Em editorial publicado nesta quinta-feira (24/9), a influente revista britânica The Economist comparou o Brasil a um avião “parado na pista”, que vai enfrentar mais uma eleição desanimadora com candidatos “desoladores”, diante de mais um confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a “famíglia” Bolsonaro. “Nenhum dos dois é convincente quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção entranhada e a expansão incessante dos gastos públicos”, defende a publicação.
Fonte: BBC-Londres
O texto começa elencando as riquezas naturais e a diversidade do povo brasileiro, mencionando a construção de Brasília na década de 1950, com “ruas traçadas no formato de um avião [Plano Piloto], simbolizando um país pronto para decolar”.
“No entanto, ele continua parado na pista. Ao longo do último meio século, em vez de ganhar os céus, a economia brasileira estagnou tanto em relação a seus pares quanto em comparação ao crescimento médio global. A eleição geral de 4 de outubro oferece pouca esperança de uma reviravolta”, escreve.
Essa não é a primeira comparação com decolagem que a revista faz sobre o Brasil. Em 2009, ela publicou a icônica capa em que estátua do Cristo Redentor aparece subindo aos céus como um foguete, com o título “Brazil takes off” ou Brasil decola, na tradução para o português.
Quatro anos depois, em 2013, a revista conhecida pelo pensamento liberal na economia e progressista nos costumes, substituiu o otimismo por uma reportagem repleta de críticas ao país. Na capa, o Cristo aparecia em queda desgovernada. O título questionava se o Brasil havia jogado fora a chance de ser o “país do futuro”.

A revista britânica, que defende reformas econômicas e redução dos gastos públicos, escolhe a candidatura de Renan Santos (Missão) como a que mais se “aproxima do que o momento exige”, na concepção de seus editores.
“Mas nem ele nem qualquer outro outsider conseguiram avançar contra as máquinas políticas rivais de Lula e Bolsonaro. O país está caminhando para uma crise previsível”, diz o texto.
A The Economist escreve que, “apesar da corrupção desenfreada e da visão limitada dos políticos adeptos da distribuição de favores e verbas” [especial e notoriamente, para os seus próprios bolsos], muitas das instituições vitais do país ainda funcionam, como Polícia Federal, que tem investigado a fraude de Daniel Vorcaro, do banco Master, e “a conspiração golpista” da ‘famíglia’ Bolsonaro.
A revista elogia a imprensa “feroz e independente” [uma grande piada sobre as pre$$tituta$], a diplomacia “respeitada em todo o mundo” e “até mesmo o [circo do] Supremo Tribunal Federal”, que, “apesar de suas muitas falhas, foi capaz de mandar para a prisão alguém que conspirou por um golpe de Estado”, referindo-se a Jair Bolsonaro.
Sobre os dois principais candidatos, o editorial diz que o presidente Lula, apesar de uma postura correta sobre o meio ambiente, “fez muito pouco para impulsionar o crescimento econômico ou conter os gastos públicos”, “sem conseguir promover reformas econômicas”. {um completo ignorante sobre o “tamanho do Brasil e suas potencialidades”: Lula propõe reunião de Líderes do BRICS para responder a Trump (por Incompetência, Medo e Covardia)

A revista faz questão de mencionar a idade do presidente, prestes a completar 81 anos, o comparando com Joe Biden, que tinha a mesma idade quando desistiu de sua candidatura às eleições americanas em 2024. Já Flávio Bolsonaro é descrito como alguém que “nega que os seres humanos estejam causando as mudanças climáticas, questiona a integridade das urnas eletrônicas e insinua que não respeitará o resultado caso Lula vença”.
“Sua principal proposta é conceder perdão ao pai, que em setembro de 2025 recebeu uma sentença de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado, incluindo um plano para assassinar Lula”, diz o texto. Com esse cenário, diz a revista, os “brasileiros comuns com mais consciência se sentem sem esperança”.
Por fim, a revista pinta um cenário “provável” de uma crise causada pela “forte aceleração do nível de endividamento e dos custos de financiamento” do governo, gerando inflação e uma recessão.
“Talvez somente então os brasileiros se voltem para alguém disposto a defender a impopular ideia de que serão necessários sacrifícios para construir um futuro em que um país tão abençoado [para Lula, um país pequeno...] nunca mais seja condenado a escolher entre dois candidatos tão medíocres“, conclui a publicação.



