História da Internet: Vigilância, Controle e Censura São os Objetivos desde o seu início

Os principais objetivos da internet sempre foram Vigilância e Controle e ultimamente a Censura. Hoje, ela está simplesmente seguindo o seu projeto original. A internet (originalmente ARPANET) nasceu de um projeto de vigilância e contra insurgência do Pentágono. Foi implementada pela ARPA, uma agência de pesquisa do Departamento de Defesa dos EUA que conhecemos como DARPA.

Fonte: The Exposé News – Por Tessa Lena

O esforço para mudar a percepção pública da internet, de um projeto de vigilância militar para uma terra utópica de oportunidades, levou cerca de vinte anos e muito trabalho – e funcionou muito e maravilhosamente bem –, mas a vigilância sempre permaneceu no centro do que a internet representa para os seus criadores.

World Wide Web: Para quem ela foi projetada?

O Nascimento da Internet

Pessoalmente, sou uma grande fã do livro de Yasha Levine, “Surveillance Valley: The Secret Military History of the Internet“, embora, posteriormente, nossas opiniões sobre a covid tenham divergido. O livro de Yasha descreve muito bem o lado obscuro da contrainsurgência e da vigilância na internet.

Neste livro fascinante, a repórter investigativa Yasha Levine revela as origens secretas da internet, remontando a um projeto de vigilância de contra insurgência do Pentágono. Um visionário oficial de inteligência, William Gödel, percebeu que a chave para vencer a guerra do Vietnã não era superar o inimigo em poder de fogo, mas usar novas tecnologias da informação para entender seus motivos e antecipar seus movimentos.

Neste livro fascinante, a repórter investigativa Yasha Levine revela as origens secretas da internet, remontando a um projeto de vigilância de contrainsurgência do Pentágono. Um visionário oficial de inteligência, William Gödel, percebeu que a chave para vencer a guerra do Vietnã não era superar o inimigo em poder de fogo, mas usar novas tecnologias da informação para entender seus motivos e antecipar seus movimentos. Essa ideia — usar computadores para espionar pessoas e grupos percebidos como uma ameaça, tanto no país quanto no exterior — levou a ARPA a desenvolver a internet na década de 1960 e continua sendo o cerne da internet moderna que todos conhecemos e usamos hoje. Como Levine demonstra, a vigilância não surgiu repentinamente na internet; ela estava intrinsecamente ligada à tecnologia. Mas esta não é apenas uma história sobre a NSA ou outros programas domésticos administrados pelo governo. À medida que o livro avança no tempo, Levine examina o setor privado de vigilância que alimenta gigantes da indústria de tecnologia como Google, Facebook e Amazon, revelando como essas empresas espionam seus usuários para obter lucro, enquanto atuam duplamente como contratadas militares e de inteligência. Levine demonstra que os militares e o Vale do Silício são praticamente inseparáveis: um complexo militar-digital que permeia tudo o que está conectado à internet, chegando a cooptar e instrumentalizar o movimento antigovernamental pela privacidade que surgiu após as revelações de Edward Snowden. Com pesquisa aprofundada, narrativa envolvente e argumentos provocativos, “Surveillance Valley” mudará a sua maneira de pensar sobre as notícias — e o dispositivo em que você as lê.

Neste livro fascinante, a repórter investigativa Yasha Levine revela as origens secretas da internet, remontando a um projeto de vigilância de contrainsurgência do Pentágono. Um visionário oficial de inteligência, William Gödel, percebeu que a chave para vencer a guerra do Vietnã não era superar o inimigo em poder de fogo, mas usar novas tecnologias da informação para entender seus motivos e antecipar seus movimentos. Essa ideia — usar computadores para espionar pessoas e grupos percebidos como uma ameaça, tanto no país quanto no exterior — levou a ARPA a desenvolver a internet na década de 1960 e continua sendo o cerne da internet moderna que todos conhecemos e usamos hoje. Como Levine demonstra, a vigilância não surgiu repentinamente na internet; ela estava intrinsecamente ligada à tecnologia.

Mas esta não é apenas uma história sobre a NSA ou outros programas domésticos administrados pelo governo. À medida que o livro avança no tempo, Levine examina o setor privado de vigilância que alimenta gigantes da indústria de tecnologia como Google, Facebook e Amazon, revelando como essas empresas espionam seus usuários para obter lucro, enquanto atuam duplamente como contratadas militares e de inteligência. Levine demonstra que os militares e o Vale do Silício são praticamente inseparáveis: um complexo militar-digital que permeia tudo o que está conectado à internet, chegando a cooptar e instrumentalizar o movimento antigovernamental pela privacidade que surgiu após as revelações de Edward Snowden. Com pesquisa aprofundada, narrativa envolvente e argumentos provocativos, “Surveillance Valley” mudará a sua maneira de pensar sobre as notícias — e o dispositivo em que você as lê.

Essa ideia — usar computadores para espionar pessoas e grupos percebidos como uma ameaça, tanto no país quanto no exterior — levou a ARPA a desenvolver a internet na década de 1960 e continua sendo o cerne da internet moderna que todos conhecemos e usamos hoje. Como Levine demonstra, a vigilância não surgiu repentinamente na internet; ela estava intrinsecamente ligada à criação da tecnologia e em seu ambiente. Mas esta não é apenas uma história sobre a NSA ou outros programas domésticos administrados e criados por agências do governo.

