo menos sob supervisão.

Os Thom vêem Carnac como parte de um antigo e imenso sistema que foi usado em boa parte da Europa. Em seu artigo, concluem:

“A organização e a administração necessárias para construir os alinhamen­tos bretões e para erguer Er Grah obviamente espalhavam-se por uma gran­de área, mas a evidência proporcionada pelas medidas mostra que uma área muito mais ampla estava em contato com o controle central. A geometria dos dois crom lechs ovais de Le Menec é idêntica à encontrada em sítios britânicos. Os ápices de triângulos com arestas integrais formando os cen­tros de arcos com raios integrais são características comuns, e nos dois la­dos do Canal [da Mancha] os perímetros são múltiplos da vara. A vastidão dos sítios da Bretanha pode sugerir que o centro principal estava ali, mas não podemos perder de vista o fato de que até agora nenhum dos sítios bretões examinados tem uma geometria comparável à de Avebury na complexidade do desenho ou na dificuldade do layout. Já mostramos anteriormente que as fileiras divergentes de pedras em Caithness poderiam ter sido usadas como equipamento auxiliar para ob­servações lunares, e em nosso artigo anterior vimos que os sítios de Petit Menec e St. Pierre devem ter sido usados da mesma forma”.

No final do artigo, os Thom confessam: “Não sabemos como os princi­pais alinhamentos de Carnac foram usados”.

Carnac se equipara ao importante templo egípcio de Karnak em Luxor. Este é um edifício imponente, com longas fileiras de colunas megalíticas que antes sustentavam um teto grandioso. Será que há outros menires, até maiores, sob as águas próximas a Carnac? Um exemplo de estrutura megalítica submersa conhecida é o Beco Coberto de Kernic, no Distrito de Plousescat, Finistére, hoje coberto pela maré alta.

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Templo egípcio de Karnak em Luxor. [Estivemos no local…].

OS ESPANTOSOS MEGÁLITOS DOS ANDES

Na porção plana de uma colina que avista o Vale de Cuzco, no Peru, há uma fortaleza colossal chamada Sacsayhuaman, um dos mais imponen­tes edifícios já construídos. Sacsayhuaman é formada por três ou quatro paredes em terraço que sobem pela colina, e as ruínas incluem portais, escadarias e rampas.

Gigantescos blocos de pedra, alguns pesando mais de 200 toneladas, estão perfeitamente encaixados. Os enormes blocos estão cortados, facetados e encaixados tão bem que até hoje não é possível enfiar uma lâmina de canivete, ou mesmo uma folha de papel entre eles. Não foi usado cimento, e não há dois blocos iguais. Contudo, eles se encaixam perfeita­mente, e alguns engenheiros afirmaram que nenhum construtor moderno, com a ajuda de instrumentos e ferramentas do mais puro aço, seria capaz de produzir resultados mais precisos.

Cada pedra teve de ser planejada com muita antecedência; uma pe­dra de 21 toneladas, para não falar de uma pesando de 80 a 200 tonela­das, não pode apenas ser posta descuidadamente no lugar, esperando-se atingir aquele grau de precisão! As pedras estão encaixadas e ajustadas em suas posições, com entalhes do tipo rabo-de-andorinha, tornando-as à prova de terremotos. Com efeito, após muitos terremotos devastado­res nos Andes ao longo dos últimos séculos, os blocos ainda estão encai­xados perfeitamente, enquanto a catedral espanhola, em Cuzco, precisou ser reconstruída duas vezes.

O mais incrível é que os blocos não são feitos com pedras locais, mas, segundo alguns relatos, provêm de pedreiras do Equador, situadas a mais de 2.400 quilômetros dali! Outros estudiosos localizaram pedreiras bem mais próxi­mas, a cerca de 8 quilômetros, apenas. Embora se suponha que a fantástica fortaleza tenha sido feita há apenas alguns séculos pelos incas, não há re­gistros de sua construção, e tampouco ela figura nas lendas nativas. Como se explica que os incas, que não tinham conhecimento de matemática supe­rior, não possuíam linguagem escrita, não dispunham de ferramentas de ferro e nem usavam rodas, podem receber o crédito pela construção desse complexo ciclópico de muralhas e edificações? Francamente, é preciso fa­zer força para encontrar uma explicação, que tampouco seria simples.

