O mistério de uma antiga civilização subterrânea perdida da Amazônia que não existe “oficialmente” … que muitos exploradores MORRERAM tentando encontrar. Se a história da busca pela cidade perdida de Akakor e sua tribo Ugha Mongulala soa como o roteiro de ficção de um filme de Indiana Jones, é justamente porque ela foi usada como base para o quarto e último filme da série, “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” (O Reino da Caveira de Cristal). É uma história envolta em muitos mistérios. Ela é contada em um polêmico livro, “A Crônica de Akakor”, que passamos a publicar em capítulos …
A CRÔNICA DE AKAKOR
Livro: “A CRÔNICA de AKAKOR“ (Die Chronik von Akakor – 1978), por Karl Brugger, prefácio de Erich Von Daniken, tradução de Bertha Mendes.
O LIVRO DO JAGUAR
Este é o jaguar;
Poderoso é seu salto;
E forte as suas patas.
É o senhor das florestas.
Todos os animais são seus súditos.
Não tolera resistência.
Destrói o desobediente
E devora-lhe a carne!
I- O REINO DOS DEUSES – 600.000 a. C. – 10.481 a. C.
A PARTIDA DOS PRIMITIVOS MESTRES
A história do meu povo, registrada na Crônica de Akakor, aproxima-se do seu fim. Os sacerdotes afirmam que dentro em pouco se passará o tempo de provação; pouco mais temos que alguns anos. Então o destino dos Ugha Mongulala será cumprido. E quando vejo o desespero e a miséria do meu povo não posso deixar de acreditar nestas profecias. Os Bárbaros {europeus} Brancos estão penetrando cada vez mais no nosso território. Vieram do leste e do oeste como um fogo assoprado por um forte vento e espalharam um manto de escuridão sobre a região, para o poderem sugar e dominar. Mas se os Bárbaros Brancos pensassem, chegariam à conclusão de que não podemos apoderar-nos do que não nos pertence.
Então compreenderiam que os deuses nos deram uma grande mansão para a partilharmos e a gozarmos. Mas os Bárbaros {europeus} Brancos querem ter tudo só para si. Os seus corações são duros, não se comovem, mesmo quando realizam as mais terríveis ações. Assim, nós, os nativos, temos de nos afastar, e ter esperança de que os nossos Primitivos Mestres possam um dia voltar, tal como está escrito , com boas palavras e numa escrita clara:
No dia em que os Deuses abandonaram a Terra chamaram Ina. Deixaram a sua herança ao servo de maior confiança: “Ina, vamo-nos embora para os nossos lares. Ensinamos-te sabedoria e demos-te bons conselhos. Voltamos para junto dos que são iguais a nós. Vamos para casa. O nosso trabalho está feito. Os nossos dias de viver aqui, acabados. Conserva-nos na tua memória e não nos esqueças. Porque somos irmãos do mesmo sangue e temos o mesmo pai. Voltaremos quando estiverdes ameaçados. Mas agora fique com as Tribos Escolhidas. Levem-nas para as moradias subterrâneas, para as proteger da catástrofe que se aproxima”.

Estas foram as suas palavras. Isso foi o que eles disseram quando se despediram. E Ina viu como os barcos voadores dos deuses partiram quando os levavam para o céu, com fogo e trovões. Desapareceram por cima das montanhas de Akakor, e só Ina os viu partir. Mas os deuses deixaram atrás de si um rastro de sabedoria e bom senso. Eram considerados e venerados como se fossem sagrados. Eram um sinal dos Antigos Pais. E Ina reuniu os mais velhos do seu povo num Conselho e disse-lhes quais tinham sido as últimas instruções dos deuses. E ordenou uma nova contagem do tempo para comemorar a partida dos Primitivos Mestres. Esta é a história escrita, A Crônica de Akakor, a memória dos Servos Escolhidos,.
