O Banco Central do Brasil aumentou a participação do ouro nas reservas do país de 3,55% para 7,19% em apenas um ano, efetivamente dobrando sua exposição e tornando o ouro o segundo maior ativo de reserva depois do dólar americano, enquanto as reservas totais estão em aproximadamente US$ 358,23 bilhões e a participação do dólar caiu para cerca de 72%, marcando uma baixa recorde.
Fonte: Activist Post
Este não é um ajuste marginal ou diversificação de rotina, é um reposicionamento estrutural que reflete um crescente desconforto com os mercados de dívida soberana, ou seja os títulos do Tesouro dos EUA.
Quando um banco central reduz a exposição ao dólar enquanto aumenta as reservas de ouro, ele não está agindo aleatoriamente, mas respondendo a uma mudança na confiança, e isso se alinha diretamente com a tendência mais ampla que estamos testemunhando globalmente, já que os bancos centrais compraram coletivamente cerca de 863 toneladas de ouro em 2025 e devem permanecer como fortes compradores do metal dourado em 2026.
As forças motrizes por trás disso não são a inflação no sentido tradicional, mas a fragmentação geopolítica, a militarização das reservas, o regime de sanções através do dólar e a percepção de que os níveis de dívida soberana não são mais sustentáveis sem a intervenção contínua do banco central.

A ação do Brasil reflete o que temos alertado há anos, que é que os fluxos de capital, não as balanças comerciais, ditam a força das moedas e, quando a confiança na dívida pública começa a diminuir, esse capital começa a migrar para ativos que não são responsabilidade de outro país.
O ouro cumpre esse papel porque não pode ser impresso, deixado de lado ou congelado por um governo estrangeiro, e isso se torna essencial em um mundo onde sanções e restrições financeiras são cada vez mais usadas [pelo hospício do ocidente] como ferramentas políticas.
A importância da decisão do Brasil é que ele não está repatriando ouro como a França ou a Alemanha, mas sim realocando reservas de uma forma que reduza silenciosamente a dependência do dólar sem desencadear perturbações no mercado.
Muitas vezes é assim que essas transições importantes começam, à medida que se desenrolam de forma incremental até atingirem um ponto de inflexão. Não se trata de abandonar o dólar da noite para o dia, trata-se de se preparar gradualmente para um mundo onde a confiança na dívida soberana dos EUA, cada vez mais endividade e prudulário, não seja mais considerada garantida.



