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O Fim dos Dias: Armagedom e Profecias do Retorno (dos ‘deuses’ Anunnaki)- (4)

(Zecharia Sitchin)“Quando eles retornarão?” – Fui indagado inúmeras vezes com essa pergunta por pessoas que leram meus livros; “eles” são os Anunnakis – os (“deuses”) extraterrestres que estiveram na Terra, vindos do planeta Nibiru, e que foram reverenciados na Antiguidade na antiga Suméria [atual Iraque-Irã] como deuses [criadores do Adão/Eva de barro, a nossa humanidade atual]. Quando será que Nibiru, com sua órbita alongada, retornará às cercanias de nosso sistema solar, vindo de Sírius, e, então, o que acontecerá?

Do livro: O Fim dos Dias: Armagedom e Profecias do Retorno (dos ‘deuses’ Anunnaki) (Zecharia Sitchin)

4 – Sobre deuses e semideuses

A decisão de Marduk de ficar por ali, ou próximo às terras contestadas, e de envolver seu filho na luta pela lealdade da humanidade persuadiu os enlilitas a retornarem à capital central da Suméria para Ur, o centro de culto de Nannar (Su-en ou Sin em acadiano). Foi a terceira vez que Ur foi escolhida para servir naquela função – conseqüentemente, a designação “Ur III” para aquele período.

Tal ação ligou os assuntos dos deuses em conflito ao conto bíblico de Abraão (e à importância que este teve); essa interrelação trouxe à religião uma mudança que permanece até hoje. Entre os vários motivos para a escolha de Nannar/Sin como campeão enlilita foi a percepção de que a competição com Marduk expandiu-se para além dos assuntos dos próprios deuses, e se tornou um desafio para as mentes e os corações do povo – dos próprios seres da Terra, que os deuses haviam criado, que agora constituíram exércitos que foram à guerra em nome de seus criadores…

Contrário aos outros enlilitas, Nannar/Sin não era um combatente nas Guerras dos Deuses; sua seleção fora feita para sinalizar às pessoas de todos os lugares, mesmo nas “terras rebeldes”, que, sob a sua liderança, uma era de paz e prosperidade deveria começar. Ele e sua esposa Ningal eram muito amados pelo povo da Suméria, sendo que Ur significa prosperidade e bem-estar; seu próprio nome, que significa “lugar urbano e domesticado”, significava não apenas “cidade”, mas “A Cidade” – a joia urbana das terras antigas [onde “deus” fez um acordo com Abraão].

O templo de Nannar/Sin, um zigurate arranha-céu, foi erguido em etapas dentro da murada jurisdição sagrada, onde uma variedade de estruturas servia como moradia e residências dos deuses; havia também edifícios funcionais para uma legião de sacerdotes, oficiais e servidores que atendiam às necessidades
divinas do casal e que cuidavam das práticas religiosas para o rei e para o povo. Dentro daquelas muralhas se estendia uma cidade magnífica com dois portos e canais que a ligavam ao Rio Eufrates, uma imensa cidade com o palácio do rei, edifícios administrativos (para os escribas e registros, e também para a coleta de impostos), moradias privadas de vários andares, oficinas, escolas, armazéns de comerciantes e tendas – tudo em ruas bem largas em que, nos vários cruzamentos, haviam sido construídos santuários para orações, abertos a todos os viajantes. O zigurate majestoso com suas escadarias monumentais, apesar de estar há muito tempo em ruínas, ainda domina a paisagem, mesmo passados mais de 4 mil anos.

Reconstituição do zigurate de Ur-Nammu, com base na reconstrução feita em 1939 por Woolley

Mas havia outro motivo convincente ou contrário de Ninurta e Marduk, ambos “imigrantes” vindos de Nibiru à Terra, Nannar/Sin nascera aqui. Ele não era apenas o Primogênito de Enlil na Terra – ele foi o primeiro da primeira geração de deuses nascidos no planeta. Seus filhos, os gêmeos Utu/Shamash e
Inanna/Ishtar, e a irmã deles Ereshkigal, que pertencia à terceira geração de deuses, eram todos nascidos na Terra. Eles eram deuses, mas eram também nativos terráqueos. Tudo isso foi, sem dúvida, levado em consideração na luta que se sucedeu pela lealdade dos povos.

