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Décadas de enganos, traições e duplicidade em suas relações exteriores, os EUA perderam sua credibilidade

Posted by on 29/06/2018

Os fracassos da diplomacia norte-americana em suas relações exteriores e a aparente incapacidade dos EUA de servir como garantidor da estabilidade política nos assuntos mundiais mais agudos é um resultado direto de anos de enganos, falsidades, segundas e terceiras intenções e manipulação nas relações internacionais, assim opina Ted Galen Carpenter, pesquisador do Cato Institute especializado em política externa. A credibilidade e a confiabilidade são dois pilares de uma diplomacia externa bem-sucedida, já que muito poucos países estariam dispostos a negociar e procurar compromissos com uma parte que mal os respeita.

Edição e imagensThoth3126@protonmail.ch

Décadas de enganos, traições e duplicidade em suas relações exteriores ou como os EUA perderam a credibilidade perante a comunidade diplomática internacional

Fonte: https://br.sputniknews.com/

 

Várias administrações estadunidenses consecutivas ignoraram este princípio, deixando um legado de mentiras e sedições que prejudicaram toda a política externa do país, escreve Carpenter em um artigo para a revista The American Conservative.

O autor vincula o atual beco sem saída diplomático em relação ao problema nuclear norte-coreano com uma longa história de violações dos acordos e não cumprimento de promessas por parte de Washington.

“Durante a sua recente turnê asiática, o presidente dos EUA, Donald Trump, convidou o líder norte-coreano Kim Jong-un para a mesa de negociações e a ‘fazer o que está certo’, ou seja, renunciar às armas nucleares e ao programa de mísseis”, lembra o autor.

Pressupõe-se que uma tal concessão resultaria em levantamento das sanções e em uma relação mais normal com a comunidade internacional. Mas, infelizmente, Pyongyang tem uma vasta lista de razões para não confiar nestes apelos norte americanos.  Carpenter continua enumerando os casos mais destacados da duplicidade de Washington, que justificam a atitude cautelosa da Coreia do Norte.

Primeiro, o acordo nuclear com o Irã, que, apesar de os outros países participantes testemunharem que Teerã cumpre as condições acordadas, é criticado pelos EUA, um de seus promotores na época, e corre o risco de cessação por iniciativa de Donald Trump, com consequências pouco previsíveis deste passo.

Segundo, o jornalista lembra o engano praticado na Líbia, que demonstrou dois lados pouco agradáveis para os EUA.

Um, é que o líder líbio Muammar Kadhafi aceitou terminar o programa nuclear em troca do levantamento das sanções econômicas. Sete anos mais tarde, os EUA e a OTAN intervieram no conflito interno da Líbia do lado dos “rebeldes” (quase sempre “mercenários” contratados pelos EUA), e seus ataques aéreos e de mísseis balísticos ajudaram na derrubada de Kadhafi e no posterior destino do país árabe.

Outro lado, naquela época, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que previa restringir a intervenção militar com objetivo de proteger os civis. A China e a Rússia, perante as declarações dos EUA de que se tratava mesmo de uma operação de segurança, não exerceram seu poder de veto da decisão. Mas o objetivo real — a derrubada de Kadhafi — se revelou apenas quando já começaram os bombardeios.

O autor cita a declaração do secretário de Defesa, Robert Gates (2006-2011), sobre a reação de Moscou:

“Os russos chegaram a pensar que eles tinham sido enganados na Líbia. Se abstiveram de vetar a resolução da ONU porque esta pressupunha a prevenção dos massacres de civis […] mas logo ficou claro que a OTAN buscava derrubar Kadhafi. Considerando-se enganados, os russos começaram a vetar qualquer resolução parecida proposta na ONU, incluído a da Síria dirigida contra o presidente Assad”, afirmou Gates.

Mais uma duplicidade é a expansão da OTAN para o leste. Moscou afirma ter aceitado a reunificação da Alemanha, sob condição de que a OTAN cessasse sua expansão em direção às fronteiras da antiga URSS.

Dois altos funcionários, o secretário de Estado dos EUA, James Baker, e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha Ocidental, Hans-Dietrich Genscher, ambos ofereceram garantias verbais de que a Aliança (OTAN) Atlântica se limitaria às fronteiras alemãs.

Claramente, este não foi o caso, e a “explicação” dos EUA se baseia em que não há documentos formais que refiram que tais garantias foram dadas. Coisas desse tipo  “não inspiram confiança entre os governos”, destaca Carpenter.

A invasão militar da Sérvia pela OTAN em 1999 — que uma Rússia enfraquecida não pôde impedir — levou à ocupação da região histórica sérvia de Kosovo. Nove anos mais tarde, a província decidiu oficialmente obter a independência de Belgrado.

“Estava claro que a Rússia e, possivelmente, a China teriam vetado uma resolução a respeito no Conselho de Segurança. Assim, os EUA e seus aliados se esquivaram por completo à ONU e aprovaram a independência de Kosovo por sua própria conta”, comenta o autor.

Para os norte americanos, é doloroso admitir que seu país adquiriu uma reputação bem fundamentada de enganar em sua política externa, em relação aos seus reais interesses, mas toda a evidência o demonstra, escreve Carpenter.

Esta “história de duplicidade e traição” norte-americana está entre as razões por que é tão difícil resolver a crise norte-coreana através da diplomacia.

“Todas as ações têm consequências, e a reputação de Washington de ser pouco sincero e honesto tem complicado os objetivos dos próprios EUA na política externa. É um exemplo clássico de uma grande potência estar atirando no seu próprio pé”, conclui o analista.


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