Surto de Ebola na África: RDC tem mais de mil novos casos de contágio em 10 dias

O governo da República Democrática do Congo (RDC) elevou nesta segunda-feira (27/07) para 1.405 o número de mortos e para 3.200 o total de casos confirmados de contágio pelo vírus Ebola desde o início do surto da doença no final de abril. Com isso, a taxa de letalidade está em 43,9%, segundo o último boletim do Ministério da Comunicação e Mídia da RDC, com dados compilados até 25 de julho.

Fonte: Deutschewelle

Dos cerca de 3.200 pacientes que contraíram a doença no país africano desde o início do surto, em abril, quase metade morreu. Trata-se da terceira pior epidemia de ebola já registrada na história.

Além disso, 773 pacientes estão em “isolamento ou hospitalização” e 571 pessoas conseguiram se recuperar da doença, enquanto a taxa de rastreamento de contatos está em 77,8%.

Especialistas, no entanto, partem do princípio de que há um elevado número de infecções não contabilizadas, que até agora não foram detectadas ou notificadas.

No domingo, as autoridades congolesas já haviam confirmado 3.075 casos, entre eles 1.354 mortes. Em apenas dez dias, o número de infecções aumentou em mais de mil, o que sugere um ritmo acelerado de propagação do contágio.

Epidemia concentrada no leste da RDC

atual surto se concentra sobretudo no leste do país, uma região assolada por mais de 30 anos de conflitos armados. Até o momento, as cinco províncias afetadas são Ituri (responsável por quase 90% dos casos, segundo a OMS), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uele, além de Tshopo (centro-norte).

A epidemia pelo Ebola também acabou se propagando para Uganda, que faz fronteira com a província de Ituri, epicentro do surto. Em 16 de julho, contudo, após registrar um total de 20 infecções confirmadas, Uganda deu alta ao último paciente que permanecia internado no país. Com isso, tem início a contagem regressiva de 42 dias sem novos contágios, período necessário para declarar o fim do surto no pais.

Uma doença ainda sem tratamento nem vacina

Causada pelo vírus Bundibugyo, contra o qual não existe vacina nem tratamento específico, a doença é transmitida por contato com fluidos corporais e provoca febre hemorrágica.

Enterro de supostas vítimas do ebola no cemitério de Nyamurongo, na República Democrática do Congo (Arquivo: 18/06/2026)

Cientistas trabalham atualmente em várias vacinas e medicamentos contra a variante do vírus. Na sexta-feira, um primeiro voluntário de 37 anos recebeu uma vacina experimental direcionada especificamente à variante Bundibugyo, informou a Universidade de Oxford.

O imunizante ChAdOx1 BDBV utiliza a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca. O estudo recebeu financiamento da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), enquanto o Instituto Serum da Índia já produziu um estoque de 620 mil doses.

Outras vacinas contra a variante Bundibugyo também estão sendo desenvolvidas em ritmo acelerado para avançar à fase de testes clínicos, além de duas possíveis terapias.

Um desafio para as autoridades

Oficialmente declarada em 15 de maio, esta é a terceira pior epidemia de ebola já registrada na história e a 17ª a atingir a RDC.

“As capacidades de vigilância e atendimento seguem plenamente mobilizadas nas áreas afetadas”, afirmou o ministério.

Por sua vez, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) destacou em suas redes sociais a importância de realizar enterros “seguros e dignos” para interromper a transmissão da doença.

Em 2020, a epidemia mais letal da RDC provocou cerca de 2.300 mortes entre os 3.500 casos registrados entre 2018 e 2020. Na África como um todo, o Ebola já matou mais de 15 mil pessoas nos últimos 50 anos.

ip/ra (afp, efe, dpa)


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