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As Digitais dos deuses: (10) A Cidade no Portal do Sol

Posted by on 20/07/2021

Os primeiros viajantes espanhóis que visitaram a cidade boliviana arruinada de Tiahuanaco à época da conquista ficaram impressionados com o tamanho de seus edifícios e com a atmosfera de mistério que os envolvia. “Perguntei aos nativos se esses edifícios haviam sido construídos nos tempos dos incas”, escreveu o historiador Pedro Cieza de Leon.

“Eles riram ao ouvir a pergunta, declarando que haviam sido levantados muito tempo antes do reinado inca… e que tinham ouvido de seus antepassados que tudo o que ali se via aparecera de repente, no curso de uma única noite…” Outro visitante espanhol do mesmo período registrou uma tradição que dizia que as pedras haviam sido levantadas milagrosamente do chão:

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Livro “AS DIGITAIS dos DEUSES”, uma resposta para o mistério das origens e do fim da civilização

Por Graham Hancock, livro AS DIGITAIS DOS DEUSES, Tradução de Ruy Jungmann, editora Record 2001.

CAPÍTULO 10 – A Cidade no Portal do Sol

“Elas foram levadas pelo ar ao som de uma trombeta”. Não muito depois da conquista, uma descrição detalhada da cidade foi feita pelo historiador Garcilaso de la Vega. Não ocorrera ainda qualquer pilhagem em busca de tesouros ou de material de construção e, embora corroído pelos dentes do tempo, o local continuava magnífico o suficiente para tirar-lhe o fôlego:

Temos que dizer agora alguma coisa sobre os prédios quase inacreditáveis de Tiahuanaco. Lá existe uma colina artificial, de grande altura, erigida sobre fundações de pedra, de modo que a terra não deslizará. Existem figuras gigantescas esculpidas em pedra… grandemente desgastadas pelas intempéries, o que lhes demonstra a grande antiguidade. Há paredes feitas de pedras tão enormes que é difícil imaginar que força humana poderia tê-las assentado. E há ruínas de edifícios estranhos, sendo os mais notáveis os portais de pedra, cortados na rocha bruta, repousando em bases que chegam a ter até 12m de comprimento, por 4,5m de largura e uma espessura de 1,80m, sendo base e portal talhados em uma única peça (…) Como, e com uso de que ferramentas ou implementos, obras maciças de tal tamanho poderiam ter sido realizadas são perguntas que não temos como responder (…) Nem podemos imaginar como pedras tão enormes poderiam ter sido trazidas para aqui…

Essas palavras foram escritas no século XVI. Mais de 400 anos depois, em fins do século XX, senti-me tão confuso como Garcilaso. Espalhados em volta de Tiahuanaco, desafiando saqueadores que haviam pilhado tanto o local em anos recentes, há ainda monólitos tão grandes e difíceis de transportar, mas também tão bem talhados, que quase parecem obra de seres superiores.

As ruínas de Tiahuanaco

O Templo Rebaixado

Tal como um discípulo aos pés do mestre, sentei-me no chão do templo rebaixado e ergui os olhos para a face enigmática que todos os estudiosos de Tiahuanaco acreditam ter sido modelada para representar Viracocha. Há séculos incontáveis, mãos desconhecidas lhe haviam talhado o semblante em um alto pilar de rocha vermelha. Embora muito corroído atualmente, é o semblante de um homem em paz consigo mesmo. E o semblante de um homem poderoso… Tinha testa alta e grandes olhos redondos, nariz afilado, estreito no cavalete, mas abrindo-se na direção das narinas. Lábios carnudos. O aspecto característico, porém, era a barba estilizada e imponente, que produzia o efeito de tornar-lhe o rosto mais largo no queixo do que nas têmporas.

Olhando com mais atenção, notei que o escultor representara um homem cuja pele fora raspada em volta de toda a boca, com o resultado de que o bigode começava alto nas maçãs do rosto, aproximadamente paralelo à ponta do nariz. Dessa posição, curvava-se de forma extravagante para baixo, ao lado dos cantos da boca, formando um cavanhaque exagerado, seguindo depois a linha do queixo e voltando às orelhas. Acima e abaixo das orelhas, nos lados da face, haviam sido esculpidas estranhas representações de animais. Ou talvez fosse melhor descrevê-Ias como representações de animais estranhos, uma vez que pareciam grandes e desajeitados mamíferos pré-históricos com grossas caudas e pés ungulados. Mas havia outros pontos dignos de interesse.

