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Maria Madalena e o Santo Graal: A Mulher do Vaso de Alabastro

Posted by on 18/07/2018

O cristianismo institucional, que tem alimentado a civilização ocidental há mais de dois mil anos, pode ter sido construído sobre uma gigantesca falha em sua história: a Negação do feminino. Durante muitos anos convivi com uma vaga sensação de que algo estava radicalmente errado com o meu mundo. Sentia que, por um período longo demais, o feminino em nossa cultura vinha sendo desprezado e desvalorizado. Mas foi somente em 1985 que encontrei provas documentais de uma devastadora fratura na história cristã e nos ensinamentos da igreja de Roma. Em abril daquele ano, sabendo do meu grande interesse pelas Escrituras judaico-cristãs e pela origem do cristianismo, uma amiga me indicou o livro The Holy Blood and the Holy Grail”(O Santo Graal e a Linhagem Sagrada).

Edição e imagensThoth3126@protonmail.ch

Livro “Maria Madalena e o Santo Graal: A Mulher do Vaso de Alabastro”, de Margaret Starbird

https://pt.scribd.com/

PREFÁCIO

Em um dos mais iluminados e dramáticos encontros da história da humanidade, Jesus disse a Pilatos:

– Por isso eu vim ao mundo, para ser testemunha da verdade. Todos os que estão ao lado da verdade ouvem a minha voz.

– Verdade? O que é isso? – retrucou Pilatos.

Pilatos sabia que Jesus não era culpado de crime nenhum, mas mesmo assim o condenou à crucificação. A “verdade” da inocência de Jesus estava bem diante de seus olhos, porém ele a ignorou. Em vez disso, concentrou-se nos poderes que precisava enfrentar: o de César e os (sacerdotes judeus) do Templo. Pilatos sacrificou a vida de Jesus e a verdade para proteger a si mesmo das forças religiosas e políticas que o ameaçavam. Há uma lição penosa, mas extremamente importante, para se tirar desse encontro: a verdade não é definida pelo poder político nem pela convicção religiosa.

Jesus não era culpado de um crime porque as autoridades do Templo e a sentença de Pilatos simplesmente assim o declararam, da mesma maneira que o Sol não gira em torno da Terra somente porque a Igreja Católica estabeleceu que isso era um fato. A verdade não é determinada pelo desejo humano nem por decretos – ela significa a harmonização da mente e do coração humanos com o que realmente é. Parece-me necessário dizer tudo isso porque, com muita freqüência, o poder, a opinião pública e a tradição são vistos como sinônimos da verdade.

Os ensinamentos da Igreja Católica Romana sobre a Sagrada Família são um exemplo gritante (contra a verdade). Segundo esses preceitos (dogma), José nunca teve relações conjugais com sua mulher, Maria deu à luz um único filho – Jesus – e permaneceu virgem até o dia de sua morte. E Jesus nunca se casou. Fui apresentado a esse conceito da Sagrada Família nos 12 anos em que fiz os cursos fundamental e médio em uma escola católica. Além dos adicionais 23 anos de educação  jesuítica e formação sacerdotal. Impregnado dessa tradição, reforçada pela ideia de que “com Deus tudo é possível”, aceitei alegremente essa imagem como algo completamente coerente com a singularidade das revelações de Deus.

Com essa visão formada, eu considerava uma grave afronta qualquer desconfiança em relação à virgindade de Maria, José ou Jesus. Assim como Margaret Starbird, que ficou estarrecida e chocada com a tese de que Jesus era casado, eu também aceitava os ensinamentos da Igreja sobre a castidade da Sagrada Família como uma sacrossanta verdade. Entretanto, após dez anos de pesquisas sobre as origens históricas das leis da Igreja relacionadas ao celibato sacerdotal, finalmente percebi que um grave preconceito – para não dizer neurose – permeava as atitudes dessa instituição quanto à intimidade conjugal.