Quando os espanhóis chegaram a Cuzco e viram essas estruturas, pen­saram ser obras do próprio demônio, em virtude de sua grandeza. De fato, em nenhum outro lugar se vê blocos tão grandes encaixados com tama­nha perfeição. Viajei pelo mundo todo à procura de mistérios antigos e cidades perdidas, mas nunca vi nada parecido.

Os construtores das muralhas não eram apenas bons pedreiros – eram incomparáveis! Trabalhos de cantaria similares podem ser vistos em todo o Vale de Cuzco. Geralmente, são feitos com blocos de pedra bem talhados e retangulares, pesando até 1 tonelada. Um grupo de pessoas fortes pode erguer um bloco e colocá-lo no lugar; sem dúvida, foi assim que algumas das menores estruturas foram feitas. Mas em Sacsayhuaman, Cuzco e outras cidades incas antigas, podemos ver blocos imensos com 30 ângu­los ou mais em cada um.

Muralhas ciclópicas em Sacsayhuaman com Cuzco ao fundo

Na época da conquista espanhola, Cuzco estava em seu apogeu, com população estimada em 100 mil incas. A fortaleza de Sacsayhuaman po­deria abrigar todos os habitantes dentro de seus muros em caso de guerra ou de catástrofe natural. Alguns historiadores afirmaram que a fortaleza foi construída “alguns anos antes” da invasão espanhola, e creditaram a estrutura aos incas. Mas os incas não conseguem se lembrar exatamente como ou quando ela foi feita!

Só resta um relato antigo do transporte das pedras, encontrado na obra de Garcilaso de la Vega, The Inccus. Em seus comentários, Garcilaso fala de uma pedra monstruosa levada a Sacsayhuaman desde Ollantaytambo, a uma distância de cerca de 72 quilômetros.

Os índios dizem que, por causa do grande trabalho que teve para ser levada, a pedra ficou cansada e chorou lágrimas de sangue porque não conseguiu um lugar na edificação. A realidade histórica é transmitida pelos amantas (filósofos e médicos) dos incas, que costumavam falar sobre isso. Dizem que mais de 20 mil índios levaram a pedra até o local, arrastando-a com grossas cordas. A rota que seguiram para levar a pedra era muito difícil. Havia mui­tas colinas para subir e descer. Cerca de metade dos índios puxava a pedra com as cordas colocadas na frente. A outra metade segurava a pedra por trás, com medo de que ela pudesse se soltar e cair em uma ravina da qual não poderia ser removida.

Em uma dessas colinas, por falta de cautela e esforço mal coordenado, o peso da pedra foi excessivo para aqueles que a sustentavam por trás. A pe­dra rolou colina abaixo, matando 3 ou 4 mil índios que a sustentavam. Apesar desse infortúnio, eles conseguiram tornar a erguê-la. Ela foi posta na planície onde hoje repousa.

Embora Garcilaso de la Vega descreva o transporte da pedra, muitos duvidam da veracidade dessa história. Essa pedra não pertence à fortaleza de Sacsayhuaman e, segundo alguns pesquisadores, é menor do que aque­las lá usadas, embora a pedra nunca tenha sido identificada positivamente. Mesmo que a história seja real, talvez os incas tenham procurado reprodu­zir aquela que, segundo eles, teria sido a técnica de construção usada pelos antigos construtores. Apesar de não se poder negar a maestria dos artífices incas, para alguém acreditar nessa história precisa, antes, questionar como eles teriam transportado e colocado os blocos de 100 toneladas tão bem, tendo em conta o trabalho que tiveram com apenas uma pedra.

