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As Digitais dos deuses (33) – Pontos Cardeais

Posted by on 11/07/2019

Cruzamos o saguão deserto do hotel e entramos no Fiat branco que nos esperava. O carro era dirigido por um egípcio magro e nervoso chamado Ali, que nos devia fazer passar pelos guardas estacionados na Grande Pirâmide e nos tirar de lá pouco antes do amanhecer. Ele estava nervoso porque, se as coisas dessem errado, Santha e eu seríamos deportados do Egito e ele iria mofar na prisão durante seis meses. Claro, ninguém esperava que as coisas dessem errado. E esse era o motivo por que Ali ia nos levar.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Livro “AS DIGITAIS dos DEUSES”, uma resposta para o mistério das origens e do fim da civilização

Por Graham Hancock, livro “AS DIGITAIS DOS DEUSES”, Tradução de Ruy Jungmann, editora Record 2001.

Parte VI – Convite a Gizé – Egito

CAPÍTULO 33 – Pontos Cardeais

Gizé, Egito, 16 de março de 1993, 3h30min.

No dia anterior, déramos a ele 150 dólares americanos, que ele trocara por libras egípcias e distribuíra entre os guardas apropriados. Eles, por seu lado, tinham concordado em ignorar nossa presença nas duas horas seguintes. Fomos de carro até uns 800m da pirâmide e, em seguida, andamos o resto do caminho – em volta do lado do aterro íngreme que fica a cavaleiro da aldeia de Nazlet-el-Saman e leva à face norte do monumento.

Nenhum de nós falou muito, enquanto andávamos com dificuldade pela areia solta, guardando distância das luzes de segurança. Sentíamos-nos simultaneamente nervosos e apreensivos. Ali não tinha absolutamente certeza de que o suborno iria funcionar. Durante algum tempo, permanecemos imóveis nas sombras, olhando para o volume monstruoso da pirâmide, adentrando a escuridão acima e bloqueando as estrelas situadas na parte sul do céu. Logo depois, uma patrulha de três homens armados com espingardas e entolados em cobertores para proteger-se do frio da noite, apareceu no canto nordeste, a uns 45m de distância, onde o grupo parou para dividir as tragadas de um cigarro.

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Indicando com um gesto que devíamos ficar calados, Ali saiu para a luz e dirigiu-se aos guardas. Conversou com eles durante vários minutos, falando, ao que parecia, em tom acalorado. No fim, chamou-nos com um gesto, indicando que devíamos ir ao seu encontro. – Há um problema – explicou. – Um deles, o capitão aqui [indicou um tipo baixo, barba por fazer, despenteado, com ar aborrecido], está insistindo em que a gente pague mais trinta dólares, ou então nada feito. O que é que o senhor vai fazer? Enfiei a mão no bolso, tirei a carteira, contei trinta dólares e entreguei-os a Ali. Ele dobrou-os e entregou-os ao capitão. Com um ar de dignidade ofendida, o capitão enfiou o dinheiro no bolso da camisa e, finalmente, todos nós trocamos apertos de mão. – Tudo bem – disse Ali. – Vamos.

Precisão Inexplicável

Enquanto os guardas continuavam a ronda na direção oeste, ao longo da face norte da Grande Pirâmide, demos a volta em torno do canto norte e seguimos ao longo da base da face leste. Há muito tempo eu adquirira o hábito de me orientar de acordo com os lados do monumento. A face norte era alinhada, de modo quase perfeito, com o norte verdadeiro, a face leste quase perfeitamente com o leste verdadeiro, a sul com o sul verdadeiro e a oeste com o oeste verdadeiro. O erro médio era de apenas três minutos de arco (que caía para menos de dois minutos na face sul) – uma precisão incrível para qualquer prédio, em qualquer época, e façanha inexplicável, quase sobrenatural, no Egito há 4.500 anos (de acordo com os “eruditos acadêmicos”), quando se supõe que a pirâmide tenha sido construída.

Um erro de três minutos de arco representa um desvio infinitesimal do número verdadeiro, de menos de 0,015%. Na opinião de engenheiros especializados em estrutura, com os quais conversei sobre a Grande Pirâmide, era impossível compreender a necessidade de tal precisão. Do ponto de vista deles, como construtores práticos, a despesa, dificuldades e tempo gasto para conseguir essa precisão não teria sido justificada pelos resultados aparentes: mesmo que a base do monumento tivesse se desviado nada menos que dois ou três graus do verdadeiro (um erro de, digamos, 1 %), a diferença para o olho nu teria sido pequena demais para ser notada. Por outro lado, a diferença na magnitude dos trabalhos necessários (para conseguir uma precisão de três minutos, em contraste com três graus) teria sido imensa.