À medida que o livro avança no tempo, Levine examina o setor privado de vigilância que alimenta gigantes da indústria de tecnologia como Google, Facebook e Amazon, revelando como essas empresas espionam seus usuários para obter lucro, enquanto atuam duplamente como contratadas militares e das agências de inteligência. Levine demonstra que os militares e as gigantes Big Tech do Vale do Silício são praticamente inseparáveis: um complexo digital militar que permeia tudo o que está conectado à internet, chegando a cooptar e instrumentalizar o movimento antigovernamental pela privacidade que surgiu após as revelações de Edward Snowden. Com pesquisa aprofundada, narrativa envolvente e argumentos provocativos, “Surveillance Valley” mudará a sua maneira de pensar sobre as notícias — e o dispositivo em que você as lê.

A internet surgiu de um projeto do Pentágono da década de 1960 chamado ARPANET. A ARPANET era um projeto de contra insurgência, comunicações e vigilância desenvolvido pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA, na sigla em inglês) e baseado na ideia de uma “Grande Rede Intergaláctica”, um termo futurista cunhado por J.C.R. Licklider, apelidado de “Lick”. Lick era um psicólogo e cientista da computação americano, considerado um dos “pais fundadores” da computação interativa.

Como tudo começou

Todos conhecemos a ARPA como DARPA, a sinistra agência do Departamento de Defesa (“DoD”) por trás da Operação Warp Speed da covid-19. A ARPA foi originalmente criada em resposta ao choque de ter sido “derrotada” pela URSS na corrida espacial após o lançamento do Sputnik em 1957.

A agência foi criada para proteger os Estados Unidos da ameaça nuclear soviética vinda do espaço. Ela foi concebida como uma agência enxuta do Pentágono, quase como uma empresa de gestão, gerenciando e supervisionando projetos avançados de pesquisa militar, mas terceirizando grande parte do trabalho para empresas privadas.

Nas  palavras  de Ray Alderman:

Em fevereiro de 1958, em resposta à liderança russa na tecnologia espacial, Eisenhower criou a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA, na sigla em inglês) dentro do Departamento de Defesa (DoD). A missão original era manter-se à frente dos inimigos e prevenir futuras surpresas tecnológicas como o Sputnik.

Inicialmente, o foco da ARPA eram os mísseis. Mais tarde, em 1958, o dinheiro destinado a mísseis e programas espaciais foi transferido para outra nova agência, a NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço). A ARPA então mudou sua missão para problemas militares avançados de longo alcance, como o programa de defesa antimíssil Defender, radares de alerta antecipado e detecção por satélite de testes nucleares russos.

A ARPA fazia parte do Pentágono, um emaranhado burocrático de rivalidades e intrigas políticas entre os diferentes ramos das Forças Armadas. A Força Aérea foi separada do Exército e a CIA foi criada em setembro de 1947, a NSA em novembro de 1952 e a NASA em 1958. A ARPA trabalhava em projetos para todos esses grupos, mas estava presa dentro do Pentágono.

Em 1972, foi renomeada para DARPA, voltou a ser ARPA em 1993 e, em seguida, retornou ao nome de DARPA em 1996… O diretor da DARPA se reporta ao Secretário de Defesa, assim como os membros das Forças Armadas.

Algumas curiosidades

A ARPA foi formada sob a gestão do Secretário de Defesa Neil McElroy, que assumiu esse importante cargo no governo logo após deixar a presidência da Proctor & Gamble, onde foi pioneiro no formato de “novelas”, séries de televisão melodramáticas criadas com o objetivo principal de vender produtos domésticos para donas de casa.

Aqui estão duas capas da revista Time : uma com  Neil McElroy, da Proctor & Gamble, e a outra com  Neil McElroy, o Secretário de Defesa.

Então, aqui está. As telenovelas e a (D)ARPA nasceram sob a égide do mesmo homem! “Depois de deixar o Pentágono [em 1959], McElroy retornou à Procter & Gamble e se tornou presidente do conselho.” Ah, e de acordo com a Wikipédia, quando a ARPA foi fundada, era “liderada por Roy Johnson, um vice-presidente da General Electric.”

Siri, perdoe-me pela pergunta politicamente incorreta, mas você poderia me lembrar… qual é a definição de fascismo? E, Siri, quando cargos de poder corporativo e estatal são ocupados rotineiramente pelas mesmas pessoas, devemos chamar isso de “fascismo”, “turba” ou simplesmente “uma política padrão e comprovada de portas giratórias”? Me ajude, Siri! Lembra daquela piada do George Carlin em que ele dizia que existe um grande clube do qual não éramos membros? Siri, devo rir?

Voltar para (D)ARPA

Nas palavras de Yasha Levine, “McElroy era um empresário que acreditava no poder dos negócios para resolver problemas”. Em novembro de 1957, ele apresentou a ARPA ao Congresso como uma organização que eliminaria a burocracia governamental e criaria um veículo público privado de ciência militar pura para expandir as fronteiras da tecnologia militar e desenvolver “vastos sistemas de armas do futuro”.

Hoje, pensamos em “parcerias público-privadas entre as partes interessadas” como um dos principais temas de discussão do  WEF-Fórum Econômico Mundial, comandado pela CIA . Mas essa estratégia já foi implementada antes.

