Após a operação militar bem sucedida do governo Trump para remover à força Nicolás Maduro, a esposa do chefe de gabinete adjunto de Trump provocou pânico na Dinamarca e na Europa ao publicar uma foto de um mapa no Google mostrando a Groenlândia sobreposta com a bandeira americana e a legenda “EM BREVE”.
Fonte: Zero Hedge
A publicação dela com alusão à tomada da Groenlândia pelos EUA gerou uma resposta do embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, Jesper Møller Sørensen, que escreveu no X:
“Apenas um lembrete amigável sobre os EUA e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal. A segurança dos EUA também é a segurança da Groenlândia e da Dinamarca. A Groenlândia já faz parte da OTAN. O Reino da Dinamarca e os Estados Unidos trabalham juntos para garantir a segurança no Ártico. O Reino da Dinamarca aumentou significativamente seus esforços de segurança no Ártico – somente em 2025, destinamos US$ 13,7 bilhões que podem ser usados no Ártico e no Atlântico Norte. Porque levamos nossa segurança conjunta a sério. E sim, esperamos total respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca..”
Just a friendly reminder about the US and the Kingdom of Denmark: We are close allies and should continue to work together as such. US security is also Greenland’s and Denmark’s security. Greenland is already part of NATO. The Kingdom of Denmark and the United States work… https://t.co/CboKnlKgJL
— Jesper Møller Sørensen 🇩🇰 (@DKambUSA) January 4, 2026
Trump vem considerando publicamente a “compra” – ou uma simples tomada de poder – da Groenlândia desde pelo menos 2019, “com diferentes graus de seriedade”, apesar da repetida resistência internacional por parte de líderes dinamarqueses.
No domingo, Trump disse que os EUA precisavam “muito” da Groenlândia, renovando os temores de uma invasão americana da ilha, que é em grande parte autônoma, foi uma colônia dinamarquesa e ainda faz parte do reino da Dinamarca.
Em resposta, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, acusou Trump de usar uma retórica “completa e totalmente inaceitável” , acrescentando: “Já chega”.
“Ameaças, pressão e conversas sobre anexação não têm lugar entre amigos“, disse Nielsen na segunda-feira pelas redes sociais. “Não é assim que se fala com um povo que demonstrou responsabilidade, estabilidade e lealdade repetidas vezes. Chega! Basta de pressão. Basta de insinuações. Basta de fantasias sobre anexação.”
Ele afirmou que a Groenlândia estava “aberta ao diálogo”, desde que este fosse feito pelos canais apropriados, em conformidade com o direito internacional, “e não por meio de postagens aleatórias e desrespeitosas nas redes sociais”.

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen afirmou que, se Trump atacar a Groenlândia, isso significará o fim da aliança da OTAN .
“Acredito que se deve levar a sério o presidente americano quando ele diz que quer a Groenlândia”, disse ele à emissora dinamarquesa TV2. “Mas também deixo claro que, se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da OTAN, tudo para , inclusive a OTAN e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.”
Aja Chemnitz, deputada dinamarquesa pela Groenlândia e representante do partido Inuit Ataqatigiit, afirmou que, embora não acredite que uma invasão seja iminente, os groenlandeses devem “se preparar para o pior“.
“Devemos esperar pelo melhor e nos preparar para o pior. É assim que vejo as coisas agora. Estamos numa situação preocupante”, disse ela ao jornal The Guardian, acrescentando que as últimas declarações de Trump foram “as piores e mais graves” das suas ameaças à Groenlândia e marcaram uma “nova ordem mundial”.
A UE também está em pânico e, na segunda-feira, afirmou que não deixará de defender o princípio da independência territorial, especialmente quando se trata de outro membro do bloco de 27 membros, segundo o jornal The Guardian.

“A UE continuará a defender os princípios da soberania nacional, da integridade territorial e da inviolabilidade das fronteiras”, afirmou a porta-voz principal da UE para a política externa, Anitta Hipper. “Estes são princípios universais e não deixaremos de os defender, sobretudo se a integridade territorial de um Estado-membro da União Europeia for posta em causa.”
Entretanto, o primeiro-ministro britânico, Kier Starmer, afirmou na segunda-feira que apoia a autonomia da Groenlândia e concorda que Trump deveria parar de fazer ameaças.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, fez coro com essa opinião na segunda-feira, afirmando que a aliança da OTAN – da qual a Dinamarca faz parte – poderia discutir o fortalecimento da proteção à Groenlândia, se necessário.
Segundo a Forbes, líderes da Lituânia, Letônia, Estônia, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia também expressaram apoio à Dinamarca.
Em declarações à imprensa no domingo, a bordo do Air Force One, Trump disse: “Vamos nos preocupar com a Groenlândia daqui a uns dois meses”, acrescentando: “Vamos falar da Groenlândia daqui a 20 dias”. É, tá bom.



