A III Guerra Mundial já começou: Emmanuel Todd

Emmanuel Todd é antropólogo, historiador, ensaísta, prospectivista e autor de inúmeros livros e fez a previsão do fim da URSS. Falando ao jornal francês Le Figaro, o pensador francês afirmou que, ao contrário da ideia predominante de que a Rússia tem mais a perder do que os seus oponentes, o [Hospício do] Ocidente entrou em um conflito existencial. Seu último livro, World War III Began, foi publicado em 2022 no Japão e já vendeu cerca de 100.000 cópias.

A III Guerra Mundial já começou: Emmanuel Todd

Fonte: Frontliner.com

“É óbvio que o conflito, que começou como uma guerra territorial limitada e agora está se transformando em um confronto econômico abrangente entre todo o Ocidente, por um lado, e a Rússia e a China, por outro, tornou-se uma guerra mundial”, disse Todd ao jornal francês.

O colapso do domínio global americano foi acelerado, ironicamente, por esforços autodestrutivos para preservar o sistema. Parece trivial neste momento observar que a defesa dos EUA de sua hegemonia global {unipolar] ajudou a forjar uma forte aliança entre a Rússia e a China. Mas essa parceria não acabará dominando outros países e dificultando o desenvolvimento de uma ordem verdadeiramente multipolar?

Emmanuel Todd é antropólogo, historiador, ensaísta, prospectivista e autor de inúmeros livros. Vários deles, como a A Queda Final, A Ilusão Econômica ou Depois do Império, tornaram-se clássicos das ciências sociais. Seu último livro, World War III Began, foi publicado em 2022 no Japão e vendeu 100.000 cópias.

Pensador singular, escandaloso para alguns, para outros intelectual visionário que previu o colapso da União Soviética já em 1976 [com 15 anos de antecedência], a entrevista de Todd ao Le Figaro traz uma análise muito diferente das visões previsíveis que dominam a imprensa francesa.

A seguir, trechos da entrevista La Troisième Guerre mondiale a déjà commencé.

Uma Guerra existencial

O historiador avalia que o presidente russo, Vladimir Putin, cometeu um grande erro na véspera do conflito com a Ucrânia.

“[todos viam a Ucrânia] não como uma democracia nascente, mas como uma sociedade decadente e um ‘Estado falido’. […] Acho que o cálculo do Kremlin era que essa sociedade decadente entraria em colapso no primeiro choque. Mas o que descobrimos, pelo contrário, é que uma sociedade em decadência, se alimentada por recursos financeiros e militares externos, pode encontrar na guerra um novo tipo de equilíbrio, e até mesmo um horizonte, uma esperança”, disse Todd.

A Ucrânia, cujo exército foi tomado por soldados da OTAN (americanos, britânicos e poloneses), desde pelo menos 2014, já é um membro de fato da aliança militar europeia.

O historiador concorda em grande parte com a análise do professor de Relações Internacionais da Universidade de Chicago John Mearsheimer, proponente da política externa “realista”, de que “do seu ponto de vista, os russos estão em uma guerra que é defensiva e preventiva […] Porque esta é uma questão existencial para eles, eles vão contra-atacar com mais força”.

No entanto, Todd pensa que seu colega americano “superestima seu país”, os EUA.

Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes da intervenção russa
Como era a cobertura da Ucrânia pelas pre$$tituta$ da imprensa ocidental ANTES da intervenção russa

“Mearsheimer considera que, se para os russos a guerra na Ucrânia é existencial, para os americanos é basicamente apenas um ‘jogo’ de poder. Depois do Vietnã, Iraque e Afeganistão, o que mais é um desastre? O axioma básico da geopolítica americana é: ‘Podemos fazer o que quisermos porque estamos seguros, longe, entre dois oceanos, nada jamais nos acontecerá’. Nada seria existencial para a América”, explicou o intelectual francês.

“Uma análise insuficiente que hoje leva [o senil presidente marionete ‘Dementia’ Joe] Biden a avançar sem pensar. A América é frágil. A forte resiliência da economia russa está empurrando o fraco e debilitado sistema imperial dos EUA para o abismo. Ninguém previu que a economia russa resistiria ao ‘poder econômico’ da OTAN. Creio que os próprios russos não previram isso”, ele disse.

Todd, um ex-comunista que no passado foi crítico da ordem internacional ocidental, prevê que “se a economia russa resistir às sanções indefinidamente e conseguir esgotar a economia europeia, mantendo-se próspera ela mesma, apoiada pela China, os controles monetários e financeiros dos EUA sobre o mundo entrarão em colapso, e com eles a possibilidade dos EUA financiarem sem esforço o seu enorme déficit comercial”.

“Esta guerra, portanto, tornou-se existencial para os Estados Unidos. Não mais do que a Rússia podem se retirar do conflito. É por isso que estamos agora em uma guerra sem fim, em um confronto cujo resultado deve ser o colapso de um ou de outro”, observou.

