A Sabedoria Atemporal da ‘Tradição de Mistério’ Ocidental: Entrelaçando os Fios

Era uma vez, toda religião tinha duas faces. Possuía seu lado exotérico ou externo, que servia ou explorava a imensa maioria dos fiéis, os mais ignorantes e obtusos, e seu lado esotérico ou interno/oculto, reservado para poucos indivíduos com maior sede de conhecimento. O cristianismo tinha seu lado esotérico parte na teosofia, a ciência do conhecimento de Deus; o judaísmo, na Cabala; o islamismo, no sufismo; o hinduísmo, nas diversas yogas; o paganismo, em seus [pseudos] mistérios. Esses esoterismos de conhecimento oculto e verdadeiro eram para aqueles com interesse, motivação, coragem e capacidade suficientes para se aproximar da verdade universal, a que está acima e além de qualquer sistema dogmático, doutrinário das religiões. O ingresso nesse nível de conhecimento se dava por meio da iniciação, após a qual, sob a orientação de decanos no conhecimento, os esforçados aptos poderiam embarcar na busca pela realidade verdadeira, que duraria toda a vida. Esse, pelo menos, era o princípio, por mais imperfeito que fosse na prática.

Fonte: New Dawn Magazine – Por Joscelyn Godwin

³² E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. – João 8:32

Hoje é diferente. Há uma sede generalizada por uma dimensão mais profunda da vida do que a sociedade superficial de consumo pode oferecer, e por uma explicação melhor para seus enigmas do que a religião exotérica dogmatica ou a ciência materialista têm a oferecer.

Essa sede explica o sucesso popular de livros e filmes com temas gnósticos, ocultistas, e de teorias da conspiração que afirmam que as coisas são ordenadas de maneira bem diferente – para o bem ou para o mal – daquela que a imensa maioria do público de zumbis é levada a acreditar e seguir. Se alguém quiser aprender mais, os segredos antes revelados apenas aos iniciados estão disponíveis nos empoeirados livros em estantes ou na internet.

Atualmente, as portas do santuário estão escancaradas, mas onde estão os hierofantes, adeptos e sábios que se esperava encontrar lá? A maioria de nós parece ter sido jogada de volta aos seus próprios recursos, viajantes solitários entre os monumentos em ruínas de antigos mistérios.

O livro The Golden Thread: The Ageless Wisdom of the Western Mystery Traditions é ​​uma dessas ofertas para viajantes, e este artigo é uma amostra dele. O livro surgiu de uma série de quatorze artigos na revista Lapis: The Inner Meaning of Contemporary Life, sediada em Nova York. Seu editor, Ralph White, sugeriu tratar as tradições de mistério ocidentais de uma forma que as tornasse não meras curiosidades históricas, mas relevantes para seus leitores. Estes eram tipicamente pessoas com uma posição segura na vida contemporânea, mas que sentiam o chamado daquele “significado interior” que dinheiro e status não podem JAMAIS comprar. Assim, eu tinha uma dupla tarefa: oferecer a eles um curso rápido e fácil sobre os principais episódios do esoterismo ocidental e mostrar o que eles têm a nos ensinar hoje. 

Desde o início, quis provocar um pouco os leitores. No primeiro artigo, sobre os Oráculos Caldeus de Zoroastro, aproveitei uma sugestão de que os Oráculos continham a ideia de transmutação corporal como meio para alcançar a imortalidade. “Sim, sim”, dirá o leitor moderno, “uma crença tipicamente supersticiosa”. Mas espere: e se houvesse algo de verdade nisso? 

Como testemunhado na Bíblia, Enoch, Elias e Jesus não deixaram corpo físico após as suas mortes. O mesmo se acreditava sobre a Virgem Maria desde o século V, e em 1950 a Igreja Católica proclamou isso como [MAIS] um dogma. Embora sempre cético quando me dizem no que devo acreditar, não tenho dificuldade, em princípio, com esse conceito. Parece bastante plausível que o corpo físico de uma pessoa possa ser transformado/transmutado durante a vida a ponto de se tornar indistinguível do sutil “corpo radiante de LUZ”. A alma, então, leva o corpo transmutado em LUZ consigo para onde quer que vá após deixar a Terra.