Obviamente, por conseguinte, os mestres-construtores que ergueram a pirâmide no próprio alvorecer da civilização humana deviam ter tido poderosos motivos para querer os alinhamentos em consonância com a direção dos pontos cardeais. Além disso, uma vez que haviam atingido esse objetivo com uma precisão espantosa, eles deveriam ter sido altamente qualificados, gente culta e competente, com acesso a excelente equipamento de topografia. Essa impressão é confirmada por muitas das demais características do monumento. Os lados na base, por exemplo, são quase exatamente do mesmo comprimento, com uma margem de erro muito menor do que se esperaria que arquitetos modernos conseguissem hoje na construção de, digamos, um bloco de escritórios de tamanho médio. Mas não havia ali um bloco de escritórios, mas a Grande Pirâmide do Egito, uma das maiores estruturas jamais construídas pelo homem e uma das mais antigas.

Seu lado norte tem 230m e 12cm de comprimento; o lado oeste, 230,23m; o lado leste, 230,26m; e o lado sul, 233,247m. Isso significa que há uma diferença de menos de 20cm entre seus lados mais curto e mais longo, erro este que equivale a uma fração minúscula de 1 % no comprimento médio dos lados, de 230,75m. Repetindo, eu sabia que, do ponto de vista de engenharia, os duros números nenhuma justiça faziam ao imenso cuidado e perícia requeridos para obtê-los. Eu sabia, também, que os estudiosos não haviam chegado a uma explicação convincente de como exatamente os construtores da pirâmide mantiveram invariavelmente esses altos padrões de precisão. O que realmente me interessava, porém, era um ponto de interrogação ainda maior no tocante a outra questão: por que impuseram a si mesmos padrões tão rigorosos?

Se tivessem permitido uma margem de erro de 1 a 2% – em vez de menos de um décimo de 1 % – eles poderiam ter simplificado o trabalho sem nenhuma visível perda de qualidade. Por que não haviam feito isso? Por que tinham insistido em tornar as coisas tão difíceis? Por que, em suma, em um monumento de pedra supostamente “primitivo”, construído há mais de 4.500 anos, estávamos vendo essa observância obsessiva de padrões de precisão da idade da máquina?

Buraco Negro na História

Nosso plano era escalar a Grande Pirâmide – algo que fora considerado absolutamente ilegal desde 1983, quando quedas desastrosas de vários turistas temerários obrigara o governo do Egito a baixar uma proibição. Eu reconhecia que estávamos sendo também temerários (em especial por tentar a escalada à noite) e não me sentia lá muito bem em infringir o que era basicamente uma lei sensata. Por essa altura, contudo, meu interesse profundo pela pirâmide e o desejo de aprender tudo que pudesse sobre ela haviam superado o bom senso. Nesse momento, despedindo-nos da patrulha no canto nordeste do monumento, continuamos a seguir discretamente, pelo lado leste, na direção do canto sudeste. Eram densas as sombras entre as pedras fora de prumo e quebradas que serviam de pavimento entre a Grande Pirâmide e as três pirâmides “subsidiárias” muito menores, que se situavam imediatamente a leste.

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E havia também três grandes, profundos e estreitos buracos cortados na rocha que pareciam sepulturas gigantescas. Eles tinham sido encontrados vazios pelos arqueólogos que os escavaram, mas eram construídos como se a intenção fosse usá-los para abrigar os cascos de barcos aerodinâmicos, de proa alta. Mais ou menos a meio caminho ao longo da face oriental da Pirâmide, encontramos outra patrulha. Dessa vez, ela consistia de dois guardas, um dos quais devia ter uns oitenta anos de idade. Seu companheiro, um adolescente com acne pustulenta no rosto, informou-nos que o dinheiro pago por Ali era insuficiente e que mais cinqüenta libras egípcias teriam de ser pagas, antes que pudéssemos prosseguir. Eu já tinha as notas na mão e entreguei-as sem demora ao rapaz.

Não me interessava o quanto isso tudo estava custando. Eu queria  simplesmente escalar a pirâmide, descer e ir embora antes do amanhecer, sem ser preso. Continuamos a andar, chegando ao canto sudeste pouco depois de 4h15min da manhã. Pouquíssimos prédios modernos, até mesmo as casas onde moramos, têm cantos que consistam de ângulos retos perfeitos de noventa graus. É muito comum que estejam um ou mais graus longe do verdadeiro. Estruturalmente, isso não faz qualquer diferença e ninguém nota erros tão minúsculos. No caso da Grande Pirâmide, porém, eu sabia que os antigos mestres-construtores haviam encontrado maneiras de reduzir a margem de erro para quase nada.

