‘Nova Variante’ do Vírus Ebola ligada a fonte animal desconhecida, revela novo estudo

Cientistas identificaram uma nova variante do vírus Bundibugyo, causador do novo surto de Ebola de 2026 na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Medicine na segunda-feira. A cepa Bundibugyo não é nova: variantes do patógeno causaram surtos em Uganda em 2007-2008 e na República Democrática do Congo em 2012.

Fonte: Rússia Today

A análise genética demonstra que o atual surto do Vírus Ebola Bundibugyo de 2026 é distinto das epidemias anteriores em Uganda e na República Democrática do Congo.

No entanto, pesquisadores descobriram que a cepa circulante em 2026 teve origem em uma nova transmissão do vírus de um animal para humanos, e não no ressurgimento de cepas responsáveis ​​por epidemias anteriores na região. A origem animal permanece desconhecida.

A conclusão baseia-se na análise de 22 genomas virais obtidos de pessoas infectadas na República Democrática do Congo e em Uganda, que formaram um grupo genético distinto, separado das variantes ligadas aos surtos anteriores. Os pesquisadores defenderam uma capacidade de diagnóstico local mais ampla e uma vigilância genômica expandida para detectar futuros surtos mais cedo.

O vírus Bundibugyo, ou BDBV, pertence ao mesmo grupo de vírus do conhecido ebolavírus Zaire e pode causar a forma grave da doença. Essa forma do vírus é transmitida por morcegos frugívoros e se espalha por contato direto com animais infectados ou fluidos corporais de indivíduos infectados. Os sintomas da cepa Bundibugyo incluem febre, fortes dores de cabeça, dores musculares e no corpo, fraqueza, fadiga, dor de garganta, vômitos, diarreia, dor abdominal e perda de apetite.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu o vírus atual como a maior epidemia de Ebola já registrada na República Democrática do Congo, superando o surto de 2018-2020. O diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou na semana passada que a doença estava se espalhando mais rapidamente do que os esforços para contê-la. 

Até 10 de agosto, o surto havia se espalhado por 53 zonas de saúde em cinco províncias da República Democrática do Congo, sendo Ituri o principal epicentro, segundo o Ministério da Saúde do país. As autoridades registraram 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 46,3%.

Enquanto isso, o país vizinho, Uganda, declarou-se livre do Ebola no mês passado, após registrar 20 casos, 15 dos quais importados da República Democrática do Congo. Duas pessoas morreram e 18 se recuperaram.


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