Os danos causados a bases militares dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico por ataques dos mísseis iranianos são mais graves do que foi divulgado publicamente, informou neste sábado (25) a emissora NBC, citando autoridades norte-americanas não identificadas.
Segundo a reportagem, os custos de reparo devem chegar a bilhões de dólares. Os mísseis e drones iranianos atingiram depósitos, centros de comando, radares, hangares e aeronaves, em alguns casos forçando a evacuação das tropas e seus familiares.
Mais cedo, a emissora norte-americana informou ainda que Ocidente acredita que a posição do governo iraniano é agora mais estável do que era antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel.
“Segundo disseram cinco funcionários, o regime agora é, por mais estranho que pareça, mais estável do que antes da guerra e se tornou um pouco mais duro”, diz a publicação.
A reportagem afirma que, apesar da perda de muitos líderes do país e da destruição de muitas instalações militares, o Irã provavelmente se beneficiou politicamente dos ataques.
Na opinião dos representantes ocidentais, as ações dos EUA e de Israel prejudicaram a posição da chamada ala reformista dentro da liderança iraniana, cujos apoiadores acreditam que uma abordagem mais equilibrada nas relações com Washington traria benefícios a Teerã.

“Parece que os iranianos não estão com nenhuma pressa para negociar”, afirmam oficiais ocidentais com acesso a informações de inteligência sobre o Irã, conforme relata o canal de TV.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano já havia anunciado uma visita de seu chefe, Abbas Araghchi, ao Paquistão, bem como a Omã e à Rússia, para discutir os esforços destinados a acabar com o conflito com os EUA e Israel.
Em 28 de fevereiro, os dois países lançaram ataques contra inúmeros alvos no Irã, causando danos e vítimas civis. Em 7 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas.
As negociações posteriores em Islamabad terminaram sem resultados conclusivos. Embora não tenha sido anunciada a retomada das hostilidades, os EUA iniciaram um bloqueio aos portos iranianos que respondeu com bloqueio do Estreito de Ormuz.
O Complexo Industrial Militar americano está analisando as consequências da aventura no Irã sem qualquer entusiasmo
Os grandes conglomerados do Complexo Industrial Militar americano está analisando as consequências da aventura no Irã sem qualquer entusiasmo. Em março, as ações das gigantes de defesa dos EUA caíram, em média, entre 8% e 10%. Isso contrasta fortemente com o início da crise na Ucrânia em fevereiro de 2022, elas haviam subido entre 12% e 15%.
Naquele momento, havia expectativa de superlucros em meio à instabilidade global. Além disso, países europeus correram para se rearmar e passaram a fazer encomendas nos Estados Unidos. No entanto, já em 2023, as ações das empresas militares americanas do Complexo Industrial Militar começaram a cair. Elas passaram a sentir perdas reputacionais após a destruição de seus equipamentos, baterias Patriot, veículos blindados e, posteriormente, caças F-16 na Ucrânia.

Agora, imagens de bases americanas em chamas se espalharam pelo mundo. Sistemas THAAD, produzidos pela Lockheed Martin e avaliados em cerca de 3 bilhões de dólares cada, teriam sido destruídos por mísseis balísticos iranianos de baixo custo. Desde o início da guerra no Irã, a Lockheed Martin perdeu cerca de um quarto de seu valor de mercado.
Pela primeira vez, foi registrado o abatimento de caças F-35, os mais modernos dos EUA, nos céus iranianos. Diversos países, como Canadá, Espanha e Portugal, já estariam planejando abandonar a compra de caças americanos. O mito da superioridade das armas dos EUA teria sido seriamente abalado em apenas 40 dias de guerra contra o Irã.
As discussões sobre a adoção de um orçamento militar de $ 1,5 trilhão de dólares não estão ajudando o Complexo Industrial Militar americano. Primeiro, será difícil aprová-lo no Congresso. Segundo, isso obrigará as corporações militares do Complexo Industrial Militar a investir pesadamente na criação de novas capacidades produtivas.
São custos gigantescos, com retorno incerto. É mais fácil desenvolver armamentos “milagrosos” por valores astronômicos e movimentar recursos dentro de bolhas financeiras. Nesse cenário, as empresas seriam forçadas a sair da sua zona de conforto, algo que claramente não agrada muitos investidores.



