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Brasil: Bancos de Leite Materno para o mundo

Posted by on 12/04/2015

Bancos de Leite Materno, do BRASIL para o Mundo, salvando vidas.

“Eu nunca vi pessoalmente os bebês prematuros que recebem meu leite, mas só de saber que eu posso ter ajudado a salvar a vida de algumas destas crianças já é a minha recompensa”, disse à IPS. 

É uma questão de consciência. Se eu tiver leite extra por que eu iria joga-lo fora, por que não doá-lo? ”  E ela acrescentou que, se ela tiver outro filho, ela vai continuar a doar parte do seu leite. A jovem mãe Cíntia Rosa Regis, 23 anos, não só amamenta a sua filha de 16 meses de idade, Zelda, mas também faz uma doação de 600 ml de leite materno por semana para o banco de leite materno no Brasil durante o ano passado …

Tradução, edição e imagens: Thoth3126@gmail.com

Bancos de Leite Materno, do BRASIL para o Mundo, salvando vidas.

Fonte: http://www.ipsnews.net/2012/09/breast-milk-banks-from-brazil-to-the-world/

Por Fabíola Ortiz 

RIO DE JANEIRO (IPS) – … Foi o médico pediatra de sua filha Zelda que sugeriu que ela doasse o excedente do seu leite materno. “Enquanto minha filha está amamentando e estimulando o meu fluxo de leite, vou continuar doando”, disse ela.

“Eu nunca vi pessoalmente os bebês prematuros que recebem meu leite, mas só de saber que eu posso ter ajudado a salvar a vida de algumas destas crianças já é a minha recompensa”, disse à IPS. “É uma questão de consciência. Se eu tiver leite extra por que eu iria joga-lo fora, por que não doá-lo? “  E ela acrescentou que, se ela tiver outro filho, ela vai continuar a doar parte do seu leite.

Qualquer mulher que produz mais leite do que as necessidades de seu bebê podem doar o excedente para a rede nacional de bancos de leite materno existentes no Brasil. O Brasil está se tornando uma referência internacional sobre o assunto, e as exportações de tecnologia de baixo custo para configurar os bancos de leite materno para mais 23 países, como uma ferramenta eficaz para combater a mortalidade infantil da humanidade.

Há 210 bancos de leite materno distribuídos por todo o Brasil, em todos os estados. E essa iniciativa levou à criação de mais 28, na Espanha, Portugal e vários países da América Latina e na África. Até agora, em 2012, 97.000 litros de leite materno foram coletados de 86 mil doadoras no Brasil e que têm sido usados para alimentar 108 mil bebês. No ano passado, 165.000 litros de leite materno foram doados por 166.000 mães, ajudando cerca de 170 mil bebês.

Os únicos requisitos previstos na legislação brasileira são de que as doadoras de leite materno sejam saudáveis e não estejam tomando qualquer medicação. As orientações incluem recomendações simples para a higiene pessoal: mãos e antebraços limpos e secos, um lugar calmo e limpo para recolher o leite, longe de animais, um recipiente esterilizado e armazenamento do leite em um freezer.

O leite materno é vital para um recém-nascido prematuro pesando apenas 500 gramas. Crédito: Manipadma Jena / IPS

O leite materno doado a um banco passa por um processo de seleção, classificação e pasteurização e depois é distribuído com “certificado de qualidade” aos bebês internados em unidades neonatais. Este país de 192 milhões de habitantes  “construiu a maior e mais complexa rede de bancos de leite materno do mundo”,  declara o especialista João Aprígio Guerra de Almeida, à IPS.

“Nós não apenas efetuamos a recolha e distribuição. Temos centros de apoio a amamentação, métodos de controle de qualidade, indicadores nutricionais, monitoramento e conselheiros”, disse Almeida, o coordenador da Rede Brasileira e Ibero-Americana de Bancos de Leite Humano.

O governo brasileiro tem apoiado este esforço já por quase 30 anos, através de pesquisa no centro estatal de pesquisas Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em 1985, a Fiocruz estabeleceu o primeiro centro da América Latina para a pesquisa do leite materno, com o objetivo de compreender as características biológicas, físicas, químicas e imunológicas do leite materno.

