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Um “novo mundo em gestação” surge diante de nossos olhos

Posted by on 30/10/2019

Um novo mundo surge diante de nós: Thierry Meyssan sublinha a extrema gravidade, não da retirada dos EUA da Síria, mas do colapso dos pontos de referência atuais no mundo. Entramos, segundo ele, num curto período de transição acelerada, no decurso do qual os atuais mestres do jogo (de marionetes) que são as elites de Wall Street, os “capitalistas financeiros” —e aqueles que ele designa assim não têm qualquer relação nem com o capitalismo original, nem com a banca original— vão ser afastados do cenário em proveito de regras de Direito enunciadas pela Rússia já em 1899.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Um novo mundo em gestação surge diante de nós

Fonte:  | DAMASCO (SÍRIA) 

Este é um momento que só acontece uma ou duas vezes por século. Uma nova ordem mundial esta surgindo. Todas as referências anteriores desaparecem. Os que estavam condenados ao pelourinho triunfam enquanto os que governavam são precipitados nos infernos.

Claramente, as declarações oficiais e as interpretações dadas pelos “jornalistas” (na sua maioria meros “papagaios de pirata” que só repedem o discurso que lhes é imposto) já não mais correspondem aos acontecimentos dos fatos que se sucedem. Os comentadores devem mudar o seu discurso o mais rápido possível, alterá-lo completamente ou ser engolidos pelo turbilhão da História.

Em Fevereiro de 1943, a vitória soviética face ao exército do Reich nazista na Batalha de Stalingrado marcava a viragem da Segunda Guerra Mundial. A sequência dos acontecimentos era inelutável. Foi preciso, no entanto, esperar o desembarque anglo-americano na Normandia (Junho de 1944), a Conferência de Ialta (Fevereiro de 1945), o suicídio do Chanceler Hitler (Fevereiro de 1945) e, por fim, a capitulação do Reich (8 de Maio de 1945) para se ver levantar este mundo novo há quase oito décadas.

Num ano apenas (Junho de 44-a Maio de 45), o Grande Reich nazista fora substituído pela polarização soviética-americana. O Reino Unido e a França, que eram ainda as duas primeiras potências mundiais, doze anos antes, iam assistir à descolonização dos seus Impérios e a derrocada de sua área de influência política.

É exatamente um momento como esse o que nós estamos vivendo hoje em dia.

Cada período histórico tem o seu próprio sistema econômico e constrói uma super-estrutura política para o proteger. Durante o fim da Guerra Fria, e da dissolução da URSS, o Presidente Bush Sr desmobilizou um milhão de militares dos EUA e confiou a procura da prosperidade aos grandes capitalistas, os patrões das suas grandes empresas multinacionais.

Estes fizeram uma aliança com Deng Xiaoping, deslocaram milhões de empregos e bilhões de dólares dos EUA para a China, que se tornou a fábrica (usina industrial de produção de quinquilharias baratas) do mundo.

Longe de trazer a prosperidade aos cidadãos dos EUA e aos trabalhadores chineses, eles monopolizaram os lucros, provocando progressivamente o lento desaparecimento das classes médias ocidentais com o opsto ocorrendo na China. Em 2001, financiaram os atentados do 11-de-Setembro às torres gêmeas do WTC em New York para impor ao Pentágono a estratégia Rumsfeld/Cebrowski de destruição das estruturas estatais. O Presidente Bush Jr transformou então o “Oriente Médio Alargado” no teatro de uma “guerra sem fim” (a uma pretenso movimento terrorista fabricado pelos manipuladores e controladores dos EUA).

A libertação numa semana de um quarto do território sírio não é somente a vitória do Presidente Bashar al-Assad, “o homem que desde há oito anos deveria sair”, ela marca o fracasso da estratégia militar que visava estabelecer a supremacia e a agenda do capitalismo financeiro. O que parecia inimaginável aconteceu. A ordem do mundo mudou. O desenrolar dos acontecimentos vai tornar-se inevitável.

Vladimir Putin charla con el rey saudi en la recepción oficial en el palacio de Riad

O presidente Vladimir Putin está comprometido em aumentar os laços com a Arábia Saudita e deixar claro que eles devem contar com a Rússia para garantir a segurança do Oriente Médio. Isso foi afirmado durante sua reunião na segunda-feira com o rei Salman bin Abdelaziz e o príncipe herdeiro no início de sua visita ao reino do Golfo Pérsico.

A recente recepção do Presidente Vladimir Putin com enorme pompa na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos atesta a espetacular reviravolta das potências do Golfo que se viram agora para a influência do governo russo, muito disso se deve a espetacular intervenção da Rússia no teatro de guerra na Síria que impediu o sucesso da implantação da agenda ocidental (EUA-OTAN-ISRAEL).Também devemos levar em conta o inexistente passado colonialista da Rússia, diferentemente dos principais países europeus.

