Existem milhares de navios na frota global de petroleiros, algumas estimativas apontam para quase 9.000 (sem contar os navios de apoio a sanções). Apenas uma fração deles está aguardando para entrar ou sair do estreito de Ormuz, que está totalmente bloqueado pelo Irã. Em contrapartida, a frota global de navios tanque transportadores de GNL representa uma fração ínfima, e atualmente a maior parte dela está presa dentro do Golfo Pérsico.
Fonte: Zero Hedge
Segundo o WSJ, pelo menos 20 navios metaneiros — cerca de metade da frota global disponível — estão presos no Golfo Pérsico, com os custos diários de frete disparando devido ao aumento da demanda da Ásia, de acordo com corretores de navios. A Bloomberg lista os seguintes navios metaneiros que estão transmitindo suas posições:
- Al Rayyan
- Al Kharaitiyat
- Umm Al Amad
- Lebrethah
- Gaslog Skagen
- Sohar Lng
- Disha
- Al Daayen
- Mubaraz
- Al Sahla
- Rasheeda
- Patris
- Seapeak Bahrain
- Fuwairit
- Mihzem
- Mraikh
- Al Ghashamiya
A maioria está localizada perto da costa dos Emirados Árabes Unidos:

“A situação é grave e terá um impacto duradouro no mercado, independentemente da rapidez com que o conflito termine”, disse Kostas Karathanos, diretor de operações da Gaslog, empresa sediada em Atenas que opera 34 navios-tanque de gás, ao The Wall Street Journal.
Cerca de 20% das exportações globais de GNL provêm dos países do Golfo. No momento, porém, apenas um pequeno número de navios consegue atravessar o Estreito de Ormuz, e instalações de produção como as operadas pela QatarEnergy foram atacadas e tiveram suas atividades interrompidas.
Corretores de navios disseram que os 20 navios presos no Golfo Pérsico representam quase metade de todos os navios de GNL atualmente disponíveis para fretamento, com diárias subindo para mais de US$ 200.000, ante menos de US$ 98.000 antes do início das hostilidades com o Irã.
Operadores do setor energético esperam que os preços do GNL subam no início da próxima semana, somando-se à alta de 40% registrada esta semana na Ásia e na Europa. “O impacto no transporte de GNL persistirá por alguns meses após o fim do conflito”, afirmou Karathanos.
Em meio à corrida para adquirir GNL, mais carregamentos destinados à Europa estão sendo desviados para a Ásia. Pelo menos nove cargas inicialmente direcionadas à Europa mudaram de rota para a Ásia desde o início dos conflitos, de acordo com dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg, com a tendência se acelerando nos últimos dias. Uma reserva de oferta está se esgotando rapidamente, ameaçando aumentar a concorrência e os preços em ambas as regiões.
Para agravar a situação, fornecedores de GNL, incluindo a Shell Plc, estão declarando força maior para clientes em toda a Ásia devido à interrupção do fluxo proveniente do Oriente Médio, segundo fontes com conhecimento do assunto. Isso ilustra um crescente efeito cascata em todo o mercado global de gás.
Sem praticamente nenhum navio-tanque disponível para transportar cargas, os compradores asiáticos de GNL estão se preparando para a possibilidade de a guerra no Oriente Médio interromper as entregas por meses, segundo a Bloomberg.
Segundo operadores com conhecimento do assunto, empresas na Tailândia estão buscando comprar carregamentos de GNL para entrega até maio. Bangladesh comprou remessas para abril e está considerando adquirir combustível também para maio, disseram os operadores. Grandes compradores em Taiwan e na Coreia do Sul também estão se preparando para comprar mais suprimentos para esses dois meses.

Essas medidas demonstram que os importadores asiáticos não contam com uma resolução rápida da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, e que a paralisação no Catar, responsável por 20% do fornecimento mundial de GNL, deverá se prolongar. Quanto mais tempo a planta permanecer fechada, pior será o impacto no abastecimento, já que não há rota alternativa para exportar o combustível, nem capacidade ociosa em outros locais para suprir a produção perdida.
As empresas precisam elaborar planos de contingência para se prepararem para uma interrupção de 2 a 4 meses, afirmou Dai Jiaquan, economista chefe do Instituto de Pesquisa Econômica e Tecnológica da CNPC, em uma cúpula da Bloomberg NEF em Pequim, na quinta-feira.
O Catar fechou as instalações de exportação de Ras Laffan na semana passada após um ataque de drones iraniano, desestabilizando o mercado e fazendo disparar o preço do gás na Europa e na Ásia. Diversas empresas, incluindo a Shell Plc, declararam força maior em seus embarques de GNL catariano para clientes na Ásia.
Pelo menos nove carregamentos de GNL com destino à Europa foram redirecionados para a Ásia desde o início dos conflitos, de acordo com dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg, depois que compradores asiáticos ofereceram preços mais altos do que seus concorrentes na Europa.
Entretanto, Taiwan — que precisa desesperadamente de GNL para conversão em hélio, um componente crítico para a fabricação de chips da Taiwan Semiconductor — começou a garantir o fornecimento alternativo de GNL para maio, afirmou a porta-voz do gabinete, Michelle Lee, em uma coletiva de imprensa em Taipei na quinta-feira. A ilha já garantiu o abastecimento para março e abril, acrescentou Lee.
A Índia, que importa cerca de metade do seu GNL do Catar, tem se esforçado para obter carregamentos alternativos com entrega imediata, disseram operadores do mercado. A Gail India Ltd. conseguiu reservar um carregamento de GNL para março na terça-feira, após algumas tentativas frustradas, enquanto outras empresas ainda estão buscando alternativas, afirmaram.



