Dois mil anos depois de Jesus, João e Maria Madalena terem vivido as suas vidas, estranhamente importantes, num lugar remoto do Império romano, milhões de pessoas ainda acreditam na história, tal como ela é narrada nos Evangelhos. Para elas, Jesus era o Filho de Deus e de uma virgem, que encarnou como judeu, João Baptista era o seu precursor e subordinado espiritual e Maria Madalena era uma mulher de reputação duvidosa que Jesus curou e converteu. Contudo, a nossa investigação revelou que o quadro foi muito diferente. Jesus não era o filho de Deus nem era de religião judaica – embora, etnicamente, possa ter sido meio judeu. A evidência aponta para a sua pregação de uma mensagem estrangeira na terra em que ele montou a sua campanha e começou a sua missão…
CAPÍTULO XVII – DO EGITO – Livro “The Templar Revelation – Secret Guardians of the True Identity of Christ”, de Lynn Picknett e Clive Prince.
… Certamente, os seus contemporâneos consideravam-no um adepto da magia egípcia, uma perspectiva que também encontra expressão no Talmud judaico. Pode ter sido apenas um boato malicioso, mas vários eruditos, notavelmente Morton Smith, concordaram que os milagres de Jesus faziam parte integrante do repertório típico do mágico egípcio. Além disso, ele foi entregue a Pilatos com as palavras de que era «um malfeitor» – na lei romana, elas significavam, especificamente, um feiticeiro. João não reconheceu Jesus como Messias. Pode tê-lo batizado porque Jesus era um dos seus discípulos que tivesse subido na hierarquia e se tornasse o seu lugar-tenente. Contudo, qualquer coisa correu mal: João mudou de opinião e nomeou Simão, o Mago, como seu sucessor. Pouco depois, João foi morto.
Maria Madalena era uma sacerdotisa companheira de Jesus num casamento sagrado, tal como Helena era a de Simão, o Mago. A natureza sexual da sua relação é atestada em muitos dos textos gnósticos que a Igreja impediu que fossem incluídos no Novo Testamento. Ela era também a «Apóstola dos Apóstolos» e uma pregadora famosa – reagrupando os discípulos desmotivados depois da crucificação. Simão Pedro odiava-a, como odiava a todas as mulheres, e ela talvez tivesse fugido para França porque receava o que ele lhe pudesse fazer. E, embora seja impossível saber exatamente qual era a sua mensagem, é certo que ela teria apresentado pouca relação com o que é hoje conhecido por cristianismo. Fosse ela o que fosse, Maria Madalena não era uma pregadora cristã.
Na história dos Evangelhos, a influência egípcia é inegável: Jesus pode ter desempenhado conscientemente o papel de Messias judaico para ganhar apoio popular, mas ele e Maria Madalena parecem ter estado também a representar o mito de ÍSIS e OSÍRIS, provavelmente para fins iniciatórios. A magia egípcia e segredos esotéricos inspiraram a sua missão, e o seu mestre foi João Batista. Dois dos seus discípulos – o seu sucessor e a ex-prostituta Helena – eram o exato paralelo de Jesus e Maria Madalena. Talvez se pretendesse que o fossem. O conhecimento subjacente era sexual – o de horasis, iluminação através do sexo transcendental com uma sacerdotisa e que era um conceito familiar ao Oriente e também para além da fronteira do Egito.
Apesar das pretensões (manipulações) dos homens da Igreja, Pedro não era o mais próximo aliado de Jesus, nem – a julgar pelas repetidas vezes que não compreende as palavras do seu mestre – fazia parte do círculo interno. Se alguém era o sucessor de Jesus, era Madalena. (Devemos lembrar que eles divulgavam activamente as doutrinas e as práticas do já muito antigo culto de Ísis/Osíris e não qualquer gênero de heresia judaica, como muitas vezes se pensa.) Maria Madalena e Simão Pedro seguiram caminhos distintos, terminando um deles a fundar a Igreja de Roma e o outro a confiar os seus mistérios às gerações daqueles que compreenderam o valor do Princípio Feminino da Divindade: os «heréticos».