Devido à competição interna e ao receio de outras agências militares em relação a cortes orçamentários, a ARPA quase foi desfinanciada apenas alguns anos após a sua fundação. Mas então ela “renasceu” como uma agência focada em esforços de contra insurgência. De acordo com a NPR  (na época em que eles ocasionalmente diziam a verdade):

Houve uma guerra burocrática no Pentágono. E os ramos das Forças Armadas – Exército, Marinha e Força Aérea – recuperaram seus programas. Então, de repente, em 1959, essa agência não tinha nem dois anos de existência e ficou sem sua missão principal, meio que à deriva.

O que a DARPA tinha na época era um homem que acabou se tornando vice-diretor. E seu nome era William Gödel. Na verdade, ele não era um cientista nem um gestor científico. Era um agente de inteligência que havia sido designado para a DARPA nos primórdios da agência para representar os interesses da comunidade de espionagem, da comunidade de inteligência.

Então, ele olhou para essa jovem agência que agora não tinha realmente uma missão. E pensou: “Bem, talvez possamos moldar essa agência em torno das ameaças estratégicas que vejo”. E olhou para o mundo. E para ele, a corrida espacial era principalmente um jogo psicológico. Sabe, era relações públicas. A ameaça de um apocalipse nuclear, por maior que fosse, não era um cenário provável.

Ele tinha muita experiência na Ásia, particularmente no Sudeste Asiático. E analisou países como as Filipinas e, especialmente, o Vietnã. E acreditava que a maneira mais provável de os Estados Unidos confrontarem a União Soviética seria por meio de guerras por procuração, nas quais os Estados Unidos apoiariam regimes que lutassem contra insurgências comunistas. E ele achava que poderíamos levar a DARPA para o Vietnã.

Contrainsurgência e Guerra

A ARPA envolveu-se profundamente nas ações militares no Vietnã mesmo antes do início “oficial” da guerra. A ARPA tentou solucionar diversos desafios militares relacionados à guerra de guerrilha e à guerra psicológica. Por exemplo, participou ativamente do desenvolvimento de produtos químicos para o desmatamento. A lista de substâncias tóxicas incluía o infame Agente Laranja e outras “cores”: Agente Branco, Agente Rosa, Agente Roxo e Agente Azul.

Nas palavras de Yasha, “os produtos químicos, produzidos por empresas americanas como a Dow Chemical e a Monsanto, transformaram extensas áreas de selva exuberante em paisagens lunares áridas, causando morte e sofrimento horrível para centenas de milhares de pessoas”.

A ARPA também esteve envolvida no esforço estratégico de instalar sensores de ponta na área, no âmbito do Projeto Igloo White. Os sensores foram disparados de cima e projetados para detectar som, vibração e urina. “O Igloo White era como um gigantesco sistema de alarme sem fio que abrangia centenas de quilômetros de selva.” Na opinião de Yasha, os sensores foram muito menos eficazes na prática do que na teoria, já que os guerrilheiros vietnamitas encontraram maneiras de contorná-los ou disparar “falsos alarmes”.

O Pentágono começou a investir pesado em cientistas sociais e comportamentais, contratando-os para garantir que a “arma de contra insurgência” americana sempre atingisse seu alvo, independentemente da cultura em que fosse disparada. Sob a liderança de William Gödel, a ARPA tornou-se um dos principais canais para esses programas, ajudando a instrumentalizar a antropologia, a psicologia e a sociologia e colocando-as a serviço da contra insurgência americana.

A ARPA destinou milhões para estudos sobre os camponeses vietnamitas, combatentes norte vietnamitas capturados e tribos rebeldes das montanhas do norte da Tailândia. Enxames de contratados da ARPA – antropólogos, cientistas políticos, linguistas e sociólogos – percorreram aldeias pobres, examinando as pessoas minuciosamente, medindo, coletando dados, entrevistando, estudando, avaliando e elaborando relatórios. A ideia era compreender o inimigo, conhecer suas esperanças, seus medos, seus sonhos, suas redes sociais e suas relações com o poder. A maior parte desse trabalho foi realizada pela RAND Corporation, sob um contrato da ARPA.

Em um esforço significativo, cientistas da RAND estudaram a eficácia da iniciativa Aldeias Estratégicas, uma estratégia de pacificação desenvolvida e impulsionada por Gödel e pelo Projeto Ágil, que envolvia o reassentamento forçado de camponeses sul-vietnamitas de suas aldeias tradicionais para novas áreas muradas e tornadas “seguras” contra a infiltração de rebeldes.

Outro estudo realizado na Tailândia para a ARPA pelo Instituto Americano de Pesquisa (AIR), ligado à CIA, teve como objetivo avaliar a eficácia das técnicas de contrainsurgência aplicadas contra tribos rebeldes das montanhas – práticas como o assassinato de líderes tribais, a realocação forçada de aldeias e o uso da fome induzida artificialmente para pacificar populações rebeldes.

Voltando a Gödel, de acordo com  o The New York Times, Sharon Weinberger, autora de “Imagineers of War“, que teve acesso às suas memórias inéditas por cortesia de sua filha, “o retrata não apenas como a força motriz desta história – ‘mais do que qualquer outro funcionário da ARPA’, escreve ela, ele ‘moldou o futuro da agência’ – mas também como um personagem fascinante.”

“Sua casa estava repleta de apetrechos saídos diretamente do laboratório Q de James Bond. Ele viajava pelo mundo com maletas cheias de dinheiro e, por conta disso, foi condenado a cinco anos de prisão por acusações relacionadas a fraude em meados da década de 1960. Depois de deixar a ARPA, ele contrabandeou armas para o Sudeste Asiático. Alguns suspeitavam que ele representava um risco à segurança.”