Há evidências confiáveis ​​de que isso ocorreu em tempos modernos no caso de adeptos tibetanos nos Himalayas. Relatos de testemunhas oculares corroboram a tradição de que os adeptos podem alcançar o “corpo de diamante” durante a vida. Então, poucos dias após a morte, seus corpos físicos simplesmente desaparecem, restando apenas os elementos “vegetais” de cabelo e unhas. Um fenômeno menos expressivo, bem documentado na cristandade, é o dos corpos de santos que permanecem incorruptos, às vezes por séculos. Evidentemente, existe toda uma ciência por trás disso, estudada no antigo Egito e no Tibete, mas temporariamente em suspenso devido às limitações da [parca] imaginação ocidental. A física teórica, com seus conceitos de matéria, energia e mente, poderá um dia fornecer uma estrutura dentro da qual tais fenômenos possam ser discutidos de forma inteligente.

A natureza da metafísica

Em trinta anos de escrita, tenho consistentemente tentado construir pontes entre o acadêmico e o que, na falta de uma palavra melhor, chamarei de metafísico. Foi apenas no século passado que o mundo acadêmico praticamente baniu a pesquisa psíquica e decretou que uma filosofia materialista era a única premissa básica permitida. Não se pode culpá-los totalmente. Hoje em dia, existe um medo tão grande de que a religião – a religião exotérica – contamine a pesquisa e exerça sua influência na sociedade como um todo, que o conceito de metafísica foi descartado junto com a religião. No entanto, os campos mais avançados da física já são metafísicos. Neles, a rígida separação entre mente e matéria é coisa do passado, e conceitos tão estranhos quanto o “corpo de diamante” da tradição tibetana são comuns. 

Eis outro exemplo em que a ciência é convidada a expandir os limites do possível. Isso ocorre em uma discussão sobre alquimia, um dos pilares do esoterismo ocidental, que às vezes é interpretada como protoquímica, outras vezes como protopsicanálise e outras ainda como alegoria teosófica. Cada intérprete tende a adotar apenas um ponto de vista, mas creio que isso seja um erro. 

Os defensores dos diferentes tipos de alquimia possuem personalidades psicológicas distintas e, como tal, dificilmente favorecem os métodos uns dos outros. Aqueles que trabalham com substâncias físicas o fazem por conveniência, mas é igualmente bom que o processo de transmutação humana possa prosseguir sem o custo de um laboratório bem equipado. Caso contrário, o pobre Jacob Boehme não teria chegado a lugar nenhum. Contudo, se pudermos acreditar no que lemos, não é extraordinário que, interpretadas de uma maneira, as receitas químicas derivadas do Egito Alexandrino funcionem em laboratório e, de outra, forneçam orientação confiável no caminho teosófico? Como esses dois campos tão diferentes poderiam estar conectados?

Sim, é extraordinário para a mente moderna, tão brilhante em física e química, tão ignorante do mundo interior, intuitivo e imaginativo. É quase comovente essa “fé infantil” de cientistas, acadêmicos, eruditos, especialistas, et caterva, de que o mundo da matéria é a única existência real, e todo o resto, epifenômenos dele. Mas e se invertêssemos os papéis e sugerissemos que o mundo interior é anterior ao exterior e também é a sua causa? Que a imaginação precede, em vez de seguir, o evento? Que a única razão pela qual vemos as estrelas é porque participamos, naquele instante, de sua criação perpétua? Então seriam os estados mentais e imaginativos os primários, e os procedimentos químicos, os secundários.

Como pessoas normais e pouco desenvolvidas em CONSCIÊNCIA, só conseguimos viver em um mundo normal e pouco desenvolvido, que é o mundo conhecido como real pela ciência. Mas, uma vez dominados os estados de consciência mais elevados, poderíamos viver em um mundo supranormal com leis diferentes das da física clássica. Isso, aliás, explicaria os milagres de cura atribuídos a Cristo e outros homens iluminados antes e depois dele, e até mesmo a transformação do chumbo em ouro, assim como da água em vinho.

Obviamente, não falo por experiência própria com tais “estados de consciência supranormais”, mas apenas de uma posição que não nega a sua possibilidade. Da mesma forma, não tenho conhecimento pessoal das práticas tibetanas que fazem o corpo físico desaparecer três dias após a morte, mas confio na veracidade dos relatos. Não direi que “acredito” nessas coisas, mas também não desacredito. Isso é tudo o que afirmo ter ido além da mente comum, que se fecha assim que se depara com noções desse tipo. 

