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As Digitais dos deuses (36) – Anomalias

Visto de nosso ponto de observação elevado no deserto, a sudoeste da necrópole de Gizé, o plano do sítio arqueológico das três grandes pirâmides nos pareceu majestoso, mas muito estranho. A pirâmide de Menkaure era a que ficava mais próxima de nós, tendo por trás, na direção nordeste, os monumentos de Khafre e Khufu. Estas duas estavam situadas ao longo de uma diagonal quase perfeita – uma linha reta ligando as arestas sudoeste e nordeste da pirâmide de Khafre e, se prolongada para o nordeste, passaria também através das arestas sudoeste e nordeste da Grande Pirâmide. Presumivelmente, tal configuração nada tinha de acidental. Do ponto em que estávamos sentados, porém, era fácil ver que, se a mesma linha imaginária fosse estendida na direção sudoeste, ela erraria inteiramente a Terceira Pirâmide, uma vez que toda sua massa estava deslocada para leste da diagonal principal. 

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Livro “AS DIGITAIS dos DEUSES”, uma resposta para o mistério das origens e do fim da civilização

Por Graham Hancock, livro “AS DIGITAIS DOS DEUSES”, Tradução de Ruy Jungmann, editora Record 2001.

CAPÍTULO 36 – Anomalias

Egiptólogos, porém, recusaram-se a ver nisso qualquer anomalia. E por que deveriam ver? No que os interessava, não havia em Gizé um plano do sítio arqueológico. As pirâmides eram tumbas, e nada mais, construídas para três faraós diferentes em um período de cerca de 75 anos. Fazia sentido presumir que cada governante procurara expressar sua personalidade e idiossincrasias através de um monumento e fora por isso, provavelmente, que Menkaure “saíra da linha”. Os egiptólogos estavam (e continuam, redondamente) enganados.

Embora eu não soubesse desse fato naquela manhã de março de 1993, uma grande descoberta fora feita, provando, além de qualquer dúvida, que a necrópole obedecia, de fato, a um plano geral do sítio que determinava o posicionamento exato das três pirâmides não só nas relações entre si, mas também em relação ao rio Nilo, que corria alguns quilômetros a leste do platô de Gizé. Com sobrenatural fidelidade, esse imenso e ambicioso projeto reproduzia um fenômeno celeste (Alinhamento EXATO com as estrelas da Constelação de ÓRION) – o que era talvez o motivo por que os egiptólogos (que se orgulhavam de olhar exclusivamente para o chão sob os seus pés) não o haviam descoberto. Em uma escala realmente gigantesca, como veremos em outros capítulos, o plano refletia também a mesma  preocupação obsessiva com orientações e dimensões, demonstradas em

cada um dos monumentos.

Uma Opressão Estranha – Gizé, Egito, 16 de março de 1993, 8h da manhã

Com uma altura de pouco mais de 60m (e com comprimento nos lados da base de 108m), a Terceira Pirâmide (Miquerinos) tem menos da metade da altura e bem menos da metade da massa da Grande Pirâmide (Queóps). Não obstante, ostenta uma impressionante e imponente majestade própria. Saindo do sol do deserto e penetrando em sua imensa sombra geométrica, lembrei-me do que o escritor iraquiano Abdul Latif disse sobre a estrutura, quando a visitou no século XII:

“Ela parece pequena em comparação com as outras duas. Mas, vista a curta distância e com exclusão das outras, ela produz na imaginação uma estranha opressão e não pode ser contemplada sem que afete dolorosamente a vista…”.

As dezesseis carreiras inferiores do monumento ainda estavam revestidas, como haviam se apresentado desde o início, com blocos de granito vermelho (“tão duro”, nas palavras de Abdul Latif, “que o ferro precisa de muito tempo e dificuldade para nele deixar uma marca”). Alguns dos blocos são muito grandes, bem juntos e habilmente encaixados em um padrão completo de quebra-cabeça interligado, que lembra muito o trabalho de cantaria ciclópico de Cuzco, Machu Picchu e outros sítios arqueológicos no longínquo Peru (e Baalbek, bem perto de Gizé, no hoje Líbano).

