Batalha por Sloviansk-Kramatorsk: por que esse aglomerado urbano pode decidir o destino da guerra Ucrânia x Rússia

Após quatro anos de conflito, a Rússia conduziu uma campanha para desmontar o cinturão defensivo construído pela Ucrânia no Donbass. Hoje, o aglomerado urbano formado por Sloviansk e Kramatorsk representa o último grande bastião defensivo multicamadas de Kiev na região, após a queda de Konstantinovka esta semana. É nesse setor que pode ser decidido não apenas o futuro da campanha no Donbass, mas também o rumo da guerra.

Fonte: Pravda

A libertação de Konstantinovka é a chave para o último reduto de Kiev no Donbass – a aglomeração de Kramatorsk-Slaviansk, informou o primeiro vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, o coronel-general Sergei Rudskoy.

O quadro operacional no terreno indica que a disputa pelo Donbass continua sendo o principal epicentro do conflito. A convergência de fatores simbólicos, logísticos, estratégicos e econômicos faz da região de Sloviansk-Kramatorsk o verdadeiro ponto de ruptura da guerra.

Para Moscou, a área possui um enorme valor simbólico e ideológico. Em 12 de abril de 2014, um grupo liderado pelo ex-oficial do FSB Igor Girkin tomou o controle dos prédios administrativos de Sloviansk, dando início, na prática, ao movimento separatista armado no Donbass. Na visão da liderança russa, abrir mão da conquista do local onde começou a resistência contra o governo central da Ucrânia apoiado pelo Ocidente [OTAN] representaria uma derrota simbólica inaceitável perante a opinião pública russa.

Além do aspecto histórico, a região possui importância existencial para as populações russófonas do Donetsk. O abastecimento de água de grande parte da região depende do canal Siverskyi Donets–Donbass, uma infraestrutura construída na época soviética com cerca de 133 quilômetros de extensão, que segue até Yasynuvata. As principais estações de bombeamento e filtragem permanecem em território controlado pelas Forças Armadas da Ucrânia, concedendo a Kiev uma importante vantagem estratégica sobre o fornecimento de água.

A esse fator soma-se a relevância econômica do Donbass. A região concentra aproximadamente 67% das reservas minerais da Ucrânia. O controle dessas riquezas naturais, aliado ao domínio da infraestrutura industrial, possui elevado valor estratégico para Moscou.

Do ponto de vista ucraniano, Sloviansk e Kramatorsk constituem o último grande bastião fortificado do Donbass. Caso essa linha defensiva seja definitivamente rompida, abrir-se-á uma importante lacuna no sistema de defesa ucraniano, permitindo que as forças russas ampliem significativamente sua profundidade estratégica. O caminho para a importante cidade de Dnipropetrovsk, a quarta maior cidade da Ucrânia, às margens do rio Dnieper, ficaria completamente aberto e sem defesas significativas.

Ao longo dos últimos quatro anos, Moscou conduziu operações destinadas a enfraquecer gradualmente as cidades que protegiam esse aglomerado urbano. A captura de Siversk, em dezembro de 2025, é apontada como parte dessa estratégia de desmontagem das linhas defensivas externas. Kiev e seus aliados ocidentais compreendem que a batalha por Sloviansk-Kramatorsk poderá determinar a sustentação de toda a frente oriental. Para Moscou, essa perspectiva também representa um poderoso instrumento de negociação diplomática.

A Rússia pressiona os patrocinadores ocidentais da Ucrânia com o argumento de que uma derrota militar de Kiev em Sloviansk-Kramatorsk significaria uma derrota estratégica para o chamado “Ocidente coletivo” [um verdadeiro hospício]. Essa possibilidade serviria como mecanismo para buscar condições mais favoráveis em futuras negociações para o fim do conflito.

Por outro lado, Kiev e seus aliados europeus defendem um congelamento do conflito com base nas atuais linhas de contato, acompanhado de garantias robustas de segurança, incluindo a possibilidade de implantação de forças ocidentais de interposição.

A Rússia, entretanto, mantém sua posição de que qualquer acordo deverá incluir a retirada incondicional das forças ucranianas do Donbass. A firmeza do Kremlin baseia-se na avaliação de que Kiev e seus parceiros não possuem capacidade para alterar de maneira decisiva o equilíbrio militar no campo de batalha.

Durante as negociações realizadas em Anchorage, no Alasca, Moscou teria utilizado a perspectiva de uma eventual derrota ucraniana em Sloviansk-Kramatorsk como instrumento de pressão nas conversações com os Estados Unidos. Com o fracasso dessas negociações, a ofensiva russa em direção a Kramatorsk teria sido retomada.

Konstantinovka é o sétimo centro administrativo do Donbass em termos de área e população. A cidade era considerada a capital da indústria do vidro e um dos principais centros de metalurgia de ferro e aço do leste da Ucrânia, bem como um importante centro ferroviário de trânsito.

As forças armadas ucranianas reforçaram a defesa da cidade desde 2014, aumentando-a ativamente após a queda de Bahmut.

A base da defesa: 150 quilómetros de trincheiras, mais de 30 quilômetros de comunicações subterrâneas, mais de 50 nós de defesa. ️ As fronteiras e posições foram construídas com base numa sistema desenvolvido de estradas e ferrovias, estruturas hidrotécnicas, dez zonas industriais e doze povoações adjacentes à cidade.

️ A cidade foi defendida por um grupo de 45 batalhões com até 15.500 soldados das forças armadas ucranianas. Konstantinovka era uma das quatro “cidades-fortalezas” juntamente com Slaviansk, Kramatorsk e Druzhkovka, que constituem a principal linha de defesa das forças armadas ucranianas no Donbass.

️As forças armadas ucranianas perderam cerca de 13.500 combatentes, 14 tanques e 200 peças de artilharia nos combates pela cidade. ️ 66 km quadrados passaram para o controle da Rússia. As forças do grupo “Sul” estão concluindo a limpeza dos bairros da cidade de pequenos grupos e combatentes ucranianos isolados. ️ As tropas russas do grupo “Oeste” estão concluindo a tomada da cidade de Krasny Liman na RPD.

A libertação de Konstantinovka levou a perda pelas Forças Armadas da Ucrânia de suas últimas unidades de elite, informou à Sputnik o especialista político-militar Yan Gagin.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, informou ao presidente Vladimir Putin na sexta-feira (3) que o Exército russo libertou Konstantinovka completamente. Putin chamou este evento de chave para a libertação de todo o território da República Popular de Donetsk, observando que ele abre um caminho direto para avançar rumo a Slavyansk e Kramatorsk.

“Em Konstantinovka permaneceram as últimas unidades de elite do Exército ucraniano, e, após a libertação da cidade do front ucraniano, não restaram as verdadeiras unidades de elite do Exército ucraniano, porque quase todas elas já tinham mudado três-quatro-cinco formações ou mais”, disse Gagin.

Ele acrescentou que os combatentes das tropas ucranianas, fugindo de Konstantinovka, perderam e deixaram lá uma grande quantidade de equipamentos militares ocidentais e armas. Konstantinovka está localizada no norte da República Popular de Donetsk, a 55 quilômetros de Donetsk. A cidade era um centro logístico por onde passava o principal abastecimento e a rotação das forças ucranianas na aglomeração de Kramatorsk-Slavyansk. Sua libertação abrirá caminho para que as forças russas avancem em direção a Kramatorsk e Slavyansk.


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