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Manifestantes desafiam repressão no IRÃ

Posted by on 01/01/2018

A tensão tomou conta no último sábado, do centro de Teerã ao emparelhar uma manifestação oficial de apoio ao sistema islâmico a uma nova convocação a protestos contra as políticas econômicas do atual Governo. Em meio a crise econômica, maior onda de protestos em quase uma década coloca regime sob pressão. Tensão cresce com pelo menos 500 detenções e 13 mortes no país.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Polícia e partidários do regime enfrentam os protestos em Teerã. Queixas contra a política econômica de Rohani se transformam em críticas ao sistema islâmico e ao “líder supremo”. 

ALI FALAHI – ÁNGELES ESPINOSA – Teerã / Dubai  

Fonte: https://brasil.elpais.com/

A tensão tomou conta neste sábado, 30 de dezembro, do centro de Teerã ao emparelhar uma manifestação oficial de apoio ao sistema islâmico a uma nova convocação a protestos contra as políticas econômicas do Governo. Um enorme aparato policial impediu que os descontentes fizessem ouvir seus slogans na capital, como na véspera ocorreu em outras cidades iranianas. No entanto, o eco do mal-estar se propagou como pólvora pelas redes sociais, ao mesmo tempo em que os protestos adquiriam conotação política e chegavam até o líder supremo. Apesar de as autoridades terem advertido contra as concentrações ilegais, não conseguiram conter o efeito dominó.

A capital Teerã está tomada por grande aparato policial

Desde o primeiro momento, as principais ruas e praças de Teerã foram tomadas pelas tropas antidistúrbios. Sua presença não desanimou, no entanto, os mais ousados. “Nem Gaza, nem Líbano, me sacrifico pelo Irã”, conseguiu gritar em coro um grupo na praça Enghelab, no centro da cidade, antes que a polícia dispersasse seus integrantes. Várias dezenas de alunos se reuniram em frente a Universidade de Teerã, mas foram calados aos gritos de “rebeldes” por centenas de basiyíes e agentes à paisana.

“Não é justo que os jovens profissionais tenham de sair do país em busca de trabalho e um futuro melhor, enquanto o sistema desperdiça dinheiro em conflitos como os do Iraque e da Síria”, declara Ramin, estudante de química da universidade Azad, que simpatiza com os protestos. “As pessoas têm razão, há muitos problemas econômicos, os salários são muito baixos, mas tenho medo de que essas manifestações se transformem em conflitos como os desses países”, afirma Vahid, um jovem atendente de uma loja de roupas que saiu para ver o que estava acontecendo.

Mas se em Teerã o destacamento policial e a mobilização de partidários do regime conseguiram conter as manifestações de descontentamento, o mesmo não ocorreu em Zanyan, no norte do Irã. A extensão do protesto a essa cidade confirma a amplitude do mal-estar.

As queixas começaram na quinta-feira, dia 28 de dezembro, em Mashhad, cidade de dois milhões de habitantes situada a noroeste. Duas mil pessoas foram às ruas contra a alta dos preços e a má situação econômica em geral. No dia seguinte, o exemplo se propagou por todo o país com manifestações em Teerã, Isfahan, Quermanxa, Resht, Qom, Sari, Hamedan e Ghazvin. Apesar de os participantes de cada uma delas não serem muito numerosos, trata-se da maior onda de protestos desde os que se seguiram à controversa reeleição de Mahmoud Ahmadinejad em 2009.

Significativamente, os gritos contra o presidente Hassan Rohani, reeleito em maio passado, se transformaram em seguida em críticas à política externa do Irã, especialmente sua intervenção na Síria e no Iraque, que representa grandes gastos para o país. “Deixe a Síria e pense em nossa situação”, gritavam em coro os manifestantes em Sari, cidade próxima ao mar Cáspio. Em outros casos, de “Morte a Rohani” passou-se a “Morte ao ditador”, um lema que se generalizou em 2009 em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Diante da situação, as autoridades reorientaram a convocatória anual para marcar o fim daquela insubmissão popular, prevista para hoje, em uma demonstração de apoio ao líder supremo. A mídia oficial destaca o respaldo “épico” dos iranianos ao sistema. Mas em Qom, cidade que abriga o alto clero xiita e se considera o centro espiritual da República Islâmica, os manifestantes renegavam o sistema e clamavam por uma “república iraniana”.

“Muitos perderam suas economias em instituições de crédito que quebraram, mas se as manifestações se intensificarem, as pessoas serão reprimidas com mão firme. Nisso reformistas e conservadores são iguais”, adverte Morteza, funcionário aposentado de um banco.

Em Mashhad, Quermanxa, Teerã e outras cidades houve dezenas de prisões, mas, segundo a emissora de rádio e televisão estatal (que não cobriu os protestos), a maioria já está em liberdade. Em vários casos, a polícia recorreu a gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os concentrados.

“Ainda é muito cedo para dizer se são realmente motivos econômicos que provocaram essas manifestações”, adverte o economista Saeed Laylaz, conselheiro habitual dos presidentes reformistas. Em sua opinião, “as disputas internas foram o principal motivo do início dos protestos em Mashhad”. Também destaca que durante os últimos quatro anos a economia do Irã melhorou.



“O Governo conseguiu reduzir o índice de inflação a menos de 10% pela primeira vez em meio século. Não descarto que os problemas econômicos tenham influído, mas não se deve esquecer que até alguns anos atrás Mashhad era a capital da lavagem de dinheiro, e agora o Governo fechou seus canais, privando-os de muitos benefícios que tinham antes, então é compreensível que tenham provocado esses protestos como forma de pressão”, explica.