A escolha de um novo rei, para um novo recomeço do reinado da Suméria, foi algo feito com muito cuidado. Já não havia mais a mão livre dada a (ou assumida por) Inanna/Ishtar, que escolhera Sargão, o Acadiano, para iniciar uma nova dinastia porque ela gostava da forma como ele fazia amor. O novo rei,
chamado Ur-Nammu (“A Alegria de Ur”), foi cuidadosamente selecionado por Enlil e aprovado por Anu, e não era um mero ser da Terra: era filho – “o filho amado” – da deusa Ninsun; ela era, o leitor irá se lembrar, a mãe de Gilgamesh.

Tendo em vista que esta divina genealogia foi citada várias vezes em várias inscrições durante o reinado de Ur-Nammu, na presença de Nannar e outros deuses, pode-se compreender que a afirmação é factual. Isso fez com que Ur-Nammu não fosse apenas um semideus, mas – como foi o caso de Gilgamesh – “dois terços divino”. De fato, a afirmação de que a mãe do rei era a deusa Ninsun colocou Ur-Nammu no mesmo status que tinha Gilgamesh, cujas explorações eram bem lembradas e cujo nome permaneceu honrado. A escolha era, portanto, um sinal aos amigos, como também aos inimigos, de que os gloriosos dias sob a autoridade incontestável de Enlil e do seu clã haviam retornado.

Tudo aquilo era importante, talvez até crucial, porque Marduk tinha os seus próprios atributos para atrair as massas da humanidade. Essa atração especial que ele exercia sobre os seres da Terra se dava ao fato de que o deputado e o chefe de campanha de Marduk era seu filho Nabu – que não tinha apenas nascido aqui, mas fora gerado por uma mãe que era ela mesma uma terráquea; tudo porque, há muito tempo, na
realidade, dias antes do Dilúvio, Marduk rompera com todas as tradições e tabus ao tornar uma mulher da Terra sua esposa oficial.

Jovens anunnakis desposavam fêmeas da Terra, mas isso é algo que não deveria ser considerado uma grande surpresa, pois está claramente registrado na Bíblia. O que pouco se sabia, mesmo no caso dos estudiosos, devido à informação que é encontrada em textos ignorados e que deve ser verificada
mediante complexas Listas de Deuses, é o fato de que foi Marduk quem deu o exemplo seguido pelos “Filhos dos deuses”:

E aconteceu quando os seres da Terra aumentaram em número sobre a Terra e as filhas eram geradas por eles – que os filhos dos Elohim viram que as filhas de Adão eram compatíveis; e eles as desposavam como bem entendessem. Gênesis 6: 1-2

A explicação bíblica dos motivos que levaram ao Grande Dilúvio, nos primeiros oito versos enigmáticos do capítulo 6 do Gênesis, aponta claramente para esses tipos de casamento e sua resultante descendência como a causa da ira divina:

Os Nephilins estiveram na Terra naqueles dias e nos que seguiram
Quando os filhos dos Elohim foram até as filhas de Adão e
tiveram filhos gerados por elas.

(Meus leitores podem se lembrar que a minha pergunta, quando eu ainda era um jovem estudante, era sobre por que o nome Nephilim – que literalmente significa “Aqueles que desceram”, que desceram [dos céus à Terra] – era geralmente traduzido como “gigantes”. Foi muito depois que eu notei, e assim sugeri, que a palavra em hebreu para “gigantes”, Anakim, era na verdade uma tradução do sumério para
anunnaki.)