Esse preconceito, originário do gnosticismo e do maniqueísmo, deixou uma ressonante mensagem de que a intimidade conjugal era, no máximo, tolerável ou mesmo uma perpetuação pecaminosa do mal no mundo. Marcion, um dos mais convictos cristãos gnósticos, concedia o batismo e a Eucaristia somente às virgens, viúvas e pessoas casadas que concordassem em não praticar o sexo. Para os marcionitas, a natureza era um mal e, como não queriam trazê-lo para a Terra, abstinham-se do casamento.

Julius Cassianus, outro gnóstico, afirmou que os homens se transformam em verdadeiras bestas durante o ato sexual e que Jesus veio ao mundo para evitar que os seres  humanos copulassem. Santo Ambrósio considerava o casamento um “fardo mortificante” e exortava qualquer um que pensasse em se casar a ter cuidado com a escravidão e a servidão do amor conjugal. Para Tatiano, a relação sexual era uma invenção do diabo, e a vida cristã tornava-se “impensável fora dos limites da virgindade”. Agostinho afirmou que nada conseguiria puxar com mais facilidade “a mente do homem das alturas para baixo do que as carícias de uma mulher e aquela junção de corpos sem a qual não se pode ter uma esposa”. Justino Mártir era tão avesso à intimidade conjugal que não podia imaginar Maria concebendo Jesus por meio do sexo. Em vez disso, ele afirmou que ela concebeu ainda virgem. Orígenes, que acreditava que Jesus fizera voto de castidade, castrou a si mesmo.

Essa presunção sobre as relações sexuais estava tão profundamente arraigada que a Igreja, a partir do século IV, criou leis proibindo que os sacerdotes casados fizessem sexo com suas esposas e que tivessem filhos. Aos que se recusaram a cumprir essas leis anticristãs e antiéticas, sanções cada vez mais severas foram impostas, como multas, espancamentos públicos, prisão, exoneração do sacerdócio e invalidação de seus casamentos. Além disso, o Papa ordenou que suas esposas e seus filhos servissem como escravos da Igreja. O meu despertar para essa neurose sexual presente nas doutrinas da Igreja me deixou profundamente abalado. Seria possível que essas atitudes distorcidas sobre a intimidade conjugal tivessem, de forma significativa, ajudado a moldar os ensinamentos sobre a “Sagrada Família”?

 Seria possível que o desdém da Igreja pelas relações sexuais tivesse resultado em uma representação de Jesus, Maria e José que não correspondesse à verdade? E se, de fato, Jesus não tiver sido o único filho de Maria? Nesse caso, será que a própria Maria não se sentiria ferida por ser considerada a mãe virgem de um único filho? Não seria isso uma negação de seus outros filhos e uma afronta à verdade de seu amor íntimo por seu marido? Não. Seria isso um tremendo desserviço à fé católica? O Evangelho de Mateus afirma:

“Enquanto Jesus ainda falava ao povo, eis que sua mãe e seus irmãos apareceram ali e pediram para falar com ele.”

Em Marcos 3:31 há:

“Chegaram sua mãe e irmãos e, por estarem eles do lado de fora, mandaram chamá-lo.”

Contudo, em Lucas 8:19: .

“A mãe e os irmãos de Jesus chegaram, mas não podiam se aproximar dele por causa da multidão”.

E em Mateus 13:55-56:

“Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos: Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não vivem todas entre nós?”

São Paulo, em 1 Coríntios 9:5, diz:

“Acaso não temos o direito de deixar que nos acompanhe uma mulher, como o fazem os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Pedro?”

Essas evidências das Escrituras dificultam bastante a aceitação da afirmativa da Igreja de que José e Maria não tiveram outros filhos além de Jesus e que o casamento deles era, desde o começo, virginal. Maria não é a mãe virgem de um único filho simplesmente porque os ensinamentos da Igreja assim o declaram. Existe uma verdade sobre sua prole e suas relações matrimoniais com José. Professar essa verdade é o que os honra. Se, realmente, Maria teve vários filhos e filhas, como as Escrituras aparentemente atestam, não a estaremos respeitando se acreditarmos ou afirmarmos que ela deu à luz um único filho e morreu “virgem”.