Na hora zero (10.481 a. C., segundo o calendário dos Bárbaros Brancos) os deuses deixaram a Terra. Deram o sinal do início de um novo capítulo na história do meu povo. Mas nessa época nem sequer Ina, seu mais leal servo e primeiro príncipe dos Ugha Mongulala, previa os terríveis acontecimentos que se sucederiam. O Povo Escolhido estava angustiado com a partida dos Primitivos Mestres e atormentado pelo desalento e pela angústia. Só a imagem dos deuses ficou nos corações dos Servos Escolhidos. Com olhos ardentes, perscrutavam o céu, mas os navios dourados não voltavam. Os céus mantinham-se vazios – nem a mínima brisa, nem qualquer som. O céu conservava-se desabitado.
A LINGUAGEM DOS DEUSES
Na língua dos Bárbaros Brancos, Ugha significa “aliado”, “partidário”; Mongu significa “escolhido”, “exaltado”, e Lala significa “tribos”. Os Ugha Mongulala são as Tribos Escolhidas Aliadas. Uma nova era iniciou-se para eles depois da partida dos Primitivos Mestres. Os deuses superiores já não governavam o seu império, cujos limites ficavam a muitas luas de distância. Os Ugha Mongulala governavam entre dois oceanos, ao longo do Grande Rio, até as baixas colinas do norte, e mais além, na extensão das planícies do sul.
Os 2 milhões que compreendem as Tribos Escolhidas governaram um império de 362 milhões de pessoas, desde que os Primitivos Mestres dominaram as outras tribos no decorrer dos séculos. Os Ugha Mongulala governaram vinte e seis cidades, muitas fortificações poderosas e as habitações subterrâneas dos deuses. Só três complexos de templos – Salazere, Manoa e Tiahuanaco – ficavam de fora da sua jurisdição, por explícitas instruções dos Antigos Pais. Ina, o primeiro príncipe dos Ugha Mongulala, tinha a seu cargo enormes tarefas.
Conheço poucos pormenores acerca do período que se seguiu à partida dos Primitivos Mestres. A primeira Grande Catástrofe estende-se como um véu sobre os acontecimentos dos primeiros treze anos da história do meu povo. De acordo com os sacerdotes, Ina governou o maior império que jamais existiu. Este era chefiado pelos Ugha Mongulala, que faziam com que as suas leis fossem obedecidas. Os seus guerreiros protegiam as fronteiras dos ataques das tribos selvagens. Milhões de aliados prestavam lhes vassalagem, mas depois da primeira Grande Catástrofe revoltaram-se contra as leis dos Ugha Mongulala. Rejeitaram os legados dos deuses e dentro em pouco esqueciam a sua língua e a sua escrita. E assim degeneraram.

O quíchua, como os Bárbaros Brancos chamam à nossa língua, consta de simples e boas palavras, que são suficientes para descrever todos os mistérios da natureza. Nem sequer os Incas conhecem a escrita dos deuses. Há mil e quatrocentos símbolos, que têm diferentes significados, segundo a sua seqüência. Os sinais mais importantes traduzem a vida e a morte, representadas pelo pão e pela água. Todos os inícios da crônica começam e acabam com estes símbolos.
Depois da chegada dos soldados alemães, em 1942, de acordo com o calendário dos Bárbaros Brancos, os sacerdotes começaram a registrar os acontecimentos também na escrita das Tribos Aliadas. A língua, o serviço da comunidade, a veneração pelas pessoas idosas e o respeito pelo príncipe são as coisas mais importantes documentadas anteriormente ao acontecimento da primeira Grande Catástrofe. São evidência de fato, nos dez mil anos da sua história, do meu povo ter só uma finalidade: preservar o legado dos Primitivos Mestres.