O fato de os incas terem descoberto essas ruínas megalíticas e cons­truído algo sobre elas, afirmando que eram obra deles, não é lá uma teoria muito alarmante. Com efeito, é bem provável que seja verdade. Os antigos governantes egípcios, com freqüência, reclamavam para si obeliscos, pi­râmides e outras estruturas já existentes, chegando por vezes a apagar o cartucho (hiróglifo do nome) do verdadeiro construtor, substituindo-o pelo seu. A Grande Pi­râmide parece ter sido vítima de tal ardil. O faraó Kufu, ou Quéops, como era conhecido na Grécia, mandou gravar seu cartucho na base da Grande Pirâmide. Esse é o único texto que se pode encontrar nela, mas, ao que tudo indica, a pirâmide não foi construída por Quéops. Talvez nem seja um túmulo, mas isso é uma outra história.

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Uma das maiores pedras em Sacsayhuaman

Se os incas chegaram e descobriram muralhas e alicerces de cidades já existentes, por que não se instalaram por lá, pura e simplesmente? Até hoje, bastam algumas pequenas reformas e um teto em algumas das estruturas para torná-las habitáveis. De fato, quase tudo indica que os incas simples­mente encontraram as estruturas e acrescentaram-lhes alguns detalhes. Há muitas lendas andinas que relatam que Sacsayhuaman, Machu Picchu, Tiahuanaco e outras ruínas megalíticas teriam sido construídas por um povo gigante (os Annunaki de Nibiru). Alain Gheerbrant comenta em suas notas ao livro de Garcilaso:

“Foram usados três tipos de pedra para construir a fortaleza de Sacsayhuaman. Dois deles, inclusive os que foram usados para fazer os gi­gantescos blocos da muralha externa, foram encontrados praticamente no local. Só o terceiro tipo de pedra (andesito negro), para as edificações inter­nas, foi levado de pedreiras relativamente distantes; as pedreiras de andesito negro mais próximas ficavam em Huaccoto e Rumicolca, a 14 e a 40 quilô­metros de Cuzco, respectivamente”.

Com relação aos gigantescos blocos de rocha da muralha externa, nada prova que não tenham sido desbastados a partir de uma massa de pedras existente no local; isso solucionaria o mistério.

Civilizações antigas no Brasil:

Gheerbrant acredita que os incas nunca chegaram a movimentar as pedras até Sacsayhuaman, mas, mesmo que as tenham cortado e preparado-as no local, um ajuste tão preciso exigiria aquilo que os engenheiros modernos chamam de esforço sobre-humano. Além disso, a gigantesca cidade de Tiahuanaco, na Bolívia, também foi erguida com blocos de pe­dra de 100 toneladas. As pedreiras ficavam longe dali, e o lugar é definiti­vamente pré-incaico. Proponentes da teoria de que os incas encontraram essas cidades nas montanhas e nelas se fixaram, diriam que os construto­res de Tiahuanaco, Sacsayhuaman e de outras estruturas megalíticas da região de Cuzco eram o mesmo povo.

Citando novamente Garcilaso de la Vega, que escreveu sobre essas es­truturas logo após a conquista espanhola:

“[…] como podemos explicar o fato de os índios peruanos serem capazes de cortar, escavar, erguer, portar, içar e aplicar blocos de pedra tão imensos, fazendo-o, como disse antes, sem o auxílio de uma só máquina ou instru­mento? Um enigma como esse não pode ser resolvido facilmente sem a aju­da da magia, especialmente se nos lembrarmos da grande familiaridade desses povos com os demônios”.

Os espanhóis desmantelaram Sacsayhuaman o máximo que puderam. Quando Cuzco foi conquistada, Sacsayhuaman tinha três torres redondas no alto da fortaleza, por trás de três muralhas megalíticas concêntricas. Elas foram desmontadas pedra por pedra, que foram usadas para cons­truir novas estruturas para os espanhóis.

Uma teoria interessante sobre as construções com pedras gigantescas e perfeitamente encaixadas é que foram produzidas por meio de uma técni­ca hoje perdida de amolecimento e moldagem da pedra. Hiram Bingham, descobridor de Machu Picchu, escreveu em seu livro Across South America sobre uma planta de que ouvira falar, cujos sumos amoleciam a pedra a ponto de ela poder ser encaixada em cantarias muito apertadas.

