Guerra contra Irã destruiu relações dos EUA com países árabes e acabou com a OTAN, diz analista

Devido aos ataques ao Irã, os Estados Unidos perderam credibilidade com todos os seus principais parceiros tanto na Europa quanto no Oriente Médio, opinou o analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Scott Ritter no YouTube.

Fonte: Sputnik

Scott Ritter destacou que, de fato, os EUA acabaram com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e se afastaram dos países árabes.

“Foi um enorme erro estratégico […]. O mundo inteiro mudou. Eu diria que esse evento marcou o fim do império […]. A OTAN praticamente deixou de existir”, ressaltou.

Segundo o analista, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, discutiram a retirada de 100.000 militares do continente europeu e a necessidade de uma abordagem seletiva na escolha de quem Washington apoia.

Nesse contexto, o especialista militar salientou que tal nova abordagem marca o fim da defesa coletiva  no contexto da OTAN. Ao mesmo tempo, Ritter apontou que um mês e meio de acontecimentos no Irã conseguiu anular 40 anos de esforços dos EUA para conquistar aliados pelo mundo.

“Todas as nossas relações estratégicas, que determinaram nossa posição geopolítica nos últimos 40 anos, desapareceram. Tudo isso terminou. Tudo isso deixou de existir, principalmente nos países árabes do golfo Pérsico. Agora, tudo acabou”, ele enfatizou.

Portanto, o analista concluiu que se trata de uma enorme derrota estratégica para os Estados Unidos, e isso vai além de um simples confronto com o Irã. Trump já havia manifestado dúvidas sobre a capacidade da OTAN de prestar ajuda concreta aos Estados Unidos e acusado a organização de “tratá-los mal” e de ser ineficaz em caso de uma ameaça global.

Ele também afirmou estar considerando seriamente a possibilidade de deixar a aliança, após a recusa desta em ajudá-lo na operação contra o Irã. Na quinta-feira (9), a mídia alemã informou que o comportamento irracional do chefe da Casa Branca intensificou as dúvidas entre os aliados de Washington sobre a adequação do governo norte-americano.

Mídia explica por que OTAN será impotente no caso da retirada dos EUA do bloco por Trump

A guerra no Irã intensificou as divisões dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), levantando questionamentos sobre sua viabilidade a longo prazo, informa a agência de notícias Al Jazeera.

A agência de notícias árabe, com base no Catar, salienta que a recusa dos aliados da OTAN em participar da guerra do presidente estadunidense Donald Trump contra o Irã ampliou as fraturas da aliança para um nível sem precedentes.

Segundo a matéria, especialistas afirmam que a Aliança Atlântica não pode mais adiar uma questão central exposta pela crise no Oriente Médio: a aliança transatlântica pode sobreviver, especialmente se os EUA se retirarem?

Não haverá retorno aos negócios como de costume na OTAN, nem durante esta administração dos EUA nem na próxima. [A aliança] está mais perto de uma ruptura do que jamais esteve”, ressalta a publicação.

Nesse contexto, é apontado que Trump não pode retirar os Estados Unidos da aliança por capricho, mas pode criar problemas para o bloco. Em particular, os EUA não são legalmente obrigados a defender militarmente os aliados da OTAN em caso de ataque, já que o Artigo 5 determina a defesa coletiva, mas não exige uma resposta automática.

Dessa forma, o material destaca que persistem dúvidas sobre a disposição de Washington em intervir. Além disso, Washington poderia retirar seus cerca de 84.000 soldados da Europa, realocar bases em nações não cooperativas para outras de apoio, como Trump sugeriu durante as tensões com o Irã.

Ou o presidente dos EUA poderia simplesmente fechar instalações e interromper a coordenação, minando severamente a OTAN sem sair formalmente da aliança. Apenas a ameaça de tal desengajamento já enfraqueceu a credibilidade da aliança, dada a forte dependência da Europa das garantias de segurança dos EUA desde o início da OTAN.

Ao mesmo tempo, principais vulnerabilidades incluem capacidades limitadas de ataque profundo, inteligência, ativos baseados no espaço, logística e defesa aérea integrada. Então, preencher essas lacunas pode levar uma década ou mais e custar cerca de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) para replicar as principais forças dos EUA.

Dessa forma, a matéria conclui que os aliados europeus dos EUA enfrentarão obstáculos como a produção lenta de instrumentos de defesa e os déficits de recrutamento militar na Europa.

Anteriormente, a mídia ocidental informou que a OTAN reconhece que o conflito no Oriente Médio dividiu os membros europeus da aliança e alguns países da União Europeia temem que as decisões tomadas frustrem os esforços dos EUA para não retirar suas tropas da Europa.


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