Da mesma forma, Jesus não foi um celibatário só porque a Igreja prega isso. Não há nada na Bíblia que prove que ele nunca se casou nem que tenha feito uma promessa ou um voto de jamais se casar. O estudioso judeu Ben-Chorin apresenta uma “cadeia de provas indiretas” para comprovar sua crença de que Jesus era casado. Nos tempos de Jesus, o judaísmo considerava o casamento uma obediência ao mandamento de Deus que diz: “Crescei e multiplicai-vos.” Lucas 2:51-52 afirma que Jesus, vivendo sob a autoridade dos pais, “cresceu em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”. Ben-Chorin argumenta que teria sido muito mais provável que os pais de Jesus, como era costume na época, tivessem procurado uma noiva para o filho e que Jesus, como todos os rapazes – principalmente os que estudavam a Torah -, tivesse se casado. Caso contrário, teria sido ainda mais criticado em razão dessa falta pelos fariseus que se opunham a ele.

E São Paulo, ao apresentar razões para enaltecer o valor do celibato, logicamente teria citado a própria vida de Jesus como exemplo, caso este fosse um celibatário. Mas ele nunca fez tal afirmativa. Portanto, Ben-Chorin conclui: Jesus era casado. Por outro lado, surge a questão: se Jesus se casou, por que não existem nas Escrituras menções específicas a esse fato ou ao nome de sua esposa? A resposta de Margaret Starbird a essa pergunta é que a ameaça física à vida da mulher de Jesus teria sido motivo suficiente para excluir o seu nome de todos os escritos da época. Essa explicação é bastante plausível, especialmente se levarmos em consideração as severas punições sofridas pelos primeiros seguidores de Jesus. Ela diz ainda: “Eu não posso provar que Jesus se casou nem que Maria Madalena era mãe de seu filho… Mas posso constatar que esses são dogmas de uma heresia amplamente aceita na Idade Média e que seus resquícios estão presentes em numerosos trabalhos de arte e literatura. Ela foi veementemente atacada pela hierarquia da Igreja de Roma, mas conseguiu sobreviver, apesar da incansável perseguição que sofreu”.

Questionar os dogmas da fé da igreja de Roma pode ser algo extremamente difícil e ameaçador, ainda mais quando lidamos com um tema tão carregado de emoções e tabus quanto a identidade sexual da Sagrada Família. É muito mais reconfortante aceitar os ensinamentos “oficiais” e as tradições do que admitir a pura verdade. Embora a Igreja Católica tenha contribuído positivamente – e muitas vezes – para o desenvolvimento da espiritualidade e da civilização, sua atitude quanto à sexualidade humana apresenta graves falhas. Se esses equívocos criaram uma imagem irreal de Jesus, Maria e José, então cabe aos cristãos conscientes fazer todo o possível para descobrir a verdade sobre a Sagrada Família.

É claro que essa busca requer sacrifícios e expõe os que a desejam a injúrias, ofensas e ao escárnio. Coragem e profundo respeito pela verdade são virtudes necessárias a essa peregrinação, pois a jornada é repleta de ameaças, tentações e ilusões. Este livro é uma corajosa exploração de uma questão extremamente delicada. Ele tenta descobrir o sentido do Santo Graal e resgatar a Noiva Perdida de Jesus.

Ainda não existem provas do casamento ou do celibato de Jesus, e a própria autora admite que, por mais informativas e significativas que sejam as suas descobertas, elas não atestam sua tese. Mas, até que a Igreja possa oferecer provas concretas de que Jesus nunca se casou, aqueles que buscam – com seus corações, mentes e almas – a verdade sobre ele e sua família não devem ser temidos nem desprezados, e sim amplamente louvados.