A Bíblia cita claramente que tais casamentos entre raças diferentes, o “desposamento”, entre jovens “filhos de deuses” (filhos dos Elohim, os Nephilim-Anunnaki) e mulheres da Terra (“filhas de Adão”) como sendo o motivo de Deus para acabar com a humanidade por meio do Dilúvio: “Meu espírito não deverá mais habitar o homem, pois sua carne errou… e deus se arrependeu de ter criado Adão na Terra, e ficou perturbado, e disse: Irei varrer da face da Terra o Adão que Eu criei”.

Os textos sumérios e acadianos, contando a história do Dilúvio, explicam que haviam dois deuses envolvidos naquele drama: foi Enlil [Yahweh] que buscou a destruição da Terra com o Dilúvio, enquanto Enki planejou evitar isso, instruindo “Noé” na construção da arca salvadora. Quando nos aprofundamos nos detalhes, descobrimos que, de um lado, a ira “Já estou farto!” de Enlil e, por outro, os esforços contrários de Enki, não se tratavam apenas de princípios. Afinal, foi o próprio Enki que começou a copular com as mulheres da Terra e gerar filhos com elas, e foi Marduk, filho de Enki, que abriu o caminho e deu o exemplo dos casamentos reais com elas…

No momento em que sua Missão Terra estava em total operação, o número de anunnakis em postos na Terra era de 600; além disso, os 300 que eram conhecidos como IGI.GI (“Aqueles que observam e veem”) tripulavam uma Estação Espacial Intermediária – em Marte! – e o transporte da nave entre os dois planetas. Sabemos que Ninmah, a oficial médica-chefe dos anunnakis, veio à Terra liderando um grupo de enfermeiras. Não há indicação de quantas eram ou se haviam outras mulheres entre os anunnakis, mas está claro que em qualquer evento havia poucas mulheres entre eles. A situação exigia regras sexuais estritas e a supervisão dos mais velhos, a tal ponto que (de acordo com um texto) Enki e Ninmah tiveram que agir como casamenteiros, decretando quem deveria se casar com quem.

O próprio Enlil, sendo um disciplinador estrito [Yahweh, o rancoroso deus hebreu], foi vítima da escassez de mulheres e estuprou uma jovem enfermeira. Por isso, até ele, que era o Anunnaki comandante em chefe da Terra, foi punido com o exílio; a pena foi permutada quando ele concordou em se casar com Sud e torná-la sua esposa oficial, Ninlil.

Ela permaneceu sendo sua única esposa até o final. Enki, entretanto, é descrito em vários textos como galanteador de deusas de todas as idades, e sempre dava um jeito em se sair bem da situação. Além disso, assim que as “filhas de Adão” se proliferaram, ele não foi nem um pouco contrário em ter casos sexuais com elas também…

Os textos sumérios exaltam Adapa, “o mais sábio dos homens”, que cresceu na casa de Enki e foi o primeiro ser da Terra a ser levado ao espaço para visitar Anu em Nibiru [como Enoch foi arrebatado para “deus’] ; os textos também revelam que Adapa foi um filho secreto que Enki teve, gerado por uma mulher da Terra. Os textos apócrifos nos informam que, quando Noé, o herói bíblico do Dilúvio, nasceu, tanto o bebê como o nascimento fizeram com que seu pai, Lameque, duvidasse se o pai verdadeiro não se tratava de um nephilim. A Bíblia apenas declara que Noé era um homem genealogicamente “perfeito” que “caminhava junto aos Elohim”; os textos sumérios, em que o herói do Dilúvio se chamava Ziusudra, sugerem que ele era um filho semideus de Enki.

Foi então que, um dia, Marduk reclamou à sua mãe que enquanto seus companheiros ganhavam esposas, ele não: “Não tenho esposa e nem filhos”. E prosseguiu contando a ela que estava gostando da filha de um “alto sacerdote, um músico de sucesso” (há motivos para acreditar que este fosse Enmeduranki, o homem escolhido dos textos sumérios, um paralelo com o Enoch bíblico).