E aqui estamos nós de novo. A própria agência que fundou a internet – e que também esteve no centro da Operação Warp Speed ​​da Covid – foi moldada por um personagem obscuro que adorava manipular as pessoas e se considerava acima da lei. Uma multidão é uma multidão, não importa a origem do problema.

O artigo do The New York Times continua:

Foi Gödel quem transformou a ARPA em um fórum para ideias que eram “completamente malucas”, nas palavras de Weinberger, mas que mesmo assim receberam financiamento porque eram “ousadas e cientificamente interessantes”.

Essas propostas incluíam um plano para controlar aldeias vietnamitas por meio de hipnose em massa, um sistema acústico de detecção de atiradores de elite (que produziu 5.000 falsos positivos em testes de campo), uma espaçonave interplanetária movida por milhares de explosões nucleares e um campo de força magnético para repelir ogivas nucleares soviéticas, entre outras.

Aliás, você acha que os malucos desistiram das suas ambições de hipnose e controle em massa? Só uma reflexão para 2026.

Cibernética

A cibernética surgiu no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Foi desenvolvida pelo professor do MIT Norbert Wiener. Segundo Yasha Levine, Wiener era um prodígio e um gênio da matemática com poucas habilidades sociais. A vida é cheia de ironias, e Yasha observa que Wiener, que era de ascendência judaica alemã, casou-se com Margaret Engemann, uma grande admiradora de Adolf Hitler, que obrigava suas filhas a lerem Mein Kampf e se orgulhava do fato de sua família na Alemanha ser “livre de sangue judeu”.

Wiener publicou suas ideias científicas em um livro de 1948 intitulado Cibernética: Controle e Comunicação no Animal e na Máquina ‘.

Em termos simples, ele descreveu a cibernética como a ideia de que o sistema nervoso biológico e o computador ou máquina automática eram basicamente a mesma coisa. Para Wiener, as pessoas e todo o mundo vivo podiam ser vistos como uma gigantesca máquina de informação interligada, onde tudo responde a tudo em um intrincado sistema de causa, efeito e retroalimentação.

Ele previu que nossas vidas seriam cada vez mais mediadas e aprimoradas por computadores, e integradas a tal ponto que deixaria de haver qualquer diferença entre nós e a grande máquina cibernética na qual vivemos… o livro despertou a imaginação do público e se tornou um sucesso de vendas instantâneo.

Nos círculos militares, a obra foi recebida como revolucionária… Os conceitos cibernéticos, apoiados por enormes verbas militares, começaram a permear as disciplinas acadêmicas: economia, engenharia, psicologia, ciência política, biologia e estudos ambientais.

Os ecologistas começaram a encarar a própria Terra como um “biossistema” computacional autorregulado, e os psicólogos cognitivos e cientistas cognitivos abordaram o estudo do cérebro humano como se fosse literalmente um computador digital complexo.

Cientistas políticos e sociólogos começaram a sonhar com o uso da cibernética para criar uma sociedade utópica controlada, um sistema perfeitamente azeitado onde computadores e pessoas estivessem integrados em um todo coeso, gerenciado e controlado para garantir segurança e prosperidade.

Essa interligação entre cibernética e grandes potências foi o que levou Norbert Wiener a se voltar contra a cibernética quase assim que a apresentou ao mundo. Ele viu cientistas e militares adotando a interpretação mais restrita possível da cibernética para criar máquinas de matar melhores e sistemas mais eficientes de vigilância, controle e exploração.

Ele viu grandes corporações usando suas ideias para automatizar a produção e reduzir a mão de obra em sua busca por maior riqueza e poder econômico. Começou a perceber que, em uma sociedade mediada por computadores e sistemas de informação, aqueles que controlavam a infraestrutura detinham o poder supremo.

Após popularizar a cibernética, Wiener tornou-se uma espécie de ativista trabalhista e pacifista. Ele contatou sindicatos para alertá-los sobre o perigo da automação e a necessidade de levar a ameaça a sério. Recusou ofertas de grandes corporações que queriam ajuda para automatizar suas linhas de montagem de acordo com seus princípios cibernéticos e se recusou a trabalhar em projetos de pesquisa militar.

Ele era contra o enorme acúmulo de armamentos em tempos de paz que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial e criticou publicamente colegas por trabalharem para ajudar os militares a construir ferramentas de destruição maiores e mais eficientes.

Ele insinuava cada vez mais seu conhecimento privilegiado de que uma “colossal máquina estatal” estava sendo construída por agências governamentais “para fins de combate e dominação”, um sistema de informação computadorizado que era “suficientemente extenso para incluir todas as atividades civis durante a guerra, antes da guerra e possivelmente até mesmo entre guerras”, como ele descreveu em Uso humano de seres humanos: cibernética e sociedade.

O apoio declarado de Wiener aos trabalhadores e sua oposição pública ao trabalho corporativo e militar fizeram dele um pária entre seus colegas engenheiros e empreiteiros militares. Isso também lhe rendeu um lugar na lista de vigilância subversiva do FBI de J. Edgar Hoover. Durante anos, ele foi suspeito de ter simpatias comunistas, e sua vida foi documentada em um extenso dossiê do FBI que foi encerrado após sua morte em 1964.

