Até poucos dias atrás, as imagens de drones interceptados no céu, destroços caindo na rua e prédios pegando fogo estavam fora do radar de quem vive e visita algumas das cidades mais prósperas do Oriente Médio, como Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar. Mas tudo isso passou a ser realidade desde o sábado (28/2), quando os EUA e Israel realizaram ataques contra o Irã, matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
Fonte: BBC-Londres
Os iranianos revidaram pesado, atingindo não só o território israelense e militares americanos, mas também alvos nos Emirados Árabes, no Catar, no Bahrein, Arábia Saudita, no Kuwait, no Iraque e na Jordânia.
Segundo o Irã, esses países se tornaram alvo dos ataques porque possuem bases ou presença militar americana em seu solo que são utilizadas para atacá-lo.
“Todos os territórios ocupados e as bases criminosas dos Estados Unidos na região foram atingidos pelos potentes impactos dos mísseis iranianos. Esta operação continuará sem descanso até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva”, afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.
Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã defendeu o direito do país de revidar e disse não estar mirando os países vizinhos, mas o que seria “solo americano”.
“Aos países da região: não estamos buscando atacá-los. Mas quando as bases localizadas em seu país são usadas contra nós, e quando os Estados Unidos realizam operações na região contando com essas forças, então atacaremos essas bases. Pois essas bases não fazem parte do território desses países; na verdade, são solo americano”, disse Larijani.

Áreas civis atingidas
Mas imagens que ganharam as redes sociais e agências de notícias mostraram que os drones e mísseis do Irã alcançaram muito além de instalações militares. Só os Emirados Árabes Unidos [parceiro de Israel], um dos mais atingidos, receberam até a tarde deste domingo 67 mísseis e 541 drones iranianos, segundo o governo.
Desses drones, 35 caíram em território do país, resultando em três mortes. Uma dessas mortes ocorreu na área do aeroporto de Abu Dhabi, atingido por destroços de um drone. Já o aeroporto de Dubai, o segundo mais movimentado do mundo em tráfego de passageiros, foi danificado no que o governo chamou de “incidente” que deixou quatro funcionários feridos.
Com os ataques, o espaço aéreo da região está fechado e centenas de voos foram cancelados, deixando milhares de turistas ainda sem perspectiva de voltar a seus países, inclusive o Brasil. Um deles é Ricardo Ferreira, assessor artístico brasileiro que está sem sair de seu quarto de hotel em Abu Dhabi, capital emiradense a pouco mais de 100 km de Dubai.
Ferreira estava a trabalho nos Emirados Árabes com mais 16 pessoas e tinha a volta programada de Dubai para São Paulo na manhã deste domingo (1º/3). Agora, ele não faz mais ideia de quando conseguirá retornar.
O brasileiro, que disse nunca ter imaginado passar por algo parecido nos Emirados Árabes, ouviu estrondos e viu caças e mísseis atravessando o céu de Abu Dhabi no sábado, sem saber que estava em meio a ataques do Irã.
“Fomos pegos totalmente de surpresa, porque a gente estava sem informação nenhuma. A gente não tinha ideia de que isso estava para acontecer ou poderia acontecer”, relata.
O grupo só começou a entender o que estava acontecendo quando recebeu notícias de familiares e da imprensa brasileira. “Conforme foi passando o tempo, nós fomos ouvindo mais explosões, ficamos sabendo dos destroços que atingiram um dos hotéis mais famosos daqui. Aí sim que começou mais o pânico, mais o desespero”, relata.

Na famosa ilha artificial em forma de palmeira Palm Jumeirah, em Dubai, a região do hotel cinco estrelas Fairmont foi atingida por uma grande explosão no sábado. Destroços de um drone também provocaram um pequeno incêndio na fachada do icônico hotel em forma de vela Burj Al Arab.
Segundo Ferreira, há fila na porta do hotel de turistas que não conseguiram voar em busca de hospedagem. A situação também pegou de surpresa quem mora em Dubai. A moradora Becky Williams disse à BBC ter visto cerca de 15 mísseis “lançados atrás da minha casa ontem”, referindo-se aos mísseis disparados pelas autoridades dos Emirados para interceptar projéteis iranianos.
“É possível ouvir as interceptações acontecendo no ar.”