João, Jesus e Maria estavam inextrincavelmente associados pela sua religião (a do antigo Egito), que eles adaptaram à cultura judaica – tal como estavam Simão, o Mago, e Helena, que escolheram a Samaria como alvo da sua mensagem. Quem, definitivamente, não fazia parte deste círculo eram Simão Pedro e o resto dos doze.
Maria Madalena era venerada pelo movimento secreto europeu porque ela fundou a sua «Igreja» – não um culto cristão, no sentido geralmente atribuído ao termo, mas baseada na religião de Ísis/Osíris. Alguma coisa muito semelhante tinha sido pregada por Jesus e João. João era venerado pela mesma tradição de «heréticos» porque eles eram os descendentes espirituais diretos daqueles que o consideravam o seu «rei sacrificial», o mártir da sua causa que fora eliminado no seu apogeu. O choque e a atrocidade da sua morte foram sublinhados pelas circunstâncias muito duvidosas que a rodearam e pelo que foi considerada a subsequente manipulação impiedosa dos discípulos de João pelo seu velho rival.
Esta história, no entanto, tem outro aspecto. Como vimos, durante a vida de Jesus, corriam rumores de que Jesus praticara magia negra sobre Batista morto. Certamente, a obra de Carl Kraeling e de Morton Smith revelou que Herodes Antipas acreditava que Jesus escravizara a sua alma (ou consciência) para adquirir poderes mágicos, porque era a crença entre os mágicos gregos e romanos que o espírito de um homem assassinado era presa fácil para os feiticeiros – especialmente se eles possuíam uma parte do corpo da vítima. Se Jesus praticou, ou não, algumas destas cerimônias mágicas, os rumores de que a alma de João continuava a viver sob o controlo do seu inimigo de outrora não teria prejudicado o movimento de Jesus. Naquela era de magia, esse boato teria virtualmente assegurado que a maioria dos discípulos de João passaria a seguir Jesus, particularmente porque ele parecia possuir poderes milagrosos. E, como Jesus já dissera aos seus discípulos que João fora a encarnação do profeta Elias, as massas reconhecer-lhe-iam uma maior autoridade.
No entanto, apesar da noção peculiar dê um Jesus que era suposto ter detido o controle das almas de, pelo menos, dois outros profetas, o segredo da tradição secreta não está relacionado com ele. De fato, embora os heréticos venerem João e Madalena como verdadeiros indivíduos históricos, eles sempre os consideraram representantes de um antigo sistema de crenças. Para eles, o mais importante era o que eles representavam – como sumo-sacerdote e sacerdotisa suprema do Reino da Luz.
As duas tradições – uma centrada em Batista, a outra em Madalena – só se tornaram realmente discerníveis por volta do século XII, quando, por exemplo, os cátaros emergiram no Languedoc e os Templários atingiram o auge do seu poder. Há um aparente vazio na transmissão das tradições: é como se desaparecessem num buraco negro, entre os séculos IV e XII. Foi por volta de 400 d.C. que os textos de Nag Hammadi – que enfatizam o papel de Maria Madalena – foram enterrados no Egito: como vimos na Primeira Parte, ideias espantosamente semelhantes sobre a sua importância persistiam na França, tendo alguma influência sobre os cátaros. E, embora a Igreja de João aparentemente desaparecesse depois de 50 d.C., a continuação da sua existência pode deduzir-se das censuras dos padres da Igreja contra os sucessores de João – Simão, o Mago, e Dositeus – durante mais de duzentos anos. Depois, no século XII, esta tradição volta a emergir na veneração mística de João por parte dos Templários.
É impossível saber o que aconteceu às duas tradições durante aqueles anos perdidos, mas, no fim da nossa investigação, podemos arriscar formular uma hipótese. A «linha feminina» de Madalena continuou no Sul de França, embora os registros comprovativos tivessem sido destruídos durante a devastação sistemática da cultura do Languedoc, que acompanhou a cruzada cátara. Mas os ecos desta tradição chegaram até nós através das crenças cátaras sobre a relação de Madalena com Jesus e do panfleto Schwester Katrei, de influência cátara, cujas ideias foram, em parte, inspiradas palos textos de Nag Hammadi. É possível que a tradição de João sobrevivesse autonomamente no Médio Oriente, através dos antepassados dos mandeístas e dos nosairi, contudo, sabemos que, séculos depois, ela chegou à Europa. Quem compreendeu o seu valor e decidiu manter, secretamente, as suas crenças?