“SINAIS LUMINOSOS” NO CÉU
Houve estranhos sinais no céu. A penumbra cobriu a face da Terra. O Sol ainda brilhava, mas havia uma névoa cinzenta, grande e intensa, que começava a esconder a luz do dia. Estranhos sinais viam-se no céu. As estrelas eram como tristes pedras quase sem brilho. Uma neblina venenosa cobria as colinas. Um fogo malcheiroso pendurava-se nas árvores. Um Sol vermelho. Um caminho cruzado sobrepunha-se. Negro, vermelho, todos os quatro cantos do mundo estavam vermelhos. A primeira Grande Catástrofe alterou a vida do meu povo e a face do mundo. Ninguém pode imaginar o que aconteceu naquela época, treze anos depois da partida dos Primitivos Mestres. A catástrofe foi enorme, e a nossa crônica relata-a com terror:
Os Servos Escolhidos ficaram temerosos e aterrorizados. Já não viam o Sol, a Lua ou as estrelas. A confusão e a escuridão reinavam por toda à parte. Estranhas imagens passavam sobre as suas cabeças. Do céu caia resina, e ao entardecer os homens desesperavam em busca de comida. Matavam os seus próprios irmãos. Esqueceram o testamento dos Deuses. Começara a era do sangue.
O que aconteceu nesta época, quando os deuses nos deixaram? Quem foi o responsável que fez regredir o meu povo ao abatimento e à barbárie durante seis mil anos? Uma vez mais, os nossos sacerdotes podem interpretar os acontecimentos devastadores. Dizem que no período antes da hora zero existiu também outra nação de deuses que eram hostis aos nossos Primitivos Mestres. De acordo com as imagens do Grande Templo do Sol de Akakor, as estranhas criaturas pareciam-se com seres humanos. Tinham muito cabelo e uma pele avermelhada. Tal como os homens, tinham cinco dedos nas mãos e nos pés. Mas dos ombros saiam-lhes cabeças de serpentes, tigres, falcões e outros animais. Os nossos sacerdotes dizem que estes deuses também governaram um enorme império. Eles também possuíam o conhecimento que os tornava superiores aos homens e iguais aos Primitivos Mestres.
As duas raças de deuses que estão representadas nas imagens do Grande Templo do Sol de Akakor começaram a guerrear-se. Queimaram o mundo com calor solar, e cada um tentou tirar ao outro o seu poderio. Iniciou-se uma tremenda guerra entre os deuses estrangeiros e esta guerra levou o meu povo à perdição. No entanto, pela primeira vez, a providência dos deuses salvou os Ugha Mongulala. Recordando as últimas palavras dos nossos Primeiros Mestres, que anunciavam a catástrofe, Ina comandou a retirada para as moradias subterrâneas.
Reuniram-se os mais velhos do povo. Obedeceram às ordens de Ina. “Como poderemos nos proteger? Os sinais estão cheios de ameaças”, diziam eles. “Vamos seguir as ordens dos deuses e albergar-nos nos abrigos subterrâneos. As nossas idéias não serão suficientes para toda uma nação? Nenhum de nós deve faltar”. Foi assim que eles falaram. Foi assim que eles decidiram. E a multidão reuniu-se. Atravessaram as águas. Desceram as ravinas e cruzaram-nas. Chegaram ao fim, onde as quatro estradas se cruzam, na moradia dos Primitivos Mestres, protegidos no interior das montanhas.
Isto é uma história contada pela Crônica de Akakor. E assim se cumpriu a ordem de Ina. Com confiança na promessa dos Primitivos Mestres, o povo de Ugha Mongulala mudou-se para a Baixa Akakor, para se proteger da iminente catástrofe. Aqui ficaram eles até a Terra acima se aquietar, tal como uma ave se esconde atrás de uma rocha quando a tempestade se aproxima. Os Ugha Mongulala estavam salvos da catástrofe porque haviam confiado na orientação dos Antigos Pais.