É semelhante à doutrina mentalista à qual a citação acima alude. Não experimento o mundo ao meu redor como criado pela minha mente, assim como não percebo a terra sob meus pés girando em torno de seu eixo, mas tenho tanta certeza do primeiro quanto do segundo. Em seus respectivos campos, essas parecem ser as hipóteses de trabalho que melhor “salvam os fenômenos”. No entanto, todas as explicações humanas não passam disso. Como escreveu o imortal filósofo americano Charles Fort: “Não concebo nada, na religião, na ciência ou na filosofia, que seja mais do que a coisa certa a se usar por um tempo. Isso pode levar a conclusões pessimistas, mas não necessariamente deprimentes.

Os esforços para encaixar o universo em sistemas e esquemas racionais medíocres estão fadados ao provincianismo, pois nenhum deles concorda com o outro. No atual estágio da inteligência humana, não temos mais chances de sucesso do que uma formiga com uma teoria sobre a sociedade humana. 

A grande vantagem de se ter um senso de história é que ele coloca as coisas em perspectiva, especialmente na ciência e na filosofia. Ideias e teorias mudam com o passar dos séculos, e as certezas de ontem são noções antiquadas e arcaicas de hoje. Uma coisa é certa: algumas das certezas científicas e morais de hoje serão as noções antiquadas e arcaicas de amanhã. A “fé comovente e infantil” na explicação materialista de homens meramente intelectuais, mencionada acima, provavelmente será uma delas.

As certezas encontradas nesses “estados de consciência supranormais” são de natureza diferente e não mudam com o tempo e o progresso. No ápice da gnose ou do misticismo filosófico, parece haver concordância entre os sábios de todos os tempos, culturas e raças. Essa é a “Sabedoria Eterna” do meu subtítulo: a gnose que é sempre e em todo lugar a mesma porque é um direito inato da humanidade, seja ela realizada ou não. Contudo, sua eficácia na vida cotidiana é limitada, e comunicá-la é praticamente impossível. A citação anterior continua:

Quando a mente racional é contornada pela gnose, o resultado é “inefável” (inexprimível em palavras, especialmente para ouvidos “surdos”) e, paradoxalmente, extremamente certo; mas isso nada tem a ver com categorias de pensamento, moldadas como são pela genética, pela linguagem, cultura, ignorância e pelos sentidos.

As tradições de mistério foram concebidas para aproximar as pessoas do estado gnóstico, mas mesmo nesse contexto, suas formulações são contraditórias. Por exemplo, os mistérios de Orfeu, Mitra e os ensinamentos egípcios preservados no Hermetismo enfatizam os preparativos para a vida após a morte, retratando o iniciado como então deificado ou, pelo menos, desfrutando da companhia do(s) deus(es). Por outro lado, a alquimia, a meditação cabalística, o Rosacrucianismo e a Maçonaria “ocultista” [se isso for possível] focam na transmutação no aqui e agora. A tradição grega do misticismo filosófico – Pitágoras, Platão e os neoplatônicos – combina ambas, ensinando métodos contemplativos de desapego das preocupações terrenas como preparação para o inevitável desapego da ilusão da morte. 

Quanto às religiões, elas não conseguem chegar a um consenso sobre questões tão básicas como a existência de um único deus ou de vários, porque são incapazes das mudanças de perspectiva tão comuns à mente filosófica. Diante disso, a questão não é difícil de resolver.

A inteligência sutil dos filósofos indianos, egípcios e gregos compreendeu facilmente a verdade do monoteísmo: que só pode haver uma fonte última e primeira de todas as coisas. Mas o fiel comum, em todas as religiões, encontra conforto não na metafísica, mas na fé cega, e extrai sustento espiritual de uma relação pessoal com um deus ou deusa. Uma cultura politeísta como a Roma antiga ou a Índia moderna reconhece que existem muitos objetos dignos de tal devoção e permite que cada um escolha sua divindade.

Seus filósofos guardam seu entendimento para si e não interferem nos costumes religiosos das pessoas dizendo: “Vocês devem derrubar os ídolos de Júpiter (Shiva, Ísis, etc.) e adorar o Inefável!”. Não é assim com os monoteístas. As escrituras do judaísmo, cristianismo e islamismo insistem que existe apenas um Deus, e em certo sentido, elas estão certas. Mas o que eles chamam de Deus não é mais o Uno dos filósofos. Ele é uma entidade masculina com atributos de ordem muito inferior, como chauvinismo tribal, desejo de amor, resposta a orações e subornos, e intervenção nos assuntos humanos. Ele não é melhor que os deuses do Olimpo, e ainda assim é considerado a fonte de tudo. E assim como ele age, com amarga inimizade para com os adoradores de outros deuses, seus seguidores também agem – como se o Único se importasse!