Ao verificar se a jovem terráquea – seu nome era Tsarpanit – concordava, os pais de Marduk deram permissão para que ele fosse adiante. O casamento gerou um filho. Ele foi chamado de EN.SAG, “Soberbo Senhor”. Mas, contrário a Adapa, que era um semideus terráqueo, o filho de Marduk foi incluído nas Listas de deuses Sumérios, nas quais também era chamado de “o divino MESH” – um termo usado (como no caso de GilgaMESH) para denotar um semideus.

Ele foi, portanto, o primeiro semideus a ser um deus. Mais tarde, quando liderou as massas de humanos em nome de seu pai, passou a receber o epíteto de Nabu – “O Porta-voz, O Profeta” – pois era isso que a palavra nabu significava literalmente, do mesmo modo que significava em paralelo a palavra bíblica em hebraico, Nabih, traduzida como “profeta”.

Nabu era, portanto, um filho-deus e um filho-Adão das escrituras antigas, aquele cujo próprio nome significava profeta. Assim como diziam as antigas profecias egípcias, seu nome e sua função se tornaram ligadas às expectativas messiânicas. E foi assim, nos dias que antecederam o Dilúvio, que Marduk serviu de exemplo a outros jovens deuses solteiros: encontre uma terráquea e case-se com ela…

O rompimento do tabu atraía os deuses igigis em particular, que estavam longe, em Marte na maior parte do tempo, e sua estação central na Terra era o Local de Aterrissagem nas Montanhas de Cedro no Líbano. Buscando uma oportunidade – talvez um convite para vir e celebrar o casamento de Marduk – eles pegaram as terráqueas e as levaram como esposas.

Vários livros extra-bíblicos, designados apócrifos, como o Livro dos Jubileus, o Livro de Enoch e o Livro de Noé, registraram o incidente do casamento inter-racial dos nephilins e estão repletos de detalhes. Uns 200 “observadores” (“aqueles que observam e vêem”) se organizaram em 20 grupos; cada grupo tinha um líder nomeado. Um deles, chamado de Semjaza, era responsável pelo comando geral. O instigador da transgressão, “aquele que desvirtuou os filhos de Deus e os trouxe à Terra e os desvirtuou com as Filhas do Homem”, era chamado de Yeqon… Isso aconteceu, como confirmam as fontes, durante o período de Enoch.

Apesar de seus esforços em ajustar as fontes sumérias (que falavam da rivalidade e contradição entre Enlil e Enki) dentro de um quadro monoteísta – a crença em apenas um deus TodoPoderoso -, os compiladores da Bíblia hebraica finalizaram a seção no capítulo 6 do Gênesis reconhecendo um resultado factual. Falando sobre os descendentes daqueles casamentos entre parentes, a Bíblia reconhece dois fatos: o primeiro, que os casamentos entre parentes ocorreram antes do Dilúvio, e depois também; em segundo lugar, que dos descendentes vieram os heróis antigos, os homens renomados. Os textos sumérios indicam que os reis heroicos pós-diluvianos eram, na realidade, semideuses.

No entanto, eles não eram descendentes apenas de Enki e do seu clã: às vezes, os reis da região enlilita eram filhos de deuses enlilitas. Por exemplo, As Listas dos Reis Sumérios indicam claramente que, quando o reinado começou em Uruk (um domínio enlilita), o escolhido para o reinado era um MESH, um semideus:

Meskiaggasher, um filho de Utu, tornou-se alto sacerdote e rei.

Utu era, na verdade, o deus Utu/Shamash, neto de Enlil. Mais abaixo na linha dinástica havia o famoso Gilgamesh, “dois terços divino”, filho da deusa enlilita Ninsun, cujo pai era o alto sacerdote de Uruk, um Terráqueo. (Havia muito mais regentes abaixo na linha, tanto em Uruk como em Ur. que levavam o
título de “Mesh” ou “Mes”.)