A trajetória de Weiner me lembra a de outro judeu alemão Joseph Weizenbaum, outro cientista da computação do MIT que criou o primeiro “chatbot”,  Eliza. Depois de criar Eliza como um interessante projeto de pesquisa em ciência da computação, ele percebeu que suas ideias estavam sendo usadas de forma irresponsável e protestou veementemente contra isso – mas, naquele momento, suas objeções foram amplamente ignoradas. Há um documentário sobre ele que eu recomendo muito. Chama-se “Plug and Pray” [HARD].

ARPANET

A ARPANET, a rede de computadores que eventualmente se tornou a Internet, nasceu quando os cientistas descobriram uma maneira de computadores de diferentes modelos, todos localizados em lugares diferentes, se comunicarem entre si.

O primeiro nó da ARPANET, alimentado por IMPs (processadores de mensagens de interface, um tipo especial de dispositivo computacional), entrou em operação em outubro de 1969, conectando Stanford à UCLA. No final de 1971, já existiam mais de quinze nós. E a rede continuou a crescer.

Segundo Yasha Levine, em 1969, “ativistas da organização Estudantes por uma Sociedade Democrática (Students for a Democratic Society) da Universidade de Harvard tiveram acesso a uma proposta confidencial da ARPA escrita por Licklider”. O extenso documento descrevia a criação de um programa conjunto da ARPA entre Harvard e o MIT que auxiliaria diretamente a missão de contra insurgência da agência. O programa foi chamado de Projeto Cambridge.

Uma vez concluído, permitiria que qualquer analista de inteligência ou planejador militar conectado à ARPANET carregasse dossiês, transações financeiras, pesquisas de opinião, cadastros de assistência social, históricos de antecedentes criminais e qualquer outro tipo de dado, e os analisasse de diversas maneiras sofisticadas: examinando montanhas de informações para gerar modelos preditivos, mapeando relações sociais e executando simulações que poderiam prever o comportamento humano de qualquer indivíduo.

O projeto enfatizou a importância de dar aos analistas o poder de estudar países do terceiro mundo e movimentos de esquerda. Os estudantes viam o Projeto Cambridge, e a extensa ARPANET a ele conectada, como uma arma.

Seis anos depois, em 2 de junho de 1975, o correspondente da NBC, Ford Rowan, “apareceu no noticiário da noite para apresentar uma revelação surpreendente”. Ele contou aos telespectadores sobre a ARPANET, a rede de comunicações militares usada para “espionar cidadãos americanos e compartilhar dados de vigilância com a CIA e a NSA”.

As informações do Exército sobre milhares de manifestantes americanos foram repassadas à CIA, e parte delas já está em computadores da CIA… Essa rede interliga computadores da CIA, da Agência de Inteligência de Defesa-DIA, da Agência de Segurança Nacional-NSA, de mais de 20 universidades e de uma dúzia de centros de pesquisa, como a RAND Corporation…

O governo dos EUA está agora utilizando essa nova tecnologia em uma rede secreta de computadores que dá à Casa Branca, à CIA e ao Departamento de Defesa acesso a arquivos de computador do FBI e do Departamento do Tesouro sobre milhões de americanos.

Após a reportagem da NBC, houve uma grande comoção. Os responsáveis, a contragosto, prometeram apagar os dados que haviam coletado, mas, segundo Yasha, protelaram, protelaram e, muito provavelmente, acabaram mantendo os dados de qualquer forma. Enquanto isso, o mundo seguiu em frente.

“Lavagem da Liberdade” da Tecnologia de Vigilância

A transformação da opinião pública sobre a ARPANET – de vê-la como uma fonte de vigilância e controle para percebê-la como um bilhete mágico para a utopia – levou quase duas décadas – e acho muito lógico supor que essa transformação ocorreu sob a orientação das mesmas pessoas que buscavam continuar usando a rede para vigilância e controle.

Uma personalidade que desempenhou um papel importante na popularização da “computação pessoal” como ferramenta de libertação foi Stewart Brand.

Curiosamente,  John Markoff, autor de ‘Whole Earth: The Many Lives of Stewart Brand‘, observa que “os esquerdistas que conheceram Brand presumiram que ele trabalhava para a CIA, uma acusação que poderia ser considerada indireta ou literalmente verdadeira, dependendo das circunstâncias (mais tarde, Brand trabalharia ao lado da CIA fazendo planejamento de cenários)”.

Brand teve uma breve carreira militar formal, mas depois supostamente mudou de ideia e, “menos de um ano após o início de seu compromisso de dois anos, Brand obteve permissão (‘magicamente’, escreve Markoff) para sair mais cedo e estudar arte em São Francisco, onde alugou uma casa flutuante”.

Segundo Yasha, Brand “usou muitas drogas psicodélicas, participou de festas, fez arte e participou de um programa experimental para testar os efeitos do LSD que, sem o seu conhecimento, estava sendo conduzido secretamente pela Agência Central de Inteligência como parte de seu programa MK-ULTRA.

Na década de 60, ele se destacou como uma espécie de ambientalista. Ficou extremamente conhecido por seu icônico Whole Earth Catalogue, voltado para aqueles que desejavam escapar dos males da sociedade, formar comunidades e viver em contato com a natureza. (Será que ele também estava praticando “greenwashing”?)

Em 1972, como jornalista, Brand escreveu um famoso artigo para a Rolling Stone, “SPACEWAR”, no qual retratou os funcionários da ARPA como hippies subversivos e atraentes, em contraste com os militares perigosos. Mais tarde, ele romantizou os “hackers” e contribuiu significativamente para a visão romântica da internet como uma terra de liberdade, oportunidades e tudo de bom.