REVERENDO TERRANCE A. SWEENEY, PH.D. –  Mestre em Artes de Comunicação e Doutor em Teologia e Humanidades


INTRODUÇÃO

O cristianismo institucional, que tem alimentado a civilização ocidental há mais de dois mil anos, pode ter sido construído sobre uma gigantesca falha em sua história: a Negação do feminino. Durante muitos anos convivi com uma vaga sensação de que algo estava radicalmente errado com o meu mundo. Sentia que, por um período longo demais, o feminino em nossa cultura vinha sendo desprezado e desvalorizado. Mas foi somente em 1985 que encontrei provas documentais de uma devastadora fratura na história cristã. Em abril daquele ano, sabendo do meu grande interesse pelas Escrituras judaico-cristãs e pela origem do cristianismo, uma amiga me indicou o livro The Holy Blood and the Holy Grail”(O Santo Graal e a Linhagem Sagrada).

Após essa leitura, fiquei completamente atônita. Minha primeira reação foi achar que os autores – Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln – tinham que estar errados. Sua obra era quase uma blasfêmia (para os impregnados pelos dogmas do catolicismo da igreja de Roma). Eles sugeriam que Jesus Cristo havia sido casado com a “outra Maria” citada nos Evangelhos: a que chamavam “a Madalena”: a mulher que, na arte ocidental, era mostrada carregando um vaso de alabastro – a santa a quem a Igreja chama de prostituta penitente. Não fiquei apenas chocada com essa idéia, mas profundamente abalada.

Como a Igreja não teria mencionado esse fato caso fosse verdade? Uma afirmação de tamanha importância não poderia ter sido negligenciada durante os dois mil anos de história dessa instituição! Entretanto, as evidências colecionadas por esses escritores sugeriam que a verdade havia sido suprimida de maneira implacável pela Inquisição. Como filha leal da Igreja Católica Romana, logo presumi que os autores de tamanha heresia estavam enganados. Mas a tese central – de que Jesus teria sido casado – não me deu descanso. Ela me assombrava. E se fosse verdade? E se Maria Madalena, a suposta mulher de Jesus, tivesse sido apagada da história, e a Igreja de Roma, que então se iniciava, tivesse continuado a se desenvolver sem a delicada presença dessa mulher? Pensar sobre as implicações de tão terrível perda para a Igreja e para a humanidade era algo insuportável para mim. Aos prantos, orei para entender essa versão herética do Evangelho. Eu sabia que precisava descobrir a verdade.

Amparada em meus conhecimentos acadêmicos em literatura comparada, lingüística e estudos medievais e bíblicos, enxuguei as lágrimas e comecei a pesquisar a heresia, presumindo que logo encontraria meios de refutá-la. O livro envolvera muitas áreas do meu interesse pessoal e da minha formação profissional: religião, civilizações medievais, arte, literatura e simbolismo. Eu havia ensinado estudos bíblicos e educação religiosa durante vários anos, por isso conhecia bem o terreno (pantanoso) em que estava pisando. No início, imaginei que desmascarar a heresia seria uma tarefa simples. Fui diretamente às pinturas dos artistas citados pelos autores de O Santo Graal e a linhagem sagrada como coniventes com a heresia do Graal. Examinei os símbolos naqueles trabalhos, comparando-os com as marcas-d’água dos albigenses (hereges que se disseminaram no Sul da França entre 1020-1250 d.C.) que eu havia encontrado alguns anos antes em uma obscura obra de Harold Bayley, The Lost Language of Symbolism (A linguagem perdida do simbolismo).

Fiquei desconcertada ao descobrir que as produções daqueles artistas medievais continham claras referências que reforçavam a “heresia” do Graal. Incapaz de refutá-la com base nesse fato, prossegui em minha busca. A pesquisa acabou por me levar às profundezas da história européia, da heráldica, dos rituais da maçonaria, da arte medieval, do simbolismo, da psicologia, da mitologia, da religião e das Escrituras judaicas e cristãs. Em todos os lugares nos quais procurava, encontrava evidências do feminino que haviam sido perdidas ou negadas pela tradição judaico-cristã e das várias tentativas de devolver à Noiva a sua antiga e acalentada condição. Quanto mais eu me envolvia com o material, mais claro ficava que existia algo de real nas teorias propostas no livro que eu lera. E, aos poucos, fui me rendendo aos dogmas centrais da heresia do Graal, a mesma teoria que eu havia me proposto a desacreditar.

