The Economist: Trump é o maior perdedor da guerra no Irã

Nem todas as guerras têm um vencedor. Mas toda guerra tem pelo menos um perdedor e se — um grande SE — o cessar-fogo marcar o fim da guerra no Irã, o maior perdedor será Donald Trump. O conflito atrasou os seus principais objetivos de guerra e revelou a superficialidade da sua visão de uma nova forma de exercer o poder americano. A paz é desesperadamente frágil. Os Estados Unidos e o Irã não conseguem chegar a um acordo sobre se o acordo abrange o Líbano, que está sendo atacado tão duramente por Israel que a ameaça ao cessar-fogo mais amplo parece intencional [por parte dos judeus].

Fonte: The Economist

Além da crise moral, Estados Unidos não conseguiram cumprir os principais objetivos com a guerra

Eles contestam como o Irã deveria abrir o Estreito de Ormuz, uma pré-condição americana para as negociações. E suas posições de negociação são tão distantes que eles não conseguem chegar a um acordo nem mesmo sobre qual plano discutir em Islamabad no próximo fim de semana.

Caso o cessar-fogo marque o fim da guerra no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será o maior perdedor, afirma a revista The Economist [Rothschild] em reportagem publicada nesta quinta-feira (09). “O conflito prejudicou seus principais objetivos de guerra e revelou a superficialidade de sua visão para uma nova forma de exercer o poder americano”, afirma a revista britânica.

Para a Economist, Trump tratou a guerra no Irã como “um projeto de vaidade, no qual a força militar americana o absolveu da responsabilidade de ponderar as consequências de optar por atacar”. Os EUA são a maior potência militar do planeta, mas o conflito mostrou que ela pode ser “superestimada”, diz a reportagem.

“A guerra mostrou que ‘a força faz o direito’ não é apenas uma profanação de décadas de política externa, mas uma falácia. Embora a superioridade militar americana tenha ficado evidente no Irã — integrando inteligência artificial às operações, resgatando pilotos abatidos, alcançando a supremacia a alto custo — ela também revelou problemas profundos”, afirma a revista.

“Os EUA costumavam derivar seu poder da união da força militar com a autoridade moral. Mas quando este presidente [Trump] ameaça exterminar a civilização iraniana — um genocídio, por outro nome —, ele trata a moralidade como se fosse uma fonte de fraqueza”, acrescenta a revista The Economist.

Ainda que alcançar a paz pareça difícil, considerando que Israel continua atacando o Líbano e os EUA e o Irã possuem condições diferentes para encerrar o conflito, a The Economist acredita que “Trump agora compreende que nunca deveria ter iniciado a guerra” e que continuar com ela “causaria pânico nos mercados”, além de correr o risco de fazê-lo parecer “um tolo”.

Fracasso nos objetivos da guerra

Segundo a revista, Trump tinha três objetivos com a guerra: “tornar o Oriente Médio mais seguro e próspero, controlando o Irã; derrubar o regime; e impedir que o Irã se torne uma potência nuclear de uma vez por todas.”

O governo americano declarou “vitória total e completa” após anunciar o cessar-fogo com o Irã, mas a The Economist aponta que os objetivos traçados não foram cumpridos e que, alguns casos, podem ter até piorado a situação. “O excesso de testosterona [e de estupidez] leva a julgamentos desastrosos que confundem letalidade com vitória”, critica a revista.

Insegurança regional

A The Economist aponta que a guerra teve um efeito contrário no propósito de aumentar a segurança regional, já que o Irã teria ampliado a sua influência, atacando países do Golfo e bloqueando a navegação pelo Estreito de Ormuz.

“Os países do Golfo, que se apresentavam como oásis de tranquilidade [destruídos], precisam se perguntar se podem confiar nos Estados Unidos. Ou deveriam repensar sua segurança, investindo mais por conta própria ou até mesmo buscando um acordo com o Irã”, diz a The Economist.

Regime iraniano permanece

Para a revista, Trump parece nutrir a esperança de que o povo iraniano se revolte contra o governo, uma vez que antes da guerra, a impopularidade do regime era elevada, mas essa rebelião não parece provável agora.

“Com o aiatolá Ali Khamenei doente, o regime enfrentava uma transição perigosa para uma nova geração. A guerra trouxe essa transição, consagrando o filho de Ali, Mojtaba. Ao contrário de Ali, ele é uma figura decorativa. O controle está nas mãos da Guarda Revolucionária Islâmica e suas facções rivais — todas elas nacionalistas beligerantes”, afirma a The Economist.

Conflito nuclear

Apesar de EUA e Israel terem causado mais danos à infraestrutura do Irã, as instalações nucleares e o urânio enriquecido nelas parecem que não foram afetadas, segundo a revista. “O Irã quer o alívio das sanções, mas o incentivo para dissuadir futuros ataques usando o ‘pó nuclear’ para fabricar uma bomba aumentou, o que pode levar à proliferação nuclear regional”.

Ataques realizados a cada poucos anos poderiam impedir o avanço iraniano em armamentos nucleares, aponta a revista, mas isso seria difícil de ser sustentado por presidentes futuros, considerando o resultado da guerra atual.


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