Eis como o Irã protagonizou a maior Reviravolta do Século.

Muitos poucos fora do Irã, do seu “Eixo da Resistência” e dos seus apoiadores internacionais acreditavam que o país escaparia do mesmo destino do Iraque, da Líbia e da Síria. Mas o Irã é um país enorme, com grande população, uma cultura milenar de três mil e quinhentos anos e demonstrou uma capacidade de resiliência que os países árabes nunca possuíram, afinal os iranianos são os persas.

Fonte: Global Research

Muitos esperavam que o Irã, um país não árabe, seguisse o caminho do Iraque, da Líbia e da Síria no início da Terceira Guerra do Golfo, razão pela qual o resultado desse conflito pode ser descrito como a Reviravolta do século. O Irã não destruiu Israel como ameaçou fazer por muito tempo, nem afundou nenhum navio americano como seus porta-vozes midiáticos haviam incitado seus apoiadores a esperar, mas ambos – os EUA e especialmente Israel – ficaram bastante fragilizados. O Irã sobreviveu, embora ferido, é claro, como explicado aqui, e saiu muito mais forte em quase todos os sentidos, devido aos cinco fatores que serão enumerados a seguir.

1. Enorme arsenal de drones e mísseis DESENVOLVIDOS EM CASA COM TECNOLOGIA PRÓPRIA

Os estrategistas iranianos previram, com sabedoria, décadas atrás, que o futuro da guerra cinética na sua região seria de longo alcance e não tripulada. Compreenderam também a importância de construir um complexo militar-industrial o mais autossuficiente possível em caso de bloqueio. Para tanto, estocaram todas as matérias-primas estrangeiras necessárias para expandir seu arsenal de drones e mísseis nessas condições, permitindo assim que o pais persa desenvolvesse seus mísseis e drones [algo que Israel não tem capacidade, pois depende visceralmente da ajuda de seu vassalo, os EUA] e retaliasse pesadamente contra seus adversários mesmo após a destruição de seus sistemas de defesa aérea, marinha e força aérea.

2. Disposição e CAPACIDADE para escalada recíproca

Para crédito do Irã, o país não hesitou em intensificar reciprocamente as hostilidades contra Israel, os EUA ou os Estados do Golfo Pérsico, o Bahrein, Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e o Iraque e Jordânia no Oriente Médio, cujo espaço aéreo e/ou instalações (bases aéreas, radares, docas, etc.) eram usados ​​pelos EUA contra o Irã. O Irã continuou agindo dessa forma, apesar de seus adversários possuírem armas nucleares [Israel e os EUA] e, no caso de Trump, insinuarem de forma sinistra o uso de tais armas para destruir sua civilização milenar. Ao aumentar os custos para os seus adversários, enquanto absorvia os custos ainda maiores que eles lhe infligiam, o Irã surpreendeu a todos e causou um enorme caos em toda a região e no comércio global de petróleo.

3. Defesa Descentralizada em Mosaico

Os estrategistas iranianos também previram, com perspicácia, que seus adversários provavelmente decapitariam sua liderança, daí a necessidade de descentralizar a defesa do país, liderada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a fim de manter escaladas recíprocas com drones e mísseis, que, segundo eles, acabariam por exaurir seus adversários todos vulneráveis. Essa abordagem não foi isenta de riscos, já que quase desencadeou uma guerra com o pequeno Azerbaijão e, consequentemente, possivelmente também com a Turquia, membro da OTAN, mas, no geral, foi extremamente bem-sucedida e superou em muito as expectativas.

4. População Patriotamente Unida

Apesar da violência política ocasional (possivelmente exacerbada por conflitos externos pela CIA/MOSSAD/MI6 que exploraram ressentimentos preexistentes), a esmagadora maioria dos persas uniu-se patrioticamente em defesa de seu Estado-civilização. A maioria das pessoas, independentemente de suas identidades políticas, religiosas, étnicas ou regionais, compreendeu a importância existencial da questão após Israel e os EUA a terem discutido explicitamente, razão pela qual não houve revoltas em tempos de guerra, a fim de evitar ceder aos interesses de seus adversários. Assim, suportaram pacientemente o sofrimento.

5. Paciência Diplomática Estratégica

Por fim, os negociadores iranianos não aceitaram a primeira proposta, apesar dos crescentes custos para o Estado, em grande parte para prolongar o sofrimento infligido pela guerra aos seus adversários, na esperança de que isso os dividisse e, assim, criasse um contexto internacional mais favorável para a cessação das hostilidades, algo em que foram extremamente eficazes. Calcularam também que a sua população permaneceria unida, o que fundamentou esta política e explica por que a política de “pressão máxima” dos EUA não resultou na “rendição incondicional” do Irã, tendo acontecido praticamente o oposto, visto que o Irã emergiu do conflito com muito maior simpatia internacional e maior poder de negociação na região do Golfo Pérsico e Oriente Médio.

O Irã habilmente combinou fatores militares, estratégicos, econômicos, políticos e diplomáticos para sobreviver à Terceira Guerra do Golfo, o que é indiscutivelmente uma grande vitória, considerando quantos esperavam que o país seguisse o caminho do Iraque, da Líbia e da Síria.

Embora o Irã não tenha destruído Israel, o que muitos de seus apoiadores consideravam o marco do sucesso antes do início das hostilidades e haviam prometido que aconteceria caso isso ocorresse, ainda assim causou danos sem precedentes ao seu adversário. Israel fez o mesmo com o Irã, mas ainda assim perdeu muito, já que não alcançou nenhum de seus objetivos, muito pelo contrário.

Vale destacar que o maior perdedor, de forma irrefutável e com grandes prejuízos, foi o minúsculo estado pária de Israel, que agora se ve completamente pressionado pela acordo EUA/Irã e com um grande desgaste em suas relações com o seu vassalo, os EUA, que pode estar dando um basta nesta relação doentia.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nosso conteúdo

Junte-se a 4.275 outros assinantes

compartilhe

Últimas Publicações

Indicações Thoth