“No início da década de 1980, após o colapso do sonho das comunas, ele capitalizou sua credibilidade na contracultura e transformou os ideais utópicos dos Novos Comunalistas em um veículo de marketing para a nascente indústria de computadores pessoais”, escreve Yasha.

É interessante notar que, com o passar dos anos, Brand se tornou um defensor declarado da energia nuclear, da engenharia genética e da geoengenharia – todas as coisas que o Fórum Econômico Mundial (WEF), organização com a qual ele aparentemente tem familiaridade, também apoia. Enquanto isso, veja o que Yasha tem a dizer sobre o evangelismo de Brand em relação à informática:

Ele reuniu ao seu redor uma equipe de jornalistas, profissionais de marketing, especialistas do setor e outros hippies que se tornaram empreendedores. Juntos, eles replicaram o marketing e a estética que Brand havia usado durante a época do Whole Earth Catalog e venderam computadores da mesma forma que antes vendia comunas e psicodélicos: como tecnologias de libertação e ferramentas de empoderamento pessoal.

Esse grupo disseminou essa mitologia ao longo das décadas de 1980 e 1990, ajudando a obscurecer as origens militares das tecnologias de computadores e redes, revestindo-as com a linguagem da contracultura psicodélica dos anos 1960. Nesse mundo repaginado, os computadores eram as novas comunas: uma fronteira digital onde a criação de um mundo melhor ainda era possível.

É claro que Brand não foi o único a moldar a percepção otimista do mundo digital. E, claro, nunca saberemos ao certo se ele realmente acreditava em toda a propaganda — ou se estava em uma missão de outro tipo.

Em todo caso, a transformação cultural foi “enxertada” com sucesso. Em [no ano de] 1984 (!!), a Apple lançou seu famoso anúncio com a linguagem invertida – e aqui estamos nós hoje, vivendo nossas vidas dentro daquilo que sempre foi uma ferramenta de contra insurgência e vigilância.

Uma questão filosófica: a internet continua sendo útil para nós? Claro que sim. Afinal, estou digitando isso no computador. Mas o diabo está sempre nos detalhes [que deixamos escapar], não é?

A privatização da internet

O responsável pela privatização da internet foi Stephen Wolff, um militar que trabalhou na ARPANET. A privatização foi realizada por meio da Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês), uma agência federal criada pelo Congresso em 1950.

No início da década de 1980, a NSF operava uma pequena rede que conectava computadores de algumas universidades de pesquisa à ARPANET. A NSF desejava conectar um número maior de universidades à rede e expandi-la para além do uso militar e da pesquisa em ciência da computação. A tarefa de Wolff era supervisionar a construção e a gestão da nova rede educacional, a NSFNET. A primeira versão da NSFNET foi lançada em 1986. Yasha escreve:

No início de 1987, ele e sua equipe… elaboraram um projeto para uma NFSNET aprimorada e modernizada. Essa nova rede,  um projeto governamental criado com dinheiro público [ênfase minha] , conectaria universidades e seria projetada para funcionar futuramente como um sistema de telecomunicações privatizado. Esse era o entendimento implícito de todos na NSF.

A NSFNET deveria se tornar uma rede de duas camadas. A camada superior seria uma rede nacional, uma “espinha dorsal” de alta velocidade que abrangeria todo o país. A segunda camada seria composta por “redes regionais” menores que conectariam as universidades à espinha dorsal. Em vez de construir e gerenciar a rede internamente, a NSF decidiu terceirizar o projeto para empresas privadas.

O plano era financiar e apoiar esses provedores de rede até que eles pudessem se tornar autossuficientes, momento em que seriam liberados e autorizados a privatizar a infraestrutura de rede que construíram para a NSFNET.

A parte mais importante do sistema, a infraestrutura principal, era administrada por uma nova corporação sem fins lucrativos, um consórcio que incluía a IBM, a MCI e o estado de Michigan. As redes regionais de segundo nível foram terceirizadas para uma dúzia de outros consórcios privados recém-criados. Com nomes como BARRNET, MIDNET, NYSERNET, WESTNET e CERFNET, elas eram administradas por uma combinação de universidades, instituições de pesquisa e empresas contratadas pelas forças armadas.

Em julho de 1988, a espinha dorsal da NSFNET entrou em operação, conectando treze redes regionais e mais de 170 campi universitários diferentes em todo o país…

A rede estendia-se de San Diego a Princeton, serpenteando por pontos de troca de rede regionais em Salt Lake City, Houston, Boulder, Lincoln, Champaign, Ann Arbor, Atlanta, Pittsburgh e Ithaca, e estabelecendo uma linha transatlântica internacional até a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear em Genebra. A rede foi um enorme sucesso na comunidade acadêmica.

A privatização da internet – sua transformação de uma rede militar no sistema de telecomunicações privatizado que usamos hoje – é uma história complexa. Ao se aprofundar o suficiente, você se encontra em um pântano de agências federais com siglas de três letras, acrônimos de protocolos de rede, iniciativas governamentais e audiências no Congresso repletas de jargões técnicos e detalhes exasperantes.

Mas, em um nível fundamental, tudo era muito simples: após duas décadas de financiamento generoso e pesquisa e desenvolvimento dentro do sistema do Pentágono, a internet foi transformada em um centro de lucro para o consumidor.