Alguns livros atuais sobre a tradição esotérica ocidental são relatos factuais e acadêmicos que enriquecem o conhecimento do leitor. Outros são inspiradores, escritos por entusiasmo por uma ou outra corrente, como a teosofia cristã ou o divino feminino. “O Fio de Ouro” possui um pouco de ambas as intenções, mas, ainda mais importante, encoraja o leitor a confrontar algumas questões difíceis. Não faltam pessoas ansiosas para fornecer respostas, mas vejo uma virtude maior em deixar as perguntas em aberto e admitir que simplesmente não se sabe. Este é o princípio socrático de confrontar a própria ignorância, que Sócrates e Platão ensinaram como um estágio filosófico superior ao da maior parte da humanidade, que vive em um emaranhado de opiniões e crenças que confundem com pseudo conhecimento.

O Dilema do Filósofo

As questões a seguir surgem no contexto do que chamo de “O Dilema do Filósofo” (entendendo por “filósofo” a pessoa atraída por estudos esotéricos). 

O dilema do filósofo reside na escolha entre esses dois campos de ação, o político e o pessoal. Pode-se formular a questão da seguinte maneira: o estado da humanidade como um todo pode ser remediado, ou encontra-se em tal situação precária que a solução só é possível no nível individual ?

Não é preciso ser excepcionalmente sábio para se perturbar com essa questão, mas respondê-la exige uma reflexão profunda sobre as convicções mais profundas a respeito da natureza humana e do lugar do homem na Terra. Por exemplo, acredita-se que a vida terrena seja apenas um prelúdio para uma vida muito mais importante que começa após a morte? Se sim, as condições sociais deste vale de lágrimas são uma questão secundária, até mesmo uma distração. Acredita-se, como a maioria dos cristãos, que todos possuem uma alma individual e imortal, ou, como alguns pagãos, que a imortalidade pessoal só é conquistada por esforços titânicos? Existe uma distinção clara entre existência material e espiritual, ou corpo e alma fazem parte de um continuum dividido por nossa percepção equivocada? Devo me preocupar com a humanidade como um todo, ou com minha própria salvação, deixando o resto para a Divina Providência ou a deusa Fortuna? Sou uma unidade separada com minha própria história espiritual, um estrangeiro ou mesmo um exilado nesta Terra (o ponto de vista gnóstico), ou pertenço a uma tribo, raça ou espécie com uma macro-história de evolução passada e futura? 

Ao estudar tradições esotéricas e de mistério, é inevitável deparar-se com o oculto. O termo “ocultismo” foi cunhado no século XIX, quando serviu como contraponto ao crescente materialismo, mas sempre existiram “ciências ocultas” que lidam com aquilo que está oculto aos sentidos mundanos dos ignorantes. Estas incluem astrologia, alquimia, as diversas formas de oráculo, como quiromancia, geomancia, cartomancia e interpretação de presságios, magia natural ou a manipulação das forças ocultas da natureza, magia sexual, magia cerimonial, incluindo invocações demoníacas e angelicais, a ciência das correspondências e o estudo dos seres intermediários na hierarquia entre os deuses (ou Deus) e o homem.

Não vejo razão para excluir esses aspectos dos estudos esotéricos, pois ambos frequentemente caminham juntos. Fazem parte do lado prático, sem o qual o aprendizado livresco é incompleto; contudo, quem se aventura nas ciências ocultas sem uma base filosófica está em situação ainda pior. Em ” O Fio de Ouro”, reconheço a realidade do domínio oculto e tento dar-lhe algum sentido. Um conceito em particular me parece digno de consideração: o de “egrégora”, explicado no capítulo sobre os mistérios do Império Romano.

Existe um conceito oculto de “egrégora”, um termo derivado da palavra grega para “observador”. É usado para uma entidade imaterial que “observa” ou preside sobre algum assunto ou coletividade terrena. O ponto importante é que uma egrégora é fortalecida pela crença humana, pelo ritual e, especialmente, pelo sacrifício. Se for suficientemente nutrida por tais energias, a egrégora pode adquirir vida própria e aparentar ser uma divindade independente e pessoal, com poder limitado em favor de seus devotos e um apetite ilimitado por sua devoção. Nesse caso, acredita-se que seja um deus ou deusa imortal, um anjo ou um daimon. 