A PRIMEIRA GRANDE CATÁSTROFE
O ano 13 (10.468 a. C., segundo o calendário dos Bárbaros Brancos) é um ano fatídico na história do meu povo. Depois de se terem refugiado nos subterrâneos, a Terra foi atingida pela maior catástrofe de que há memória. Excedeu mesmo a segunda Grande Catástrofe, seis mil anos mais tarde, quando as águas do Grande Rio inundaram a região. A primeira Grande Catástrofe destruiu o império dos nossos Primitivos Mestres e matou milhares de pessoas.
Este é o relato de como os homens morreram. O que aconteceu à Terra? Quem a fez tremer? Quem fez dançar as estrelas no céu? Quem fez as águas brotarem das rochas? Numerosos eram os flagelos que atingiram os homem. Todos estavam sujeitos as várias calamidades. Estava terrivelmente frio e um vento gelado soprava sobre a Terra. Estava excessivamente quente e a própria respiração das pessoas queimava-as. Homens e animais fugiam em pânico. Desesperados, corriam de um lado para o outro. Tentavam trepar nas árvores, mas as árvores repeliam-nos. Tentavam alcançar as cavernas para se esconderem. Contudo, estas abatiam-nos e sepultavam-nos. O chão tornava-se teto, e o teto desaparecia nas profundidades. O som e a fúria dos deuses não se acalmavam. Até os abrigos subterrâneos começaram a tremer.
A primeira referência da forma do continente antes da primeira Grande Catástrofe reporta-se à partida dos nossos Primitivos Mestres. Depois desse momento, tudo diferia consideravelmente da sua forma atual. O clima era muito mais frio e a chuva caía regularmente. Os períodos de seca e de chuva eram mais distintos uns dos outros. Ainda não havia grandes florestas. O Grande Rio era menor e desaguava em ambos os oceanos. Os afluentes ligavam-no ao lago gigante, onde os Deuses erigiram o templo de Tiahuanaco, na costa sul. A primeira Grande Catástrofe remodelou a face da Terra. O curso dos rios foi alterado e a altura das montanhas aumentou e a força do Sol se modificou. Os continentes ficaram inundados. As águas do grande Lago voltaram ao oceano. O Grande Rio foi cortado por uma nova montanha e agora corre apressadamente para leste. Enormes florestas surgiram nas suas margens e planícies. Um calor úmido espalhou-se pelas regiões orientais do império. A oeste, onde se ergueram montanhas gigantescas, as pessoas gelavam no tremendo frio das altitudes. A Grande Catástrofe causara tremendas devastações, tal como fora predito pelos Primitivos Mestres.
E a mesma coisa acontecerá novamente na futura catástrofe, que os nossos sacerdotes calcularam de acordo com a rota das estrelas. Porque a história da humanidade cumpre-se segundo rotas preestabelecidas: tudo se repete, tudo volta num ciclo que dura seis mil anos. Os nossos Primitivos Mestres ensinaram-nos esta lei. Passaram-se seis mil anos desde a última Grande Catástrofe e seis mil anos se passaram desde que os nossos Primitivos Mestres nos deixaram pela segunda vez. Mais uma vez apareceram nos céus sinais luminosos. Os animais fogem em pânico. Surgem guerras. As leis são desrespeitadas. Enquanto os Bárbaros Brancos, por pura arrogância, destroem o elo entre a natureza e o homem, aproxima-se o cumprimento do destino. Eles sabem-no e esperam com resignação. Porque acreditam no legado dos seus Primitivos Mestres. Com a imagem dos deuses no coração, seguem-lhes as suas pegadas. Seguem os que são do mesmo sangue e tem o mesmo pai.
III- A ERA DA ESCURIDÃO – 10.468 A. C. – 3.166 A. C.
