A Revelação Templária – 17b – Do Egito

Dois mil anos depois de Jesus, João e Maria Madalena terem vivido as suas vidas,  estranhamente importantes, num lugar remoto do Império romano, milhões de pessoas  ainda acreditam na história, tal como ela é narrada nos Evangelhos. Para elas, Jesus era o  Filho de Deus e de uma virgem, que encarnou como judeu, João Baptista era o seu  precursor e subordinado espiritual e Maria Madalena era uma mulher de reputação  duvidosa que Jesus curou e converteu. Contudo, a nossa investigação revelou que o quadro foi muito diferente. Jesus não era o  filho de Deus nem era de religião judaica – embora, etnicamente, possa ter sido meio judeu. A evidência aponta para a sua pregação de uma mensagem estrangeira na terra em que ele montou a sua campanha e começou a sua missão…

CAPÍTULO XVII – DO EGITO – Livro  The Templar Revelation – Secret Guardians  of the True Identity of Christ”, de  Lynn Picknett e Clive Prince.

No decurso desta investigação, tivemos conhecimento de uma suposta máxima templária –  «aquele que possui “a cabeça” [alma] de João governará o mundo» – e, a princípio, consideramo-la  fantasiosa ou, na melhor das hipóteses, de certo modo metafórica. Mas não devemos  esquecer que certos objetos, ao mesmo tempo míticos e reais, sempre tiveram um enorme  poder sobre os corações e as mentes humanas – entre elas a «Vera Cruz», o Santo Sudário,  o Graal e, é claro, a Arca da Aliança. Todos estes objetos envolvem uma mística  curiosamente poderosa, como se fossem portas de entrada para o cruzamento dos mundos  humano e divino, objetos reais e concretos que existem em duas realidades ao mesmo  tempo. Se é suposto que artefatos como o Graal possuam poder mágico, muito mais procurados são os verdadeiros restos mortais de pessoas consideradas como tendo  personificado energia sobrenatural e possuído poder oculto.

Certamente, vimos que as relíquias de Madalena eram de suprema importância para os  adeptos da tradição secreta, e talvez também elas sejam consideradas como possuidoras de  verdadeiro poder mágico. Em todo o caso, os restos mortais de Madalena pareciam ser  objeto de grande veneração, e, tal como a macabra relíquia de João, atuavam, sem  dúvida, como um totem que congregava os heréticos. Com, ou sem, o conceito de poder  mágico, contemplar a cabeça de João ou os restos mortais de Madalena teria um enorme impacto nos adeptos da tradição  secreta: seria um momento carregado de grande emoção, considerar que estavam ali, juntos, os restos mortais de dois seres humanos que foram tratados com uma injustiça tão  implacável ao longo dos séculos e por cujos nomes tantos heréticos sofreram.

A terceira razão deste persistente fascínio da tradição secreta é a sua certeza moral  espontânea: estes heréticos acreditam que estão certos e que a Igreja romana está errada.  Mas eles não estavam apenas a manter viva outra religião numa cultura «diferente». Eles  mantinham vivo o que julgavam ser a chama sagrada das verdadeiras origens e objetivos  do «cristianismo». Todo este penetrante sentido de justiça, no entanto, quando confrontado  com o que eles consideram a «heresia» da Igreja Católica, explica apenas a razão por que  teve tanto poder no passado. Na nossa época, com a sua perspectiva muito mais tolerante da  religião, por que seria necessário que esta tradição se mantivesse secreta?

Começamos esta investigação com o exame do moderno Priorado de Sião e das suas  continuadas atividades. Sejam quais forem os planos desta organização, Pierre Plantard de  Saint-Clair revelou que ela tem um programa definido que prevê a realização de certas  mudanças concretas do mundo, em geral, embora a natureza precisa dessas mudanças seja  apenas uma questão para especulação.