Como era o normal, a entrada para a Terceira Pirâmide situava-se na face norte, bem acima do chão. Daí, em um ângulo de 26° 2′, um corredor descendente caía como uma lança para baixo e para dentro da escuridão. Orientado diretamente no sentido norte-sul, esse corredor é constituído de seções retangulares e é tão apertado que tivemos quase que nos dobrar em dois para conseguir entrar. Nos locais em que passa através da cantaria do monumento, o teto e paredes consistem de blocos de granito bem ajustados. E, mais surpreendentemente ainda, esses blocos continuam por alguma distância abaixo do nível do chão. A cerca de 20m a partir da entrada, o corredor se nivela e abre-se para uma passagem, onde podemos ficar de pé. Esta passagem leva a uma pequena antecâmara com apainelamento entalhado e sulcos cortados nas paredes, aparentemente para receber lajes de porta levadiça (tipo guilhotina).

Chegando ao fim dessa câmara, tivemos que nos agachar novamente para entrar em outro corredor. Dobrados em dois, continuamos na direção sul por cerca de 12m, antes de chegar à primeira das três principais câmaras funerárias – se é que um dia foram isso. Esses cômodos sombrios, onde reina um silêncio sepulcral, haviam sido abertos na rocha maciça. O aposento onde nos encontrávamos era retangular e orientado no sentido leste-oeste. Medindo cerca de 9m x 4,5m de largura x 4,5m de altura, possui teto plano e uma estrutura interna complexa, com um buraco grande e irregular na parede oeste, que leva a um espaço escuro, semelhante a uma caverna, situado no outro lado.

A Pirâmide de Miquerinos – a grande abertura na parte norte da pirâmide foi uma tentativa de demolição das construções, comandada por Malek Abd al-Aziz Othman ben Yusuf, filho do grande sultão Saladino. Conseguiram apenas remover algumas pedras, causando um desmoronamento.

Há ainda uma abertura perto do centro do piso, que dá acesso a uma rampa, inclinada na direção oeste, e que conduz a níveis ainda mais profundos. Descemos a rampa. Ela termina em uma passagem curta, horizontal, à direita da qual, com acesso por um umbral estreito, existe uma pequena câmara vazia. Seis celas, tais como enxergas de monges medievais, haviam sido abertas nas paredes: quatro no lado leste e dois no lado norte. Egiptólogos pensam que serviram como “armazéns (…) para guardar objetos que o rei morto queria perto de seu corpo”. Saindo dessa câmara, viramos novamente para a direita e voltamos à passagem horizontal, no fim da qual encontramos outra câmara vazia, com um projeto excepcional entre as pirâmides do Egito. Com cerca de 3,5m de comprimento por 2,5m de largura e orientada no sentido norte-sul, suas paredes e piso muito danificados são feitos de um granito peculiarmente denso, de cor de chocolate, que parecia absorver ondas de luz e som.

O teto consiste de dezoito enormes placas do mesmo material, nove de cada lado, assentadas em cumeeiras que dão frente uma para a outra. Uma vez que haviam sido furadas a partir de baixo para formar uma superfície acentuadamente côncava, o efeito desses grandes monólitos é de uma abóbada arqueada perfeita, quase o que poderíamos esperar encontrar na cripta de uma catedral românica. Refazendo os passos, deixamos as câmaras mais baixas e subimos a rampa de volta para a grande sala, de teto plano, cortada na rocha, que se estende acima. Passando pela abertura irregular da parede oeste, quando demos por nós, estávamos olhando diretamente para os lados superiores das dezoito lajes que formam o telhado da câmara embaixo. Dessa perspectiva, a verdadeira forma dessas lajes, como cumeeiras pontudas, fica imediatamente visível. O que estava menos claro, para começar, era como elas haviam sido trazidas para ali, quanto mais assentadas em uma posição perfeita.

Cada uma delas deve pesar muitas toneladas, e são pesadas o suficiente para tornar extremamente difícil movê-las, em qualquer circunstância. E essas circunstâncias nada tinham de ordinárias. Como se para tornar deliberadamente as coisas mais complicadas para si mesmos (ou, quem sabe, porque achavam fáceis esses trabalhos?), os construtores da pirâmide não haviam nem pensado em reservar uma área de trabalho adequada entre as lajes e o leito rochoso acima. Rastejando para dentro da cavidade, consegui verificar que o vão varia de aproximadamente 60cm na extremidade sul para apenas alguns centímetros na extremidade norte. Em um espaço tão restrito assim não havia possibilidade de que os monólitos pudessem ter sido arriados na posição que ocupavam.