Declínio americano

A perspectiva adicional de a China travar uma guerra fria contra o Ocidente levará à ascensão de países em desenvolvimento como a Índia, de acordo com o historiador francês, enquanto a Europa enfraquece. Ele acredita firmemente que os EUA estão em declínio, o que será uma má notícia para a autonomia dos ses estados vassalos [e seus políticos lacaios].

“Acabei de ler um livro [The India Way] de S. Jaishankar, Ministro das Relações Exteriores da Índia, publicado pouco antes da guerra, que vê a fraqueza americana, que sabe que o confronto entre a China e os Estados Unidos não terá vencedor mas dará espaço a um país como a Índia e muitos outros. Acrescento: mas não haverá espaço aos europeus“.

“Em todos os lugares vemos o enfraquecimento dos Estados Unidos, mas não na Europa e no Japão, porque um dos efeitos da retração do sistema imperial é que os EUA fortalecem seu controle sobre seus protetorados originais. À medida que o sistema americano encolhe, ele pesa cada vez mais sobre as elites dos protetorados (e eu incluo aqui toda a Europa). Os primeiros a perder toda a autonomia nacional serão (ou já são) os ingleses e australianos”, frisou o pensador francês.

“A Internet produziu interação humana com os EUA, na Anglosfera, de tal intensidade que suas elites acadêmicas, midiáticas e artísticas estão, por assim dizer, anexadas. No continente europeu, estamos um pouco protegidos pelas nossas línguas nacionais, mas a queda da nossa autonomia é considerável e rápida. Lembremo-nos da guerra no Iraque, quando Chirac, Schröder e Putin ousaram realizar conferências de imprensa conjuntas contra a guerra”, disse.

Educação

Todd lembrou também a importância da educação: “Os Estados Unidos são agora duas vezes mais populosos que a Rússia (2,2 vezes mais populosos em faixas etárias estudantis). Mas nos Estados Unidos, apenas 7% dos estudantes fazem cursos de Engenharia, enquanto na Rússia são 25%. Isso significa que, com 2,2 vezes menos estudantes, a Rússia treina 30% mais engenheiros.

Os EUA preenchem o vazio na sua formação de cérebros com estudantes estrangeiros, mas são principalmente indianos e ainda mais chineses. É um problema de segurança interna e, em todo o caso, os seus números estão diminuindo. Este é um dos dilemas da economia dos EUA: ela só pode competir com a China importando mão-de-obra chinesa qualificada.

Isolamento russo

Sobre os aspectos ideológicos e culturais da guerra, o soft power do liberalismo americano e da Europa Ocidental não é tão atraente quanto se pode pensar, observou Todd.

“Quando vemos a Duma russa aprovando uma legislação ainda mais repressiva sobre a ‘propaganda LGBTQ+‘, nos sentimos “superiores“. Eu posso sentir como um ocidental comum. Mas, do ponto de vista geopolítico, se pensarmos em termos de poder, isso é um erro. Em 75% do planeta, a organização do parentesco é patrilinear e pode-se sentir uma forte compreensão das atitudes russas. Para o coletivo não-ocidental, a Rússia afirma um conservadorismo moral tranquilizador”.

“A ex-URSS tinha alguma forma de soft power, mas o comunismo fundamentalmente horrorizou todo o mundo muçulmano com seu ateísmo e não inspirou nada de particular na Índia, fora de Bengala Ocidental e Kerala. Mas hoje, a Rússia, que se reposicionou como o arquétipo da grande potência, não apenas anticolonialista, mas também patrilinear e conservadora dos costumes tradicionais, e cristã ortodoxa pode apelar muito mais. [Por exemplo, é óbvio que a Rússia de Putin, que se tornou moralmente conservadora, tornou-se simpática aos sauditas, que tenho certeza que têm um pouco de problema com os debates dos EUA sobre o acesso das “mulheres transgênero” [aos banheiros femininos, das mulheres de ”VERDADE”].

“A [as pre$$tituta$ da] mídia ocidental é tragicamente engraçada, eles continuam repetindo: “A Rússia está isolada, a Rússia está isolada”. Mas quando olhamos para os votos na ONU, vemos que 75% do mundo não segue o Ocidente”.

“Uma leitura antropológica disso nos permite ver que os países ocidentais muitas vezes têm uma estrutura familiar nuclear com sistemas bilaterais de parentesco, isto é, onde o parentesco masculino e feminino são equivalentes na definição do status social da criança. [No resto do mundo], com a maior parte da massa afro-euro-asiática, encontramos organizações comunitárias e familiares patrilineares.

Vemos então que esse conflito, descrito por nossas pre$$tituta$ da mídia como um conflito de valores políticos, é, em um nível mais profundo, um conflito de valores antropológicos. É esse aspecto inconsciente da clivagem e essa profundidade psíquica que torna o confronto perigoso”, alertouTodd.

No que tem sido chamado de “a era do homem forte”, “a América e seus companheiros ideológicos estão parecendo cada vez mais frágeis”, acrescentou.

Com informações da Apar.TV

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