No Egito, também, alguns faraós reivindicavam a linhagem divina. Muitos, nas dinastias XVIII e XIX, adotaram nomes teofóros com um prefixo ou um sufixo MSS (representado Mes, Mose, Meses), significando “Origem de” este ou aquele deus – tais como Ah-mes ou Ra-mses (RA-MeSeS – “origem de”, descendente de, do deus Rá). A famosa rainha, Hatshepsut, que apesar de ser uma mulher conquistou o título e os privilégios de um faraó, reivindicou seu direito em virtude de ser uma semideusa.

O grande deus Amon, afirmou ela, segundo as inscrições e descrições em seu imenso templo em Deir el Bahari, “recebeu a forma de sua majestade, o rei”, marido da mãe rainha dela; “teve relações sexuais com ela” e fez com que Hatshepsut nascesse como sendo sua filha semidivina. Textos canaanitas incluíam o conto de Keret, rei que era o filho do deus El.

Uma variante interessante de tais práticas de semideuses como reis foi o caso de Eannatum, rei sumério na Lagash de Ninurta, durante o início dos tempos “heroicos”. Uma inscrição feita por um rei em um dos seus monumentos reconhecidos (Stela of the Vultures [a Estela dos Abutres]) atribui o seu estado de semideus a uma inseminação artificial feita por Ninurta (o Senhor de Girsu, o distrito sagrado), com ajuda de Inanna/Ishtar e Ninmah (aqui chamada pelo seu epíteto Nínhursag):

O Senhor Ningirsu, guerreiro de Enlil, implantou o sêmen de
Enlil para Eannatum no ventre de […].
Inanna acompanhou seu [nascimento],
deu nome a ele de “Digno no templo de Eanna “,
colocou-o no colo sagrado de Ninhursag.
Ninhursag ofereceu a ele o seio sagrado.
Ningirsu regozijou-se com Eannatum –
o sêmen implantado no ventre por Ningirsu.

Enquanto a referência ao “sêmen de Enlil” não deixa claro se o próprio sêmen de Ninurta/Ningirsu é considerado aqui como sendo o “sêmen de Enlil”, por este ser o primogênito de Enlil, ou se na realidade foi usado o sêmen de Enlil na inseminação (o que é uma dúvida), a inscrição claramente afirma que a mãe
de Eannatum (cujo nome é ilegível na estela) foi engravidada artificialmente, para que um semideus fosse concebido sem um ato sexual real – um caso de concepção “imaculada” já no III milênio a.C. sumério!

Que os deuses conheciam a inseminação artificial é algo que os textos egípcios corroboram; de acordo com eles, depois de Seth matar e desmembrar Osíris, o deus Thoth extraiu o sêmen de Osíris e, com ele, engravidou a esposa de Osíris, Ísis, fazendo com que ela gerasse o deus Hórus. Uma descrição desse feito mostra Thoth e as deusas que dão à luz segurando os dois segmentos de DNA que haviam sido usados, além de Isis segurando o recém-nascido Hórus (Figura 27).

É claro que, após o Dilúvio, os enlilitas também aceitaram o acasalamento com as mulheres da Terra e consideraram os descendentes “heróis, homens renomados”, adequados para o reinado. As “Linhagens de sangue” real de semideuses estavam, portanto, se iniciando. Uma das primeiras tarefas de Ur-Nammu era realizar uma restauração moral e religiosa. E, para isso, também, um antigo, relembrado e honrado rei foi emulado. Isso foi feito mediante promulgação de um novo Código de Leis, leis de comportamento moral, leis de justiça – de aderência, o Código dizia, às leis que Enlil, Nannar e Shamash haviam desejado que o rei reforçasse, leis às quais o povo deveria obedecer.

A natureza das leis, uma lista sobre o que se podia ou não fazer, podia ser julgada pela afirmação de Ur-Nammu de que, em junção de tais leis de justiça, “o órfão não foi vítima do rico, a viúva não foi vítima do poderoso, o homem com uma única ovelha não foi entregue ao homem com um único boi… a justiça foi estabelecida na Terra”. Com isso, ele emulou – às vezes usando exatamente as mesmas frases – um rei sumério anterior, Urukagina de Lagash, que 3 mil anos antes havia promulgado um código de leis que instituíra as reformas sociais, legais e religiosas (entre elas, o estabelecimento de abrigos para mulheres sob a tutela da deusa Bau, a esposa de Ninurta).

