A Rússia está ajudando secretamente o Irã a desenvolver uma nova geração de mísseis de cruzeiro supersônicos, segundo uma investigação publicada pelo jornal britânico Financial Times na terça-feira (1º). De acordo com o jornal de Londres, o programa começou em 2023 e envolve especialistas russos em mísseis e empresas ligadas ao setor de defesa do país.
Fonte: Globo-G1
Segundo reportagem do Financial Times, programa de desenvolvimento de mísseis hipersônicos iniciado em 2023 envolve especialistas russos e pode dar a Teerã uma nova arma contra navios e porta aviões dos EUA no Golfo Pérsico.
O objetivo seria ajudar o Irã a desenvolver um sistema de propulsão conhecido como “ramjet”, capaz de manter um míssil voando a velocidades várias vezes superiores à do som. Especialistas em mísseis e assuntos militares ouvidos pelo Financial Times afirmaram que a tecnologia provavelmente será utilizada em mísseis de cruzeiro capazes de atingir navios e alvos em terra.
O armamento poderia representar uma ameaça para porta-aviões e outros navios de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio e Golfo Pérsico. A investigação do jornal britânico foi baseada em correspondências russas vazadas, registros de viagens e análises de patentes militares. Os trabalhos teriam continuado mesmo após o início da guerra entre Irã e Israel, no ano passado.
O FT disse que sua investigação foi baseada em correspondência russa, registros de viagens e patentes militares, e descreveu o programa como “uma das transferências mais significativas conhecidas de tecnologia militar estratégica de Moscou para Teerã”
O projeto, codinome “C430L”, foi organizado pela Rosoboronexport, exportadora estatal de armas da Rússia, e também envolveu a NPO Mashinostroyenia, uma organização de design de foguetes que está sob sanções dos EUA. Documentos mostram que autoridades de ambas as organizações viajaram diversas vezes ao Irã antes que o projeto C430L fosse formalizado em novembro de 2023, informou o FT.
Em julho, a agência Reuters revelou que analistas de inteligência dos Estados Unidos investigavam se a Rússia havia ajudado o Irã com informações de mira ou tecnologia avançada para drones usados em ataques contra instalações da CIA que foram destruídas por mísseis do Irã no Oriente Médio.

A Reuters e outros veículos já haviam informado, e autoridades americanas reconhecido, que a Rússia forneceu informações de mira e outros tipos de apoio ao Irã em ataques contra alvos dos Estados Unidos na região do Golfo.
Segundo as informações publicadas na época, pelo menos duas instalações da CIA foram atingidas em março: uma estação da agência dentro da embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita, e outra no leste do Iraque. Duas autoridades ocidentais disseram à Reuters que analistas acreditavam que o ataque na Arábia Saudita havia usado duas versões de drones iranianos Shahed aprimoradas pela Rússia.
Alguns dos maiores especialistas russos na área estavam envolvidos no programa iraniano, disse o FT, e seus engenheiros analisaram dados de um sistema de motor ramjet iraniano. O relatório disse que o Irã construiu e testou o sistema, mas não há evidências de que um míssil de cruzeiro supersônico usando a tecnologia tenha sido implantado.
“Esta é a transferência de uma tecnologia militar alta e estrategicamente sensível da Rússia que os iranianos queriam adquirir há décadas”, disse Fabian Hinz, especialista em mísseis iranianos e analista sênior da Conflict Armament Research, ao jornal. “Um programa como este exigiria autorização política do topo da Rússia.”
Jim Lamson, ex-analista militar da CIA focado no Irã, agora no Centro James Martin de Estudos de Não Proliferação, acrescentou: “Se os russos forem capazes de ajudar os iranianos a resolver seus problemas técnicos, acho que esta seria uma das áreas mais impactantes da assistência técnico-militar russa ao Irã nos últimos anos.”
O Kremlin, a Rosoboronexport e a NPO Mashinostroyenia não responderam com comentários ao FT. Rússia e Irã mantêm laços estreitos há muito tempo e, em janeiro de 2025, os dois países assinaram um acordo de parceria estratégica para melhorar ainda mais a cooperação, incluindo parcerias militares e de defesa.
Antes disso, o Irã já fornecia à Rússia seus drones de ataque Shahed, produzidos internamente e amplamente utilizados contra a Ucrânia, e agora a Rússia fabrica sua própria versão dos drones.