Logicamente, por conseguinte, deviam ter sido içados a partir do chão da câmara, mas como fizeram isso? A câmara é tão pequena que apenas uns poucos homens poderiam ter nela trabalhado em qualquer ocasião – número este pequeno demais para reunir a força bruta muscular necessária para içar as lajes. Supostamente, não havia gruas na Era das Pirâmides (mesmo que houvesse, não existia espaço suficiente para montá-las). Teria sido usado algum sistema desconhecido de alavancas? Ou poderia haver mais fundamento do que pensavam os estudiosos nas antigas lendas egípcias, que falavam em pedras imensas que eram erguidas no ar sem esforço por sacerdotes ou mágicos, quando pronunciavam “palavras de poder”?

Não pela primeira vez, quando confrontado com os mistérios das pirâmides, eu sabia que olhava, nesse momento, para uma façanha de engenharia impossível, que, não obstante, fora levada a cabo de acordo com padrões impressionantemente altos e precisos. Além do mais, se fôssemos dar crédito aos “egiptólogos”, o trabalho de construção ocorrera supostamente no alvorecer da civilização humana, realizado por um povo que não acumulara ainda qualquer experiência em maciços projetos de construção. Havia aí, claro, um surpreendente paradoxo cultural e para o qual nenhuma explicação adequada foi dada por um especialista acadêmico.

O Dedo Móvel Escreve e, Tendo Escrito, Continua a Mover-se

Deixando as câmaras subterrâneas, que pareciam vibrar no âmago da Terceira Pirâmide como se fosse o coração convoluto, de multiválvulas, de algum Leviatã adormecido, seguimos pelo estreito corredor de entrada e saímos para o ar livre. Nosso objetivo nesse momento era a Segunda Pirâmide (Quéfren). Contornamos sua face oeste (de pouco menos de 215m de comprimento), viramos para a direita e chegamos finalmente ao ponto em sua face norte, a uns 12m a leste do eixo principal norte-sul, onde se localizam as principais entradas. Uma delas havia sido escavada diretamente no subestrato rochoso ao nível do chão, a cerca de 9m em frente ao monumento; a outra tinha sido aberta na face norte, a uma altura de pouco menos de 15m. A partir desta última, um corredor desce em um ângulo de 25° 55’10.

Pirâmide de Quefren

Com início no primeiro, pelo qual entramos nesse momento na pirâmide, outro corredor penetra bem fundo e, em seguida, se nivela por uma curta distância, dando acesso a uma câmara subterrânea, sobe em um alto gradiente e por fim volta a nivelar-se em uma comprida passagem horizontal, que se dirige diretamente para o sul (no qual desemboca também o corredor superior que desce da entrada localizada na face norte). Com altura suficiente para que ficássemos de pé e revestido inicialmente de granito e depois de pedra calcária bem polida, a passagem oriental situa-se quase que no nível do chão, isto é, fica diretamente abaixo da carreira mais baixa de cantaria da pirâmide. É também muito comprida, seguindo em linha reta por mais 60m, até desembocar em uma única “câmara funerária” no coração do monumento.

Como já dissemos acima, nenhuma múmia foi jamais encontrada nesta última câmara, nem quaisquer inscrições, o que tornava a chamada Pirâmide de Khafre (Quéfren) inteiramente anônima. Aventureiros de uma época muito posterior, porém, haviam entalhado seus nomes nas paredes – notadamente o ex-hércules de circo Giovanni Battista Belzoni (1778-1823), que entrou à força no monumento em 1818. Sua enorme e pitoresca pichação, garatujada em tinta preta bem alta no lado sul da câmara, é um lembrete da natureza humana básica: o desejo que todos sentimos de ser reconhecidos e lembrados. Era claro que o próprio Khafre esteve longe de ficar imune a essa ambição, uma vez que referências repetidas à sua pessoa (bem como um bom número de estátuas lisonjeiras) aparecem no complexo funerário circundante.

Se ele havia realmente construído a pirâmide como sua tumba, parece inconcebível que um homem desse tipo tivesse deixado de gravar seu nome e identidade em algum lugar no interior da estrutura. Mais uma vez, comecei a me perguntar por que os egiptólogos demonstravam tanta má vontade em considerar a possibilidade de que o complexo funerário possa ter sido trabalho de Khafre e a pirâmide de algum outro indivíduo. Mas quem havia sido esse indivíduo? De muitas maneiras – e não por causa da ausência de marcas identificadoras – este era o problema principal. Antes dos reinados de Khufu, Khafre e Menkaure, não houve qualquer faraó isolado cujo nome poderia ter sido apresentado como candidato. Acredita-se que o pai de Khufu, Snefru, o primeiro rei da Quarta Dinastia, construiu as pirâmides “Inclinada” e “Vermelha” de Dhashur, situadas a cerca de 48km de Gizé – uma atribuição em si mesma misteriosa (se as pirâmides fossem, na verdade, tumbas), porquanto parece estranho que um faraó precisasse de duas pirâmides para ser sepultado.

