Nestas páginas, falamos muito sobre o que fazer com o dinheiro, mas questiono se a maioria dos assinantes (e o público em geral) compreende adequadamente os princípios básicos. Sem esse conhecimento, muito do que dizemos pode parecer caprichoso ou extravagante, ideias malucas que os leitores toleram apenas porque acertamos em cheio nas grandes tendências. Mas os princípios básicos da especulação e do investimento são como os princípios básicos das artes marciais: basta memorizá-los; precisam se tornar instintivos. Isso significa revisar e praticar repetidamente.
Fonte: International Man – Por Doug Casey
Não é por acaso que geralmente fazemos boas escolhas de investimento; as seleções surgem de uma constante atenção aos fundamentos. Então, quero revisar brevemente esses fundamentos. Vamos começar com o OURO. Aqui, temos uma forte inclinação para o OURO.
Sem dúvida, você tem uma boa posição em OURO. Muitos dos seus amigos sabem que você é um entusiasta do OURO, e alguns deles questionam sua sabedoria. Você seria capaz de dar a eles uma explicação sucinta e convincente não apenas sobre por que o OURO é um bom investimento cíclico, mas também sobre por que ele é um bom dinheiro? Aposto que, em muitos casos, a resposta será: “Não”.
Digo isso porque, quando dou uma palestra, costumo oferecer um prêmio ao membro da plateia que conseguir me dizer as cinco razões clássicas pelas quais o ouro é a melhor moeda. Rápido, quais são elas? Não consegue se lembrar? Continue lendo e, desta vez, grave-as na memória.
O “Dinheiro”
Se você não consegue definir uma palavra com precisão, clareza e rapidez, isso é prova de que você não entende tão bem do assunto quanto deveria. Aqui, falamos muito sobre dinheiro, então faz todo sentido conhecer o assunto completamente. Então, o que é dinheiro? A definição correta de dinheiro é: Algo que funciona como 1) meio de troca e 2) reserva de valor.
As moedas fiduciárias governamentais podem funcionar como dinheiro e, atualmente, funcionam. Mas estão longe do ideal. Quais são, então, as características de uma boa moeda? Aristóteles as listou no século IV a.C. Uma boa moeda deve possuir todas as seguintes características:
- Deve ser Durável : Uma boa nota de dinheiro não deve se desfazer no bolso nem evaporar quando você não estiver olhando. Ela deve ser indestrutível. É por isso que não usamos frutas nem peixe como dinheiro.
- Divisível : Uma boa moeda precisa ser conversível em partes maiores e menores sem perder seu valor, para se adequar a transações de qualquer tamanho. É por isso que não usamos coisas como porcelana como dinheiro; metade de um vaso Ming não vale muito.
- Consistente : Uma boa moeda é aquela que sempre tem a mesma aparência, facilitando o reconhecimento, com cada peça idêntica à seguinte. É por isso que não usamos pinturas a óleo como moeda; cada pintura, mesmo do mesmo artista, do mesmo tamanho e composta pelos mesmos materiais, é única.
- Prático : Uma boa moeda concentra muito valor em um pequeno pacote e é altamente portátil. É por isso que não usamos água como moeda, por mais essencial que seja. Imagine quanto você teria que entregar para pagar por uma casa nova, sem mencionar todos os problemas que teria com a transação.
- Valor intrínseco : Uma boa moeda é algo que muitas pessoas desejam ou podem usar. Isso é fundamental para que o dinheiro funcione como meio de troca; mesmo que eu não seja joalheiro, sei que alguém, em algum lugar, quer OURO e o aceitará em troca de algo que tenha valor para mim. É por isso que não usamos, ou não deveríamos usar, coisas como pedaços de papel colorido como dinheiro, por mais impressionantes que sejam as inscrições e as promessas neles contidas.

O OURO é excepcionalmente adequado para ser usado como moeda. Nenhuma outra substância reúne essas cinco características tão bem. O principal uso do OURO, ao contrário da crença de alguns, não é em joias ou odontologia, embora esses usos sejam importantes. Seu principal uso quase sempre foi como moeda. Mas os usos secundários do OURO estão ganhando importância, porque, dadas as suas características físicas, é um metal de alta tecnologia. Dos 92 elementos naturais, é o mais resistente a reações químicas, o mais dúctil e o mais maleável de todos. Também é altamente reflexivo e um condutor excepcional de calor e eletricidade.