Mais uma vez, encontramos a resposta nos guerreiros-monges, os Cavaleiros Templários, cujas operações militares no Oriente Médio escondiam as suas investigações, orientadas para o conhecimento esotérico. Os Cavaleiros Templários introduziram a tradição joanina na Europa para a combinar com a de Madalena, dando sentido, assim, ao que podia parecer serem mistérios masculinos e femininos distintos. E devemos lembrar que os primeiros nove Cavaleiros Templários emergiram da cultura da região francesa do Languedoc, o coração e a alma do culto de Madalena – e, segundo a tradição ocultista, eles aprenderam os seus segredos «com os joaninos do Oriente».
Na nossa opinião, é muitíssimo improvável que o fato dos Templários unirem estas duas tradições fosse uma mera coincidência. Afinal, o seu objetivo primordial era encontrar e aplicar o conhecimento mais arcano. Hughes de Payens e os seus oito cavaleiros-monges partiram para a Terra Santa com um propósito em mente: partiram em busca do poder do conhecimento e podiam também ter procurado algum artefato de grande valor, que não era provável que fosse apenas monetário. Os Templários pareciam conhecer a existência da tradição joanina antes de a encontrarem, mas ninguém sabe como tiveram conhecimento dela.
É evidente que estava em jogo muito mais do que uns vagos ideais religiosos: os Templários não passavam de pessoas práticas – primordialmente interessados na aquisição de poder material – e o castigo por proteger as suas crenças secretas foi inconcebivelmente horrível. Nunca é de mais insistir em que estas crenças não eram apenas umas noções espirituais que eles decidiram adotar para o bem das suas almas. Estas eram segredos mágicos e alquímicos que, no mínimo, lhes deram a vantagem do que, atualmente, chamaríamos ciência. Certamente, a superioridade do seu conhecimento em matérias como a geometria e a arquitetura sagradas encontram expressão nas catedrais góticas, que ainda existem, esses livros secretos de pedra que contêm os frutos das suas aventuras no mundo esotérico. Com a sua rede de arrasto do conhecimento do mundo, os Templários pretendiam alargar a sua compreensão de astronomia, de química, de cosmologia, navegação, construção naval, medicina e matemática – cujos benefícios são evidentes.
Mas os Cavaleiros Templários eram ainda mais ambiciosos na sua demanda do conhecimento escondido – oculto: eles procuravam as respostas para as grandes questões eternas. E, na alquimia, eles podem ter encontrado, pelo menos, algumas dessas respostas. Essa ciência misteriosa que eles abraçaram foi sempre considerada como a fonte dos segredos do prolongamento da própria vida, da longevidade, se não mesmo da verdadeira imortalidade física. Longe do simples alargamento dos seus horizontes filosóficos ou religiosos, os Templários pretendiam o poder último: o verdadeiro domínio do próprio tempo, da tirania da vida e da morte.
Aos Templários sucederam-se gerações e gerações de «heréticos» que aceitaram o desafio e continuaram a tradição com igual fervor. Estes segredos fanaticamente mantidos e perseguidos, obviamente, tinham um fascínio que inspirou números incalculáveis de pessoas a arriscar tudo – mas o que era? O que havia nas tradições joanina e de Madalena que despertava tanto zelo e devoção? Não há uma resposta única a estas perguntas, mas há três respostas possíveis. A primeira é que as histórias de Madalena e de João Batista revelam, entre si, o que o «cristianismo» – a missão original de ambos – devia ter sido, em forte contraste com o que, de fato, se tornou.