Alguns egiptólogos davam também a Snefru o crédito pela construção da Pirâmide “Desmoronada” de Meidum (embora certo número de autoridades insista em que esta era a tumba de Huni, o último rei da Terceira Dinastia). Os únicos outros construtores no Período Arcaico tinham sido Zóser, o segundo faraó da Terceira Dinastia, a quem se atribui a construção da “Pirâmide Escalonada de Saqqara”, e seu sucessor, Sekhemkhet, cuja pirâmide se situa também em Saqqara. Por conseguinte, a despeito da falta de inscrições, supunha-se nesse momento, como se fosse óbvio, que as três pirâmides de Gizé deviam ter sido construídas por Khufu, Khafre e Menkaure e forçosamente para lhes servir como as respectivas tumbas. Não precisamos repisar aqui as muitas falhas da teoria das “tumbas, e nada mais”. Não obstante, essas falhas não se limitaram às pirâmides de Gizé, mas também a todas as outras pirâmides da Terceira e Quarta Dinastias mencionadas acima. Em nenhum desses monumentos jamais foi encontrado o corpo de qualquer faraó ou quaisquer sinais de sepultamento real.

Algumas delas nem mesmo sarcófagos continham, como, por exemplo, a Pirâmide Desmoronada de Meidum. A Pirâmide de Sekhemkhet, em Saqqara (aberta pela primeira vez pela Organização de Antiguidades Egípcias), possuía, de fato, um sarcófago – e que certamente permaneceu fechado e intacto desde sua instalação na “tumba”. Ladrões de sepulturas jamais conseguiram descobrir maneiras de violá-la, mas, quando foi aberta, descobriu-se que o sarcófago (Também) estava vazio. Se assim, o que estava acontecendo? Como explicar que 25 milhões de toneladas de pedras tivessem sido empilhadas para formar as pirâmides de Gizé, Dhashur, Meidum e Saqqara, se o único objetivo desse trabalho todo fora instalar sarcófagos vazios em câmaras vazias? Mesmo admitindo os excessos hipotéticos de um ou dois megalomaníacos, parecia improvável que uma série inteira de faraós tivesse sancionado esse desperdício todo.

Caixa de Pandora

Sepultados sob as cinco milhões de toneladas da Segunda Pirâmide de Gizé (Quéfren), Santha e eu entramos nesse momento na espaçosa câmara interna do monumento, que poderia ter sido uma tumba, mas, também, ter servido para outra finalidade ainda não identificada. Medindo 14m de comprimento no sentido leste-oeste e 5m de largura no sentido norte-sul, esse aposento despojado e estéril é coroado por um teto em cumeeira imensamente forte, que chega a uma altura de 6,5m da base ao ápice. As lajes da cumeeira, todas elas maciços monólitos de pedra calcária de 20 toneladas de peso, haviam sido assentados em um ângulo de 53º 7′ 28″ (que corresponde exatamente ao ângulo de inclinação dos lados da pirâmide). Aí não havia câmaras de descarga (como acima da Câmara do Rei, na Grande Pirâmide). Em vez disso, por mais de 4.000 anos – talvez muito mais -, o teto em cumeeira vem sustentando o peso imenso da segunda maior estrutura de pedra do mundo.

Olhei em volta da câmara, que refletia, em minha direção, um brilho branco-amarelado. Cortado diretamente no subestrato rochoso, as paredes não têm em absoluto qualquer polimento, como poderia ter sido esperado, e são visivelmente ásperas e irregulares. O piso é também de uma construção peculiar, em dois níveis, com um degrau de cerca de 30cm de altura separando suas metades leste e oeste. O suposto sarcófago de Khafre está localizado perto da parede oeste, encravado no chão. Medindo pouco mais de 1,80m de comprimento, muito raso e de certa maneira estreito demais para ter contido uma múmia enfaixada e embalsamada de um nobre faraó, seus lados lisos de granito vermelho chegam mais ou menos à altura do joelho. Enquanto olhava para seu escuro interior, tive a impressão que ela se abria como uma porta para outra dimensão.


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