Existem muitas outras vantagens em usar OURO como dinheiro. É de longe a forma de dinheiro mais privada; moedas de OURO, ao contrário de cédulas de papel colorido, sequer possuem números de série. Isso as torna verdadeiramente impossíveis de rastrear. Aos preços atuais, é mais portátil do que dinheiro em espécie, mesmo na forma de notas de 100 dólares. Não retém vestígios de drogas, como acontece com as cédulas, o que as torna menos suscetíveis a confisco arbitrário. Embora tenham sido feitas tentativas de falsificar barras de OURO, com uso de tungstênio e outros materiais, é muito mais fácil autenticá-las do que as cédulas de papel.
E está se tornando cada vez mais evidente para o mundo todo que as moedas fiduciárias não passam de abstrações flutuantes; elas não manterão seu valor. Paradoxalmente, o OURO é hoje muito mais útil como dinheiro do que era a US$ 35 a onça troy, e está se tornando mais útil do que as notas de US$ 100. Isso será ainda mais verdadeiro quando chegar a US$ 5.000 (meu palpite atual) em termos de dólares de hoje [já passou dos US$ 5.000 a onça troy dia 28 de janeiro].
Até recentemente, 90% da população mundial era terminantemente proibida de possuir OURO (na Rússia, China e o restante do mundo ex-comunista) ou simplesmente pobre demais para sequer considerar essa possibilidade (a maioria dos indianos e outros habitantes do Terceiro Mundo). Mas agora essas pessoas têm permissão para possuir OURO e sua capacidade de comprá-lo está crescendo rapidamente. E estão fazendo isso com afinco. Suas culturas têm uma longa história com o metal e experiências recentes de viver em um estado policial; elas compreendem o valor do dinheiro de verdade. Embora as pessoas comuns sejam hoje as maiores compradoras de OURO, muitos governos e bancos centrais também estão acumulando reservas.
Prevejo que o OURO em breve se tornará o meio de troca preferido para muitos. Os primeiros a adotá-lo incluirão os traficantes de drogas, indústria de armamentos e outras mercadorias controladas; essas pessoas são muito preocupadas com a segurança. A elas se juntarão todos os tipos de pessoas que simplesmente desejam fazer negócios sem a fiscalização do governo. E nos próximos anos, o dinheiro em papel será gradualmente eliminado pelos governos em favor de cartões de débito, cartões de crédito e outros meios de transferência eletrônica como os “CBDCs”. Os governos preferem essas opções por razões óbvias: elas tornam qualquer compra ou venda um registro permanente. Portanto, as pessoas precisarão de uma forma privada de negociar quando o dinheiro em papel não estiver mais disponível e/ou perder completa e absolutamente o seu “valor”.
Não se trata apenas de o dinheiro em espécie ficar mais difícil de obter e usar. As pessoas não vão querer guardá-lo à medida que a inflação se agravar; com o dólar americano sendo cada vez mais visto como um ativo problemático, pessoas ao redor do mundo migrarão gradualmente para o OURO. Em cerca de 100 países, o dólar já é a moeda corrente para grandes compras e poupança a longo prazo. O que as pessoas nesses países farão quando o dólar começar a perder valor rapidamente? Elas não voltarão às suas moedas locais pouco confiáveis; sua única alternativa viável será o OURO. Todos esses fatores contribuirão para o aumento da demanda pelo metal. Isso é uma boa notícia para quem já possui grandes quantidades de OURO.
A desvantagem, claro, é que essas mesmas medidas atrairão ainda mais a atenção dos Estados/governos para o OURO, que não gosta de ver concorrência à sua moeda fiduciária. Será que, portanto, tentarão proibir o OURO novamente? Ou, mais provavelmente, regulamentar seu uso, talvez exigindo que todos os proprietários de OURO o registrem e/ou o armazenem em instalações aprovadas? Tudo é possível.