“Nós vimos que este trabalho pode tornar-se uma estratégia de saúde para promover condições que conduzam à redução das taxas de mortalidade infantil absurdamente altos que tivemos no Brasil”, disse Almeida, pesquisador da Fiocruz. “As estatísticas já foram alarmantes, muito maior do que a média mundial.”

Desde os anos 1990, o país alcançou uma redução de 73 por cento na mortalidade infantil, e este ano o país aderiu a um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, acordadas pelos países membros das Nações Unidas, em 2000: uma redução de dois terços na taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos, entre 1990 e 2015.

“Por causa do nosso trabalho (de incentivo ao aleitamento materno), a Organização Mundial de Saúde reconheceu ganhos impressionantes do Brasil na redução da mortalidade infantil”, disse Almeida. “Antes de iniciarmos o nosso esforço de pesquisa, o Brasil era completamente dependente do hemisfério norte. Para processar o leite tivemos que importar equipamentos da Europa e dos Estados Unidos, que custaram cerca de 35.000 dólares na época”, disse ele.

A Cooperação internacional com outros países começou em 2007 e, agora, países como Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai têm a infraestrutura necessária para coletar e distribuir as doações de leite materno. “Apoiamos a criação desses bancos e fornecemos consultoria e treinamentos aos profissionais para atuarem nessa área”, disse Almeida.

Quando a iniciativa foi estendida para a região ibero-americana, Portugal e Espanha aderiram à rede e se beneficiaram de uma transferência de tecnologia até então incomum: desta vez em sentido inverso, do Sul para o Norte (das ex colônias para países europeus).

A criação de bancos de leite “se espalhou internacionalmente, e em 2007, os líderes dos países ibero-americanos decidiram adotar a estratégia como uma ação intergovernamental”, disse Almeida. Na cúpula realizada naquele ano, em Santiago-Chile, o Programa Ibero-Americano de implantação de ‘bancos de leite materno foi estabelecido.  O primeiro banco espanhol foi criado em Madri, e em Portugal foi na Maternidade de Lisboa, junto ao Hospital Dr. Alfredo da Costa, equipado em 2008.

 Cabo Verde tornou-se o primeiro país Africano a aderir à rede, com um banco de leite, que começou a operar em agosto do ano passado. Delegações da Fiocruz já visitaram Moçambique e Angola, em 2010 e 2011, respectivamente, e os projetos de implantação estão em andamento lá.

Muito depende da vontade de doar das mães que amamentam. O Brasil está promovendo a data de 19 de maio como o Dia Mundial de Doação de Leite Materno. “Nesse dia, em 19 de Maio de 2005, o primeiro acordo entre países para criar uma rede internacional de bancos de leite foi assinado por 13 países e organizações internacionais”, disse Almeida.

No Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Mulheres, Crianças e Saúde do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) é a unidade da Fiocruz especializada no atendimento neonatal e recepção de leite materno. Rosane Xavier, uma enfermeira de 35 anos, que trabalha no laboratório pré-natal do IFF, incentiva as mães a amamentar e, se possível, para doarem leite.

Rosane Xavier amamenta seu primeiro filho, com dois anos e dois meses, e ela é um doadora. “Quando o leite é abundante, convido as mães para doarem. É preciso ter consciência da importância do leite materno para as crianças, e especialmente para bebês prematuros “, disse à IPS.

Ela diz que a doação de leite materno, é um ato muito pessoal (e muito amoroso), beneficia ambas as partes. A vantagem para a nutriz é a remoção do excesso de leite, o que pode causar problemas se ele se acumula. E o bebe a receber o leite é susceptível de ter menos doenças e tem o seu crescimento e desenvolvimento melhorado.

“Um bebê que não é amamentado não se desenvolve tão bem como aquele que o é”, disse Rosane Xavier. “O aleitamento materno traz um melhor desenvolvimento mental, desenvolvimento da linguagem, da dentição e da imunidade de toda criança que é amamentada com leite materno.”

Permitida a reprodução desde que mantida a formatação original e mencione as fontes.

www.thoth3126.com.br

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