Em seu livro Exploration Fawcett, o coronel Fawcett comentou que ouvira falar de como as pedras eram encaixadas usando-se um líquido que as amoleciam até adquirirem a consistência do barro. Brian Fawcett, que editou o livro do pai, conta essa história em suas notas de rodapé: um ami­go que trabalhava em uma mineradora a 4.600 metros em Cerro de Pasco, região central do Peru, descobriu um jarro em um túmulo incaico ou pré-incaico. Ele abriu o recipiente pensando que fosse chicha, uma bebida al­coólica, rompendo o antigo lacre de cera ainda intacto. Depois, por acidente, o jarro foi derrubado sobre uma pedra. Fawcett prossegue, mencionando o amigo:

“Dez minutos depois, curvei-me sobre a pedra e casualmente examinei a poça de líquido derramado. Não era mais líquido; a pedra sobre a qual o jarro caíra estava macia como cimento fresco! E como se a pedra tivesse derreti­do, como cera aquecida”.

Ao que parece, Fawcett acreditava que a planta poderia ser encontra­da no rio Pirene, em Chuncho, Peru, e disse que tinha folhas vermelhas, escuras, e mais ou menos 30 centímetros de altura. Conta-se, ainda, a his­tória de um biólogo que observava um pássaro raro na Amazônia. Ele viu quando a ave fez um ninho em uma rocha esfregando-a com um graveto. A seiva do graveto dissolveu a rocha, criando uma cavidade na qual a ave pôde acomodar seu ninho.

Toda essa especulação pode ser posta de lado por conta de descobertas mais recentes apresentadas na Scientific American (fevereiro de 1986). Em um fascinante artigo, o pesquisador francês, Jean-Pierre Protzen, apresen­ta suas experiências na duplicação da construção de Sacsayhuaman e Ollantaytambo. Protzen passou muitos meses perto de Cuzco fazendo expe­riências com diferentes métodos de modelagem e de encaixe, valendo-se dos mesmos tipos de pedras empregados pelos incas (ou por seus antecessores megalíticos).

Ele descobriu que a extração e a formatação das pedras podem ser feitas com os martelos de pedra encontrados em abundância na região. O ajuste preciso das pedras foi uma questão relativamente simples, diz ele. Ele martelava as depressões côncavas nas quais as pedras se encaixavam por tentativas, até ficarem bem justas. Isso significava erguer e juntar as pedras continuamente, desbastando-as pouco a pouco. Esse processo con­some um bom tempo, mas é simples e funciona.

Contudo, mesmo para Protzen restam alguns mistérios. Ele não con­seguiu descobrir como os construtores megalíticos manuseavam as pe­dras maiores. O processo de ajuste exigiria repetidos movimentos de levantamento e deposição da pedra sendo encaixada, com uma seqüência de marteladas entre um movimento e outro. Ele não sabe como pedras de 100 toneladas eram manipuladas nesse estágio, e algumas, na verdade, são até mais pesadas.

Segundo Protzen, para transportar as pedras desde as pedreiras fo­ram construídas estradas e rampas especiais. Muitas das pedras foram arrastadas sobre estradas cobertas de pedregulhos, o que, segundo sua teoria, originou sua superfície polida. A maior pedra de Ollantaytambo pesa 150 toneladas. Ela pode ter sido puxada sobre uma rampa com uma força de 118 mil quilos. Tal proeza exigiria 2.400 homens, no mínimo. Reu­nir essa equipe parece possível, mas onde se apoiavam? Protzen diz que as rampas teriam, no máximo, 8 metros de largura. Mais espantoso ain­da, para Protzen, é que as pedras de Sacsayhuaman tinham um acabamento fino, mas não foram polidas e não mostram sinais de arraste. Ele não con­seguiu descobrir como foram transportadas desde a pedreira de Rumiqolqa, situada a 35 quilômetros dali.

O artigo de Protzen reflete uma pesquisa bem-feita, e mostra que a ciência moderna ainda não consegue explicar ou reproduzir as proezas de construção encontradas em Sacsayhuaman e Ollantaytambo. Erguer continuamente e desbastar um bloco de pedra de 100 toneladas para fa­zer com que se encaixe perfeitamente é uma tarefa de engenharia gran­diosa demais para ter sido uma prática. A teoria de Protzen teria funcionado bem nas construções posteriores, menores e perfeitamente retilíneas, mas falha nas construções megalíticas mais antigas. Talvez teorias como levitação ou amolecimento de pedras ainda não devam ser descartadas! Uma última observação intrigante feita por Protzen é que as marcas de corte encontradas em algumas pedras são muito similares àquelas encontradas no pyramidion de um obelisco egípcio inacabado, descoberto em Assuã. Seria coincidência? Ou uma civilização antiga estaria associada aos dois locais?