Atualmente, ainda é possível transportar moedas pela maioria das fronteiras com relativamente pouco risco ou transtorno. Existe, claro, a regra da declaração de US$ 10.000. Mas as moedas American Eagle, por exemplo, têm um valor nominal de US$ 50, e 200 delas valem várias centenas de milhares de dólares; embora eu não recomende que você carregue algo assim consigo por diversos motivos, mesmo que tecnicamente esteja dentro da lei. Meu palpite é que as regras serão em breve modificadas para abranger o valor de mercado e serão aplicadas com mais rigor. Já é possível encontrar agentes imperiais de macacão nas passarelas de embarque de muitos voos internacionais, prontos para interrogá-lo e revistar sua bagagem de mão em busca de irregularidades.

Você pode estar pensando: “Eu já sei disso; não preciso ouvir de novo”. Mas isso seria perder o ponto principal. Quase todo mundo, até mesmo os entusiastas do OURO, tem muito pouco OURO para comprar mais. A maioria das pessoas não tem nenhum. Coitados dos incautos. O OURO será reinstituído como moeda ainda em nossas vidas, simplesmente por necessidade. Mas isso só acontecerá com preços mais altos, já que existem apenas cerca de seis bilhões de onças acima do solo em todo o mundo.
Em resumo: esqueça esses clichês ridículos de “economistas”/especialistas sobre ter 5% do seu patrimônio em OURO físico, como forma de seguro. Eu diria que você deve ter uma parcela significativa do seu patrimônio líquido em OURO. E, se possível, mantenha a maior parte fora do seu país de origem. E comece a trabalhar nisso assim que terminar de ler isto.
Agora que definimos o que é dinheiro, permitam-me definir o que dinheiro não é : dívida. Todos os dólares americanos, ou seja, as notas do Federal Reserve, são apenas dívida. Não são resgatáveis por nada pelo emissor, nem há limite para a quantidade que pode ser criada. Representam apenas uma vaga reivindicação contra a “boa-fé e o crédito” do governo dos Estados Unidos, ou seja, a capacidade do governo de arrecadar impostos de seus cidadãos. Mas o Tio Sam tem demonstrado uma notável falta de boa-fé e está atualmente empenhado em destruir sua credibilidade.
Lembre-se de que o dólar é literalmente um “promessa de nada”. É verdade que o seu verdureiro e o seu barbeiro têm de aceitar dólares devido às leis de “moeda corrente” e porque, atualmente, não saberiam que outra forma de pagamento aceitar. Mas isso não se aplica aos estrangeiros, que detêm algo como 10 bilhões de dólares; estes começam a vê-los cada vez mais como “sardinhas no mercado”.
É um fato simples, e tem implicações econômicas e de investimento sobre as quais já escrevemos bastante. Outras moedas não são melhores que o dóllar; a maioria é pior, e muitas delas são lastreadas principalmente em dólares. A moeda da maioria dos países tem pouco valor fora das fronteiras de seus emissores. Agradeça por não ter muitos kwachas zambianos ou kyats birmaneses…
Os governos, porém, não são os únicos que pensam que dívida é dinheiro. Parece que muitas pessoas que obtêm vários cartões de crédito, permitindo-lhes gastar além de suas possibilidades, imaginam que têm dinheiro. E também pensam que possuir dívidas de terceiros, como títulos do governo, significa que têm dinheiro. Um depósito bancário não é dinheiro vivo; é uma dívida do banco. Existem vários trilhões de dólares em fundos do mercado monetário; 100% desse dinheiro está investido em dívidas de curto prazo de bancos, empresas e governos. Eu desconfiaria muito dessas coisas. A dívida nem sempre é paga. Dinheiro verdadeiro, ou seja, OURO, simplesmente “é”. Essa distinção passa despercebida por quase todos. Não seja um deles.
Aqui, quero enfatizar algo que você certamente sabe, mas talvez ainda não tenha colocado em prática. Você não quer apenas possuir OURO, você quer “vender” dólar. Mas tentar negociar moedas e futuros de taxas de juros não é o caminho certo; essa abordagem é arriscada e focada demais no curto prazo.
