O Irã está exportando mais petróleo pelo Estreito de Ormuz do que antes da guerra, ao mesmo tempo em que impede os países do Golfo Pérsico [Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos] de exportarem petróleo bruto por essa via navegável estratégica, informou o Wall Street Journal (WSJ) em 11 de março.
Fonte: The Cradle
O Irã está bloqueando as exportações de petróleo dos países do Golfo que considera “ligados aos agressores”, impedindo-os de passar pelo estreito com ataques aos navios desobedientes.
Os dados da Kpler mostram que, na última semana, os navios-tanque carregaram uma média diária de 2,1 milhões de barris de petróleo iraniano, um volume ligeiramente superior aos 2 milhões de barris diários que o Irã exportou em fevereiro.
“O Irã está conduzindo seus negócios normalmente”, escreveu o WSJ.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, um total de sete petroleiros carregaram petróleo na costa iraniana, o que indica que os carregamentos de petróleo do Irã “não estão sendo impedidos” de trafegar, acrescentou o WSJ.
Em 8 de março, o Axios noticiou que a Casa Branca estava considerando tomar posse da Ilha de Kharg, onde fica um terminal de petróleo no Golfo Pérsico, por onde passa 90% do petróleo do Irã. As exportações de petróleo são cruciais para manter a economia iraniana à tona em meio à brutal guerra travada pelos EUA e Israel contra a República Islâmica.
“Se eles não conseguirem vender o próprio petróleo, não conseguirão pagar os salários [e o custo da guerra]”, disse Michael Rubin, pesquisador do Instituto Americano de Empresas (AEI), de orientação neoconservadora.
No entanto, o Irã agora está bloqueando as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz para os estados do Golfo aliados dos EUA, demonstrando seu total controle sobre o estreito apesar das bravatas dos membros do governo dos EUA.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou que as forças dos EUA e seus parceiros não têm o direito de passar pelo Estreito de Ormuz, que, segundo eles, está totalmente sob o controle de suas forças navais. O comunicado também afirmou que o navio “Expres Room”, ligado a Israel e ostentando a bandeira da Libéria, foi atingido por projéteis iranianos e forçado a parar após ignorar os avisos da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Acrescentou ainda que o navio porta-contentores “Mayuree Naree” também foi alvejado anteriormente, após ignorar os avisos da Guarda Revolucionária Islâmica e tentar atravessar o estreito.
Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) announced that US forces and their partners have no right to pass through the Strait of Hormuz, which it says is fully under the control of its naval forces.
— The Cradle (@TheCradleMedia) March 11, 2026
It also stated that the Israeli-linked ship “Expres Room,” flying the…
Com o início da guerra, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) ameaçou atacar qualquer navio hostil que tentasse cruzar o estreito, por onde passam entre 20 e 30 por cento de todas as exportações mundiais de petróleo.
Com o esgotamento de seus reservatórios de petróleo, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos foram forçados a reduzir drasticamente a produção de petróleo e a buscar rotas alternativas de exportação.
Caso o estreito permaneça fechado para os países do Golfo nas próximas duas semanas, o fornecimento de petróleo desses países poderá ser reduzido em cerca de 3,8 milhões de barris por dia (3,8% da oferta global), segundo o banco JPMorgan.
Em 3 de março, Trump prometeu que navios da Marinha dos EUA escoltariam petroleiros através do estreito, se necessário.
“Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Independentemente do que aconteça, os Estados Unidos “garantirão” o FLUXO LIVRE DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

No entanto, em meio às ameaças do Irã, Trump não cumpriu [mais uma] a promessa.
“Nenhum navio ligado aos agressores contra o Irã tem o direito de cruzar o Estreito de Ormuz. Se tiverem a menor dúvida, aproximem-se do estreito e tentem”, declarou Ali Reza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, na quarta-feira.
Ao mesmo tempo, o Irã está permitindo a passagem de petroleiros da “frota paralela” ligados à China, já que Pequim é um dos principais importadores de petróleo bruto iraniano.
“Quase todos os navios que atravessam o Estreito estão ligados ao Irã ou à China”, disse Christopher Long, chefe de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Neptune P2P Group.