Terceiro dia de protestos nas ruas do Irã (Foto: Reuters)

É uma análise compartilhada por outros observadores, que viram a mão dos ultradireitistas por trás do protesto inicial em Mashhad a fim de enfraquecer o Governo. Ibrahim Raisi, o candidato que perdeu as últimas eleições para Rohani e que transformou a defesa dos pobres em sua bandeira contra as políticas reformistas, menciona o peso que essa cidade tem. Não ajudou o fato de ter publicado em seu canal do Telegram (uma rede social muito popular no Irã) uma mensagem questionando a crítica aos protestos. “Esse apoio tácito o delata”, denunciou Mohamed Ali Abtahi, que foi vice-presidente durante o mandato de Mohammad Khatami.

Por mais que os protestos políticos sejam incomuns no Irã (devido ao controle das forças de segurança), não é raro deparar com pequenas manifestações de trabalhadores demitidos ou pessoas que perderam suas economias em alguma instituição financeira. O que surpreendeu os analistas é a rapidez com que se espalharam, não só pelas redes sociais, mas nos meios de comunicação conservadores.

Se os ultradireitistas estão por trás de tudo, amplia-se a convicção de que o tiro saiu pela culatra. A reação do presidente dos EUA, Donald Trump, que aproveitou a ocasião para fustigar os dirigentes iranianos em seu Twitter, os coloca contra as cordas. Até o poderoso aiatolá Ahmad Alamolhoda, sogro e mentor de Raisi, se viu obrigado a intervir para esclarecer que as frases críticas foram coisa de um pequeno grupo infiltrado entre os manifestantes.


Manifestantes desafiam repressão no Irã

Em meio a crise econômica, maior onda de protestos em quase uma década coloca regime sob pressão. Tensão cresce com pelo menos 500 detenções e 13 mortes no país.

Em meio a uma escalada da violência, os protestos entraram nesta segunda-feira (01/01) em seu quinto dia no Irã, desafiando a repressão e o alerta do regime de que manifestantes serão confrontados com “mão de ferro” se seguirem adiante.

Desde seu início, na quinta-feira, pelo menos 12 manifestantes morreram em confrontos com as forças de segurança. Nesta segunda, a imprensa estatal noticiou a morte de um policial, na cidade de Najafabad, região central do país.

Rostos cobertos: manifestantes na Universidade de Teerã

O clima é de tensão em Teerã, com grande presença das forças de segurança nas ruas. O amplo aparato é resposta aos protestos de domingo, quando manifestantes chegaram a investir contra delegacias e postos militares em várias cidades do país. Só na capital, mais de 200 pessoas foram detidas até agora. Em todo o país, foram cerca de 500 detenções.

Num país em que regime e governo não necessariamente falam a mesma língua e defendem as mesmas ideias, observadores ainda tentam decifrar a natureza das manifestações, que pegaram de surpresa os líderes iranianos.

Os protestos são considerados os maiores desde a a revolta de 2009, quando uma série de manifestações tomou as ruas do país contra supostas fraudes eleitorais a favor do linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, logo se tornando um movimento de maior escala de contestação ao regime dos aiatolás.



Desta vez, os protestos tiveram inicialmente a inflação e o desemprego como alvo, mas logo ganharam tom político, com críticas ao presidente Hassan Rohani e ao líder supremo, Ali Khamenei. Não está claro, porém, se as manifestações, que acontecem por todo o país, tem uma reivindicação uníssona. 

O Irã bloqueou o acesso a mídias sociais como o Instagram e a ferramentes como o Telegram no domingo, mas insistiu que foi uma medida temporária. Em contraste com protestos anteriores, o governo adotou um tom mais conciliatório desta vez – ao menos em relação a determinados grupos de manifestantes – vendo como legítimas algumas reivindicações no campo econômico.

“Os problemas do povo não são simplesmente econômicos: eles também querem mais liberdades”, afirmou a parlamentares Rohani, que reclamou que a ala linha-dura do regime o impede de levar as reformas econômicas que planeja. “Este governo não tem tudo sobre seu controle”

Rohani assumiu para um segundo mandato em agosto, com promessas de revitalizar a economia, minada por sanções internacionais. Os investimentos estrangeiros estão em alta, mas o país continua a sobreviver, sobretudo, da venda de petróleo.

O desemprego entre jovens atingiu recentemente a marca de 40%. Muitas das sanções internacionais foram revogadas com o acordo nuclear de 2015, mas medidas unilaterais americanas contra transações financeiras com o Irã continuam a minar a economia e impedem a maioria dos bancos ocidentais de conceder crédito a iranianos.

O governo da Alemanha pressionou o Irã a respeitar o direito à manifestação pacífica e expressou preocupação com o número de mortos registrado nos protestos. “Estou consternado com o desenvolvimento dos eventos no Irã  e as informações sobre as vítimas”, declarou em comunicado o ministro do Exterior e vice-chanceler alemão, o social-democrata Sigmar Gabriel.

Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu repetidas vezes apoio aos manifestantes no Irã – segundo ele um “grande povo reprimido durante muitos anos”. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou os manifestantes de bravos e heroicos e desejou que tenham “sucesso na nobre busca pela liberdade”.

Em sessão extraordinária, o Parlamento do Irã acusou Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita de fomentarem os distúrbios gerados nas manifestações. O presidente Rohani, porém, afirmou que seria um erro ver os protestos como uma conspiração estrangeira.  RPR/ap/rtr/ots


“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores”.  Mateus 24:6-8


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