Super-Ricos investem em bunkers de luxo na Suíça, com Obras de Arte, Ferraris, Ouro e vinhos

Um complexo subterrâneo de alta segurança está sendo construído sob os Alpes suíços para atender a um público restrito: os mais ricos do mundo. Enterrados em subterrâneos escavados na rocha bruta a mais de 100 metros de profundidade sob o maciço de Brünig, perto do vilarejo de Lungern, os cofres poderão armazenar obras de arte, metais preciosos, carros de luxo, vinhos e outros bens de alto valor.

Fonte: Globo-G1

¹² E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; ¹³ E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. ¹⁴ E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. ¹⁵ E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; ¹⁶ E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; ¹⁷ Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir? – Apocalipse 6:12-17

Complexo subterrâneo terá cerca de 20 cofres privados a mais de 100 metros de profundidade; contratos de 99 anos começam em quase R$ 6,5 milhões

O projeto é comandado pelo empresário suíço Thomas Gasser, presidente do conselho da Brünig Mega Safe. A previsão é que a estrutura seja inaugurada no próximo ano. Segundo os responsáveis, a proteção oferecida será comparável à do Banco Nacional Suíço.

O complexo deverá ter cerca de 20 cofres privados escavados na rocha. Os espaços estão sendo oferecidos em contratos de 99 anos, com preços a partir de quase 1 milhão de francos suíços, o equivalente a cerca de R$ 6,4 milhões. O modelo prevê que o cliente tenha um registro próprio da propriedade e possa até mesmo usá-la como garantia para um financiamento.

O acesso será submetido a rígidos protocolos de segurança. Segundo Gasser, os clientes terão de passar por um posto de controle especial e deixar o veículo antes de serem submetidos a outras verificações.

Você primeiro terá que passar por um posto de controle especial e sair do veículo: haverá várias verificações de segurança, que obviamente não serão divulgadas ao público — afirmou o empresário à emissora suíça RTS.

Mais de um milhão de euros por 99 anos

Guardar uma coleção de automóveis de luxo, ouro, vinhos e valiosas obras de arte em subterrâneos dentro dos Alpes não será propriamente barato. O direito de utilização de cada uma das cavernas será arrendado por um período de 99 anos, com preços a começar num milhão de francos suíços, aproximadamente 1,07 milhões de euros.

E, segundo Gasser, já existem pessoas dispostas a pagar. Vários clientes já adquiriram direitos de utilização das futuras instalações, numa altura em que o empresário considera que a instabilidade geopolítica está a levar os detentores de grandes fortunas a procurar novos locais onde proteger os seus ativos.

“Durante muito tempo, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi considerado um lugar seguro, mas hoje essa sensação está sendo questionada e as pessoas querem proteger parte dos seus bens e suas vidas”, ele afirmou à RTS.

Representação do interior dos cofres suíços para os super-ricos — Foto: Divulgação | Brünig Mega Safe

A estação suíça RTS conseguiu filmar parte da gigantesca infraestrutura, mas não teve autorização para entrar nos principais cofres. Nem mesmo jornalistas autorizados a acompanhar as obras puderam conhecer a futura entrada dos cofres. As imagens liberadas mostram apenas os túneis de acesso.

A empresa também prevê acesso 24 horas por meio de um túnel suficientemente grande para a passagem de caminhões. A temperatura natural no interior das cavernas deverá ficar em torno de 13°C, condição considerada adequada para a conservação de determinados bens, como vinhos e obras de arte.

Além dos espaços destinados ao armazenamento de posses, o empreendimento prevê módulos adicionais que poderão funcionar como salas de reunião, lounges e áreas de retiro temporário. A companhia também pretende instalar no local um centro voltado para treinamento de segurança, análise de riscos e sobrevivência.

A estrutura subterrânea de sobrevivência está sendo escavada na rocha bruta em uma área que já teve outras funções. O local abrigava a Cantina Caverna, restaurante e espaço para eventos, além de um estande de tiro e um centro de treinamento para bombeiros que simulava incêndios em túneis. A Suíça já possui uma longa tradição de proteção subterrânea. Em 2024, os bancos do país administravam cerca de 9,3 trilhões de francos suíços, aproximadamente R$ 61 trilhões, sendo cerca de metade desse montante proveniente do exterior.

A tendência, no entanto, é ainda mais ampla: na Finlândia, por exemplo, Helsinque possui milhares de abrigos subterrâneos escavados na rocha, com capacidade para proteger centenas de milhares de pessoas. O projeto suíço, porém, tem uma diferença fundamental: em vez de ser destinado à população em geral, foi concebido como um refúgio de altíssimo padrão para a proteção do patrimônio de uma pequena parcela de oligarcas bilionários da população mundial.

Bunkers de luxo estão sendo construídos na Suíça — Foto: Divulgação | Brünig Mega Safe

Nem todos os vizinhos estão encantados

O projeto está, entretanto, provocando reações diferentes em Lungern, a localidade situada nas proximidades da montanha. Alguns habitantes questionam a dimensão de uma obra construída essencialmente para servir pessoas extremamente ricas e criticam os recursos envolvidos num projeto deste género.

Outros encaram a chegada dos milionários de forma bastante mais pragmática. A expectativa é que o novo megacofre subterrâneo de Brünig Mega Safe possa trazer dinheiro e visitantes à região — e, como resumem alguns moradores citados na reportagem, talvez também mais Ferraris, Lamborghinis, Porches às estradas locais.

Se isso acontecer, alguns desses automóveis poderão ter um destino pouco habitual no final da viagem: atravessar sucessivos controles de segurança e desaparecer dentro de uma montanha dos Alpes durante os próximos 99 anos.


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