O cientista germano-boliviano Posnansky calcula que Tiahuanaco foi destruída em torno de 10.000 a. C. Os geólogos referem-se às extraordinárias modificações de clima que podem ter sido causadas pela deslocação do eixo da Terra {provocado pela alteração no campo magnético e inversão dos polos}. A Época Neolítica, que começou por volta de 5.000 a. C., viu importantes inovações culturais, acrescentadas por transformações econômicas de longo alcance: a transição para a agricultura e para os sistemas econômicos produtivos. O homem neolítico cultivava cereais selvagens e criava carneiros, cabras e porcos. Instalaram-se grandes famílias em aldeias às margens de grandes rios e mais tarde em cidades fortificadas.
Entre 8.000 e 6.000 a. C., Jericó {Palestina} foi considerada como estágio preliminar das altas civilizações urbanas, embora os egiptólogos suspeitem de uma cultura mais antiga no vale do Nilo. Descobertas arqueológicas em Eridu e Uruk {Mesopotâmia} referem-se aos primeiros edifícios sagrados. Encontraram-se as primitivas placas de argila com registros da língua cuneiforme. Palavras e sinais fonéticos substituíram a primitiva escrita pictórica. Em todas as civilizações se observa um considerável cuidado com os mortos. Vários dilúvios e catastróficas erupções vulcânicas, provavelmente cerca de 3.000 a. C., são descritos na Bíblia como o Grande Dilúvio. A América do Sul continua a ser colonizada por vagas de imigrantes vindos da Ásia.
O COLAPSO DO IMPÉRIO
Verdadeiramente, os Bárbaros Brancos são um povo poderoso. Governam o céu e a terra e são ao mesmo tempo ave, verme e cavalo. Pensam que estão vendo a Luz, mas, no entanto, vivem na escuridão da ignorância e no mal. E o pior é que negam o seu próprio deus e lutam eles próprios serem deuses e para nos fazer acreditar que governam o mundo. Mas os deuses são ainda maiores e mais poderosos que todos os Bárbaros Brancos juntos. Ainda são eles que decidem quem, entre nós, deve morrer e quando. Tranqüilidade, sol, água e fogo servem-nos primeiro. Porque os deuses não permitem que descubram os seus segredos.
Arqueologia prova que Presença dos Sumérios na América do Sul aconteceu
Os nossos sacerdotes dizem que farão um julgamento que libertará os Bárbaros Brancos do fardo dos seus erros. Cairá uma chuva contínua que, lavando, tirará toda a dor e escuridão dos seus corações. As águas subirão cada vez mais e lavarão a maldade e a ambição do poder e da riqueza. Tal como acontecera já há mil anos, tudo isto foi registrado na crônica com boas palavras e numa escrita clara:

Três luas passaram e três vezes três luas. Então as águas dividiram-se. A Terra acalmou de novo. As correntes seguiram diferentes cursos. Perderam-se por entre as colinas. Altas montanhas se ergueram em direção ao Sol. A Terra modificou-se quando os Servos Escolhidos deixaram as moradias subterrâneas, e grande foi a sua mágoa. Ergueram o rosto para o céu. Os seus olhos procuraram as planícies, os rios e os lagos. A verdade era terrível; a destruição medonha. E Ina reuniu o Conselho dos Velhos. As Tribos Escolhidas juntaram dádivas: jóias, mel das abelhas e incenso. E ofertaram-nos para fazer com que os deuses voltassem à Terra. Mas o céu manteve-se vazio. A era do jaguar começara: época de sangue quando tudo foi destruído. Assim foi separado o elo entre os Primitivos Mestres e os seus servos. E principiou uma nova vida.
Os anos de sangue, o período entre o ano 13 e o ano 7315, é a mais escura época na história do meu povo. A Crônica de Akakor não se refere a estes acontecimentos. Durante milhares de anos não há registros de qualquer espécie. A transmissão oral também é pobre e entremeada com escuras profecias. Foi uma época medonha. O selvagem jaguar veio e devorou carne humana. Esmigalhou os ossos dos Servos Escolhidos. Arrancou as cabeças dos seus servos. A escuridão envolveu a Terra. Depois da primeira Grande Catástrofe, o império ficou numa situação desesperadora. As moradias subterrâneas agüentaram os terríveis desmoronamentos e nenhuma das treze cidades foi destruída, mas muitas das vias que ligavam os limites do império ficaram bloqueadas.