As empresas queriam uma parte, e um pequeno grupo de gestores governamentais estava mais do que disposto a atender ao pedido.

Para isso, com fundos públicos, o governo federal criou do nada uma dúzia de provedores de rede e, em seguida, os transferiu para o setor privado, construindo empresas que, em uma década, se tornariam partes integrantes dos conglomerados de mídia e telecomunicações que todos conhecemos e usamos hoje – Verizon, Time-Warner, AT&T, Comcast.

Segundo Yasha, a privatização foi feita de forma duvidosa, senão fraudulenta. O consórcio que administrava a rede principal – legalmente restrita a instituições de ensino – dividiu-se em duas entidades jurídicas, e a entidade com fins lucrativos começou a vender serviços de internet para empresas – embora a infraestrutura física subjacente fosse a mesma utilizada pela rede educacional sem fins lucrativos.

(Então é meio que como a Comirnaty, de certa forma, uma poção mágica que foi autorizada pelo FDA, mas que não se encontrava em lugar nenhum.)

Resumindo, a NSF subsidiou diretamente a expansão nacional dos negócios do consórcio MCI-IBM. A empresa usou sua posição privilegiada para atrair clientes comerciais, dizendo-lhes que seu serviço era melhor e mais rápido porque tinha acesso direto à rede nacional de alta velocidade.

Assim que Stephen Wolff deu sinal verde para a privatização das operações da NSFNET, as empresas contratadas começaram a disputar o controle desse mercado inexplorado e em expansão — era disso que se tratava a briga entre provedores como a PSINET e a ANS. Elas estavam ansiosas, felizes por o governo financiar a rede e ainda mais felizes por estar prestes a sair do negócio. Havia muito dinheiro a ser ganho.

Além das disputas intersetoriais, não houve oposição real ao plano de Stephen Wolff de privatizar a internet – nem por parte dos membros da NFSNET, nem do Congresso, e certamente não do setor privado. As empresas de TV a cabo e telefonia pressionaram pela privatização, assim como democratas e republicanos no Congresso.

Em 1995, a Fundação Nacional de Ciência (NSF) encerrou oficialmente as atividades da NSFNET, entregando o controle da internet a um pequeno grupo de provedores de redes privadas que ela mesma havia criado menos de uma década antes. Não houve votação no Congresso sobre o assunto. Não houve referendo ou debate público. Aconteceu por decreto burocrático.

Um ano depois, o presidente Bill Clinton sancionou a Lei de Telecomunicações de 1996, uma lei que desregulamentou o setor de telecomunicações, permitindo, pela primeira vez desde o New Deal, a propriedade cruzada quase ilimitada de empresas nos meios de comunicação: empresas de TV a cabo, estações de rádio, estúdios de cinema, jornais, companhias telefônicas, emissoras de televisão e, claro, provedores de serviços de internet.

Um pequeno grupo de poderosas empresas de telecomunicações absorveu a maior parte dos provedores privatizados da NSFNET, que haviam sido criados com fundos da Fundação Nacional de Ciência uma década antes.

A operadora regional da área da Baía de São Francisco passou a fazer parte da Verizon. A do sul da Califórnia, que era parcialmente controlada pela empreiteira militar General Atomics, foi absorvida pela AT&T. A de Nova York tornou-se parte da Cogent Communications, uma das maiores empresas de backbone do mundo.

A infraestrutura principal ficou a cargo da Time Warner. E a MCI, que operava a infraestrutura principal juntamente com a IBM, fundiu-se com a WorldCom, unindo duas das maiores provedoras de serviços de internet do mundo.

Todas essas fusões representaram a centralização corporativa de um novo e poderoso sistema de telecomunicações que havia sido criado pelos militares e introduzido no mercado pela Fundação Nacional de Ciência. Em outras palavras, assim nasceu a internet.

A sopa de letrinhas alguma vez saiu da sala?

Embora a internet tenha sido formalmente privatizada, o aspecto da vigilância permaneceu. Permaneceu — por meio de financiamento, conexões pessoais, mentoria, incentivo, direcionamento da pesquisa para o caminho “desejado”, pressão e, claro, por meio de programas secretos, alguns dos quais foram posteriormente revelados. Acho que “alguns” é a palavra-chave.

Por exemplo, o orientador de pós-graduação de Larry Page, do Google, em Stanford (uma universidade que era “inundada de dinheiro militar”), foi Terry Winograd, “pioneiro em inteligência artificial linguística que havia trabalhado na década de 1970 no Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, parte do projeto maior da ARPANET.”

“Na década de 1990, Winograd foi responsável pelo projeto Stanford Digital Libraries, um componente da Iniciativa de Biblioteca Digital , um projeto multimilionário patrocinado por sete agências federais civis, militares e policiais, incluindo a NASA, a DARPA, o FBI e a Fundação Nacional de Ciência.”

Como era de se esperar, o primeiro artigo de pesquisa de Larry Page, publicado em 1998, trazia a já conhecida informação: financiado pela DARPA. “E assim como nos velhos tempos”, escreve Yasha, “a DARPA teve um papel importante. De fato, em 1994, apenas um ano antes de Page chegar a Stanford, o financiamento da DARPA para a Iniciativa de Biblioteca Digital da Universidade Carnegie Mellon produziu um sucesso notável: o Lycos, um mecanismo de busca cujo nome deriva de Lycosidae, o nome científico da família das aranhas-lobo.”