Seja qual for o plano original do Priorado, ele parece estar relacionado com a heresia que  descobrimos. Na verdade, ocultas nos Dossiers Secrets, encontram-se certas declarações  bastante inequívocas, com o significado geral de que o Priorado foi responsável, ao longo  dos séculos, pelo controle da tradição secreta. Estas declarações, que aludem direta, ou  indiretamente, ao Priorado, incluem: «[Eles são] os apoiantes de todas as heresias…,  passando pelos cátaros e os Templários até à maçonaria… »,*6 «agitadores secretos contra a Igreja…». Outro documento do Priorado, Le Cercle d’Ulysse (O Círculo de Ulisses), publicado em 1977, sob o nome de Jean Delande, inclui as palavras ameaçadoras:

O que está o Priorado a planejar? Não sei, mas ele é capaz de assumir o Vaticano em dias  futuros.

E, como já vimos, a obra Rennes-le-Château: Capitale Secrète de L’histoire de France,  inspirada no Priorado, ao discutir as ligações deste com «a Igreja de João» refere-se a  acontecimentos que «voltarão a Igreja ao contrário.” No princípio desta investigação, consideramos a possibilidade de que o Priorado fosse vítima de ilusões de grandeza coletivas, e – como a maior parte das pessoas – achamos difícil considerar que gênero de segredo o  Priorado podia ter guardado tão ciosamente, um segredo que teria o poder de ameaçar uma  entidade tão vasta e tão bem organizada como a Igreja de Roma. Agora, depois de todas as  nossas investigações e experiências, chegamos à conclusão de que a agenda do Priorado –  seja ela qual for – devia, no mínimo, ser levada a sério.

De fato, o conceito de uma força organizada, que jurou deitar abaixo a Igreja romana, não é novo.  Por exemplo, no século XVIII, quando começaram a surgir as sociedades secretas que se  afirmavam descendentes dos Templários, a paranoia varreu a Igreja e vários Estados  europeus. A França, em particular, sentia-se aterrorizada pela sombra vingativa de Jacques  de Molay – os Cavaleiros Templários estavam de volta, literalmente, para se vingarem? Corriam rumores  de que os cavaleiros eram os inspiradores da Revolução francesa.

Contudo, o cenário da vingança templária levanta problemas. Nenhuma organização  inteligente manteria o ódio ao rubro, com todas as desvantagens e ao longo dos séculos,  simplesmente para eliminar um futuro monarca francês e um papa individual, nenhum deles tendo nada a ver com a extinção da ordem séculos atrás. Esta ideia toma a extinção dos  Templários como sendo a razão do seu ódio à Igreja – mas, se eles já a odiassem, por  princípio? (E, segundo o Levitikon, os Templários sempre estiveram contra a Igreja Católica de Roma desde o princípio  da ordem e não pelo modo como foram extintos.)

A nossa investigação revelou que os Templários não só se consideravam possuidores de  conhecimento secreto mas também como seus verdadeiros e legítimos guardiães. Devemos  lembrar que os Templários e o Priorado de Sião estiveram sempre inextrincavelmente  ligados: qualquer plano ou programa de um deles é muito provável que pertença também ao outro. E, no Priorado de Sião, encontramos uma organização na qual se reúnem os dois fios  da heresia – o de Madalena e o de Batista.

Pode ser que os Templários/Priorado estejam a planejar oferecer a uma cristandade  assustada alguma forma de prova das suas velhas crenças, algum suporte tangível para a  sua tradição joanina de adoração à deusa. Mesmo dada a sua aparente obsessão com a  procura de relíquias, é difícil imaginar o que esta concreta evidência poderia ser ou – à  primeira vista – que objeto poderia ameaçar a Igreja.

Mas, como já vimos no caso do alegado Santo Sudário, as relíquias religiosas possuem uma forte e singular influência sobre os corações e as mentes dos crentes. De fato, qualquer  coisa supostamente associada às personagens principais do drama cristão está investida de  uma ressonância singularmente mágica – mesmo as «anti-relíquias» das ossadas, recentemente encontradas em Jerusalém, tornaram-se o foco imediato de um  intenso debate e de uma comoção cristã generalizada. É elucidativo imaginar o grau que o  interesse público atingiria se as ossadas tivessem sido associadas, de forma mais  convincente, a Jesus e à sua família. Certamente, teriam desencadeado uma histeria massiva  entre os cristãos, que se teriam sentido traídos, roubados e espiritualmente destabilizados.