“A maioria dos “cientistas” é de lavadores de frascos e selecionadores de botões”. Robert Heinlein

O gigantesco obelisco inacabado em Asuã, Egito, com cerca de 30 metros e pesando em torno de 1000 toneladas, cortado em um único bloco de rocha, o maior bloco de pedra lavrada do planeta . . .mas, por QUEM ?

O MAIOR COMPUTADOR DO MUNDO

O magnífico monumento inglês chamado Stonehenge ergue-se soli­tário sobre a planície de Salisbury, ladeado por um estacionamento e uma loja de presentes para turistas. É famoso por suas grandes pedras e curio­sa arquitetura: um círculo de pedras maciças e bem talhadas.

Em 1964, um astrônomo inglês, Gerald S. Hawkins, publicou seu tra­tado – hoje famoso – sobre Stonehenge como computador astronômico. Seu artigo, intitulado “Stonehenge: um computador neolítico”, foi publi­cado no número 202 da prestigiada revista inglesa Nature. Em 1965, foi editado o famoso livro de Hawkins, Stonehenge decoded.

Hawkins abalou o mundo arqueológico ao afirmar que o sítio megalítico não era apenas um templo circular erguido por alguns reis egocêntricos, mas um sofisticado computador para observação celeste. Ele inicia seu artigo da Nature com uma citação de Diodoro sobre a Grã-Bretanha pré-histórica encontrada no livro de Diodoro, History of the Ancient World, escrito por volta de 50 a.C.:

“Vista desta ilha, a Lua parece estar a uma pequena distância da Terra, mos­trando proeminências como as da Terra, que são visíveis a olho nu. Diz-se que o deus [Lua?] visita a ilha a cada dezenove anos, período no qual se com­pleta o retorno das estrelas ao mesmo lugar no céu. Há na ilha, ainda, tanto um magnífico local sagrado dedicado a Apolo [Sol] como um templo notável […] e os sacerdotes são chamados boraedae, e a sucessão ao cargo permane­ce sempre nas mesmas famílias”.

A teoria básica de Hawkins é que “Stonehenge era um observatório; os imparciais cálculos matemáticos de probabilidade e a esfera celeste estão do meu lado”. A proposição inicial era de que os alinhamentos entre pares de pedras e outros tópicos, calculados em computador a partir de plantas em escala reduzida, comparavam suas direções com os azimutes do nascer e do pôr do sol e da lua, nos solstícios e equinócios, calculados para o ano 1.500 a.C. Hawkins afirma ter encontrado 32 alinhamentos “significativos”.

O Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras que chegam a ter cinco metros de altura e a pesar quase cinquenta toneladas, onde se identificam três distintos períodos construtivos

A segunda proposição é que os 56 buracos de Aubrey eram usados como “computador” (ou seja, marcas de totalização) para a previsão de movimen­tos da lua e dos eclipses, para os quais ele alega ter estabelecido um “ciclo até hoje desconhecido de 56 anos com irregularidade de 15%; e que o nascer da lua cheia mais próximo do solstício de inverno sobre a Pedra do Calca­nhar sempre predizia com sucesso um eclipse. É interessante notar que não mais do que metade desses eclipses era visível de Stonehenge”. Diz Hawkins em Stonehenge decoded:

“O número 56 é de grande importância para Stonehenge por ser o número de buracos de Aubrey dispostos à volta do círculo externo. Vistos do centro, esses buracos situam-se em espaçamentos iguais de azimute ao redor do horizonte, e, portanto, não podem marcar o Sol, a Lua ou qualquer outro objeto celeste. Isso é confirmado pelas evidências dos arqueólogos; os bura­cos abrigaram fogueiras e cremações de corpos, mas nunca pedras. Bem, se os responsáveis por Stonehenge desejavam dividir o círculo, por que não fizeram simplesmente 64 buracos valendo-se da bissecção de segmentos do círculo – 32, 16, 8, 4 e 2 -? Acho que os buracos de Aubrey proporcionavam um sistema de contagem de anos, um buraco para cada ano, para ajudar a prever os movimentos da Lua. Talvez se fizessem cremações em um buraco de Aubrey específico no decorrer do ano, ou talvez aquele buraco fosse assi­nalado com uma pedra móvel.”