E importante frisar que estes eram os mesmos princípios de justiça e moralidade que os profetas bíblicos viriam a exigir dos reis e dos povos no milênio seguinte. Quando se iniciou a era de Ur III, houve, obviamente, uma tentativa deliberada de se fazer com que a Suméria voltasse (no momento, Suméria e Acádia) aos seus antigos tempos de glória, prosperidade, moralidade e paz – os tempos que precederam o último confronto com Marduk.

As inscrições, os monumentos e as evidências arqueológicas atestam que o reino de Ur-Nammu, que começou em 2.113 a.C., testemunhou crescentes obras públicas, a restauração da navegação fluvial e a reconstrução e a proteção das rodovias do país: “Ele fez as rodovias percorrerem das terras baixas às
terras altas”, declarava uma inscrição. Grandes negócios e transações comerciais vieram em seguida. Foi um período próspero para as artes, as obras, as escolas e outras melhorias na vida social e econômica (incluindo o aparecimento de pesos e medidas mais precisos). Tratados com governantes vizinhos no leste e no nordeste, espalharam prosperidade e bem-estar.

Os grandes deuses, especialmente Enlil e Ninlil, foram honrados com templos ampliados e renovados e, pela primeira vez na história da Suméria, o sacerdócio de Ur se uniu com o de Nippur, conduzindo a uma revitalização religiosa. Todos os estudiosos concordam que, virtualmente, de qualquer modo, o período de Ur III começou com Ur-Nammu ter conquistado novos níveis elevados na civilização suméria. Essa conclusão apenas aumenta a perplexidade causada por uma caixa lindamente talhada descoberta por arqueólogos: seus painéis embutidos, frente e verso, descreviam duas cenas contraditórias da vida em Ur. Enquanto um dos painéis (agora conhecido como o “Painel da Paz”) descrevia um banquete, comércio e outras cenas de atividades civis, o outro (o “Painel da Guerra”) descrevia uma coluna militar com soldados
armados, de capacete e carruagens puxadas por cavalos marchando em direção à guerra.

Um exame minucioso dos registros daquele tempo revela que, de fato, se sob a liderança de Ur-Nammu a própria Suméria havia prosperado, a hostilidade para com os enlilitas e as “terras rebeldes” aumentou em vez de diminuir. Era visível que a situação exigia ações, pois, de acordo com as inscrições de Ur- Nammu, Enlil lhe ofereceu uma “arma divina que destruiria os rebeldes aos montes”, com a qual atacariam “as terras hostis, destruindo as cidades do mal, eliminando-as da oposição”.

Essas “terras rebeldes” e “cidades do pecado” [Sodoma e Gomorra] estavam a oeste da Suméria, as terras dos seguidores amoritas de Marduk; lá, o “mal” – a hostilidade contra Enlil – foi apagada por Nabu, que se deslocou de cidade em cidade fazendo prosélitos para Marduk. Os registros enlilitas o chamam de “O Opressor”, cuja influência sobre as “cidades do pecado” tinha que ser varrida.

Há motivos para acreditar que os painéis da Paz e da Guerra, na realidade, descreviam o próprio Ur-Nammu – um deles mostrando-o em um banquete celebrando a paz e a prosperidade, o outro na carruagem real conduzindo seu exército à guerra. Suas expedições militares o levaram bem além das fronteiras da Suméria chegando até as terras ocidentais. No entanto, Ur-Nammu – considerado um grande reformador, construtor e “pastor” econômico – não teve tanto êxito como líder militar. No meio da batalha, sua carruagem ficou presa na lama; Ur-Nammu caiu de cima dela, mas “a carruagem, como uma tempestade, precipitou-se”, deixando o rei para trás, “abandonado como um jarro partido”. A tragédia aumentou ainda mais quando o barco, que trazia o corpo de Ur-Nammu de volta à Suméria, “naufragou em um lugar desconhecido; as ondas o afundaram, com ele a bordo”.