Ao selecionar o material para este livro, trabalhei baseada na teoria de que onde há fumaça há fogo. Quando tantas evidências de fontes tão numerosas e diversas podem ser reunidas para comprovar uma única hipótese, há uma boa razão para levá-la a sério. Portanto, poderia mesmo existir alguma verdade nos rumores que persistiram por dois mil anos e que vieram à tona mais recentemente, para que todos pudessem ver, nos filmes  Godspell A esperança, Jesus Cristo superstar e A última tentação de Cristo, os quais mostram o relacionamento de Jesus e Maria Madalena como algo muito significativo e com uma intimidade toda especial.  

Eu não posso provar que os dogmas da heresia do Graal são verdadeiros – nem que Jesus se casou, nem que Maria Madalena era mãe de seu filho. Não posso sequer provar que Maria Madalena era a mulher do vaso de alabastro que ungiu Jesus em Betânia. Mas posso constatar que esses eram dogmas de uma heresia amplamente aceita na Idade Média (e implacavelmente perseguido pela igreja de Roma) e que seus resquícios estão contidos em numerosos trabalhos de arte e literatura. Ela foi veemente e sistematicamente atacada pela hierarquia da Igreja de Roma, mas conseguiu sobreviver, apesar da incansável perseguição que sofreu. A heresia que manteve viva a outra versão da vida de Jesus foi impiedosamente perseguida, julgada e condenada à extinção. Mas a história do Noivo Sagrado mostrou-se virulenta demais, até para a Inquisição. E continuou a frutificar de tempos em tempos, como uma robusta videira que se espalha debaixo da terra e depois vem à superfície.

Ela apareceu em situações em que a Inquisição e a Igreja não podiam arrancar suas raízes – nos contos do folclore europeu, em sua arte e literatura -, sempre escondida, freqüentemente codificada em símbolos ocultos e sotéricos, mas sempre onipresente. Manteve viva a esperança da linhagem davídica, que muitas vezes era chamada de “Videira”. Existem várias possibilidades sobre a heresia do casamento de Jesus. Talvez ela seja autêntica e tenha sobrevivido porque os que a defendiam não apenas acreditavam nela como sabiam que era verdadeira (por exemplo, por meio de provas como o célebre “tesouro dos templários”: sob a forma de documentos ou artefatos genuínos). Ou talvez ela tenha sido disseminada na tentativa de devolver o princípio do feminino perdido ao dogma católico, que estava claramente desequilibrado em favor do masculino e o patriarcado.

Essa restauração do equilíbrio dos opostos, base da filosofia clássica, pode ter sido considerada necessária para o bem-estar da civilização. O culto do feminino floresceu em Provença no século XII. Tentativas confluentes dos cabalistas judeus de resgatar a Senhora Matronit como a esposa perdida de Jeová, na mitologia judaica, comprovam o fato de que esse resgate do feminino era visto como importante – ou mesmo vital. Um movimento semelhante acontece hoje no mundo ocidental, revelando-se em estudos junguianos na área da psicologia, nos conceitos asiáticos do yin/yang e na consciência do poder feminino, da deusa. Também são muito significativas as numerosas aparições recentes da Virgem Maria, a única imagem de deusa permitida pela igraja romana. E suas imagens têm sido vistas derramando lágrimas em igrejas católicas por todo o mundo. Esses fenômenos vêm ganhando destaque na mídia nos últimos anos.

Até as pedras choram! O feminino desprezado e esquecido está suplicando para ser reconhecido e abraçado por nossa era moderna. A perda do feminino teve um impacto desastroso em nossa cultura. Masculino e feminino estão profundamente feridos neste início do terceiro milênio. As dádivas do feminino não foram aceitas ou apreciadas por completo. Enquanto isso, o masculino, frustrado pela incapacidade de harmonizar suas energias com um feminino bem desenvolvido, continua a liderar o mundo empunhando a espada, brandindo armas irresponsavelmente, atacando com violência e destruição. No mundo antigo, o equilíbrio entre as energias opostas era compreendido e respeitado. Mas, no mundo moderno, as atitudes e os atributos masculinos têm dominado. A adoração do poder e da glória do princípio masculino/solar está a poucos passos da “adoração do filho”: um culto que, com freqüência, produz um homem mimado e imaturo – zangado, frustrado, entediado e, muitas vezes, perigoso. Sem poder se integrar à sua “outra metade”, o masculino se exaure.

