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As Digitais dos deuses: (5) A Trilha Inca Para o Passado

Posted by on 25/04/2019

Nenhum artefato ou monumento, nenhuma cidade ou templo, têm durado mais, em forma reconhecível, do que as tradições religiosas mais persistentes. Fossem elas expressas nos Textos das Pirâmides, do antigo Egito, ou na Bíblia hebraica, essas tradições figuram entre as mais imperecíveis de todas as criações humanas: poderíamos dizer que são veículos de conhecimento que viajam através do tempo. Os últimos guardiães da herança religiosa antiga do Peru, os incas, tiveram suas crenças e “idolatria” “extirpadas”, e seus tesouros foram pilhados durante os trinta anos terríveis que se seguiram à conquista espanhola, no ano de 1532. Milagrosamente, contudo, alguns dos primeiros viajantes espanhóis esforçaram-se para documentar as tradições antes que elas fossem inteiramente esquecidas.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Livro “AS DIGITAIS dos DEUSES”, uma resposta para o mistério das origens e do fim da civilização – CAPÍTULO 5 – A Trilha Inca Para o Passado

Por Graham Hancock, livro “AS DIGITAIS DOS DEUSES”, Tradução de Ruy Jungmann, editora Record 2001.

CAPÍTULO 5  – A Trilha Inca Para o Passado

Embora pouca atenção lhes tenha sido dada na época, algumas dessas tradições referem-se surpreendentemente a uma grande civilização que se acredita ter existido muitos milhares de anos antes no Peru. Memórias duradouras, no entanto, foram preservadas dessa civilização, que algumas fontes dizem ter sido fundada pelos Viracochas, os mesmos seres misteriosos a quem se atribui o crédito pelo traçado das linhas de Nazca.

Caminho-trilha Inca para Chinchaysuyo em Cuzco.

“Espuma do Mar”

Ao chegarem os conquistadores espanhóis, o Império Inca estendia-se pela costa do Pacífico e altiplanos dos Andes, desde a fronteira norte do moderno Equador, passando por todo o Peru e prolongando-se tão ao sul quanto o rio Maule, no centro do Chile. Ligando os cantos muito separados do império havia um vasto e sofisticado sistema de estradas: duas estradas paralelas que corriam no sentido norte-sul, por exemplo, uma delas com 3.600km de extensão, bordejando a costa e, a outra, em distância semelhante, cruzando os Andes. Ambas as grandes vias eram pavimentadas e contavam com uma rede de numerosas estradas vicinais. Além disso, exibiam uma interessante variedade de projetos e obras de engenharia, tais como pontes pênseis e túneis escavados em rocha bruta. A obra era trabalho de uma sociedade evoluída, disciplinada e ambiciosa. Ironicamente, essas obras desempenharam um papel importante na queda do império: as forças espanholas, sob o comando de Francisco Pizarro, usaram-nas com grande proveito para acelerar seu avanço implacável até o coração do império.

Manco Capac e Mama Occlo, dois filhos do sol.

O império Inca tinha como capital a cidade de Cuzco, nome que na língua quíchua significa “umbigo da terra”. Segundo a lenda, Cuzco fora fundada por Manco Capac e Mama Occlo, dois filhos do sol. No local, embora os incas adorassem o deus sol, a quem davam o nome de Inti, outro ser divino, muito diferente, era venerado como o Mais Sagrado de todos, o Viracocha, cujos homônimos teriam traçado as linhas de Nazca e cujo nome significa “Espuma do Mar”. Constituiu sem dúvida mera coincidência que a deusa grega Afrodite, nascida do mar, tenha recebido seu nome numa referência à “espuma [aphros] da qual fora criada”. Além do mais, Viracocha era sempre descrito como inconfundivelmente humano pelos povos dos Andes. Esse fato sobre ele é incontestável. Nenhum historiador, porém, pode dizer qual a antiguidade do culto a essa divindade, antes de os espanhóis chegarem para pôr fim a tudo isso. E isso aconteceu porque o culto parecia ter sempre existido. Na verdade, muito antes de os incas terem-no incorporado à sua cosmogonia e lhe construído um templo magnífico em Cuzco, a evidência disponível sugere que o deus supremo Viracocha fora adorado por todas as civilizações que um dia existiram na longa história do Peru.

A Cidadela de Viracocha

Poucos dias depois de termos deixado Nazca, Santha e eu chegamos a Cuzco e fomos conhecer o local onde se erguia o Coricancha, o grande templo dedicado a Viracocha na era pré-colombiana. O Coricancha, claro, desaparecera há muito tempo. Ou, para ser mais exato, em vez de desaparecido fora sepultado por camadas de obras de arquitetura posterior. Os espanhóis haviam conservado as soberbas fundações incaicas e as partes baixas de suas paredes fabulosamente robustas e sobre elas erigido sua própria grandiosa catedral colonial. Cruzando a entrada principal da catedral, lembrei-me de que o templo incaico que ali existira fora recoberto por mais de 700 chapas de ouro puro (cada chapa pesava dois quilos) e que seu espaçoso pátio contara com “milharais” de imitação, cujas espigas tinham também grãos de ouro. Não pude deixar de me lembrar do Templo de Salomão na distante Jerusalém, que a lenda diz ter sido também adornado com chapas de ouro e um pomar maravilhoso de árvores também de ouro. Terremotos em 1650 e, mais uma vez, em 1950 tinham derrubado quase por completo a Catedral de Santo Domingo, que ocupava o local onde antes existira o templo de Viracocha, e fora necessário reconstruí-la em ambas as ocasiões.