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As pessoas gostam de andar à procura de alguma coisa – a busca de algo que é  desesperadoramente fugidio, mas que talvez ainda se possa alcançar. A demanda de um  Santo Graal ou de uma Arca da Aliança, sempre fugidios, parece estar quase programada  em nós, como revela o entusiasmo com que foi acolhido The Sign and the Seal de Graham Hancock. Contudo, no íntimo, também reconhecemos que estes objetos, apesar de  poderem – emocionantemente – existir, de fato, algures, são apenas símbolos, focos de  interesse ou personificações de alguns segredos arcanos. Apesar de o Priorado de Sião e os  seus aliados se prepararem para revelar alguma justificação concreta das suas crenças, a  própria história, como esperamos demonstrar, revela algumas indicações quanto à solidez  dessa justificação.

E evidente que esses planos são do maior interesse, mas já não são necessários para  compreender a hipotética ameaça à Igreja romana – e, por implicação, às raízes de toda a cultura (manipulação) ocidental. Na história cristã, muita coisa se baseia em hipóteses, muita emoção,  intensamente pessoal, se investe em conceitos, como o de um Jesus que era Filho de Deus e da Virgem Maria, um humilde carpinteiro que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou.  A sua vida de humildade, tolerância e sofrimento tornou-se a imagem da perfeição humana  e modelo espiritual para milhões de católicos. Jesus Cristo, do seu lugar celestial à direita do  Pai, contempla os pobres e os oprimidos e oferece-lhes conforto – porque ele não disse  «Vinde a mim, todos os que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei»?

De fato, apesar de ser muito provável que Jesus proferisse estas palavras, não é verdade  que ele seja o seu autor. Porque, como vimos, estas palavras – e, presumivelmente, muitas  outras semelhantes – provieram das palavras atribuídas a Chreste ÍSIS: a suave ÍSIS, a  suprema deusa-mãe dos egípcios. Para Jesus, como para qualquer outro sacerdote adorador  (da Deusa, do feminino Sagrado) de ÍSIS, essas palavras teriam sido muito familiares.

Como vimos, a maioria dos católicos modernos está espantosamente mal informada sobre os  progressos dos estudos bíblicos. Para muitos, noções como a de Jesus ser um mágico egípcio ou a rivalidade entre Jesus e João Batista devem parecer quase uma blasfêmia – contudo, elas  não são invenções de escritores de ficção ou dos inimigos da sua religião, mas conclusões  de eruditos respeitados, alguns dos quais são católicos. E foi há mais de um século que os elementos pagãos da história de Jesus foram, pela primeira vez, reconhecidos.

Quando começamos a estudar o tema, ficamos surpreendidos com o grau em que os  eruditos questionaram a história católicos (cristã) oficial, apresentando argumentos pormenorizados e  minuciosos a favor de uma versão quase irreconhecível de Jesus e do seu movimento. Ficamos particularmente surpreendidos ao descobrir que já existiam abundantes provas  acadêmicas de que Jesus não era judeu – e de que, de fato, ele não era de religião egípcia. Mas, como a nossa hipótese cultural de que Jesus era judeu é tão forte, mesmo os que  reuniram estas provas não deram o último passo lógico e não concluíram que o peso deste  material revela, de fato, que a religião de Jesus não era a judaica, mas a egípcia.