Dessa maneira, ficando aquém dos noventa graus perfeitos, o canto sudeste tinha uns impressionantes 89° 56′ 27″. O canto nordeste media 90° 3′ 2″; o sudoeste, 90° 0′ 33″; e o noroeste apenas dois segundos de grau fora do verdadeiro, em 89° 59′ 58″. Essa precisão era, claro, extraordinária. E tal como quase tudo mais sobre a Grande Pirâmide, era também extremamente difícil de explicar. Técnicas de construção apuradas desse tipo – tão exatas quanto as melhores que temos hoje só podiam ter evoluído depois de milhares de anos de desenvolvimento e experimentação. Ainda assim, não havia prova de que qualquer processo desse tipo tivesse algum dia ocorrido no Egito. A Grande Pirâmide e suas vizinhas em Gizé pareciam ter saído de um buraco negro da história arquitetônica, um buraco tão profundo e largo que nem seu fundo nem seus lados jamais haviam sido identificados.

Navios no Deserto

Guiado por um Ali cada vez mais suarento, que não havia ainda explicado por que era necessário dar a volta em torno da pirâmide antes de iniciar a escalada, começamos a andar nesse momento na direção oeste, ao longo do lado sul do monumento. Aí, também, havia dois outros buracos com a forma de barco, um dos quais, embora  ainda fechado, fora estudado com câmeras de fibra óptica e se sabia que continha um barco de proa alta, capaz de navegar no mar, e com mais de 33m de comprimento. O outro buraco havia sido escavado na década de 1950. Seu conteúdo – um barco marítimo ainda maior, com nada menos de 42m de comprimento – fora levado para o chamado Museu do Barco, uma estrutura moderna feia, montada sobre palafitas, embaixo da face sul da pirâmide. Feito de cedro, o belo barco conservado no museu continua em perfeitas condições, 4.500 anos depois de construído.

Com um deslocamento de cerca de 40 toneladas, o barco tem um projeto especialmente instigante, incluindo, nas palavras de um especialista, “todas as propriedades características de um barco marítimo, com proa e popa altas, mais altas do que em um barco viking, apropriado para enfrentar ondas e mar grosso, e não para navegar nas pequenas ondas do Nilo”. Outra autoridade pensava que o projeto cuidadoso e inteligente desse estranho barco da pirâmide poderia, potencialmente, tê-Io tornado “mais seguro no mar do que qualquer coisa usada por Colombo”. Além do mais, os especialistas concordavam em que o barco fora construído de acordo com um modelo que só podia “ser criado por construtores navais de um povo com longa e sólida tradição de navegação em alto-mar”.

Presentes já no próprio início da história de 3.000 anos do Egito, quem teriam sido esses construtores navais desconhecidos? Eles não haviam acumulado essa “longa e sólida tradição de navegação em alto-mar” enquanto aravam os campos do vale do Nilo, cercado de terra. Se assim, onde e quando desenvolveram essas perícias marítimas? Mas havia outro quebra-cabeça. Eu sabia que os antigos egípcios tinham sido muito hábeis em fazer modelos em escala e maquetes, para finalidades simbólicas, de todos os tipos de coisas. Por isso mesmo, achava difícil compreender por que eles teriam se dado tanto trabalho para construir, e em seguida enterrar, um barco tão grande e sofisticado como esse, se sua única função fosse, como alegaram egiptólogos, servir de símbolo de uma barca espiritual, que levaria para o céu a alma do falecido rei. Isso poderia ter sido conseguido com igual eficiência com uma embarcação muito menor, e apenas uma teria sido necessária, e não várias delas.

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A lógica, por conseguinte, sugeria que essas embarcações gigantescas deveriam ter sido construídas para outro propósito, inteiramente diferente, ou então revestia-se de uma importância simbólica inteiramente diferente e ainda não descoberta… Havíamos chegado mais ou menos à metade da face sul da Grande Pirâmide quando, finalmente, compreendemos o motivo por que estávamos sendo levados nesse longo passeio. O objetivo era alivia-nos de modestas somas de dinheiro em cada um dos quatro pontos cardeais.

A conta era até esse momento de 30 dólares na face norte e 50 libras egípcias na face leste. Nesse momento, desembolsei mais 50 libras para outra patrulha, que Ali deveria ter subornado no dia anterior. – Ali – sibilei -, quando é que vamos escalar a pirâmide? – Imediatamente, Sr. Graham – respondeu nosso guia. Começou a andar em passos confiantes, gesticulando direto para a frente. Em seguida, acrescentou: – Vamos subir pela aresta sudoeste…


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