Stonehenge pode ser usado como uma máquina de cálculo digital […] A pe­dra no buraco 56 prevê o ano em que um eclipse do Sol ou da Lua irá ocorrer no período de 15 dias por volta do meio do inverno – o mês da Lua de inverno. Ela também irá prever eclipses para a Lua de verão.

Os críticos de Hawkins, as principais “mentes acadêmicas” de sua épo­ca, debruçaram-se imediatamente sobre suas descobertas e puseram-se a criticá-las. Em 1966, um artigo intitulado “Decodificador equivocado?”, de R. J. Atkinson, astrônomo inglês, foi publicado na Nature (volume 210, 1966), e criticava Hawkins por muitas de suas declarações relativas à na­tureza de Stonehenge como computador astronômico. Disse Atkinson acerca de Stonhenge decoded, de Hawkins:

“É tendencioso, arrogante, descuidado e pouco convincente, e pouco nos aju­da a compreender melhor Stonehenge”.

Reprodução de como seria Stonehenge, um calendário astronômico, voltado para o nascer do sol (leste), construído em rocha bruta

Os cinco capítulos iniciais, sobre o pano de fundo legendário e arqueológi­co, foram compilados sem senso crítico, e contêm vários erros bizarros e interpretações estranhas do autor. O resto do livro é uma tentativa mal-sucedida de emprestar corpo à alegação do autor – que “Stonehenge era um observató­rio; os imparciais cálculos matemáticos de probabilidade e a esfera celeste estão do meu lado”. De suas duas alegações principais, a primeira diz res­peito a alinhamentos entre pares de pedras e outros tópicos, calculados com um computador a partir de plantas baixas em escala reduzida, pouco ade­quados a esse propósito.

A crítica mordaz de Atkinson em relação a Hawkins é reveladora, pois mostra como os “acadêmicos e eruditos” já estabelecidos podem ser resistentes a no­vas idéias. A relutância de Atkinson em acreditar que Stonehenge era um tipo de computador astronômico provavelmente se deve à crença popular de que o homem antigo simplesmente não vivia um estágio civilizacional que lhe permitisse dedicar-se a temas intelectuais superiores.

Mas esses críticos já não são mais ouvidos, e parece não haver dúvidas, mesmo por parte dos arqueólogos mais conservadores, de que Stonehenge é um tipo de templo astronômico. Diversas verdades astronômicas sim­ples podem ser discernidas em Stonehenge. Por exemplo: há 29,53 dias entre as luas cheias, e há 29,5 monólitos no círculo exterior de Sarsen.

Dezenove das imensas “pedras azuis” encontram-se na ferradura in­terior, com diversas explicações e usos possíveis. Há um período de quase dezenove anos entre os pontos extremos do nascer e do pôr da lua. Além disso, se uma lua cheia ocorre em um dia específico do ano, digamos no solstício de verão, faltarão dezenove anos até outra lua cheia ocorrer no mesmo dia do ano. Finalmente, há dezenove anos de eclipses (ou 223 luas cheias) entre eclipses similares, tais como o eclipse que ocorre quando o Sol, a Lua e a Terra retornam às mesmas posições relativas. As posições dos outros planetas variam em ciclos ainda mais longos.

Sugere-se ainda que os cinco grandes arcos de trílitos representam os cinco planetas visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

O escritor inglês especializado em antigüidades, John Ivimy, faz uma espantosa sugestão no final de seu popular livro sobre Stonehenge, The Aphinx and the megaliths. Ele passa a maior parte do livro tentando pro­var a tese de que Stonehenge foi construído por um punhado de aventu­reiros egípcios que foram enviados às ilhas Britânicas para estabelecer uma série de sítios astronômicos em latitudes mais elevadas, a fim de poderem prever com precisão eclipses solares, algo que os observatórios egípcios não podiam fazer, pois estavam próximos demais do equador.