O resultado final do princípio feminino desvalorizado não é apenas a poluição ambiental, o hedonismo ou a criminalidade desenfreada. O resultado fundamental é o holocausto da humanidade. Este livro é uma exploração da heresia do Santo Graal e um argumento a favor do resgate da mulher de Jesus, com base em importantes provas circunstanciais. É também uma busca do significado da Noiva Perdida na psique humana, na esperança de que seu retorno ao nosso paradigma de completude possa nos ajudar a restaurar a terra infértil. Aqui, registrei os resultados da minha busca pessoal pela Noiva Perdida na história cristã. Procurei explicar de que modo ela foi esquecida e como esse fato tem sido devastador para a civilização ocidental. Tentei, ainda, visualizar o que aconteceria se conseguíssemos restituí-la ao paradigma.

Os anos que passei pesquisando acarretaram conseqüências. Levei o assunto a sério. Lutei com o material deste livro e batalhei para lhe dar forma e substância. O trabalho foi longo e difícil. Muitas vezes, temi que ele me virasse do avesso. Doutrinas nas quais acreditei pela fé tiveram que ser arrancadas e descartadas para que novas crenças fossem plantadas e cuidadas até formarem raízes. Toda a estrutura da Igreja Católica da minha infância precisou ser desmontada para deixar à mostra a perigosa falha existente em suas fundações, permitindo que um novo sistema de crenças pudesse ser cuidadosamente reconstruído quando a fissura tivesse se fechado. Esse processo durou muitos anos. Em algum momento, desisti de ser apologista da doutrina e embarquei na busca pela verdade. Estou dolorosamente consciente de que minhas conclusões não são ortodoxas, mas isso não significa que não sejam verdadeiras. Muitas pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes do abismo que separa as descobertas dos modernos estudiosos da Bíblia da versão de cristandade ensinada nos púlpitos das igrejas. Espero que este livro possa ser uma ponte que transponha esse hiato.

Ao escrevê-lo, tomei a liberdade de comparar passagens em várias Bíblias e escolher as palavras que expressavam melhor o que eu pretendia dizer. A Bíblia que usei por vários anos, de onde a maioria de minhas citações foi extraída, é a Saint Joseph New Catholic Edition (Nova Edição Católica de São José), de 1963, somente porque ela é a Bíblia com a qual tenho maior familiaridade. Em vários casos, os textos escolhidos foram da Nova Versão Internacional (NVI) e estão identificados com essa sigla. Tive a preocupação de manter a coerência com relação ao uso dos nomes e à numeração dos livros e salmos encontrados no cânon protestante da Bíblia. Espero que este livro inspire outras pessoas a começarem a sua própria busca pelo tesouro mais precioso da cristandade, uma pérola de valor inestimável: o Santo Graal.

Continua …

A Matrix (o SISTEMA de CONTROLE): “A Matrix é um sistema de controle, NEO. Esse sistema é o nosso inimigo. Mas quando você está dentro dele, olha em volta, e o que você vê? Empresários, professores, advogados, políticos, carpinteiros, sacerdotes, homens e mulheres… As mesmas mentes das pessoas que estamos tentando despertar. Mas até que nós consigamos despertá-los, essas pessoas ainda serão parte desse sistema de controle e isso as transformam em nossos inimigos. Você precisa entender, a maioria dessas pessoas não está preparada para ser desconectada da Matrix de Controle. E muitos deles estão tão habituados, tão profunda e desesperadamente dependentes do sistema, que eles vão lutar contra você para proteger o próprio sistema de controle que aprisiona suas mentes …”


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