Enquanto à sua volta homens e mulheres eram aviltados e sexualmente degradados e os sacerdotes detinham as chaves do Céu e do inferno, os heréticos procuravam conforto e iluminação nos segredos de Batista e de Madalena. Por intermédio destes dois «santos», eles podiam aderir secretamente à linha ininterrupta de crentes gnósticos e pagãos que remontava ao antigo Egito (e, possivelmente, ainda mais antiga): como explicava Giordano Bruno, a religião egípcia era muito superior ao cristianismo, em todos os aspectos; e, como vimos, um Templário, pelo menos, rejeitou o símbolo primário do cristianismo, a cruz, por ser «demasiado nova».
Em vez do severo patriarcado de Pai, Filho e Espírito Santo (agora masculino), os adeptos desta tradição secreta encontravam o equilíbrio natural na antiga trindade de Pai, Mãe e Filho. Em vez de se sentirem culpabilizados relativamente ao sexo, eles sabiam, por experiência própria, que ele era, de fato, uma porta de acesso a Deus. Em vez dos sacerdotes os informarem sobre o estado das suas almas, eles encontraram a salvação pela gnose direta ou conhecimento do divino. Tudo isto era punível com a morte durante grande parte dos últimos dois mil anos, e tudo isto provinha das tradições secretas de Batista e de Madalena. Não admira que eles tivessem de ser mantidos secretos.
A segunda razão do continuado fascínio destas tradições é que estes heréticos também mantinham vivo o conhecimento. Atualmente, é muito fácil subestimar o simples poder de aprender ao longo da maior parte da história. A invenção da imprensa causou furor e mesmo a capacidade de ler e escrever – especialmente no caso das mulheres – era rara e considerada pela Igreja com a mais grave suspeita. Contudo, esta tradição secreta encorajou ativamente um desejo ardente de conhecimento, mesmo entre as mulheres: os alquimistas, tanto homens como mulheres, trabalhavam longas horas atrás de portas fechadas, para descobrir grandes segredos que cruzavam as fronteiras entre magia, sexo e ciência – e, frequentemente, pareciam tê-los descoberto.
A linha ininterrupta desta tradição secreta incluía os construtores das pirâmides, talvez mesmo os que ergueram a esfinge, os que construíam segundo os princípios da geometria sagrada e cujos segredos encontraram expressão na impressionante beleza das grandes catedrais góticas. Estes eram os criadores de civilização, protegendo-a através da tradição secreta. (Certamente, não é por coincidência que se supunha que Osíris tinha concedido à Humanidade o conhecimento necessário para a cultura e a civilização.) E, como revelam as recentes obras de Robert Bauval e Graham Hancock, os antigos egípcios possuíam conhecimento científico que ultrapassava o da nossa época. Uma parte inextricável desta sucessão de cientistas heréticos eram os herméticos renascentistas, cuja exaltação da SOPHIS (Sabedoria), demanda de conhecimento e fé na natureza divina do Homem se tinham desenvolvido, originariamente, a partir das mesmas raízes do gnosticismo.
Alquimia, hermetismo e gnosticismo, todos remontavam inevitavelmente à Alexandria do tempo de Jesus, onde fermentava uma extraordinária mistura de idéias. E, assim, verificamos que estas mesmas ideias impregnam a Pistis Sophia, o Corpus Hermeticum de Hermes Trismegisto, o que resta das obras de Simão, o Mago, e os textos sagrados mandeístas. Como vimos, Jesus fora explicitamente associado à magia do Egito, e Batista e os seus sucessores, Simão, o Mago, e Dositeus também foram referidos como «graduados» das escolas ocultistas da Alexandria. E todas as tradições esotéricas ocidentais remontam à mesma raiz.
Seria um erro, no entanto, considerar que o conhecimento procurado pelos Templários, ou pelos herméticos, fosse apenas o que, atualmente, chamaríamos filosofia – ou mesmo ciência. É verdade que estas disciplinas faziam parte do que eles desejavam ardentemente, mas a tradição secreta tem uma outra dimensão, que seria errado omitir. Subjacente a todos os esforços arquitetônicos, científicos e artísticos dos heréticos, havia uma apaixonada demanda de poder mágico. A indicação quanto ao motivo por que este poder era tão importante para eles podia residir nos rumores da «escravização mágica» de João, praticada por Jesus? Talvez seja significativo que os Templários cuja veneração pelo Batista era conhecida como inultrapassável fossem acusados de adorar uma cabeça decepada, nos seus rituais mais secretos.