E quando  o próprio Google  se tornou gigante, capitalizando em sua prática secreta de coleta de dados onipresente que lhe permitiu competir com sucesso no campo das “buscas”, eles exibiram descaradamente sua imagem cuidadosamente construída de nerds benevolentes salvando o mundo. “Não sejam maus”, diziam. E muitos acreditaram.

Lembro-me bem daquela época. Há uns dez anos, como músico, eu participava do “ativismo anti-Big Tech” — reclamando das práticas predatórias e do transumanismo do Google, e escrevendo artigos tentando  chamar a atenção para o que estava acontecendo  — e ninguém ligava. As pessoas simplesmente gostavam do Google. Era conveniente gostar do Google. A mídia os bajulava como se fossem reis, e os cidadãos comuns não se importavam de serem vigiados, contanto que os serviços fossem fáceis de usar.

É perfeitamente compreensível. Estamos todos focados no cotidiano. E é assim que funciona o planejamento militar de longo prazo. Hoje, podemos olhar ao redor e dizer que eles fizeram um trabalho muito bom. Tudo está online, a dependência é enorme – e é muito mais difícil viver na prisão digital hoje do que era nunca entrar nela décadas atrás. Podemos aprender com isso?

E depois há o PRISM  – um programa, revelado por Snowden, que deu à NSA e ao FBI uma porta dos fundos para os servidores de todas as principais empresas de tecnologia. O livro “Surveillance Valley”, de Yasha, também abordou o PRISM.

O PRISM se assemelha às escutas tradicionais que o FBI mantinha em todo o sistema de telecomunicações doméstico. Funciona assim: usando uma interface especializada, um analista da NSA cria uma solicitação de dados, chamada de “tarefa”, para um usuário específico de uma empresa parceira.

Uma solicitação para o Google, Yahoo, Microsoft, Apple e outros fornecedores é encaminhada para equipamentos [‘unidades de interceptação’] instalados em cada empresa. Esses equipamentos, mantidos pelo FBI, repassam a solicitação da NSA para o sistema de uma empresa privada. A solicitação cria uma escuta telefônica digital que, em seguida, envia informações para a NSA em tempo real, tudo sem qualquer intervenção da própria empresa.

Os analistas podem até optar por receber alertas quando um alvo específico fizer login em uma conta. Dependendo da empresa, uma tarefa pode retornar e-mails, anexos, listas de contatos, calendários, arquivos armazenados na nuvem, conversas de texto, áudio ou vídeo e “metadados” que identificam os locais, dispositivos usados ​​e outras informações sobre um alvo.

O programa PRISM, que começou em 2007 durante o governo do presidente George W. Bush e foi expandido durante o governo do presidente Barack Obama, tornou-se uma mina de ouro para espiões americanos.

Libertando-nos do controle da multidão

Eis a questão. A privacidade nunca deveria ter existido. O atual desenvolvimento da censura e da vigilância é uma característica inerente ao tema, não um defeito. E a internet — por mais divertida que seja — é uma continuação do “Sistema de Dominação” de Steven Newcomb, e o Sistema de Dominação é real.

Acontece – mais uma vez – que o mundo é governado por um bando de psicopatas mafiosos audaciosos que jogam jogos militares com as nossas vidas. No mundo pós-2001, esses jogos, que antes aconteciam nos bastidores, tornaram-se mais visíveis para o cidadão comum no Ocidente.

E então, em 2020, esses jogos chegaram diretamente ao nosso quintal na forma de medidas ditatoriais contra a covid, vigilância paternalista e moralismo, censura desenfreada e assim por diante. Chegaram ao nosso quintal em 2020 com tudo, mas a semente foi plantada há muito tempo, quando muitos estavam adormecidos e em breve ficara muito PIOR.

Tudo isso é detestável, trágico e doloroso – mas sempre há um lado positivo em tudo que a vida nos reserva. Não somos meros espectadores. Como Jeff Childers disse em sua  entrevista , realisticamente, talvez não possamos nos opor diretamente as ideias e agendas de psicopatas como Klaus Schwab ou ao Fórum Econômico Mundial – acredito que as forças superiores cuidarão deles no devido tempo. Mas, mesmo que pouco possamos fazer em relação as ideias e agendas do Fórum Econômico Mundial ou à moeda digital do banco central (“CBDC”), não estamos indefesos. Há coisas que podemos fazer.

Podemos nos recusar a ter medo. Podemos usar este tempo para tentar entender o mundo. Podemos nos recusar a trair nossos irmãos e irmãs. Podemos nos concentrar em nosso entorno imediato, nas coisas que temos o poder de mudar, e podemos mudar o mundo juntos, pouco a pouco, com o tempo, com coragem e paixão, desde a base. “Local, local, local” é algo que me toca profundamente.

Afinal, os vilões, em seu planejamento militar, planejam com muita antecedência – às vezes, centenas de anos (como o Google dizendo que espera ter sua IA realmente perfeita em 300 anos – isso é planejamento de longo prazo, eu diria).

Esta é realmente uma batalha existencial – sim, um desafio, mas também uma chance de nos lembrarmos de quem somos, uma oportunidade de nos desvencilharmos das nossas ilusões passadas e de cultivarmos nossas almas de verdade, com dignidade espiritual e sem medo.

O texto acima foi extraído de um artigo intitulado “World Wide Web: Whom Was It Designed to Catch?” de Tessa Lena. Você pode ler o artigo completo no arquivo anexado abaixo.


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