Satya Jaganathan, que mora perto do porto de Dubai atingido por explosões, diz que a situação “ainda está relativamente calma, já que há apenas barulhos altos a cada poucas horas”. “Mas é inquietante porque este não é o Dubai ao qual estamos acostumados”.
Na noite deste domingo (01), um alerta no celular pediu para que as pessoas procurassem abrigo e ficassem longe de janelas diante da possibilidade de mais ataques. Nas últimas semanas, líderes do Golfo Pérsico vinham tentando mediar conversas para que a situação não escalasse entre Estados Unidos e Irã. Mas os esforços não adiantaram. Ainda não se sabe com certeza quais eram os objetivos do Irã com os ataques aos Emirados Árabes Unidos, que são um de seus maiores parceiros comerciais.
Mas o país tem presença militar americana, especialmente na base aérea Al Dhafra, ao sul de Abu Dhabi, que abriga aeronaves da Força Aérea americana e sistemas de defesa antimísseis. Além disso, o porto de Jebel Ali, em Dubai, um dos mais movimentados da região, recebe navios da Marinha dos EUA.
Na vizinhança, também foram registrados ataques à base da marinha americana no Bahrein, onde drones e destroços de um míssil interceptado atingiram prédios na capital Manama. Também houve explosões em Doha, capital do Catar, onde mísseis direcionados à base aérea de Al Udeid, a maior base militar americana na região, foram interceptados.
O luxuoso aeroporto da capital catari, frequentemente eleito um dos melhores do mundo e um dos maiores hubs globais de conexões entre Oriente e Ocidente, teve todos os voos suspensos. O Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmou que o ataque feito por um vizinho “não pode ser aceito sob qualquer justificativa ou pretexto”, ressaltando que o Catar sempre se manteve distante de conflitos regionais.

A base americana do país já havia sido alvo do Irã em junho do ano passado, quando o Irã revidou os ataques que destruíram instalações nucleares no país. Já o Ministério da Defesa do Kuwait afirmou que sua força aérea interceptou e destruiu 97 mísseis balísticos e 283 drones desde que o Irã lançou contra o país, segundo a agência oficial de notícias.
Escalada ‘grave e perigosa’
Segundo análise de Frank Gardner, correspondente de Segurança da BBC, uma linha vermelha foi cruzada no Golfo Pérsico diante dos ataques do Irã aos seus vizinhos. Para ele, é difícil imaginar como as famílias que governam esses Estados árabes poderão retomar relações minimamente normais com a atual liderança iraniana, caso ela sobreviva a esta guerra. Para Gardner, a escalada na região “é mais grave e perigosa do que qualquer outra coisa anterior”.
Neste domingo, representes de países reunidos no Conselho de Cooperação do Golfo se reuniram para discutir os danos causados por ataques iranianos aos países integrantes do bloco, que, segundo o grupo, incluíram alvos em instalações civis e áreas residenciais. O conselho, formado por Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Catar e Kuwait, condenou os ataques e acusou o Irã de violar sua soberania e o direito internacional.
Em comunicado, o grupo instou o Irã a interromper os ataques e ressaltou a importância da diplomacia e do diálogo. No entanto, também advertiu que tomará “todas as medidas necessárias” para defender sua segurança. Enquanto os desdobramentos do conflito seguem os mísseis e drones rasgando o céu do Oriente Médio, influenciadores e milionários que escolheram Dubai como casa nos últimos anos seguem compartilhando conteúdo, dessa vez com menos luxo.
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã e a resposta de Teerã levaram ao fechamento de importantes centros de trânsito, paralisando voos em toda a região.
Segundo empresas de análise de voos, centenas de milhares de viajantes ficaram retidos em todo o Oriente Médio após o fechamento do espaço aéreo provocado por ataques não provocados dos EUA e de Israel contra o Irã. Ataques massivos contra Teerã começaram no sábado, matando o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, altos funcionários e centenas de civis. Teerã respondeu com centenas de ataques de mísseis e drones contra bases americanas e israelenses em todo o Oriente Médio.
A Autoridade Pública de Aviação Civil do Kuwait informou que um drone teve como alvo o Aeroporto Internacional do Kuwait, causando feridos e danos a um dos terminais. O porta-voz Abdullah Al-Rajhi disse à Kuna que as autoridades implementaram imediatamente os procedimentos de emergência, lidando com o incidente e garantindo a segurança do local. Ele enfatizou que a situação estava sob controle e que a segurança dos passageiros e funcionários era a principal prioridade, relata Kuna. As autoridades não atribuíram a origem do ataque, mas o Irã tem atacado alvos em toda a região em resposta aos ataques conjuntos dos EUA e de Israel realizados hoje.