São muitos os que deram uma contribuição importante para a criação de um quadro  radicalmente novo de Jesus e do seu movimento. Desmond Stewart argumenta  magnificamente, em The Foreigner, que Jesus fora influenciado pelas escolas de mistérios egípcias, mas Stewart interpreta a conexão egípcia apenas como uma modificação de judaísmo essencial de Jesus. E o professor Burton L. Mack, embora defendendo que Jesus  não era de religião judaica, também rejeita o material das escolas de mistérios dos Evangelhos, argumentando que ele foi um aditamento posterior – uma hipótese que não é  reforçada por qualquer prova. Mesmo o professor Karl W. Luckert escreve:

Estas dores do nascimento [do catolicismo]… foram, todavia, verdadeiras dores de parto da  mãe da cristandade, a moribunda religião do antigo Egito. A nossa velha mãe egípcia  morreu (foi ASSASSINADA) nos séculos durante os quais a sua vigorosa descendência emergia e começava a  prosperar no mundo mediterrânico. As suas dores de parto foram as suas dores da morte.

Ao longo da sua vida de quase dois milênios, esta filha (n.T. CATÓLICA E NÃO) cristã, nascida de mãe egípcia, manteve-se relativamente bem informada sobre a sua antiga tradição hebraica paterna…  [mas] até hoje, não conhece a identidade da sua defunta religião-mãe…

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Tendo demonstrado magnificamente que as raízes do cristianismo são egípcias, Luckert  ainda consegue falhar no objetivo. Considera indireta a influência egípcia, um eco distante  das próprias origens egípcias do cristianismo. Mas, se Jesus ensinava elementos das escolas de mistérios, certamente faz mais sentido que os aprendesse em primeira-mão, do outro  lado da fronteira, em vez de os reconstituir a partir de alusões fragmentárias e imprecisas do  Antigo Testamento.

De todas estas autoridades, apenas uma ousou dar o último passo lógico. Morton Smith, em Jesus The Magician, afirma inequivocamente que as crenças e práticas de Jesus eram as do Antigo Egito – e, curiosamente, apoiou a sua asserção em material de certos textos mágicos  egípcios.

A obra de Morton Smith, embora completamente ignorada por muitos comentadores  bíblicos, foi recebida por alguns com aprovação cautelosa. Contudo, as ideias dos académicos não são, como vimos ao longo da nossa investigação, de modo algum, o quadro  completo. Ao longo dos séculos, muitos grupos partilharam uma crença secreta nos  antecedentes egípcios de Jesus e de outras personagens do drama do século I – e estes  «heréticos» também nos proporcionaram muitos outros conhecimentos sobre as origens do  cristianismo. É interessante que estas ideias sejam agora confirmadas pelos estudos  modernos do Novo Testamento.

Se o cristianismo for realmente um ramo da religião egípcia, e não a missão única do Filho  de Deus – ou mesmo uma evolução radical de uma forma de judaísmo, então as implicações  para toda a nossa cultura são tão básicas e enormemente profundas que apenas podem ser  afloradas aqui.

Por exemplo, ao voltar as costas às suas raízes egípcias, a Igreja de Roma perdeu a compreensão  fundamental do arquétipo da igualdade dos sexos, porque ÍSIS era sempre contrabalançada  pelo seu consorte Osíris, e vice-versa. Em princípio, pelo menos, este conceito encorajou o  respeito devido igualmente a homens e mulheres, porque Osíris representava todos os  homens e ÍSIS todas as mulheres. Mesmo na nossa época secular, ainda estamos sofrendo as consequências desta negação do (FEMININO divino) ideal egípcio: porque, embora o sexismo não seja um  fenômeno exclusivamente ocidental, as suas manifestações diretas, no Ocidente, se devem muito às doutrinas e DOGMAS da Igreja sobre o lugar das mulheres.

Além disso, ao negar os seus antecedentes egípcios, a Igreja rejeitou também – frequentemente, com especial violência – todo o conceito de sexo como sacramento. Ao  instituir um filho de Deus celibatário no topo de um patriarcado misógino, a Igreja  perverteu COMPLETAMENTE a mensagem «cristã» original. Porque os deuses que o próprio Jesus venerava  eram parceiros sexuais, e esta sexualidade era motivo de celebração e de emulação entre os seus crentes – mas, curiosamente, os egípcios não eram conhecidos como um povo  particularmente licencioso, mas eram notáveis pela sua espiritualidade. As consequências  da atitude da Igreja romana face ao sexo FEMININO e ao amor sexual foram, como vimos, terríveis para a nossa cultura: a repressão em grande escala foi responsável  não só pelo tormento pessoal e apreensão desnecessários mas também por inumeráveis  crimes contra mulheres e crianças – muitos dos quais as autoridades preferiram ignorar.