Coricancha com Convento de Santo Domingo acima

As fundações e as paredes inferiores, de construção incaica, haviam resistido a ambas as calamidades graças ao projeto característico usado, que empregava um engenhoso sistema de blocos poligonais interligados. Esses blocos, e a disposição geral do local, eram praticamente tudo que restava da estrutura original, à parte uma plataforma octogonal de pedra cinzenta, no centro do vasto pátio retangular, que fora em priscas eras revestido com 55kg de ouro. De cada lado do pátio, abriam-se antecâmaras, pertencentes também ao templo, ostentando refinados aspectos arquitetônicos, tais como tetos que se afilavam para cima e nichos maravilhosamente lavrados e cortados em uma única peça de granito. Demos um passeio pelas ruas estreitas e lajeadas de Cuzco.

Olhando em volta, dei-me conta de que não era apenas a catedral que refletia a prepotência espanhola sobre uma cultura mais antiga: a cidade toda parecia ligeiramente esquizofrênica. Casas e palácios coloniais, espaçosos, em tons pastel, avarandados, erguiam-se altos em volta, mas quase todos assentados sobre fundações incaicas ou incorporando estruturas completas da mesma origem, do tipo usado em Coricancha. Em um dos becos, conhecido como Hatunrumiyoc, parei para examinar um complicado quebra-cabeça sob a forma de uma muralha construída com incontáveis blocos de pedra, todos perfeitamente encaixados, todos de diferentes tamanhos e formas, interligando-se em um desnorteante conjunto de ângulos. O corte dos blocos individuais e o arranjo a eles dado na complicada estrutura só poderiam ter sido realizados por mestres-artesãos com alto grau de habilidade, tendo por trás incontáveis séculos de experimentação arquitetônica. Em um único bloco, contei doze ângulos e lados em um único plano e não consegui introduzir nem a ponta de uma folha de papel fino nas juntas que o ligavam aos blocos em volta.

Supõe-se que Sacsaihuaman foi construída originalmente com propósitos militares para defender-se de tribos invasoras que ameaçavam o Império Inca. A construção foi iniciada pelo Inca Pachacuti, antes de 1438. Quem melhor descreve o monumento é o cronista Garcilaso de la Vega, que afirmou que sua construção durou cerca de 50 anos até o período de Huayna Capac; estava concluído na época da chegada dos conquistadores. Atualmente se pode apreciar somente 20 porcento do que foi o conjunto arqueológico, já que na época colonial os espanhóis destruíram seus muros para construir casas e igrejas em Cusco. Da fortaleza se observa uma singular vista panorâmica dos arredores, incluindo a cidade de Cuzco.

O Estrangeiro Barbudo

Parecia que, em princípios do século XVI, antes que os espanhóis começassem a demolir a todo vapor a cultura peruana, uma estátua de Viracocha estivera à vista no Santuário de Coricancha. Segundo um texto da época, Relacion anonyma de los costumbres antiquos de los naturales del Piru, o ídolo era uma estátua de mármore do deus – uma estátua descrita assim: “nos cabelos, cor, traços fisionômicos, traje e sandálias exatamente como pintores representavam o apóstolo São Bartolomeu”. Outras descrições apresentavam Viracocha como parecido com São Tomé. Examinei certo número de manuscritos eclesiásticos ilustrados, nos quais apareciam os dois santos. Ambos eram rotineiramente descritos como homens brancos magros, barbudos, já além da meia-idade, usando sandálias e casacos compridos e ondulantes. Conforme veremos adiante, os registros remanescentes confirmam que esta era exatamente a aparência atribuída a Viracocha pelos que o adoravam. Quem quer que fosse, portanto, ele não poderia ter sido um índio americano, que tem a pele relativamente escura e pouca barba. A frondosa barba de Viracocha e o rosto claro davam-lhe o aspecto de um tipo caucasiano.

Incas

No século XVI, os incas pensavam da mesma forma. Na verdade, as lendas e crenças religiosas haviam-nos convencido tanto da aparência do deus que, no início, eles confundiram os espanhóis brancos e barbudos que chegavam às suas praias com a volta de Viracocha e seus semideuses, fato este profetizado muito tempo antes e que, segundo todas as lendas, ele prometera fazer. Essa feliz coincidência deu aos conquistadores de Pizarro a vantagem estratégica e psicológica decisiva de que precisavam para vencer as forças incas numericamente superiores nas batalhas que se seguiram. Quem havia fornecido o modelo para os Viracochas?


Mais informações, leitura adicional:

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