Ivimy apresenta evidências como a construção megalítica, os cortes em “L” nos gigantescos blocos de pedra, o óbvio propósito astronômico e, acima de tudo, o uso de um sistema numérico baseado no número seis, e não no dez, como usamos hoje. Ivimy mostra que os egípcios usavam um sistema numérico baseado no número seis, e que o mesmo sistema foi empregado em Stonehenge. Posteriormente, sugere que os mórmons usam um sistema numérico com base no número seis para construírem seus templos, especialmente o grande templo de Salt Lake City.

No fim, a tese de Ivimy é bastante controvertida: ele acredita que Brigham Young e os primeiros povoadores mórmons de Utah são a reencarnação do mesmo grupo de pioneiros egípcios enviados à Inglaterra para construir Stonehenge. Diz Ivimy:

“Sempre se fez referência ao grande domo de madeira, feito totalmente sem metal, que cobre o Tabernáculo Mórmon. Será que sua construção foi inspi­rada em uma pálida recordação do modo como as mesmas pessoas, em uma encarnação vivida alguns séculos antes, usaram um domo para cobrir aquele que depois se tornou o Templo de Apolo Hiperbóreo?”

É fascinante a idéia de que os egípcios teriam ido à Inglaterra para construir um observatório megalítico com o intuito de prever eclipses lu­nares com precisão. Há registros de que, em 2.000 a.C., aproximadamente, um imperador chinês mandou executar seus dois principais astrônomos por deixarem de prever um eclipse solar. Um dos proponentes da teoria dos astronautas da Antigüidade, Raymond Drake, pergunta: “Será que hoje algum soberano ligaria para isso?”

Egípcios, chineses, maias e muitas outras culturas antigas tinham obsessão por eclipses e por outros fenômenos planetários e solares. Acredita-se que associavam catástrofes, inclusive o afundamento da Atlânti­da, a movimentos planetários e eclipses. Talvez os antigos egípcios, maias e outros povos imaginassem poder prever o próximo cataclismo acompa­nhando os eclipses lunares e as posições dos planetas em relação à Terra.

Heródoto escreveu sobre cataclismos e astronomia no antigo Egito em seu Livro Dois, capítulo 142:

“[…] Até agora os egípcios e seus sacerdotes contaram a história. E mostra­ram que já existiram 341 gerações de homens desde o primeiro rei até este último, o sacerdote de Hephaestus […] Bem, em todo esse tempo, 11.340 anos, disseram que o Sol se afastou de seu caminho correto em quatro ocasiões; e nasceu onde hoje se põe, e se pôs onde hoje nasce (quatro inversões dos polos magnéticos); mas nada no Egito foi alterado com isso, nem no que concerne ao rio ou aos frutos da terra, nem no que concerne às doenças ou à morte”.

Klaus_Dona-piramides
Pirâmides foram encontradas em todo o planeta.

Se Heródoto merece crédito, então a Terra deslocou-se ao redor de seu eixo polar, o que hoje chamamos de deslocamento polar. Com isso, o sol parece nascer em uma direção diferente da normal. Os deslocamentos polares são acompanhados de uma ampla gama de mudanças na superfície da Terra e de seve­ros fenômenos climáticos. Portanto, se os egípcios estavam familiariza­dos com esse tipo de ocorrência, e não tinham sido muito afetados pelos cataclismos, é possível que tenham se esforçado para aprimorar seus co­nhecimentos astronômicos, incluindo-se aí a colonização da Inglaterra e a construção de Stonehenge.

Com efeito, as magistrais mentes megalíticas colonizaram pratica­mente todo o planeta, do Egito à Inglaterra, Américas, Ilha de Páscoa e Tonga. Há megálitos em lugares remotos como a Manchúria, as Filipinas, a Mongólia e as colinas Assam, no nordeste da Índia. Houve época em que essas mentes magistrais estiveram por toda parte. Mas que tecnologia esses mestres construtores utilizavam?

Continua . . .


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