África: Surto de Ebola chega a 900 casos suspeitos. OMS alerta que é ‘provável’ que surto fique mais grave e registra 220 mortes

A violência e o deslocamento na RD do Congo estão dificultando os esforços para conter o vírus, segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS. Ghebreyesus afirma que situação pode piorar antes de melhorar; ataques a hospitais e centros de tratamento dificultam combate à doença no leste da República Democrática do Congo.


Fontes: Rússia TodayGlobo-G1

O surto de Ebola na República Democrática do Congo aumentou para mais de 900 casos suspeitos, com 101 infecções confirmadas até o momento, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta segunda-feira que houve 220 mortes suspeitas no atual surto de Ebola. Além disso, ele afirmou que as equipes de resposta agora estão “correndo atrás do prejuízo” e que é “provável que a situação piore antes de melhorar”.

Tedros listou ainda 3 pontos para justificar a sua análise:

  1. “A detecção tardia do surto, o que significa que agora estamos correndo atrás de uma epidemia que avança rapidamente”.
  2. “A intensificação dos conflitos em Ituri e North Kivu, além de uma desconfiança significativa em relação às autoridades externas por parte de algumas comunidades locais”.
  3. “A ausência de vacinas ou tratamentos aprovados para a cepa do vírus Bundibugyo”.

“Estamos ampliando urgentemente as operações, mas, neste momento, a epidemia está nos ultrapassando”, disse Tedros, acrescentando que os países vizinhos da República Democrática do Congo — epicentro do surto — devem agir imediatamente.

Kinshasa declarou a epidemia em 15 de maio, marcando a 17ª crise de Ebola registrada no país desde que o vírus foi identificado pela primeira vez em 1976. Dois dias depois, a OMS classificou a cepa Bundibugyo, detectada na República Democrática do Congo e na vizinha Uganda, como uma emergência de saúde pública de importância internacional, embora não tenha chegado a declarar uma emergência de nível pandêmico.

Em uma publicação no X no domingo, o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a violência e o deslocamento em massa da população na província de Ituri – o epicentro da epidemia – estão complicando seriamente os esforços para conter o vírus.

“Quase 5 milhões de pessoas vivem em meio a conflitos. Hoje, 1 em cada 4 pessoas precisa de assistência humanitária e 1 em cada 5 está deslocada internamente”, escreveu Tedros, alertando que a situação tem dificultado “severamente” os esforços para expandir o rastreamento de contatos e detectar infecções precocemente o suficiente para fornecer cuidados de suporte.

Ghebreyesus acrescentou que a OMS e seus parceiros continuam atuando em algumas das áreas mais inseguras e de difícil acesso de Ituri, onde as comunidades enfrentam não apenas o Ebola, mas também uma crise de saúde mais ampla envolvendo múltiplas doenças.

Familiares de uma vítima do Ebola lamentam enquanto o caixão é levado para o sepultamento, no Hospital Sofepadi em Bunia, Congo. — Foto: Moses Sawasawa / AP

“Oferecer um pacote completo de serviços de saúde é essencial”, escreveu ele, afirmando que uma assistência médica mais ampla é fundamental para construir confiança e fortalecer a resposta ao surto do vírus.

O vírus Bundibugyo é uma cepa rara do Ebola, identificada pela primeira vez em Uganda em 2007, que, segundo relatos, mata cerca de um terço dos infectados. Os cientistas acreditam que ele é transmitido por morcegos frugívoros e se espalha por meio do contato com animais infectados e fluidos corporais. Atualmente, não há vacina aprovada para essa cepa.

Segundo relatos, cientistas britânicos estão acelerando o desenvolvimento de uma vacina experimental baseada em tecnologia desenvolvida [mRNA?] durante a pandemia de Covid-19. Os pesquisadores afirmam que a vacina poderá estar pronta para testes clínicos em poucos meses, embora sua eficácia ainda seja desconhecida.

Embora a OMS tenha elevado o risco do atual surto de Ebola de “alto” para “muito alto” na República Democrática do Congo, ele permanece baixo internacionalmente. Mais cedo, nesta segunda-feira, Uganda registrou mais dois casos de Ebola, elevando para sete o número total de casos confirmados no país.

Ataques a hospital

Jovens invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu, no leste da República Democrática do Congo, na noite de domingo (24), obrigando equipes médicas a evacuar pacientes às pressas enquanto tiros eram disparados na região. Segundo o diretor médico da unidade, Richard Lokudu, os invasores exigiam a liberação dos corpos de dois parentes. O episódio foi o terceiro ataque em menos de uma semana contra instalações de saúde ligadas ao combate ao Ebola.

Os ataques acontecem em meio às dificuldades enfrentadas por profissionais de saúde para conter o surto da doença. No sábado (23), moradores de Mongbwalu incendiaram uma tenda da organização Médicos Sem Fronteiras destinada ao tratamento de casos suspeitos e confirmados de Ebola.

Durante a ação, 18 pessoas com suspeita de infecção deixaram o local e seguem desaparecidas. Na quinta-feira (21), outro centro de tratamento, na cidade de Rwampara, também foi incendiado após familiares serem impedidos de recuperar o corpo de um homem suspeito de ter morrido de Ebola.

Autoridades congolesas afirmam que os corpos das vítimas podem continuar altamente contagiosos após a morte, aumentando o risco de transmissão durante funerais e rituais de sepultamento. Por isso, o governo determinou que o enterro de vítimas suspeitas seja realizado, sempre que possível, pelas autoridades sanitárias. Na sexta-feira (22), também foram proibidos velórios e aglomerações com mais de 50 pessoas no nordeste do Congo, em uma tentativa de conter o avanço da doença.


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