Pode-se desocultar a teoria do egrégora imaginando essas entidades como meros padrões de energia reforçados pelo uso, análogos à forma como os padrões de neurônios no cérebro são reforçados e fortalecidos pelo uso e esforço mental. A formação da linguagem é um exemplo de como tal padrão pode vir a constituir a matriz dominante de toda a nossa experiência humana. No nível coletivo, então, sugiro que os antigos deuses e deusas romanos possuíam uma realidade limitada e que eram mantidos vivos pelas crenças do povo, pelos rituais dos sacerdotes e sacerdotisas e pela energia psíquica liberada e direcionada em uma miríade de sacrifícios de animais. Enquanto esse pacto perdurasse, os egrégoras velavam pela cidade, que florescia sob sua proteção. 

O leitor mais atento não pode deixar de se perguntar que tipo de egrégoras estão sendo formadas e que podem estar ativas hoje

Assim como minha atitude filosófica foi influenciada por Charles Fort e por Platão, também não posso deixar de notar alguns equivalentes modernos para ideias ocultistas antigas. Um deles, que pode ter alguma ligação com o conceito de egrégora, é o “cenário de ficção científica” do gnosticismo, no qual um deus malévolo, o Demiurgo, manipula a humanidade. Há um bom motivo para não descartá-lo levianamente.

Existem cientistas hoje que acreditam, e até mesmo esperam, que a raça humana eventualmente domine outros planetas e explore seus ambientes, com quaisquer formas de vida que lá existam, para benefício próprio. Dê-nos mais um milhão de anos e poderemos nos tornar um Demiurgo maligno, escravizando os habitantes de algum sistema planetário desavisado, talvez até mesmo sem o conhecimento deles. Em uma era de manipulações genéticas, não é mais fútil questionar se a nossa própria Terra, e nossos corpos, possam ter sofrido alguma intervenção desse tipo por seres mais inteligentes do que nós. Diante da contínua incapacidade da ciência materialista de explicar as origens da humanidade, parece valer a pena reunir material relacionado a essa hipótese. Há diversas hipóteses distintas a serem consideradas:

  • 1. Que a mutação que deu origem ao Homo sapiens foi deliberadamente introduzida por uma entidade ou entidades desconhecidas.
  • 2. Que o homem primitivo foi educado por seres superiores de outro planeta, posteriormente celebrados como nossos “deuses”.
  • 3. Que a motivação de tais seres pode não ter sido a dos melhores interesses da humanidade.
  • 4. Que eles ainda estejam envolvidos conosco, talvez como os “superiores desconhecidos” de grupos ocultistas, talvez como os alienígenas que realizam abduções.

A literatura popular está repleta de afirmações a favor das quatro hipóteses, apresentadas com ousadia como fatos e exemplificando o método antisocrático de fingir um conhecimento que não se possui. Eu as tabulo e as apresento aqui em um espírito forteano, esperando que o leitor concorde comigo que o cosmos é um lugar estranho e complexo, e que há muito que desconhecemos sobre ele.

Neste artigo, enfatizei a natureza questionadora e perturbadora de “O Fio de Ouro” em detrimento de suas outras funções. Uma delas é fornecer aos leitores um esboço breve, porém sólido, das principais correntes do esoterismo ocidental. Outra é oferecer, nas notas, um guia para leituras adicionais, que vão desde estudos acadêmicos em diversos idiomas até obras populares. Um terceiro propósito é pessoal. Desde que me deparei, há quase meio século, com “Discos Voadores: Um Mito Moderno das Coisas Vistas nos Céus”, de Carl Jung, e “O Oceano da Teosofia”, de William Q. Judge , esses assuntos me fascinam, e parece ser o momento oportuno de fazer um balanço temporário e avaliar minha posição em relação a eles. Se não me tornei mais sábio, certamente me enriqueci com a experiência, e os leitores poderão sentir um pouco da alegria e do entusiasmo que ela me proporcionou.

O livro “The Golden Thread: The Ageless Wisdom of the Western Mystery Traditions” de Joscelyn Godwin, com prefácio de Richard Smoley, publicado pela Quest Books, está disponível pela Dominion Press, incluindo uma edição de colecionador encadernada em tecido vermelho e dourado com o desenho caligráfico da autora na capa. Para encomendar, acesse dominionpress.net/titles/the-golden-thread/

Este artigo foi publicado na edição especial número 5 da revista New Dawn .


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