A sua misteriosa Luz extinguira-se como uma vela assoprada pelo vento. As vinte e seis cidades foram destruídas por uma tremenda inundação. Os recintos dos templos sagrados de Salazere, Tiahuanaco e Manoa ficaram em ruínas, destruídos pela terrível fúria dos deuses. As patrulhas enviadas trouxeram a notícia de que muito pouco das Tribos Aliadas haviam sobrevivido à catástrofe. Obrigados pela fome, abandonaram as suas velhas instalações e penetraram no território dos Ugha Mongulala, trazendo atrás de si a morte e a perdição. O desespero, o desânimo e a miséria espalharam-se por todo o império. Travaram-se renhidos combates nas últimas regiões férteis. O domínio das Tribos Escolhidas chegara ao fim.
Este foi o início do inglório fim do império. Os homens haviam perdido a razão. Andavam nos campos com as mãos pelo chão. Tremiam de medo e terror. Estavam abatidos. Tinham o espírito confuso. Atacavam-se uns aos outros como animais. Matavam o seu vizinho e comiam-lhe a carne. Na verdade, foram épocas horríveis. O terrível período entre a primeira e a segunda Grande Catástrofe, de 10.468 a.C. a 3.166 a. C., segundo o calendário dos Bárbaros Brancos, trouxe o meu povo até a beira da extinção. Tribos degeneradas que haviam sido aliadas dos Ugha Mongulala antes da primeira Grande Catástrofe fundaram os seus próprios impérios.
Derrotaram os exércitos dos Ugha Mongulala e fizeram-nos recuar até as portas de Akakor no nosso ano de 4.130. As tribos dos Degenerados formaram uma aliança. Disseram: “Como podemos nós tratar com os nossos primitivos chefes? Na verdade, eles ainda são poderosos”. De modo que se reuniram em conselho. “Façamos uma emboscada e matemo-los. Não somos mais numerosos? Não somos mais que suficientes para os vencer?” E todas a tribos se armaram. Juntaram-se em grande número. A massa dos seus guerreiros estendeu-se mais longe do que os olhos podiam alcançar. Queriam tomar Akakor de assalto. Marcharam em formação para matar o príncipe Uma. Mas os Servos Escolhidos tinham-se preparado, mantiveram-se no cume da montanha. O nome da montanha era Akai. Todas as Tribos Escolhidas se haviam reunido junto de Uma quando os Degenerados se aproximaram. Vinham gritando, com arcos e setas. Cantavam canções de guerra. Berravam e assobiavam metendo os dedos na boca. E assim precipitavam-se contra Akakor.
Neste ponto A Crônica de Akakor é imprecisa. Os nossos sacerdotes contam que os Ugha Mongulala perderam a batalha e Uma morreu. Os sobreviventes retiraram para as suas habitações subterrâneas. A derrota na montanha de Akai representa o ponto mais baixo da infelicidade do meu povo. Tal como os Bárbaros Brancos, que negam os deuses e se consideram acima das leis, os Ugha Mongulala arrastaram-se cada vez mais na humilhação. Confundidos com este incompreensível acontecimento, começaram a adorar árvores e rochas, até mesmo a sacrificar animais e seres humanos. Cometeram então o mais vergonhoso crime dos dez mil anos da história do meu povo. E eis como isso aconteceu. Quando Uma foi morto na batalha contra as Tribos Degeneradas, o grande-sacerdote recusou que o seu filho Hanan entrasse nos secretos recintos dos deuses e sem o respeito devido aos Antigos Pais, começou a governar o povo como considerou melhor. Estávamos no ponto máximo da era do sangue, época em que era chefe o selvagem jaguar.