A questão da validade e eficácia (ou não) da magia cerimonial ultrapassa o âmbito deste livro: o que importa é o que outros acreditaram ao longo dos séculos e que papel desempenhou nos seus motivos, nas suas conspirações e nos planos que puseram em prática. O ocultismo era a verdadeira força motivadora que inspirou pensadores aparentemente «racionalistas» – tal como Leonardo da Vinci e Sir Isaac Newton – e o círculo interno de organizações como os Cavaleiros Templários, alguns capítulos da maçonaria e o Priorado de Sião. E esta longa sucessão de mágicos secretos – magos – pode ter incluído Batista e Jesus.
Segundo uma das menos conhecidas histórias do Graal, o objeto da demanda é a cabeça decepada de um homem com barba, colocada sobre um prato. Era isto uma referência à cabeça de João, ao estranho poder encantado que se supunha possuir e conferir a quem a encontrasse? Mais uma vez, é demasiado fácil ceder ao ceticismo do final do século XX. O que é importante é que, de algum modo, a cabeça de João era considerada não só sagrada mas também mágica.
Os celtas também tinham uma tradição de cabeças decepadas, mas, de modo mais pertinente, no Templo de Osíris, em Abydos, conservava-se uma cabeça decepada que era suposto fazer profecias. Noutro mito associado, a cabeça de outro deus-que-morre-e- ressuscita, Orfeu, deu à costa de Lesbos, onde começou a profetizar o futuro. (E é apenas mera coincidência que um dos mais enigmáticos e surrealistas dos filmes de Jean Cocteau fosse Orphée?)
No falso Sudário de Turim, Leonardo representou «Jesus» como decapitado. A princípio, pensamos que isso não era mais do que um recurso visual para transmitir a ideia de que, na opinião joanina herética de Leonardo, aquele que foi decapitado estava (moral e espiritualmente) «acima» do que foi crucificado. Certamente, a linha de demarcação entre a cabeça e o corpo do «homem do Sudário» era deliberada, mas Leonardo podia estar a sugerir outra coisa. Talvez a linha fosse uma referência à ideia de que Jesus possuía a cabeça de João e que, de algum modo, ele o absorvera, tornando-se – nas palavras de Morton Smith – «Jesus-João». Lembremos que, no cartaz do Salon de la Rose Croix, no século passado, Leonardo é representado como Guardião do Graal.
Vimos que, na obra de Leonardo, o indicador levantado simboliza Batista: João faz este gesto na última pintura de Leonardo e na sua escultura de João, que se encontra em Florença. Este gesto não é muito invulgar, porque outros artistas representaram João deste modo, mas, na obra de Leonardo, outras figuras além do próprio João são representadas fazendo este gesto, no que se destina claramente a ser um sinal para lembrar Batista.
Na Adoração dos Magos, a figura que se encontra junto das grandes raízes da alfarrobeira (que, tradicionalmente, simboliza João) aponta o dedo na direção da Virgem e do menino; Isabel, mãe de João, faz o mesmo gesto, apontando para o rosto da Virgem em A Virgem e o Menino com Santa Ana, e, na Última Ceia, o discípulo, que de forma tão rude está olhando para Jesus, aponta o indicador de forma inequívoca.
E, embora possa estar a dizer, de fato, «Os discípulos de João não esquecem», este motivo repetido pode ser também uma referência a uma relíquia verdadeira – ao dedo de João, considerado como uma das mais preciosas das supostas relíquias dos Templários. (Na pintura de Nicolas Poussin La Peste d’Azoth – A Peste de Azoth -, uma enorme estátua representa um homem com barba que tem uma mão e a cabeça decepadas. Mas o dedo indicador da mão decepada é representado fazendo especificamente o «gesto de João».
Continua . . .







