A Guerra EUA-Israel contra o Irã poderá inaugurar o fim do petrodólar, um pilar fundamental do peso financeiro dos EUA no mundo, de acordo com um novo relatório do Deutsche Bank. “A enorme importância estratégica do Oriente Médio para o papel do dólar como moeda de reserva mundial não deve ser subestimada. O conflito atual pode testar os fundamentos do regime do petrodólar”, escreveu a pesquisadora do Deutsche Bank, Mallika Sachdeva, em um relatório especial esta semana.
Fonte: Middle East Eye
O petrodólar nasceu de um acordo entre os EUA e os estados do Golfo em 1974, ao abrigo do qual estes últimos vendem o seu petróleo a clientes em todo o mundo em dólares americanos e, em troca, reinvestem esses rendimentos nos títulos da dívida dos EUA.
A maneira mais comum de os estados do Golfo fazerem isso é comprando títulos do Tesouro dos EUA, o que geralmente ajuda a manter as taxas de juros mais baixas. Isso permite que os americanos e o governo dos EUA contraiam empréstimos mais baratos do que os seus pares.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão entre os 20 países maiores detentores dos títulos do Tesouro dos EUA, com cerca de US$ 250 bilhões em participações entre eles. O petrodólar ajuda a manter baixos os custos dos empréstimos para os consumidores dos EUA e financia toda a máquina de guerra dos EUA.
A Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e Bahrein atrelam sua moeda ao dólar americano. Isto exige que mantenham grandes quantias de dólares americanos em suas reservas, o que também ajuda a apoiar a moeda dos EUA. Para manter a paridade quando suas moedas nacionais enfraquecem, os bancos centrais recompram suas moedas em dólares americanos.

O sistema petrodólar remonta a 1974, depois que o reino da Arábia Saudita concordou em precificar seu petróleo em dólares e reinvestir esses fundos em títulos dos EUA em troca de garantias de segurança americanas. “O mundo economiza em dólares em grande parte porque paga em dólares”, disse o relatório.
Surge o Petroyuan?
Os EUA recorreram aos estados do Golfo para apoiar o dólar americano, sendo o petrodólar outra palavra para o dólar americano, depois que o presidente americano Richard Nixon se recusou a honrar a conversibilidade do dólar em ouro em 1971. A segurança dos EUA é um pilar fundamental do sistema petrodólar.
Com a guerra dos EUA/ISRAEL contra o Irã em andamento, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão cada vez mais perto de apoiar a ofensiva. Por exemplo, o Middle East Eye foi o primeiro a revelar que a Arábia Saudita abriu a Base Aérea Rei Fahd para utilização pelos EUA.
Mas autoridades e analistas regionais dizem que, a longo prazo, a guerra EUA-Israel contra o Irão desencadeou dúvidas sérias sobre o papel dos EUA como garantidor de segurança da região, após o Irã praticamente ter destruído quase todas as bases dos militares dos EUA, incluindo portos, na região do Golfo Pérsico.
O Irã efetivamente também tomou o controle do Estreito de Ormuz e está determinando quais embarcações passarão pela hidrovia. Policiar rotas marítimas críticas é uma parte fundamental da reivindicação dos EUA de serem a superpotência dominante no mundo.
Sachdeva, do Deutsche Bank, escreveu que as falhas dos EUA em garantir a segurança no Golfo poderiam desfazer a premissa sobre a qual o petrodólar é construído.
“O conflito atual pode expor mais falhas, ao desafiar o guarda-chuva de segurança dos EUA para a infraestrutura do Golfo e a segurança marítima para o comércio global de petróleo”, escreveu ela. “Os danos às economias dos países do Golfo Pérsico poderiam encorajar uma redução nas suas poupanças em ativos estrangeiros detidas em grande parte em dólares”, acrescentou ela.
Os mercados de ENERGIA transcendem as fronteiras
Funciona nos dois sentidos. Na década de 1970, os EUA dependiam fortemente do petróleo e gás do Golfo, mas desde então se tornaram independentes em termos de energia e importam muito pouco dos países do Golfo. Os mercados de energia transcendem fronteiras, mas mesmo com o aumento dos preços da gasolina e do diesel nos EUA devido à guerra, a Ásia e a Europa estão enfrentando preços ainda mais altos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reclamou sobre como os EUA deveriam ser responsáveis pelo Estreito de Ormuz.
“Sabe, nós não usamos o estreito…Não precisamos dele. A Europa precisa dele. A Coreia, Japão, China, muitos outros países. Então, eles terão que se envolver um pouco ni$$o,” ele disse semana passada.
Hipóteses sobre o fim do petrodólar vêm crescendo há anos e se aceleraram depois que os EUA impuseram sanções à Rússia por sua invasão da Ucrânia. A China emergiu como um grande comprador de petróleo e gás russos, que compra em uma mistura de yuan chinês e rublos russos, sem usar uma moeda de dólar.
Noventa por cento do petróleo do Irã é exportado para a China. O país também é o maior cliente de petróleo bruto da Arábia Saudita. O Deutsche Bank disse que a guerra dos EUA contra o Irã pode ser lembrada como “um catalisador para a erosão do domínio do petrodólar e o início do petroyuan” o que poderá vir a ser o FIM da HEGEMONIA OCIDENTAL dos EUA.