A igualmente espetacular redistribuição de cartas no Líbano sanciona o mesmo fracasso político da manipulação do capitalismo financeiro de Wall Street. Num país dolarizado, onde já não se encontram mais dólares desde há um mês, onde os bancos fecham seus guichês e onde os saques bancários são limitados, não serão as manifestações anti-corrupção que irão parar a derrubada da antiga ordem.

As convulsões da antiga ordem espalham-se como fogo em um rastilho de pólvora em diferentes lugares do planeta. O Presidente equatoriano Lenín Moreno atribui a revolta popular contra as medidas impostas pelo capitalismo financeiro ao seu predecessor, Rafael Correa, que vive no exílio na Bélgica, e a um símbolo da resistência a esta forma de exploração humana, o “Presidente” venezuelano, Nícolas Maduro, muito embora eles não tenham qualquer influência no seu país.

A arrogância do (ainda) primeiro ministro Benjamin Netanyahu e de seus associados sionistas viram desmoronar completamente seus planos de expansão territorial no Oriente Médio, especialmente com a retirada das tropas dos EUA da Síria.

O Reino Unido já retirou as suas Forças Especiais da Síria e tenta sair do Estado supranacional de Bruxelas (União Europeia) via Brexit. Depois de ter pensado conservar o Mercado Comum (projeto de Theresa May), decidiu romper com toda a construção europeia (projeto de Boris Johnson). Após os erros de Nicolas Sarkozy, François Hollande e Emmanuel Macron, a França perde subitamente o resto de toda a pouca credibilidade e influência que restava.

Os Estados Unidos de Donald Trump, dos grandes conglomerados do Complexo Industrial Militar, dos banqueiros de Wall Street, deixam de ser a “nação indispensável”, o “xerife bêbado” do mundo ao serviço do capitalismo financeiro para tentar voltar a ser, eles próprios, uma grande potência econômica.

Retiram o seu arsenal nuclear da Turquia e aprestam-se a fechar o CentCom no Catar. A Rússia é reconhecida por todos como o país “pacificador” fazendo triunfar o Direito Internacional que ela havia criado ao convocar, em 1899, a “Conferência Internacional da Paz” em Haia, ainda antes dos dois grandes conflitos mundiais e da revolução bolchevique, que derrubou o Czar, justamente por causa desta sua iniciativa de busca da paz, cujos princípios foram depois pisoteados pelos membros da OTAN pós segunda guerra.

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A Conferência Internacional para a Paz de 1899. Seria preciso mais de um século para compreender as suas implicações.

Tal como a Segunda Guerra Mundial pôs fim à Liga das Nações (SDN) para criar a ONU em substituição, este mundo novo que esta surgindo atualmente também vai, provavelmente, dar à luz uma nova organização internacional fundada sobre os princípios da Conferência de 1899 do Czar russo, Nicolau II, e do Prémio Nobel da Paz francês, Léon Bourgeois. Para isso, será preciso primeiro dissolver a OTAN, que tentará sobreviver estendendo-se para o Pacífico, e a União Europeia, Estado-refúgio do selvagem capitalismo de manipulação financeira de Wall Street e Londres.

É preciso entender bem o que se passa e para isso é necessário um mínimo de conhecimento histórico mais profundo do que aconteceu realmente no último século. Entramos num período de transição acelerada. Lenin dizia, em 1916, que o imperialismo era o estágio supremo da forma de capitalismo que mais tarde desapareceu com as duas Guerras Mundiais e a crise da Grande Depressão de 1929.

O mundo de hoje é o do capitalismo de manipulação e especulação financeira que devasta, uma a uma, as economias de todos os países que puderem em benefício exclusivo de alguns super-ricos da já “conhecida” elite.

O seu estágio supremo pressupunha a divisão do mundo em dois polos: de um lado os países estáveis, ricos e globalizados, do outro, regiões do mundo privadas de Estado, reduzidas a não ser mais do que simples reservas e meros fornecedores de matérias-primas.

Este modelo, contestado tanto pelo Presidente Trump nos Estados Unidos, como pelos coletes amarelos na Europa Ocidental, ou a Síria e o Líbano no Levante, agoniza diante dos nossos olhos.


“Nos indivíduos, a loucura é rara, mas em grupos, partidos, nações e ÉPOCAS, é a regra”.  –  Friedrich Nietzsche


A Matrix (o SISTEMA de CONTROLE MENTAL):  “A Matrix é um  sistema de controle, NEO. Esse sistema é o nosso inimigo. Mas quando você está dentro dele, olha em volta, e o que você vê? Empresários, professores, advogados, políticos, carpinteiros, sacerdotes, homens e mulheres… As mesmas mentes das pessoas que estamos tentando salvar. “Mas até que nós consigamos salvá-los, essas pessoas ainda serão parte desse  sistema de controle e isso os transformam em nossos inimigos. Você precisa entender, a maioria dessas pessoas não está preparada para ser desconectada da Matrix de Controle Mental. E muitos deles estão tão habituados, tão desesperadamente dependentes do sistema, que eles vão lutar contra você  para proteger o próprio sistema de controle que aprisiona suas mentes …”


Muito mais informações, leitura adicional:

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