Quando a notícia da derrota e da morte trágica de Ur-Nammu chegou a Ur, houve grande comoção. O povo não conseguia entender como um rei tão devoto religiosamente, um pastor íntegro que apenas seguia os conselhos dos deuses com as armas que estes haviam postos em suas mãos, pudesse se acabar de forma tão humilhante. “Por que o Senhor Nannar não o segurou pelas mãos?” perguntavam eles; “Por que Inanna, a Senhora do Céu, não cobriu sua cabeça com seu nobre manto? Por que o valente Utu não lhe assistiu?”

Os sumérios, que acreditavam que tudo o que havia acontecido fazia parte do destino, desejavam saber “por que estes deuses se eximiram, quando o amargo destino de Ur-Nammu foi decidido?”. Certamente esses deuses, Nannar e seus filhos gêmeos, sabiam o que Anu e Enlil estavam determinando; ainda assim, não haviam dito coisa alguma para proteger Ur-Nammu. Poderia haver apenas uma única explicação plausível; os povos de Ur e da Suméria concluíram, enquanto choravam e lamentavam, que os grandes deuses haviam voltado atrás com suas palavras:

Como o destino do herói foi alterado!
Anu alterou sua palavra sagrada.
Enlil enganosamente mudou seu decreto!

Essas são palavras fortes, acusando os grandes deuses enlilitas de fraude e traição! As palavras antigas demonstram a extensão do descontentamento do povo. Se foi assim que aconteceu na Suméria e na Acádia, podemos imaginar a reação nas terras ocidentais rebeldes. Na luta pelos corações e mentes da humanidade, os enlilitas estavam vacilando. Nabu, o “porta-voz”, intensificou sua campanha em nome do pai, Marduk. Seu próprio status foi elevado e alterado: sua própria divindade passara a ser glorificada por uma variedade de epítetos de veneração.

Inspirado por Nabu – o Nabih, o profeta – as profecias sobre o que estava para acontecer começaram a se espalhar pelas terras disputadas. Sabemos o que eles disseram porque várias tábuas de argila, nas quais tais profecias estavam inscritas, foram encontradas; escritas na antiga escrita cuneiforme babilônica, foram agrupadas por acadêmicos como sendo as Profecias Acadianas ou os Apocalipses Acadianos.

Comum a todas é a visão [correta] de que o Passado, o Presente e o Futuro fazem parte de um contínuo fluxo de eventos; de que, dentro de um destino pré-ordenado, existe algum espaço para o livre-arbítrio e, conseqüentemente, para um destino variável; e de que, para a humanidade, tanto o destino quanto o livre-arbítrio haviam sido decretados e determinados pelos deuses do Céu e da Terra; e, por fim, de
que os eventos que se sucediam na Terra refletiam as ocorrências nos céus.

Para compreender as profecias, os textos, às vezes, ancoravam a previsão de eventos futuros em alguma ocorrência ou entidade conhecida de um passado histórico. O que está errado no presente, por que há a necessidade de mudança, é então recontado. Os eventos que se sucedem são atribuídos às decisões de um, ou mais, dos grandes deuses. Um, emissário divino, um Anunciador, surgirá; o texto profético poderá
apresentar suas palavras, escritas por um escriba, ou pronunciamentos aguardados; como pode ser ou não, “um filho falará por seu pai”.

O(s) evento(s) previsto(s) estará (estarão) ligado(s) aos presságios – a morte de um rei, ou sinais celestiais: um corpo celestial surgirá e fará um som assustador; “um fogo escaldante” virá dos céus; “uma estrela deverá brilhar na altura do horizonte do céu como uma tocha”; e, o mais importante, “um planeta surgirá antes do seu tempo”. Coisas ruins, o Armagedom, deverão preceder o evento final. Haverá chuvas calamitosas, enormes ondas devastadoras – ou secas, obstruções de canais, gafanhotos e fome. A mãe se voltará contra a filha, o vizinho contra o vizinho. Rebeliões, caos e calamidades ocorrerão nas terras.