Eis a coisa mais inteligente que você pode fazer com dívidas: Contrate o maior financiamento imobiliário possível, com o maior prazo e taxa fixa, para sua casa, especialmente agora que as taxas estão próximas de mínimas históricas. Você sairá ganhando com a desvalorização do dólar e com a valorização das taxas de juros. Além disso, o ativo em que você investir o dinheiro se valorizará.
Esta última parte é crucial. Pegar um empréstimo de US$ 500.000 e depois desperdiçá-lo só vai te deixar morando de aluguel em um estacionamento de trailers. Pegue o dinheiro e compre OURO . Ou, talvez, simplesmente deixe-o em investimentos seguros de curto prazo que rendam as altas taxas de juros que sempre acompanham a alta inflação. Esse dinheiro também estará mais seguro em uma jurisdição estrangeira, mas se você o mantiver nos EUA, considere mantê-lo em um IRA ou outro veículo de investimento com benefícios fiscais.
Sim, eu sei que é um conforto morar em uma casa sem dívidas. Mas mesmo que pareça estar livre de dívidas, a sua propriedade não passa de uma ambiguidade. Tente não pagar o IPTU e você descobrirá quem realmente é o dono. A questão é que, daqui a alguns anos, com o aumento das taxas de juros e da inflação, você verá essa hipoteca como um presente.
Isso se relaciona com a questão do “dinheiro em espécie” em notas de papel verde de dólares. Há vantagens em ter muita liquidez hoje e guardar dólares, mesmo que a moeda americana seja uma bomba-relógio. Mas isso se deve simplesmente ao fato de que quase tudo no mundo está sobrevalorizado.
Isso soa paradoxal, ou talvez até metafisicamente impossível. Como é possível que “tudo” esteja sobrevalorizado? Isso está acontecendo porque trilhões de unidades monetárias [dólares] foram criadas em todo o mundo nos últimos anos, e outras bolhas de ativos estão em processo de inflação. As pessoas estão mantendo dólares apenas porque são líquidos e não veem boas oportunidades em outros lugares.
Grandes corporações bem-sucedidas, como Intel, Apple, Microsoft e Exxon, possuem dezenas de bilhões de dólares cada uma. As reservas de caixa das corporações americanas chegam aos trilhões. Quando o dólar começar a perder valor rapidamente, os executivos dessas corporações entrarão em pânico e buscarão proteção contra a inflação. Muitos comprarão suas próprias ações, tentarão adquirir outras empresas ou comprarão matéria-prima para seus próprios negócios. Outros ficarão simplesmente paralisados. (Não quero entrar em uma discussão sobre a direção do mercado de ações; há forças gigantescas puxando-o para baixo, assim como impulsionando-o para cima. Esse é um assunto para um artigo futuro.)
Gostaria de reiterar que [a última] Grande Depressão ainda está em seus estágios iniciais. As baixas taxas de juros e a inflação relativamente baixa que tivemos recentemente não irão durar. Em breve, serão substituídas por mercados extremamente voláteis e moedas em rápida desvalorização. Poderíamos ter uma deflação catastrófica, com a eliminação de trilhões de unidades monetárias. Ou poderíamos ter uma hiperinflação, com os governos criando trilhões de unidades monetárias adicionais. Ou ambos os fenômenos em sequência.
Mas, por piores que sejam, esses são apenas fenômenos financeiros; o que será muito, muito mais sério são os acontecimentos que se avizinham nas frentes política, econômica, social e militar da [última] Grande Depressão. É por isso que sugiro que você invista mais em OURO, mesmo que isso vá contra meus instintos de investidor que busca oportunidades de compra a preços baixos.
Em resumo, você precisa se livrar do dólar antes que todo mundo faça isso e ao mesmo tempo.
Nota do editor: A maioria das pessoas não tem ideia do que realmente acontece quando uma moeda entra em colapso, muito menos como se preparar…
Possuir OURO é essencial.
Mas ainda há muito a fazer para garantir que seu patrimônio não seja dizimado pelo gigantesco tsunami financeiro que se aproxima. Como você protegerá suas economias em caso de crise cambial?
Este vídeo que acabamos de lançar mostra exatamente como. Clique aqui para assistir agora.