Porque sofreu o meu povo estes crimes? Porque é que os mais velhos toleraram a má conduta do grande sacerdote? Só há uma explicação. Depois da partida dos deuses, só certas pessoas tinham consciência da antiga sabedoria dos Primitivos Mestres. Os sacerdotes já não mais transmitiam os seus conhecimentos. Ensinavam a história dos Antigos Pais só aos de grande confiança. O seu poder tornava-se maior à medida que desaparecia o seu sagrado legado. Dentro em pouco só eles se sentiam responsáveis pelos acontecimentos da terra e do céu. Durante milhares de anos, os sacerdotes governaram onipotentes os Ugha Mongulala. Isto é o que contam os nossos antepassados. E deve ser verdade, porque só a verdade se mantém através do tempo na memória do homem.
A SEGUNDA GRANDE CATÁSTROFE
Terrível é a história. Terrível é a verdade. Os Servos Escolhidos ainda viviam nas habitações dos deuses – seis mil anos. O sagrado legado havia sido esquecido. A sua escrita tornara-se ilegível. Os seus servos tinham traído o combinado com os deuses. Viviam para além de todas as fronteiras como animais da floresta. Andavam com as mãos e os pés no chão. Cometiam-se crimes à luz do dia. E os deuses ressentiam-se com estas atitudes. Os seus corações enchiam-se de tristeza devido à maldade do homem. E disseram: “Castigaremos o povo. Arrancá-los-emos da terra – homens e gado, vermes e pássaros do céu – porque desprezaram o nosso legado”. E os deuses começaram a destruir o povo.
Enviaram uma poderosa estrela, cuja cauda vermelha cobria todo o céu. E enviaram fogo mais vivo que um milhar de sóis. O grande julgamento começou. Durante treze luas caiu chuva. As águas do oceano subiram. Os rios corriam às avessas. O Grande Rio transformou-se num imenso lago. E o povo foi destruído. Todos morreram afogados no terrível dilúvio. Os Ugha Mongulala sobreviveram à segunda Grande Catástrofe da história da humanidade. Protegidos nas habitações subterrâneas dos seus Primitivos Mestres, observando a destruição da Terra com temor.
Enquanto os Servos Escolhidos sabiam que estavam inocentes da primeira Grande Catástrofe, agora se acusavam como responsáveis pelo segundo terrível acontecimento. Surgiram lutas e querelas. Rompeu uma guerra civil na Baixa Akakor, que levaria o meu povo à extinção se não tivesse acontecido o que desde há muito era previsto pelos sacerdotes. Quando a necessidade era premente, os Primitivos Mestres voltaram. E o seu regresso abre um novo capítulo na história dos Ugha Mongulala, o segundo livro da Crônica de Akakor.
O primeiro livro acaba com os feitos de Madus, um corajoso guerreiro dos Ugha Mongulala, que, mesmo nos momentos mais difíceis, não perdera a fé no legado dos deuses, tal como se escreve na crônica. Madus atreveu-se a seguir a estrada que leva à superfície da Terra. Sem recear nem tempestades nem água, ele continua o seu caminho. Olha com tristeza o país devastado. Não via nem pessoas nem plantas – só animais e aves assustadas que voavam sobre o infinito lençol de água, até que cansadas caíam. Isto viu Madus. E ficava ao mesmo tempo triste e irritado.
Arrancou tocos de árvores do solo inundado. Juntou madeira flutuante. Construiu uma jangada para auxiliar os animais. Arranjou um casal de cada dois jaguares, duas serpentes, duas antas e dois falcões. E as águas que subiam elevavam mais a jangada para as montanhas, no cume do monte Akai, a montanha de destino das Tribos Escolhidas. Aqui, Madus deixou os animais irem para a terra e os pássaros voarem. E quando, depois de treze luas, as águas baixaram e o sol desfez as nuvens, voltou para Akakor e narrou o fim da terrível era do sangue. {Continua…}