A figura em pedra de Viracocha, por exemplo, havia sido esculpida com as mãos e os braços cruzados, um embaixo do outro, sobre um manto longo e ondulante. Em cada lado do manto aparecia a forma sinuosa de uma serpente    desenroscando-se para cima, do nível do chão até o nível do ombro. Enquanto olhava para a bela representação (cujo original talvez tivesse sido bordado em tecido nobre), a imagem que se formou em minha mente foi a de Viracocha como bruxo ou feiticeiro, uma figura barbuda, parecida com Merlin, usando trajes estranhos e maravilhosos, invocando o fogo dos céus.

O “templo” onde se encontra o pilar de Viracocha abre-se para o céu e consiste em um grande buraco retangular, como se fosse uma piscina, escavado a 1,80m abaixo do nível do chão. O chão, de cerca de 12m de comprimento por 9m de largura, é composto de cascalho duro e liso. Suas fortes paredes verticais são formadas de blocos de pedra de cantaria de tamanhos variados, fortemente unidos, sem argamassa nas juntas e entremisturado com estelas altas e de acabamento tosco. Um conjunto de degraus fora escavado na parede sul e por eles eu descera para a estrutura.

Dei várias voltas em torno da figura de Viracocha, ocasionalmente pondo os dedos no pilar de pedra, aquecido pelo sol, tentando descobrir-lhe a finalidade. O pilar tinha talvez 2,10m de altura e estava virado para o sul, dando as costas para a velha praia do lago Titicaca (originalmente a menos de 180m de distância). Alinhados atrás desse obelisco central, além disso, havia dois outros, de menor estatura, possivelmente destinados a representar os lendários companheiros de Viracocha.

As três figuras, severa e funcionalmente verticais, lançavam sombras de contornos nítidos no chão, enquanto eu as observava, pois o sol já ultrapassara o zênite. Sentei-me novamente no chão e olhei devagar em volta do templo, dominado pela figura de Viracocha, como se ele fosse o maestro de uma orquestra. Ainda assim, seu aspecto mais notável estava em outro local: forrando as paredes, em pontos e alturas variadas, havia dezenas e dezenas de cabeças humanas esculpidas em pedra. Eram cabeças completas, projetando-se tridimensionalmente das paredes. São várias, diferentes (e contraditórias) as opiniões dos estudiosos sobre a função a que se destinavam.

Pirâmide

Do chão do templo rebaixado, olhando para o oeste, vi uma imensa muralha, na qual havia um impressionante portal geométrico feito de grandes placas de pedra. Aparecendo em silhueta no portal e iluminado pelo sol de fins da tarde, distingui a figura de um gigante. A muralha, eu sabia, cercava uma área com as dimensões de um campo de parada, chamada Kalasasaya (palavra que na língua aymara local significa simplesmente “Lugar das Grandes Pedras em Pé”). E o gigante era uma das imensas peças de escultura corroídas pelo tempo mencionadas por Garcilaso de la Vega. Embora ansioso para examiná-ça, tive a atenção desviada no momento para a direção sul e para uma colina artificial, de uns 15m de altura, que se situava quase diretamente à minha frente, enquanto eu subia os degraus, deixando o templo rebaixado.

A colina, que Garcilaso mencionara também, era conhecida como Pirâmide de Akapana. Tal como as pirâmides de Gizé, no Egito, ela estava orientada com uma precisão surpreendente para os pontos cardeais. Mas, ao contrário daquelas pirâmides, seu projeto era um tanto irregular. Ainda assim, ela media aproximadamente 210m de cada lado, o que lhe dava a característica de uma enorme peça de arquitetura e a condição de principal edifício de Tiahuanaco. Caminhei em sua direção e passei algum tempo dando uma volta em torno dela e passando por cima de seu cume. Originalmente, a estrutura fora uma pirâmide escalonada de terra, recoberta com grandes blocos de andesita.

Nos séculos transcorridos desde a conquista, porém, a pirâmide foi explorada como pedreira por empresas de construção civil situadas tão longe quanto La Paz, com o resultado de que só sobravam uns 10% dos soberbos blocos do revestimento. Que pistas, que provas, esses ladrões anônimos levaram? Galgando as faces dilapidadas e andando em volta das grandes fossas cobertas de relva no cume da Akapana, dei-me conta de que, com toda probabilidade, a verdadeira função da pirâmide jamais seria conhecida. De certo apenas o fato de que não fora simplesmente decorativa ou cerimonial. Bem ao contrário, quase parecia que poderia ter funcionado como algum tipo de “dispositivo” ou máquina arcana.