Cidades serão atacadas e despovoadas; reis morrerão, cairão e serão capturados; “um trono dará o golpe no outro”. Oficiais e sacerdotes serão assassinados; templos serão abandonados; rituais e oferendas acabarão. E, então, o evento previsto virá: a grande mudança, uma nova era, um novo líder, um redentor. O bem prevalecerá contra o mal, a prosperidade substituirá os sofrimentos; as cidades abandonadas serão repovoadas, os remanescentes dos povos dispersos retornarão às suas casas. Os templos serão restaurados, e as pessoas praticarão os ritos religiosos corretos.

Não de modo inesperado, essas profecias babilônicas ou pró Marduk apontaram o dedo de acusação das injustiças contra a Suméria e Acádia (e também a seus aliados das terras de Elão, dos hititas e dos mares), e indicou os ocidentais amurras como sendo o instrumento da retribuição divina. Os “centros de culto” enlilitas, Nippur, Ur, Uruk, Larsa, Lagash, Sippar e Adab foram apontados; eles seriam atacados, saqueados e seus templos abandonados. Os deuses enlilitas ali são descritos como confusos (“incapazes de dormir”).

Enlil clama por Anu, mas ignora o conselho de Anu (alguns tradutores lêem a palavra como “comando”) para que emitisse um decreto misharu – “colocar as coisas em ordem”. Enlil, Ishtar e Adad serão forçados a mudar o reinado na Suméria e na Acádia. Os “ritos sagrados” serão transferidos para fora de Nippur. Celestialmente, “o grande planeta” surgirá na constelação de Áries. A palavra de Marduk prevalecerá: “Ele dominará as Quatro Regiões, toda a Terra irá tremer à menção de seu nome… Depois dele, seu filho reinará como rei e se tornará o mestre de toda a Terra”.

Em algumas profecias, determinadas divindades estão sujeitas às previsões específicas: “Um rei surgirá”, profetizou um texto em relação à Inanna/Ishtar, “ele removerá de Uruk a deusa protetora de Uruk e fará com que ela resida na Babilônia… Ele estabelecerá os rituais de Anu em Uruk”. Os igigis também são
mencionados especificamente: “As oferendas regulares para os deuses igigis, que haviam acabado, serão restabelecidas”, declara uma das profecias.

Como era o caso das profecias egípcias, a maioria dos estudiosos também trata as “Profecias Acadianas” como “pseudo-profecias” ou textos post aventum – que foram, de fato, escritos bem depois dos eventos “previstos”; mas, como observamos em relação aos textos egípcios, dizer que os eventos não foram profetizados porque eles já haviam acontecido é apenas reafirmar que os eventos per se ocorreram (caso tenham sido previstos ou não), e isso é o que mais importa para a maioria de nós. Significa que as profecias se tornaram reais. E, se é assim, a mais assustadora é a previsão (em um texto conhecido como a Profecia “B”):

A Incrível Arma de Erra
sobre as terras e os povos
virá em julgamento
.

De fato, a mais assustadora profecia, antes que o século XXI a.C. tivesse acabado, “o julgamento sobre as terras e os povos”, ocorreu quando o deus Erra (“O Aniquilador”) – um epíteto para Nergal – desatou as armas nucleares em um cataclismo que fez com que as profecias se tornassem verdadeiras.


“A sabedoria (Sophia) clama lá fora; pelas ruas levanta a sua voz. Nas esquinas movimentadas ela brada; nas entradas das portas e nas cidades profere as suas palavras:  “Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência? Vocês, zombadores, até quando terão prazer na zombaria? E vocês, tolos [ignorantes], até quando desprezarão o conhecimento?  Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras [o conhecimento]”. – Provérbios 1:20-23


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