Houve outros frutos amargos deste grande erro de uma Igreja católica romana que negou e abandonou suas verdadeiras raízes. Durante séculos, a Igreja cometeu atrocidades regulares contra os  judeus, baseadas na crença de que o cristianismo e o judaísmo eram rivais.  Tradicionalmente, a Igreja considerava os judeus blasfemos por negarem o messianismo de  Jesus – mas, se Jesus não fosse judeu, ainda havia menos razão para os horrores cometidos  contra milhões de judeus inocentes. (A outra grande acusação usada para justificar os  ataques aos judeus – que eles tinham matado Jesus – há muito que foi reconhecida como  falaciosa, simplesmente porque foram os romanos que o executaram.)

Há um outro grupo que, ao longo dos anos, despertou a hostilidade da Igreja. No seu fervor  de se instituir como única religião, o catolicismo romano sempre perseguiu os pagãos. Destruíram- se templos, pessoas foram torturadas e mortas, desde a Islândia à América do Sul, desde a  Irlanda ao Egito, em “nome de Jesus Cristo”. Contudo, se estivermos certos, e o próprio  Jesus fosse pagão, então este fervor cristão não era apenas uma nova negação da humanidade comum mas também dos princípios do seu fundador. Esta questão ainda é  relevante porque os modernos pagãos continuam a ser hostilizados pelos cristãos da  sociedade atual.

Toda a nossa cultura é inquestionavelmente reconhecida como judaico-cristã, mas o que  significaria se tivéssemos razão e ela fosse, de fato, egípcio-cristã? É evidente que esta  apenas pode ser uma pergunta hipotética, mas é talvez mais fascinante basear os nossos  sonhos de religião na magia e no mistério das pirâmides do que na ira de um certo Jeová/Javé/Yahveh. Certamente, a religião que tem a sua Trindade de Pai, Mãe e Filho deve sempre exercer  uma poderosa atração e um profundo sentido de conforto.

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Investigámos a continuidade da linha da crença «herética» da Europa, a corrente secreta do mistério da deusa, da alquimia sexual e dos segredos que rodeiam João Batista. Os  heréticos detiveram, na nossa opinião, as chaves da verdade sobre a história da Igreja de Roma. Nestas páginas, apresentamos os seus argumentos, passo a passo, à medida que fazíamos as descobertas, e, da confusão da informação – e, na verdade, da desinformação -,  vimos emergir o quadro global.

Acreditamos que, no geral, os heréticos têm bons argumentos a seu favor. Certamente, uma  grande injustiça foi feita às figuras históricas de João Batista e Maria Madalena e há muito  que o registro devia ter sido corrigido. É preciso compreender o respeito pelo princípio feminino CRIADOR  e por todo o conceito de alquimia sexual, se a Humanidade ocidental  tiver esperança de entrar no novo milênio livre de repressão e de culpa.

No entanto, se é possível colher alguma lição da jornada que empreendemos, não é tanto a  de que os heréticos estavam certos e a Igreja romana estava errada. É que há a necessidade não de mais segredos ciosamente guardados, nem de mais guerras santas, mas de tolerância e de uma abertura a novas idéias, livre de preconceitos e de parcialidades, dogmas e doutrinas. Sem limites à  imaginação, ao intelecto ou ao espírito, talvez seja a nossa vez de transportar o facho que,  outrora, foi mantido aceso por luminares como Giordano Bruno, Cornélio Agripa e Leonardo da Vinci. E talvez cheguemos a apreciar inteiramente o velho adágio hermético:  Não sabeis que vós sois deuses?”

FIM


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