Bem no fundo de suas entranhas, arqueólogos descobriram uma rede complexa de dutos de pedra, em ziguezague, revestidos com finas peças de cantaria. Essas peças haviam sido colocadas em ângulos precisos e juntadas (com uma tolerância de cinco milímetros), e servido para trazer para baixo a água de um grande reservatório no topo da estrutura, através de uma série de níveis descendentes, até um fosso que cercava todo o local e que tocava a base da pirâmide em sua face sul. Tanto cuidado e atenção haviam sido prodigalizados em todo esse sistema hidráulico, e tantos homens-hora de trabalho altamente especializado e paciente, que Akapana não fazia sentido, a menos que tivesse sido construída para uma finalidade importante.

Vários arqueólogos, isso eu sabia, tinham especulado que a finalidade poderia ter estado ligada a um culto de chuva ou de rio, implicando veneração primitiva pelos poderes e atributos da água corrente. Uma sugestão de natureza sinistra, implicando que a “tecnologia” desconhecida da pirâmide poderia ter servido a uma finalidade letal, baseava-se no significado das palavras Hake e Apana, na antiga língua aymara, ainda falada no local: “Hake significa ‘povo’ ou ‘homens’; Apana significa ‘morrer’ (provavelmente por ação da água). Akapana, por conseguinte, seria um local onde pessoas morreriam..” Outro comentarista, depois de fazer uma cuidadosa investigação de todas as características do sistema hidráulico, propôs uma solução diferente, isto é, que as calhas tinham sido, com maior probabilidade, parte de “uma técnica de processamento – de uso de água corrente para lavagem de minério, talvez?” (nota Thoth: Sim, de ouro extraído pelos Anunnaki, que construíram o sistema todo)

Portal do Sol

Deixando a face oeste da enigmática pirâmide, dirigi-me para o canto sudoeste do espaço fechado conhecido como Kalasasaya. Nesse momento, compreendi por que o local fora denominado de Lugar de Pedras em Pé, pois era isso exatamente o que eu via. A intervalos regulares, em uma muralha construída com volumosos blocos trapezoidais, imensos monólitos em forma de adaga, de mais de 3,60m de altura, haviam sido plantados na terra vermelha do altiplano. O efeito era o de uma gigantesca paliçada, de quase 45m2, erguendo-se cerca de umas duas vezes mais acima do solo quanto o templo rebaixado fora escavado abaixo. Teria o Kalasasaya sido uma fortaleza?

Aparentemente, não. De modo geral, estudiosos aceitam hoje a idéia de que o local funcionara como um sofisticado observatório celeste. Em vez de manter inimigos ao largo, sua finalidade fora a de fixar equinócios e solstícios e de prever, com precisão matemática, as várias estações do ano. Algumas estruturas no interior das muralhas (e, na verdade, as próprias muralhas) pareciam ter sido alinhadas com determinados grupos de estrelas e projetadas de modo a facilitar a medição da amplitude do sol no verão, inverno, outono e primavera. Além disso, o famoso “Portal do Sol”, que se situa no canto noroeste do espaço fechado, era não só uma obra de arte de classe mundial, mas também considerado pelos que o haviam estudado como um calendário complexo e exato entalhe em pedra:

Um calendário astronômico exato no cálculo dos equinócios e solsticios

Quanto mais estudamos a escultura, maior se torna nossa convicção de que a disposição peculiar e o pictorialismo desse Calendário não poderiam ter sido, de forma nenhuma, apenas resultado do capricho, em última análise insondável, de um artista, mas que seus glifos, revestidos de profundo sentido, constituem registro eloqüente das observações e cálculos de um cientista astrônomo… O Calendário não poderia ter sido desenhado e esculpido de qualquer outra maneira.

A pesquisa preliminar que realizei deixou-me muito curioso sobre o Portal do Sol e, na verdade, sobre o Kalasasaya como um todo. Acontecia isso porque certos alinhamentos astronômicos e solares, que estudaremos no capítulo seguinte, tornavam possível calcular o período aproximado em que o Kalasasaya deveria ter sido construído. Esses alinhamentos sugeriam a controvertida data de 15.000 a.C. – ou cerca de dezessete mil anos passados (cerca de seis mil anos ANTES do dilúvio).


Mais informações, leitura adicional:

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