Partido de Direita AfD obtém vitória esmagadora nas eleições regionais alemãs

O partido de oposição de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições regionais de domingo no estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, com 43,8% dos votos, segundo informou a comissão eleitoral local. A AfD deverá conquistar 39 das 97 cadeiras na legislatura local, ficando aquém da maioria necessária para governar.

Fonte: Rússia Today

O partido de direita ficou em primeiro lugar com 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt, com a CDU do chanceler Friedrich Merz bem atrás, com 17,5%.

A votação foi marcada por uma participação recorde de 78% dos eleitores, a maior desde a reunificação da Alemanha em 1990. O partido União Democrata Cristã (CDU) do chanceler Friedrich Merz ficou em um distante segundo lugar, conquistando pouco mais de 17,2% dos votos e apenas 15 cadeiras, de acordo com os resultados preliminares oficiais.

O principal candidato da AfD no estado, Ulrich Siegmund, afirmou que o seu partido  Alternativa para a Alemanha (AfD) “fez história” e que o resultado da votação “abalará toda a Alemanha”.

“Vamos recuperar o nosso país, e vamos começar pela Saxônia-Anhalt”, disse ele.

Os alemães depositaram sua confiança no AfD e o partido “não os decepcionará. Não nos tornaremos como esses outros partidos”, acrescentou Siegmund. A co-presidente do AfD, Alice Weidel, não descartou anteriormente a formação de um governo de coligação na região, inclusive com os democratas-cristãos de Merz, caso o partido de direita não consiga garantir a maioria absoluta.

Após as sondagens à boca das urnas darem a vitória à AfD, Sven Schulze, o principal candidato da CDU na Saxónia-Anhalt e chefe regional cessante, reconheceu a derrota, felicitando os adversários pelo seu sucesso eleitoral. “Isso é democracia”, disse Schulze, acrescentando que os eleitores enviaram uma mensagem clara que deve ser levada em consideração, tanto a nível regional quanto federal, conforme citado pela mídia alemã.

Schulze atribuiu o fraco desempenho do seu partido às políticas impopulares adotadas pelo governo de coligação federal, composto pela CDU e pelo Partido Social-Democrata (SPD). O co-líder do SPD e vice-chanceler Lars Klingbeil falou de forma semelhante sobre um “sinal para Berlim”, insistindo, no entanto, na continuidade da chamada política de “firewall”, segundo a qual todos os principais partidos se recusam a cooperar com o AfD.

O co-presidente do AfD, Tino Chrupalla, afirmou que o resultado das eleições regionais da Saxônia-Anhalt demonstrou que os eleitores rejeitam a controversa política de “firewall” ao “votarem contra” os partidos tradicionais. Segundo resultados preliminares, o SPD ficou em terceiro lugar com 9,3% dos votos, seguido pelos Verdes e pelo Partido da Esquerda com 8,9% e 8,6%, respectivamente. A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) também garantiu uma vaga no parlamento por uma margem estreita, com 5,3%.

Nos últimos meses, as pesquisas de opinião têm mostrado consistentemente que o AfD é o partido mais popular em todo o país, contando com o apoio de 28% dos entrevistados. Sendo a maior bancada de oposição no Bundestag, o partido faz campanha com base em uma plataforma anti-imigração e também é bastante crítico do apoio do governo alemão à Ucrânia, bem como das sanções contra a Rússia.

Uma pesquisa do INSA publicada pelo Bild no final de agosto indicou que o apoio ao bloco governista democrata-cristão CDU/CSU da Alemanha havia caído para 20%, com cerca de 78% dos entrevistados insatisfeitos com o governo de coalizão de Merz.


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