Kuwait's Public Authority for Civil Aviation says a drone targeted Kuwait International Airport, causing injuries and damage to one of the terminals.
— Breaking Aviation News & Videos (@aviationbrk) February 28, 2026
Spokesperson Abdullah Al-Rajhi tells Kuna that the authorities immediately implemented emergency procedures, dealing with the… pic.twitter.com/a7vVkp7iMX
O Irã também teria atacado vários importantes centros de aviação regionais, incluindo o Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos – o mais movimentado do mundo –, onde foram relatados danos e vítimas, bem como locais próximos a aeroportos internacionais no Bahrein, Kuwait e Iraque.
Na sequência da escalada da tensão, Bahrein, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos anunciaram o fechamento parcial ou total do espaço aéreo, forçando suspensões, cancelamentos e desvios de voos.
Mais de 3.400 voos foram cancelados em sete dos principais aeroportos do Oriente Médio somente neste domingo, de acordo com o site de rastreamento de voos Flightradar24, afetando centenas de milhares de passageiros.
Muitos passageiros que ainda estão no aeroporto de Doha aguardando transporte para hotéis #doha
A lot of passengers who are still at Doha airport waiting to be transported to hotels #doha pic.twitter.com/swIBorS5wF
— Varun Krishnan (@varunkrish) March 1, 2026
Emirates, Etihad e Qatar Airways – três grandes companhias aéreas de países do Golfo que normalmente transportam cerca de 90.000 passageiros por dia – cancelaram aproximadamente um terço de seus voos, de acordo com a empresa de análise de aviação Cirium.
Diversas companhias aéreas internacionais também cancelaram rotas para o Golfo Pérsico durante o fim de semana, já que as autoridades de aviação civil classificaram grande parte do Oriente Médio como zona de alto risco de segurança.
A Air France, a Lufthansa, a KLM, a Air India e outras companhias aéreas suspenderam suas operações regionais pelo menos entre 3 e 7 de março. A FlightAware registrou mais de 19.000 atrasos de voos em todo o mundo devido à crise no Oriente Médio até as 2h30 GMT de domingo.
Este vídeo supostamente mostra o Aeroporto de Dubai, onde todos os voos foram cancelados.
ये विडियो Dubai Airport का बताया जा रहा सभी Flight रद्द कर दी गई है। pic.twitter.com/8BmDEpg4tY
— TANVEER (@mdtanveer87) March 1, 2026
As companhias aéreas russas, incluindo a Aeroflot, também cancelaram ou alteraram as rotas de voos e suspenderam os serviços para Teerã, Dubai e Abu Dhabi. De acordo com a Associação de Operadores Turísticos da Rússia (ATOR), cerca de 8.000 turistas russos ficaram retidos no exterior ao retornarem de férias, após perderem conexões no Oriente Médio. A Rosaviatsia tem coordenado rotas alternativas para evitar Israel e o Irã.
Analistas alertam que a interrupção está causando grandes prejuízos financeiros às companhias aéreas e hotéis, bem como aos viajantes. Diversas companhias aéreas emitiram isenções e se comprometeram a cobrir acomodação, refeições e remarcação de voos para passageiros retidos. No entanto, vários viajantes publicaram vídeos de aeroportos superlotados em toda a região nas redes sociais.
A guerra também afetou as operações de transporte marítimo e cruzeiros. A MSC Cruzeiros, a TUI e a Celestyal cancelaram ou suspenderam partidas devido à atividade de mísseis e drones.
O tráfego de contêineres pelo Estreito de Ormuz foi interrompido ou desviado depois que a Guarda Revolucionária do Irã emitiu alertas de que nenhuma embarcação tinha permissão para passar, embora nenhum bloqueio formal tenha sido oficialmente declarado por Teerã.
De acordo com a empresa de análise de transporte marítimo Linerlytica, cerca de 170 navios porta-contêineres estão atualmente dentro do estreito e enfrentam restrições para sair.




Uma resposta
… resumindo a confa no oriente médio: (((a briga dos meninos ricos querendo, passar a mão na lancheira do menino pobre)))!!!…